Cerro Toco – Deserto do Atacama

Quando nós fechamos a viagem pro Deserto do Atacama, entre todos os passeios que pesquisei, eu queria fazer algo que fosse mais… Como posso dizer? Algo mais ousado… Que pudesse testar meus limites ou chegar perto disso. Queria algo mais pancadão, sabe. Eu tinha pesquisado muito sobre o trekking ao vulcão Lascar (um dos vulcões AINDA ATIVO do Atacama) e fiquei doida pra fazer. Fechamos esse com a Ayllu, porém quando chegamos lá, fomos informados que a estrada que leva ao vulcão estava fechada por conta da neve e provavelmente ia continuar assim por mais um mês. Esse ano foi bem atípico no Atacama: teve muita neve e chuva, algo que não acontecia há anos e isso em meados de julho atrapalhou um pouco a vida de quem viajou pra lá. Fiquei chateada quando soube disso, é possível ver o Lascar por muitos lugares e bem pela manhã dava pra ver uma fumacinha saindo dele, foi um dos passeios que eu mais estava esperando, mas aí nos deram outra opção: Cerro Toco. Cerro Toco é um estratovulcão (ou seja, vulcão em forma de cone que são formados de camadas de fluxo de lava, cinzas e blocos de pedra) que não está mais ativo e o cume está a 5604 metros acima do nível do mar. A caminhada leva mais ou menos de 1:30 à 3 horas pra subir e mais ou menos 1 hora pra descer, é mais suave de subir que o Lascar segundo as informações passadas à nós (ahahahahaha eu tô rindo aqui sozinha porque vou chegar nessa parte), mesmo Cerro Toco sendo maior na altitude.

Então vamos pra Cerro Toco.

Por recomendação deixamos esse pro ultimo dia no Atacama, assim o corpo estaria mais aclimatado. Um dia antes fizemos uma pequena reunião com nosso guia que nos passou as condições do tempo (-10 graus durante o trajeto e -15 no cume), roupa adequada pra suportar o frio, o que levar, alimentação e alguns cuidados antes de ir. Na sexta feira o guia passou pra nos pegar cedinho e era pra ter ido mais um casal com a gente, mas eles acabaram desistindo, então fomos só nós 3. A viagem de carro durou mais ou menos 1 hora e como sempre passando por lugares incríveis, chegando lá começamos a nos preparar pra subida: gorro, paninho de proteção pra nariz e boca por conta do vento, óculos (indispensável), meias e luvas térmicas (que eu não tinha e o guia providenciou pra gente), capacete e na mochila apenas o necessário: um lanche, um saquinho bem farto de frutas secas e oleaginosas, uma barrinha de chocolate e um Gatorade de 1 litro. Paramentados, recebemos 1 bastão de trekking pra cada mão (descobri que isso realmente faz uma TOTAL diferença) e o plano era: primeiramente não morrer (ahahaha brincadeira), caminhar os 40 primeiros minutos sem pausa, depois uma pausa rápida pra tomar algo, comer umas frutinhas secas e continuar. Como caminhar em lugares assim? Passos lentos (SEMPRE!), curtos e sempre respirando devagar – conforme as passadas, não é nada parecido como se caminha na cidade, por exemplo, e menos ainda trote rápido, apenas.caminhar.devagar. Se alguém se sentisse mal era só falar, o tempo de cada um seria respeitado.

E aí fomos. Os primeiros minutos foram meio confusos pra eu ajeitar minha passada com o bastão de trekking, uma vez que coordenação nunca foi um ponto forte em mim. Rola todo um esqueminha da passada com o movimento dos bastões, mas logo me ajeitei com isso e fui. Se ajeita, sobe, respira, sobe, sobe, sobe, respira – NOSSA! QUE FALTA DE AR, NÃO TEM AR AQUI!!!! e tão logo eu também encontrei o famigerado MAL DA MONTANHA. Bom, eu já sabia que isso ia acontecer (porque 5 mil, 600 e lá vai pedrinha acima do nível do mar, fora que o Atacama já está a 2400 metros acima, é meio que né… bem previsto disso acontecer). Eu tenho um certo trauminha com esse lance de mal da montanha porque a primeira vez que senti eu não sabia o que era e achei que estava mesmo tendo um treco (em Portillo – 2010), vomitei, não consegui comer, muita tontura e fiquei toda malzona mesmo. Em Cerro Toco não seria diferente os sintomas, o ar ali é (bem mais) rarefeito, mas eu já sabia como lidar melhor com isso. A gente estava numa subida, estava bem frio, porém, nesse aspecto foi relativamente tranquilo porque estávamos bem agasalhados, mas mesmo que você queira ou tente andar mais rápido não é possível, e não pelo caminho em si, mas realmente por conta da altitude: você sente uma pressão enorme na cabeça, dor de cabeça, batimentos acelerados, tontura e falta de ar. Não é uma sensação necessariamente que te leve ao desespero, mas assusta um pouco… Por isso que eu acho que a mente nessas horas conta tanto quanto o físico.

Fui prestando atenção nas minhas passadas, sincronizando com minha respiração e mentalizando musicas e muitas coisas boas dos momentos daquela viagem e ao longo da minha vida, pensei nos meus gatos, num banho quentinho quando pegávamos trechos com muito vento ahahaha enfim… é praticamente uma meditação e um ótimo exercício pra mentes ansiosas como a minha. Durante essa primeira etapa eu não pensei em tempo, simplesmente fui vivendo cada passo que eu dava, mas a uma certa altura eu tive que parar e respirar mais fundo, aí sim perguntei ao guia quanto tempo ainda faltava e ele disse: “nenhum, acabamos de completar os 40 minutos” UFA!!! Eu estava com a respiração e o coração muito acelerado, por um mísero segundo achei que não conseguiria, mas tratei logo de tirar esse pensamento negativo da minha mente, porque é lógico que eu ia conseguir, eu estava alí pra isso e queria testar meus limites, certo? Tomei um pouco de Gatorade, não quis comer o chocolate e o guia foi me orientando a inspirar pela boca e soltar devagar o ar pelo nariz pra equalizar minha respiração, além é claro, isso junto com os milhões de incentivos, dizendo que nós estávamos muito bem pelo tempo e distância que já tínhamos feito e isso AJUDA muito em um momento como esse.

Feito isso, continuamos nosso trekking. Teríamos mais uma hora pela frente (mais ou menos) e dessa vez alguns caminhos com um pouco mais de neve, mas nada muito tenso e deu pra fazer de boa (mais uma vez: bastões de trekking ajudam MUITO nessas horas). O objetivo do momento era: caminhar, respirar, não desmaiar, caminhar, respirar, não desmaiar ahahahaha, parei mais umas 2 ou 3 vezes, equalizei minha respiração e continuei… Desistir não tinha nem sequer passado pela minha cabeça, mesmo nos momentos mais complicadinhos. Eu só pensava em conseguir e conquistar o cume seria o meu prêmio, a minha superação. Fizemos mais uma pequena pausa e o guia nos disse: “Falta pouco! É alí (e apontou), só mais 200 metros e chegamos, bora conquistar esse cume?” Nessa hora eu acho que a sensação que dá deve ser a mesma quando se alcança o auge de uma meditação ou algum outro momento que você simplesmente se deixa levar, eu não consigo bem explicar o que exatamente de tão maravilhoso invadiu em mim nessa hora, mas acho que se o mundo tivesse acabado alí, naquele minuto, eu teria continuado minha caminhada mesmo assim porque naquele instante, era somente aquilo que importava pra mim. Acho que a corrida também proporciona muito disso, mas pra mim ali ainda era bem diferente porque eu não estava no meu “território” habitual e não estava fazendo algo que estou acostumada a fazer, entende?

E aí anda mais um pouco, respira mais um pouco, anda, anda e então chegamos. Eu não consigo por em palavras a sensação louca que é de chegar no cume de uma montanha, ao mesmo tempo que você se sente grande por ter conseguido, você se sente tão pequeno quanto um grão de areia também, porque é só olhar em volta e sentir como somos tão insignificantes em relação natureza, ao mundo e ao universo. Super piegas eu ficar retratando essas emoções, eu sei, e mais piegas ainda foi quando eu sentei numa pedra pertinho de uma pirambeira e comecei a chorar (é lógico que eu ia chorar, alguém ainda tinha duvida disso? ahahaha), mas são registros meus que eu gosto de deixar aqui. Com certeza foi uma superação pra mim, de todos os trekkings e trilhas que já fiz, Cerro Toco foi o mais emocionante de todos e o que mais mexeu comigo. A volta foi bem mais curta, o que não quer dizer que foi ao mesmo tempo fácil. O Rick e o nosso guia desceram como se estivessem apenas descendo uma escada, eu que sou mais comedida (leia-se medrosa), fui bem mais devagar. Quer dizer, foi e não foi mais fácil. Descida sempre tem aquilo de firmar o pé antes de dar o passo seguinte pra não sair rolando até ir parar na cidade e como o caminho da volta era cheio daquelas pedrinhas soltas, isso me rendeu um escorregão, nada sério, mas o Claudio (o guia) disse que sendo assim eu já poderia ter minha propriedade em Cerro Toco, é tipo um “batismo” pra quem leva algum tombo ou escorregão nas montanhas ahahaha.

A volta nos despedimos de Cerro toco e com uma vista linda de Licancabur (que está ainda nos meus planos) e depois de toda a experiência, penso que foi bom o vulcão Lascar não ter dado certo dessa vez, o trekking dele é um pouco mais difícil e leva mais tempo, eu teria conseguido ele também, mas teria sofrido mais. Algumas coisas que preciso mencionar: faço academia, corro e mesmo assim, não foi algo fácil pra mim. Eu acredito que Cerro Toco seja um trekking acessível pra (quase) todos,  mas tenha em mente os perrengues também, porque como disse lá em cima: a mente é tão importante quanto o preparo físico e se você não estiver com o coração aberto pra isso, não vá. Outra coisa que preciso contar: o silêncio! Sim, o silêncio. Tanto quando estávamos subindo como quando estávamos descendo, é um silêncio que poucas vezes você sente na vida, principalmente quando se vive em cidades como a grande maioria de nós, a gente de certa forma se acostuma e aprende a viver com barulhos, mas o silêncio numa montanha chega a ser latente, a única coisa que você escuta são seus passos, mas o silêncio em volta chega a ser hipnotizante. Pra terminar esse post vou deixar uma música do RadioHead que viemos ouvindo na volta e me marcou muito. Esse dia está 10/10 na lista de coisas inesquecíveis em viagens.

Só pra título de curiosidade, essas são as altitudes de alguns vulcões do Atacama:

Lascar – 5500 metros de altitude
Cerro Toco – 5604 metros de altitude
Putana – 5890 metros de altitude
Licancabur – 5910 metros de altitude
Sairecabur – 5971 metros de altitude
San Pedro – 6145 metros de altitude
Aucalquincha – 6176 metros de altitude
Ojos del Salado – 6887 metros de altitude

Livro: Lugar Nenhum

“Em Lugar Nenhum Neil Gaiman conta a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive uma vida normal em Londres. Tem um bom emprego e vai se casar com a mulher ideal. Uma noite, porém, ele encontra na rua uma misteriosa garota ferida e decide socorrê-la. Depois disso, parecer ter se tornado invisível para todas as outras pessoas. As poucas que notam sua presença não conseguem lembrar exatamente quem ele é. Sem emprego, noiva ou apartamento, é como se Richard não existisse mais. Pelo menos não nessa Londres. Sim, porque existe uma outra – a Londres-de-Baixo. Constituída de uma espécie de labirinto subterrâneo, entre canais de esgoto e estações de metrô abandonadas, essa outra Londres é povoada por monstros, monges, párias, nobres, decaídos e assassinos – e é para lá que Richard vai.”

Esse livro tinha tudo pra eu amar: uma história de Neil Gaiman e Londres. Mas, infelizmente, não foi exatamente isso que aconteceu. “Lugar Nenhum” não é uma história ruim, mas pra mim faltou e sobrou muito ao mesmo tempo e vou explicar o porquê: o começo é muito legal, você sente que “uau, essa história será boa”, mas quando a história começa a desenrolar, ela se perde ao longo dos capítulos e do meio em diante, fica maçante.

Ao menos para mim não fluiu como eu esperava. Gaiman descreve Londres com uma riqueza de detalhes surpreendente e eu achei isso tão fantástico que preciso ressaltar, mas acho que pecou falando demais sobre muitos personagens que não tiveram praticamente relevância alguma na história (As 7 Irmãs, o Conde, Lamia), sendo que ele poderia ter contato muito mais sobre os principais – algo que não fez e aí acabou faltando algumas repostas pras minhas perguntas: Quem decide aonde será o próximo mercado? Como surgiu a Londres de baixo? E o pai de Door? Não sabemos nada da vida dele. Como Richard conseguiu enxergar Door? Isso fez com que a história ficasse com alguns fios soltos, o final ficou um pouquinho melhor, mas achei que a história poderia ter sido melhor explorada. Não é um livro de todo o ruim, veja bem… Mas eu que amei tanto “Deuses Americanos” ou “Oceano no Fim do Caminho” – histórias essas que superam minhas expectivas que acabei achando que “Lugar Nenhum” fosse no mínimo ser tão bom quanto, com certeza não é um dos melhores de Neil Gaiman, mas não é de todo o ruim. Vai ganhar só 2 das 4 xícaras:

O que fazer no Deserto do Atacama

Essa semana estava lendo um artigo que o Chile foi eleito através da World Travel Awards como o melhor destino da América do Sul para aventuras pela terceira vez consecutiva e não é pra menos, tem de ski a passeio no deserto, tem de praias a vulcão, sem contar que o turismo no Chile é muito bem feito, o governo investe uma grana boa e é por isso que voltamos pela segunda vez pra lá. Algumas pessoas tem a ideia de quando se fala em deserto tudo se resume a areia, areia, um pouco mais de areia e que não há muito o que se fazer. Se engana totalmente. O Deserto do Atacama tem centenas de passeios incríveis, alguns mais perto e outros bem mais longe que podem levar até dias, eu queria ter ficado muito mais tempo pra conseguir conhecer tudo o que tem lá, tem muita coisa legal  pra se fazer no Atacama e ainda penso em um dia voltar novamente.

Como disse no outro post sobre o deserto, agências de passeios ali não faltam e existem duas escolhas: você reservar lá quando chegar ou reservar com antecedência meses antes da sua viagem. Foi o que eu fiz e prefiro dessa forma porque você pode negociar um desconto e se programar melhor, principalmente se acontecer algum imprevisto de clima (o que aconteceu conosco em um dos passeios). Eu pesquisei bastante antes de fechar: pesquisei valores, opções de passeios, os mais legais, mas priorizei acima de tudo a confiança e segurança porque veja bem, estamos falando de um DESERTO que existe poucos recursos como socorro médico, posto de gasolina, comunicação, etc… Então você precisa de guias que te levem e te tragam dos lugares com segurança e obviamente todas agências lá possuem isso ou pra mais ou pra um pouco menos dependendo das suas expectativas e planos. Depois de muito pesquisar sobre tudo isso eu fechei meus passeios com a Ayllu Atacama que tem uma agência bem no centrinho, então é tranquilo pra encontrar quando se chega lá. Todos os feedbacks que li sobre a Ayllu são super positivos; tanto em blogs de viagem, como no TripAdvisor, eles responderam todas as minhas duvidas, perguntaram que seu tinha alguma restrição alimentar (alguns passeios tem café da manhã, almoço, lanche), pegaram meu horário de chegada e me deram informações importantes. Os passeios que eu fechei com eles foram:

Valle da La Luna, Laguna Cejar, Geyser El Tatio e Vulcão Lascar que tivemos que trocar pra Cerro Toco porque a estrada que leva até o vulcão estava fechada por conta da neve. No dia que chegamos, fechamos o roteiro com a Renata que nos atendeu muito bem e o primeiro da lista foi Valle de La Luna + pôr do sol no Valle de La Muerte: teve um trekking leve, teve entrada em caverna, vista maravilhosa (!), vinho, comidinhas e um pôr do sol maravilhoso com uma vista linda do vulcão Lincancabur, recomendo muito e é uma ótima opção pra se iniciar no Atacama:

Eu estou mostrando pela ordem dos passeios, eu só não me lembro se foi no segundo ou terceiro dia que demos um OFF pra conhecer o centrinho, mas o segundo que fizemos foi o Laguna Cejar: o famoso lago profundo que devido a quantidade absurda de sal que tem nele, você boia, não tem como afundar e é maravilhosa a vista de ter um lago desses no meio do deserto. A água é absurdamente gelada, já vou avisando, mas crie coragem e entre mesmo assim, vale muito a pena pela experiência e a gente só se vive uma vez na vida, né? Depois fomos pro Ojos del Salar que são duas crateras imensas com água doce e salgada onde se pode mergulhar, mas eu preferi só olhar mesmo porque eu já tinha tido a minha cota de encarar água gelada pro dia ehehehe e depois fomos para o pôr do sol Laguna Tebinquinche que o caminho é um pouco mais complicado e que nesta hora, final de tarde, o tempo já estava bem mais frio. Eu fiquei especialmente apaixonada por Laguna Tebinquinche porque além de ter uma vista maravilhosa, do tipo raro aos nossos olhos (fica no meio de um vale e recebe água do degelo das montanhas), é um lago muito sagrado, portanto é estritamente proibido tocar na água ou ultrapassar a linha da trilha que é demarcada. O pôr do sol ali é lindo também, conforme o sol vai se pondo a paisagem em volta vai mudando de cor, e a água do lago fica como um espelho refletindo tudo em volta, vimos tudo isso tomando um belo Pisco Sour e degustando comidinhas deliciosas (o pessoal da Ayllu foi muito querido e fez opções sem carne pra mim), outro passeio que vale muito a pena fazer:

No dia que fomos para os Geysers Del Tatio saímos antes mesmo do sol nascer. O guia nos buscou no hotel e de lá partimos. É preciso sair muito cedo por dois motivos: fica longe do Atacama (são quase duas horas de carro) e o espetáculo mesmo acontece quando o sol nasce e os geysers soltam aqueles vapores de água que chegam aos 10 metros de altura facilmente, isso acontece porque há um contraste muito grande entre a temperatura da água (por volta 85°C) e a temperatura ambiente, que neste dia pegamos os agradáveis -15°C ahahahahaha, ou seja, basicamente é o mesmo que se estivéssemos em cima de uma panela de pressão. Vocês lembram que eu disse que no Atacama quanto mais alto, mais frio? Pois bem, o Atacama está a 2.400 metros acima do nível do mar e o campo aonde fica os Geysers está a 4.320 metros, então esse é um dos passeios que é imprescindível camadas de roupas e um casaco adequado pra esse tipo de temperatura. O que pode acontecer também é sentir o tal do Mal da Montanha (enjoo, tontura, dor de cabeça, falta de ar), eu senti um pouco quando estávamos subindo de carro, mas como estou mais esperta com esse tipo de coisa, eu só tomei um pouquinho de café antes de sair do hotel e alguns golinhos de água durante o caminho, não quis comer nada porque é certeza que passaria mal, tomamos um belo café da manhã enquanto estávamos lá e aí foi super de boas porque o corpo já estava mais aclimatado. Foi sem dúvida um dos passeios que eu mais AMEI fazer e estando no Atacama você não pode deixar de incluir os Geysers del Tatio na sua lista, a volta também foi muito legal porque o que não vimos na estrada na ida por estar escuro, vimos tudo na volta e foi incrível:

E o penúltimo passeio que fizemos foi pra Pukara de Quitor, esse nós fizemos por nossa conta mesmo porque é bem próximo do centrinho do Atacama (3km) e não necessita de guias. Você pode alugar bicicleta ou ir a pé, escolhemos a segunda opção, ao chegar ao parque você paga uma entrada que sai por volta de mais ou menos 15 reais. Pukara de Quitor é um sítio arqueológico pré colombiano que foi construído no século XII (ou seja, essa ruína tem mais de 700 anos) e serviu de proteção dos atacamenhos que lutavam contra invasores. Pukara na língua dos quéchua significa “fortaleza” e Quitor é o nome do monte onde, em 1982 foi proclamado como monumento nacional. A subida é um pouco puxada, mas nada impossível, toda a vista que se tem quando se chega ao topo é compensadora:

O Atacama é um pedaço no mundo incrível pra se conhecer. E nos acontecimentos também: encontrei lá um amigo que conheci na Noruega, mas que agora mora em São Paulo, por um acaso ele viu no meu FB que eu também estava no Atacama e nos encontramos um dia para jantar juntos. Mundão pequeno, né? Há vários outros passeios além desses que fiz e tudo depende de quanto tempo você vai ficar e o quanto está disposto a gastar. A Ayllu não é uma das agências mais baratas, justamente por ter um turismo mais diferenciado, eles oferecem diversos atrativos que vão além dos lugares, além de um atendimento impecável, tanto na agência como os guias que nos acompanharam, aliás, o que já me perguntaram: Dá pra ir pros lugares sem guia? Creio que alguns até dão pra fazer sem um guia, porém não é recomendado! Eles mesmos lá enfatizam isso. É sempre mais seguro você estar com um guia que conheça o lugar e que esteja com equipamentos de segurança necessários: GPS no carro, sinal via satélite e rádio, caixa de primeiros socorros – essas coisas que fazem uma total diferença caso você precise delas. Portanto, eu recomendo que (tirando Pukara de Quitor), ninguém faça algum passeio sozinho. Pra quem viaja de carro (nós conhecemos um casal que saiu de Curitiba de carro e chegou até lá) eu não sei qual é o procedimento pra se visitar os lugares, então, pra quem tem essa intenção, pesquise muito bem antes. Pra fechar os posts sobre o Atacama (porque ainda falta do Chile) eu deixei Cerro Toco pra um outro post, uma vez que fazer esse trekking foi uma experiência única pra mim, então ainda vou escrever sobre ele contando tudo. Ah, e o post não é nenhum publi não, viu? Escrevi unicamente baseada na minha experiência. 🙂

meu processo para o veganismo até o momento

4 meses sem nenhum tipo de carne animal e agora estou no processo do vegetarianismo para o veganismo, ou seja, não só a carne, mas nada de origem animal (leite, laticínios, ovos) também. Há também muito do que você veste e consome: couro, cosméticos, maquiagens testados em animais e algumas pequenas mudanças eu já fiz nisso também, porém, essa parte será pauta pra um outro post. Leite ainda não cortei totalmente, mas diminui MUITO principalmente depois que descobri da ligação do leite e laticínios com a rinite alérgica, uso o leite mais em receitas (e pra terminar logo as caixas que ainda tenho em casa) e mesmo assim substituo sempre que posso porque também aprendi a fazer vários leites vegetais, até o momento o que mais estou consumindo e gostando é o leite de aveia: fácil de fazer e delicioso.

Ovo eu nem lembro da ultima vez que consumi, seja pra mim ou cozinhado algum prato. Nas minhas pesquisas descobri que a banana é um ótimo substituto do ovo nas receitas, além de muitos outros ingredientes e dá super certo mesmo. Queijos eu evito ao máximo (acho que esse será o mais difícil pra mim), mas como disse, veja bem, eu sou uma vegetariana que está em processo para o veganismo.

Fisicamente me sinto ótima. Não sinto cansaço e nenhum tipo de fadiga ou desanimo, principalmente quando corro ou estou na academia, posso dizer que meu rendimento até melhorou. Não tive mais aquele inchaço que tanto me incomodava e minhas refeições tem sido maravilhosas porque antes era basicamente uma proteína animal + salada na janta, sendo que no almoço era a mesma coisa só que aí eu acrescentava um carbo. Em casa, todos nos dias na janta, tem ao menos umas 3 coisas diferentes no meu prato, descubro sempre receitas deliciosas e fazer a minha própria comida com nada de origem animal e nada industrializado (muito embora eu já evite isso há muitos anos) tem sido algo tão prazeroso que, chega a ser uma terapia pra mim.

Psicologicamente/Espiritualmente digo e afirmo de todo coração que não sinto vontade de comer carne, de verdade, não sinto mesmo. Acredito que em parte isso se deve ao fato de eu estar comendo melhor, com uma gama enorme de variedades de alimentos e também porque foi mais fácil do que eu pensava. Aos poucos é como se meu cérebro fosse acostumando o meu corpo a não aceitar mais as coisas de origem animal, sei que não é uma “mágica” que acontece do dia pra noite, é um processo gradual de descobrimento e também de muitas verdades que o Veganisno joga na sua cara – verdades essas que no passado eram simplesmente ignoradas, mas penso nisso como um despertar pra um novo começo e isso tem me trazido muita paz e a certeza de que fiz uma das melhores escolhas pra minha vida.

O vídeo a seguir mostra muito do que sinto e estou vivendo em relação ao veganismo. O difícil não é adequar a alimentação, mas muitas vezes lidar com o lado sombrio das pessoas quando te criticam ou fazem chacota sobre suas escolhas, nessas horas o melhor mesmo é a resiliência, o respirar fundo e o deixar pra lá, até mesmo porque eu já sabia desse revés no caminho, mas sei que faz parte… (muito embora eu preciso dizer: tive muito apoio de pessoas mais próximas a mim: marido, pais, amigos mais chegados e considero isso como uma grande sorte)

P.S. Ainda não passei com uma nutri, mas pretendo muito em breve fazer isso e já tenho algumas boas indicações de nutricionistas especializadas em alimentação vegana, contarei tudo. Ah! E não esqueci os posts sobre o Atacama também, be patient.

Juliana Esgalha Post por