Livro: Mitologia Nórdica

“No início, não havia nada”

É uma pena que a maioria das pessoas tenha um conhecimento bem pequeno sobre a mitologia nórdica, que é na minha opinião uma das mais ricas e complexas religiões que já existiram, pois ela vai muito além de Thor, Odin ou Loki. Muito embora, é graças a difusão da cultura pop promovida principalmente no cinema e nos quadrinhos pela Marvel que despertou o interesse das pessoas em saber mais sobre os antigos povos da Escandinávia, suas crenças, seus costumes e com isso, felizmente, o interesse vem crescendo cada vez mais. Prova disso é o grande sucesso do seriado Vikings produzido pelo History Channel e que sem dúvida um dos meus preferidos também.

Em meio a isso, Neil Gaiman, resolveu para a nossa felicidade literária recontar a Mitologia Nórdica ao qual ele mesmo diz que é completamente fascinado por essas histórias. Gaiman – o mestre supremo com o dom de te arrancar do mundo real e te levar para dentro da história, faz o mesmo com esse livro. É uma história especialmente escrita para quem não é nada familiarizado com a Mitologia, da mesma forma que é feito TAMBÉM pra quem já a conhece muito bem. O livro foi reunido em 15 contos que narram desde o início: os 9 mundos, a relação entre os deuses, os anões, os gigantes, até o Ragnarök – o fim de tudo. Tudo é contado de uma maneira leve, despretensiosa e com aquela peculiaridade do humor naturalmente ácido de Gaiman que todos os seus leitores amam. Dei muitas risadas com a forma que ele conta sobre os personagens – o que particularmente, foi uma das minhas partes preferidas, ri muito com Thor: incrivelmente forte, que se orgulhava de ser um beberrão e tão bruto que estava sempre disposto a matar alguém pra aliviar a tensão, mas o mesmo tempo era tapado como uma porta (ahahahaha), de Odin – O Pai de Todos e sua fixação louca por sabedoria e poder ou com o Loki, que é um grandíssimo trapaceiro safado, mas de uma inteligência enorme. Talvez as histórias envolvendo ele foram as minhas favoritas.

Mitologia Nórdica é um livro incrível em todos os sentidos, desde a sua edição belíssima até o seu conteúdo. Como em todas as histórias de Gaiman eu digo também pra essa: abram bem a mente e leiam, apenas leiam! Vocês não vão se arrepender! Ganhou as 4 xícaras de café:

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Livro: A Ponte Invisível

Sinopse:

Em seu primeiro romance, Julie Orringer se inspira na experiência de seus antepassados húngaros durante a Segunda Guerra Mundial para construir uma narrativa ficcional cativante, que pode ser lida como uma história de amor, um thriller de guerra ou um romance histórico. Aos 22 anos, Andras Lévi recebe um convite para estudar na École Spéciale d’Architecture e se vê diante da repentina realização do sonho de deixar a Hungria para residir na charmosa Paris dos anos 1930. Tibor Lévi, por sua vez, consegue ingressar na faculdade de medicina de Modena, na Itália. Sempre que as parcas economias e a rotina de estudos permitem, os dois irmãos se reúnem para trocar confidências e aproveitar a noite parisiense. Andras, que se apaixona por uma mulher mais velha com um passado misterioso, logo se torna mais uma das preocupações de Tibor, que também se vê às voltas com um amor complicado. Nenhum deles previa, entretanto, as complicações que teriam início com a eclosão da Segunda Guerra Mundial: eles são obrigados a retornar à Hungria, onde são incorporados às frentes de trabalho destinadas aos judeus.

A narrativa da história é fantástica e igualmente rica em detalhes onde a autora fez um excelente e minucioso trabalho de pesquisa sobre a Segunda Guerra Mundial, tanto que algumas coisas eu desconhecia, mesmo eu sendo uma devoradora de livros sobre histórias da II Guerra. A maior parte da história é ambientada em Paris, Hungria e em alguns momentos na Ucrânia. O livro não foca somente no holocausto judeu, mas narra principalmente sobre as vidas dos sobreviventes de guerra: pessoas com seus sonhos, amores, amizades que são abruptamente interrompidos por esse período tão cruel da história.

O personagem principal é Andras Lévi – um jovem judeu húngaro estudante de arquitetura cheio de sonhos e planos; ele é um personagem que teve uma construção muito cuidadosa por parte da autora, assim como todos os outros também tiveram, mas é em Andras que o leitor conhece uma alma terrivelmente torturada pelos horrores da guerra e conhece sobretudo, a luta pela sobrevivência com uma capacidade sobre humana de nunca perder a esperança, não só por si, mas principalmente por quem se ama. Pra mim, a história de amor entre Andras e Klara é incrivelmente fantástica e linda, mas foi a história com o irmão Tibor que mais me comoveu neste livro. Eu chorei em diversas passagens da história.

O livro tem 724 páginas que eu li em menos de 2 meses e só não li mais depressa, porque muitas vezes me faltou tempo mesmo, ou seja, nem por um momento o livro é cansativo. O tempo, a história e a trama transcorre sem enrolações, sem correrias e sempre com muita, mas muita riqueza de detalhes – o que eu particularmente adoro. Quando terminei a história automaticamente já fiquei com aquela saudade deprê por terminar mais um livro, portanto, é uma leitura mais que recomendada. Vai ganhar com louvor as 4 xícaras de café.

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“No dia seguinte, o Pesti Napló informou que um milhão e meio de judeus poloneses tinham sido mortos durante a guerra, segundo as estimativas do governo polonês no exílio. (…) Um milhão e meio de homens, mulheres e crianças judeus: como alguém podia compreender um número como aquele? Andras sabia que eram necessárias três mil pessoas para lotar os bancos da sinagoga da Dohány. Para acomodar um milhão e meio, era preciso reproduzir aquele prédio, seus arcos e suas abóbadas, seu interior mourisco, suas sacadas, seus bancos de madeira escura e sua arca dourada quinhentas vezes. E depois Andras visualizou cada uma daquelas quinhentas sinagogas lotadas em capacidade máxima, e cada homem, mulher e criança dentro delas era um ser humano único e insubstituível, da mesma forma como ele imaginava Mendel Horovitz, Torre de Marfim ou seu irmão, Mátyás, cada um deles com seus próprios desejos e temores, com seu pai e sua mãe, com sua terra natal, sua cama, seu primeiro amor, uma teia de recordações, um esconderijo de segredos, uma pele, um coração, um cérebro infinitamente complicado. Imaginá-los daquela maneira e depois imaginá-los todos mortos, extintos para sempre — como alguém podia sequer começar a compreender aquilo? A ideia podia deixar uma pessoa louca.”

– A Ponte Invisível

Inglaterra: York

Já vou começar esse post dizendo: eu fiquei apaixonada pela histórica York. Que cidade incrível! É de cair o queixo, logo que você sai da estação de trem dá pra ter uma visão incrível da muralha que corta a cidade. Reservamos dois dias pra York e como o Marcelo teria que trabalhar e York fica muito mais ao norte da Inglaterra, foi muito mais viável ir de trem pra lá do que de carro, saindo de Londres dá umas 2 horas e meia de viagem.

York foi fundada em 71 pelos romanos e está muito bem preservada desde então, é por isso que é uma cidade tão procurada por viajantes. Por estar numa posição estratégica no sentido de ser um importante acesso de outros países e relativamente próxima aos países nórdicos (próxima do mar do norte), York teve muitas invasões ao longo de sua história e mesmo sendo fundada pelos romanos, a cidade tem uma influência Viking muito grande também, por conta disso ela foi chamada pelos nórdicos de Jorvik e que o tornaram a sua capital respectivamente. York é uma cidade praticamente toda murada o que dá uma visão muito mais ampla da época medieval, é possível andar sobre as muralhas e sentir como foi nessa época.

No centro da cidade há as conhecidas Shambles e tem esse nome porque é assim que eram chamadas as ruas na época medieval, as principais shambles são: King’s Shamble, Church Street, St. Andrew Gate e Stonegate (nosso hostel era pertinho da Stonegate). Com um comercio bem diversificado (cheio de pubs, cafés, lojinhas) é uma área exclusiva para pedestres e é muito conhecida porque é a rua medieval mais bem preservada da Europa. Essas ruinhas são todas sinuosas e bem estreitas, a noite o clima fica mais fantasmagórico, bem interessante também.

Outro lugar que eu amei conhecer foi o Clifford’s Tower – um símbolo da cidade. Em 1066, William, o conquistador, atravessou o Canal da Mancha com seus soldados e estava decidido a tomar York. Ele não só conseguiu como ainda construiu vários castelos e fortificações pra controlar a região. Uma destas fortificações é a Clifford’s Tower (ou parte do que restou dela ehehe) que fica no alto de uma colina e que dá pra ter uma visão ótima da cidade toda. Tem esse nome porque dizem que o Rei Edward II, mandou enforcar um lorde traidor de nome Robert Clifford, isso lá em 1322, fazendo com que ele fosse pendurado nas pedras. Desde então a torre passou a ser conhecida como a Torre de Clifford e é possível visitar a parte interna também.

Há várias outras atrações e lugares incríveis para se conhecer em York, a catedral é belíssima, mas não cheguei a entrar porque achei o preço um pouco salgado. Nos jardins ao redor do Museu há várias ruínas romanas, inclusive as ruínas da Saint Mary’s Abbey. Há passeios de barco pelo rio também ou você pode simplesmente andar por alí, beirando o rio, admirando a paisagem, enfim… Tem muita coisa pra conhecer. York é uma cidade que vale muito a pena incluir no seu roteiro de viagem ao Reino Unido, super recomendo. Um dia na cidade, numa viagem de bate e volta partindo de Londres eu acho pouco porque perderia muitas atrações, então vale a pena e ficar de 2 a 3 dias pra conhecer bem. Definitivamente entrou pra minha lista de cidades preferidas da Inglaterra.

Filme: 100 Metros

Este final de semana assistimos um filme muito legal que foi indicação do meu primo, chama-se “100 Metros” eis a sinopse:

“Ramón vê tudo ruir à sua volta quando recebe o diagnóstico de esclerose múltipla já em estado avançado. Dedicado à família e ao trabalho, não consegue imaginar-se dependente dos cuidados de quem quer que seja. Mas o corpo não pára de lhe dar sinais de debilidade e, a acreditar na avaliação dos médicos, dentro de um ano será incapaz de andar 100 metros. Depois de uma fase de sentimento de derrota e autocomiseração, ele decide questionar todas as limitações do seu corpo e mostrar ao mundo a sua força para enfrentar as adversidades. Inscreve-se num “ironman”, uma prova de triatlo composta pori 3,8 quilómetros de natação, 180 de bicicleta e 42 de corrida. Com a ajuda do sogro, Ramón dá início a um treino em que se vê todos os dias a superar limites, numa extraordinária manifestação de coragem e capacidade de sacrifício.” (via Cinecartaz)

Duas coisas que eu adoro em filmes: ser baseado em história real e história de superação. 100 Metros é um filme com esses dois elementos e muito bem contado, é fantástico. Cinema Europeu geralmente nunca decepciona. Ramón é diagnosticado com esclerose múltipla e usou a doença como superação quando decidiu participar de um Iron Man. Pra quem não sabe, Iron Man é uma prova de Triathlon mundialmente conhecida principalmente pelas distâncias: 3,8 quilômetros nadando + 180 quilômetros pedalando + uma maratona de 42k e tudo isso deve ser concluído em até 17 horas. Apesar de um gênero de drama, o filme tem suas pitadas de comédia e cenas incrivelmente bem feitas contando de uma maneira bem realista, mas ao mesmo tempo sublime, de como a superação de uma doença cruel pode transformar positivamente várias vidas e recriar laços. Eu gostei tanto que resolvi escrever um post e o melhor de tudo: TEM NO NETFLIX.