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novembro 2017

Posts em novembro 2017.

Farellones no Chile

Este é, finalmente, o ultimo post sobre nossa viagem ao Chile, quem quiser boas dicas sobre o deserto do Atacama aqui tem bastante informações, sobre o Chile aqui também tem boas dicas da nossa viagem anterior, mas hoje vou falar sobre o Parque Farellones que é bem pertinho de Valle Nevado e fica a mais ou menos uns 50 minutos de Santiago. Na rua do flat em que ficamos, encontramos uma agência – a Snow Tours que faz esses passeios de montanha e em vinícolas também, há diversas outras agências pelo centro da cidade que vendem esses tours, mas escolhemos essa pois estava com um bom feedback dos viajantes e era pertinho da gente, além de disponibilizarem o transporte que te busca e te deixa na porta do hotel, há também o serviço de aluguel de roupas, caso você não esteja devidamente preparado para o frio nesse tipo de lugar.

No nosso passeio estava incluso Valle Nevado + Farellones, porém, durante o caminho a nossa guia Denise, que é brasileira e muito gente boa, nos deu uma dica de ouro: quem estava indo com a intenção de esquiar, Valle Nevado era uma boa opção, contudo, quem queria se esbaldar na neve, passear ou fazer algum outro tipo de passeio, Farellones era o mais indicado e essa foi a minha real intenção, eu já teria minha cota de aventura no Atacama e esquiar não estava nos meus planos. Então, eu, Rick e mais algumas pessoas descemos em Farellones e o resto do grupo foi pro Valle Nevado e voltariam por volta da hora do almoço. Portanto, não conhecemos o Valle Nevado, mas eu e Rick passamos um dia incrível em Farellones.

A entrada no Parque, se eu não estou enganada, custa $20.000 pesos Chilenos (cerca de R$100,00) e honestamente não acho caro porque além de um lugar super lindo, com vistas maravilhosas, essa entrada dá o direito de fazer todas as atividades disponíveis dentro do parque, menos esquiar e as aulas de esqui (isso tem valor separado), você pode ficar o dia todo lá, sair do parque e voltar também, ir milhões de vezes em todas as atividades que quiser. Tem muita coisa legal pra fazer lá: passeio de bike, trineo (mais conhecido como skibunda e eu não gostei desse por motivos de: medo de descer naquela pranchinha), tubing (descer a neve com uma boia), snowboard, ski, tirolesa, teleférico, além dos cafés que ficam tanto na parte de cima como na parte de baixo do parque. Eu já tinha visto neve, mas nunca tinha estado em um lugar com tanta neve pra poder aproveitar, teve aquela nevasca tímida nesse ultimo inverno de Londres que passamos o ano novo, teve neve no Etna, mas foi tudo muito rápido, portanto se a sua intenção é literalmente brincar na neve, rolar na neve e fazer atividades na neve, Farellones é uma ótima escolha.

Como estivemos lá em Agosto, ou seja, ainda bem invernão no Chile, o parque estava completamente coberto de neve, as fotos são um pouquinho de como foi maravilhoso esse dia:

Aonde comer? Há cafés com serviço de restaurante no parque, mas por dica da nossa guia, nós fomos no restaurante de um hotel que fica um pouco mais acima, saindo fora do parque mesmo; comida honesta, preço justo e um ótimo vinho. Não lembro de quanto gastamos, mas eu sei que em Valle Nevado pra comer ou só  beber um café é muito mais caro que Farellones, tanto que a galera que foi pro Valle, decidiu almoçar em Farellones.

Apesar de muito frio, pegamos um dia lindo e sem vento e isso conta muito porque deu pra aproveitar bastante, no final do dia o frio ficou mais forte e também começou a ventar bastante, então, além de ir bem paramentado na vestimenta, é bom também checar as condições do clima antes, coisas que não podem faltar:

– Botas de Neve (se for impermeável melhor ainda, a minha não era, mas segurou de boa)
– Calça (e de preferência com uma segunda pele por baixo, eu por exemplo sinto muito frio nas pernas)
– Luvas (se você esquiar, escolha pelas impermeáveis, a minha é de lã mesmo)
– Casacão (daqueles pra neve mesmo, eu ainda usei uma segunda pele e um moletom por baixo)
– Gorro (parece que não, mas não dá pra ficar sem)
– Cachecol (não consigo andar no frio intenso sem um)
– Óculos escuros (imprescindível!!!! não dá pra ficar naquela neve branca de doer sem um óculos escuro)
– Protetor solar (pro rosto, o sol queima sim)
– Protetor labial (e use muito, porque tudo congela e tudo resseca)
– Água pra hidratar

Não foi o nosso caso, mas caso você não tenha algum desses itens, você pode alugar antes com a agência que você fechou o passeio, não tenho ideia de valores, mas sei que não é caro, durante a subida pra esses lugares é muito comum sentir um pouco do mal da montanha (olha ele aqui de novo), no nosso transfer, dois rapazes passaram mal, então, como precaução, eu recomendo tomar um café da manhã BEM leve.

Valle Nevado ou Farellones? Eu não estive no Valle, mas sei que é incrivelmente lindo e que vale muito a pena conhecer também, contudo, as opções pra comer são mais caras e se você tem intenção de esquiar, Valle Nevado é uma ótima escolha. Agora se você não faz questão de esquiar, mas quer aproveitar bastante o dia fazendo outras atividades na neve, Farellones é a melhor opção.

Livro: A Guerra Não Tem Rosto de Mulher

Resumo:

A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Alexiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

Este livro é a face FEMININA da guerra. Um lado da guerra desconhecido porque até então nunca havia sido contado. O livro é uma coletânea de depoimentos dolorosos das mulheres do Exército Vermelho que combateram durante a Segunda Guerra Mundial. A forma como autora expõe esses depoimentos é extremamente comovente. São histórias que contam o sofrimento, as angústias, as dores, os traumas e, principalmente, os abusos tanto físicos quanto psicológicos sofridos por essas mulheres que, todos esses anos ficaram caladas até mesmo dentro de suas casas. A guerra para essas mulheres que estiveram combatendo no front carregando um fuzil maior que seu tamanho, pilotando tanques, aviões ou cuidando dos milhões feridos, não terminou no Dia da Vitória. Enquanto os homens tiveram todos os seus méritos e reconhecidos por sua bravura, as mulheres foram xingadas de mulheres-machos e tratadas como prostitutas por uma sociedade em que nessa época, tinha um feminino extremamente conservador. Uma mulher ir a guerra era algo totalmente fora de questão, elas carregaram esse peso pelo resto de suas vidas e a guerra deixou tantas marcas que, muitas delas sequer foram apagadas. Não é toa que a autora Svetlana Aleksiévitch ganhou em 2015 o Nobel da Literatura por esta obra, pois o livro é impressionante do inicio ao fim, eu desconheço algum outro livro que tenha contado sobre esse lado feminino. Pra quem gosta de ler sobre esse período da história, eu diria que esta leitura é mais que obrigatória.

“Como a pátria nos recebeu? Não consigo contar sem soluços… Quarenta anos se passaram, e até hoje meu rosto queima. Os homens se calavam, mas as mulheres… Elas gritavam para nós: ‘Sabemos o que vocês faziam lá! Com as b… Jovens seduziam nossos homens. P… do front. Cadelas militares…’. Nos ofendiam de várias maneiras… O vocabulário russo é rico…”

Vai ganhar 4/4 xícaras:

cafe2-horz

Dia Mundial do Veganismo

Não ia deixar esse dia passar em branco aqui no blog porque foi uma das melhores decisões da minha vida. Sempre que falo em veganismo, eu lembro em primeiro lugar desse vídeo porque me identifico TOTALMENTE com ele e fico feliz por fazer parte dessa revolução:

Ser vegano não é fazer dieta, veganismo não está só relacionado apenas a comida, vai muito, muito mais além… Vou aproveitar esse post pra deixar algumas das milhões informações importantes sobre esse assunto:

Vegetarianos e Veganos. Quais as diferenças? Essa tabela feita pelo Vista-se ilustra de uma forma bem simplificada isso, mas é só pesquisar no Google pra ter mais informações detalhadas:

Piadinhas, tirações de sarro e chacotas com quem é vegano: Não, não é engraçado. Rimos por educação, mas a vontade mesmo é de dar as costas e sair andando. Eu já fiz isso anos atrás, não vou negar, mas só quando se coloca no lugar do outro é que a gente percebe que não tem graça nenhuma. Tem quem não aceita essas piadas e aí retruca e aí gera discussão e aí os veganos são rotulados de chatos. É de cada um, sabe? Eu realmente não ligo, de verdade, mas também não acho graça alguma.

Questionamentos. São milhões e garanto que pra todos eles há pelo menos uma resposta boa, o que mais se ouve é a famigerada pergunta: “mas e as proteínas?” como se por um momento todo mundo fosse o expert em nutrição, este vídeo é um dos montes que existem no Youtube respondendo especificamente a esse tema e desde já adianto que não se encontra proteína só na carne:

Sobre conselhos/comentários/achismos. Dispenso. De verdade, dispenso forte. Tirando é claro que se em algum momento eu solicitei a opinião sobre, aí ok. E digo o porquê: Geralmente essas coisas quase sempre vem disfarçadas de arrogância e isso sim me incomoda bastante. E em tão poucos meses nesse meu processo pro veganismo eu já ouvi umas merdas bem cabulosas, mas por sorte, tenho 100% do apoio das pessoas mais importantes da minha vida. Então, hoje em dia funciona assim: se eu não perguntei, eu também dispenso o “eu só acho que…” 

Veganismo não é impossível. Veganismo é uma escolha individual, mas que te faz pensar no próximo, você pode não querer pra você ou não concordar, mas tem que respeitar e acredite: não procuramos conselhos dos outros (principalmente de quem não é). Só o respeitinho mesmo.

Sempre é bom procurar um nutricionista, inclusive quem come carne também. Deficiência de vitamina não está necessariamente ligada ao não comer carne, leite ou derivados, na verdade tudo é questão de adequação da alimentação pra comer certo, viver bem e isso é totalmente diferente. Existem pessoas que possuem deficiência de alguma vitamina, que são anêmicas (e nem sabem) mesmo comendo carne, ovos e leite, então dizer que vegano não come bem ou que não é saudável, não é nem argumento e isso já foi mais do que provado.

Ser vegano é caro? Nunca!!! Falo por mim, estamos economizando muito mais no mercado do que quando eu consumia carne. Sim, o paladar melhora e tanto fisicamente como mentalmente, me sinto muito bem, já disse isso aqui. Cortei definitivamente o leite, troquei pelo vegetal e sabe o que aconteceu? Nunca mais tive rinite alérgica.

Teste em animais, roupas de couro ou qualquer outra coisa que seja de origem animal: as vezes é muito difícil escolher um produto livre de crueldade, ou seja, que não tenha nada de origem animal ou que não seja testado em animais… Hoje em dia já existem diversas empresas que estão se conscientizando disso, mas muitas ainda não deixam isso claro em seus rótulos, com o tempo você vai aprendendo a identificar melhor isso.

Quer saber mais a respeito? Esse post do Veganize indica 13 documentários sobre o veganismo que são esclarecedores, principalmente porque alguns mostram sem rodeios, de como é o processo cruel de abate dos animais pra carne chegar ao seu prato. E não só a carne, mas leite e ovos também. Eu já assisti alguns deles, mas não todos, alguns são realmente pesados porque a verdade nua e crua é jogada na sua cara.

Essa foi a minha contribuição para o dia de hoje que acho que pelo menos vale uma reflexão.

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhores com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que não estamos contribuindo para o sofrimento deles.” – Paul McCartney

Juliana Esgalha Post por