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Por que parei de comer carne?

Primeiro de tudo tenho que dizer: este post é um relato totalmente pessoal. Escrito a partir das MINHAS experiências e vivências, então isso significa que em nenhum momento a ideia aqui é impor, criticar, militar ou dizer o que é certo ou errado pra alguém. Portanto não sou parâmetro pra nada, afinal, a ideia é única e exclusivamente contribuir os meus 25 centavos e dividir com vocês a minha história.

Já tem mais de um ano que eu não como carne vermelha no jantar: primeiro porque carne vermelha leva muito tempo pro estômago digerir (cerca de 3 dias) e como minha janta costuma sempre ser depois das 20 horas (ou seja, já meio tarde) eu resolvi optar por algo mais leve; então eu comia uma salada bem farta, as vezes acompanhada com algum carbo e sempre com alguma carne branca (frango ou peixe). Segundo motivo é que estava me sentindo muito pesada/inchada e não saciada totalmente ao comer carne vermelha a noite: uma hora depois eu já estava com fome de novo. Acontece que depois de um tempo começou acontecer a mesma coisa no almoço: inchaço, não saciava e enjoo (eu ficava “conversando” com aquele pedaço de carne no estômago o resto do dia) e de repente não estava me apetecendo mais. De repente eu vi que estava deixando de escolher carne vermelha pra escolher alguma carne branca pra comer. Até aí, nada de muito diferente. Mas depois de um tempo, o mesmo começou a acontecer com frango, peixe (inclusive com os temakis e comida japa que tanto amo) e porco (que já muito raramente eu comia).

Lisa me representando nessa mudança.

Tentei persistir, mesmo ainda com todo aquele combo de mal estar que já mencionei acima e não deu muito certo. Se eu ia a um restaurante ou eu escolhia alguma opção sem carne ou quando muito pegava um pedacinho de carne no self-service que depois sempre acabava sobrando no meu prato. Em casa a mesma coisa, todo dia era: “não estou afim de comer carne hoje.” Foi nessa transição-não-programada que eu comecei a perceber que ficar sem a carne não ia ser um problema pra mim, muito pelo contrário, ia ser um problema se eu continuasse a comer porque, acima de tudo, eu penso que a comida está associada ao prazer e bem estar… Se você não está satisfeito com uma coisa: você muda pra outra, simples assim. E isso foi algo que eu cuspi pro alto e caiu bem na minha testa, devo mencionar porque né… Até alguns anos atrás eu dizia que era incapaz de viver sem carne e não entendia como é que um vegetariano/vegano consegue ficar sem consumir uma das proteínas mais gostosas que existe. Mas temos aí uma liçãozinha nesse ponto: nada (ou quase nada, talvez?) perpetua pra sempre, especialmente quando se trata de hábitos.

E veja bem, foi aí que eu resolvi ir parando… E não por ‘moda’ ou influência de alguém, mas porque realmente comecei a ficar saturada desse tipo de alimento. E aí as coisas mudam: os hábitos, os gostos, as preferências, as crenças, a visão sobre as coisas, o mundo… TUDO! Hoje a gente vê muito sobre sustentabilidade, alimentos orgânicos, o impacto no ambiente de algumas práticas do homem, mudanças de hábitos, qualidade de vida, mas isso é assunto pra um outro post. Comecei a ler muitos artigos sobre vegetarianismo/veganismo e obviamente as questões dos animais e todas as outras que envolvem essa escolha pra vida, também tiveram um grande peso pra mim, é óbvio que tiveram. Entrei em grupos vegans no FB e comecei a buscar uma série de receitas que fazendo em casa, descobri um mundo inteiro de coisas gostosas pra comer que substituíram a carne de uma maneira tão positiva que eu nem imaginava. E fiquei feliz por isso porque achei que seria bem mais difícil. E minha ideia é exatamente essa: se não vou comer carne, que pelo menos eu faça meu alimento e evite ao máximo os ultra processados e industrializados (algo que já faço há tempos). Se comer é um prazer, fazer a própria comida também é. E isso me fez um bem danado: comecei a me sentir saciada, no sentido de alimentada e não cheia. Não sinto mais fome logo depois de ter almoçado ou jantado, me sinto bem menos inchada também (muito em parte porque eu sempre fui de reter líquido, principalmente no período menstrual) e isso simplesmente acabou. Me sinto mais leve, e posso dizer que espiritualmente também estou leve com minha consciência.

Se me perguntam: “Nossa (nossa = credo) mas você virou vegana?” Eu digo que (ainda) não. Eu diria que estou na fase de Ovo Lacto Vegetariano, ou seja: não consome carne, mas consome leite, ovo e derivados. Vegan envolve muitas outras coisas além da comida. Não é uma transição que acontece da noite pro dia, mesmo porque não é algo fácil tirar o que se comeu uma vida inteira, mas não é impossível e muito menos um bicho de sete cabeças. Você precisa se questionar, se perguntar, se informar, ler bastante e ter em mente se é isso mesmo que você realmente quer. É uma coisa muito particular, entende? Comigo eu posso dizer que foi até meio fácil, o começo de tudo foi porque simplesmente meu corpo começou a não aceitar mais a carne no organismo, mas eu ainda consumo leite (que eu gosto de verdade), queijo, ovos (bem raramente), então tudo precisa ser de uma forma gradual pro seu corpo ir se acostumando e pro psicológico também ir se adaptando, está tudo ligado. Conversando outro dia com um amigo vegetariano, ele me disse: “Ju, se minha experiência pode servir pra alguma coisa, te digo: só pare com aquilo que vc não se sente bem ao comer. Se vc gosta e não te prejudica, mande bala!”

E é basicamente isso!

Mas e as proteínas? E a vitamina B-12? Por eu me exercitar bastante e correr também, obviamente eu preciso de todos os nutrientes necessários e saber consumi-los pra não ter nenhuma deficiência de alguma vitamina, é primordial. Eu vou passar com uma nutricionista em breve pra fazer um hemograma completo e conhecer o que posso substituir, adaptar, suplementar, enfim… Nem vou entrar em detalhes sobre essa parte porque eu não sou nutricionista e porque ainda não passei com uma, então não vou escrever sobre aquilo que não tenho conhecimento e cada pessoa é um caso diferente, né? Mas pretendo contar aqui também essa fase.

Essas são apenas algumas das minhas comidinhas durante esse período, tem todas as receitas e dicas de lugares no meu Instagram, passa lá pra dar uma olhada:

É isso. Acima de tudo, acima inclusive de qualquer bandeira que isso representa, é uma ESCOLHA minha e estou bem feliz e em paz com essa decisão. 🙂

Juliana Esgalha Post por

Receita: Pão de Queijo Fit

Desde que eu resolvi dar uma diminuída boa do carbo na minha vida, tenho me sentido mais “limpa” no sentido de uma alimentação mais leve, saudável e que sacia, sem deixar aquela sensação de estômago pesado, sabe? Veja bem, não cortei os carbos definidamente e por completo da minha dieta (mesmo porque por conta das corridas e treinos eu nem posso fazer isso), mas tenho evitado ao máximo tudo que vai farinha branca, tudo que seja industrializado… Então eu substituo por outras coisas – uma vez que opções não faltam, e sendo assim o resultado é uma comida mais clean e consequentemente mais saudável. O mesmo tenho feito para os doces: substituí pelo açúcar das frutas – frutose e açúcares do bem – demerara, mascavo etc quando faço receitas ou quando dá aquela vontade incontrolável de comer um docinho… E confesso que nessa parte tem sido um pouco mais difícil pra mim porque eu sou uma formiga pra doces, mas acredito que tudo seja uma questão de força de vontade e perseverança mesmo, os resultados chegam e com o tempo, as coisas que você achava que não conseguiria nunca ficar sem, vão fazendo cada vez menos falta.

Uma prova disso pra mim é o refrigerante, acho que tem uns 8 anos que cortei totalmente o refrigerante da minha vida, não sinto falta e muito menos vontade de tomar, outro dia fiz um teste e tomei 1/2 copo de Tubaína num churrasco com meus amigos, o resultado foi que não consegui terminar o 1/2 copo e ainda fiquei estufada feito um balão, sem contar que percebi que o gosto não teve mais graça como tinha antigamente pra mim.

Veja bem, não estou aqui escrevendo isso tudo pra tentar impor algo, sempre gosto de deixar isso bem claro, estou apenas contando experiências minhas que estão sendo positivas na minha vida e coisa boa a gente tem mais é que passar pra frente, né? Por conta de tudo isso tenho descoberto receitinhas deliciosas e saudáveis que estou amando fazer principalmente pelo quesito gostoso + facilidade. Ontem eu fiz um pão de queijo que modéstia à parte ficou melhor que o convencional. Pra essa receita você vai precisar:

01 ovo
01 colher (sopa) de polvilho azedo
1/2 colher (chá) de fermento
02 colheres (sopa) bem cheias de chia
O queijo é de sua preferência, eu coloquei 1/2 xícara de muçarela ralada, 2 colheres de parmesão e 2 colheres bem cheias de queijo cottage.

Misture todos os ingredientes e distribuía em forminhas (a massa fica liquida, portanto precisa ser em forminhas) e coloque pra assar no forno a 180 graus. Tempo: mais ou menos 20 minutos. Rendeu seis pãezinhos porque eu fiz 2 receitas. Fica muito, muuuuito gostoso:

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P.S. Não é lowcarb por conta do polvilho (que é um carbo natural), mas é 0 gordura trans (nada de óleo ou margarina), sem gluten e ainda tem outros aditivos que faz super bem a saúde (a chia) e o melhor: tem bem menos calorias que os pães de queijo convencionais, vai muito bem pro café da manhã ou como pré treino.

Outra forma que fiz o pão de queijo foi na frigideira que ao meu ver é muito mais pratico e fica até mais gostoso, pra essa receita eu usei:

01 ovo
01 colher (sopa) de polvilho azedo
01 colher (sopa) de polvilho doce
02 colheres de queijo parmesão ou qualquer outro queijo de sua preferência
01 pitada de sal

Olha que delícia:

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Notem que esse não vai fermento justamente porque é feito da frigideira, então dispensa o uso desse ingrediente. Fica pronto super rápido, é uma receita fácil e prática justamente pra quando bate aquela fome meio fora de hora, tenho comido no meu café da manhã e deixo pronto um dia antes guardado num potinho, fica gostoso da mesma forma, geralmente recheio com queijo muçarela, mas você pode incrementar com peito de peru, outros queijos, tomate… Fica uma delícia!

Receitas Lowcarb

Como bem vocês sabem, eu não sou uma cozinheira de mão cheia como o Rick – Chef & Mestre Cuca da casa, mas vira e mexe eu me aventuro em fazer alguma coisa que seja gostosa, mas que em primeiro lugar seja fácil. Sou adepta ao prático, simples e gostoso quando o assunto é culinária. Em outubro eu estou inscrita pra minha primeira MEIA MARATONA (yeaaaahhhhh!!!) – a Meia de Sampa e embora eu tenha feito bem os 16k da Athenas, eu preciso agora mais do que nunca, me preparar melhor pra fazer uma corrida tranquila, afinal de contas 21 quilômetros não são 16, não são 10. Enfim… Como quero perder alguns quilinhos também e sou super fã de receitas fit, peguei esses dias váááárias receitas low carb, fit e de zero açúcar pra testar em casa, então conforme eu for cozinhando (e se ficar bom) eu vou postando aqui pra vocês, combinado?

Vamos começar com o pãozinho divinamente macio e super gostoso. E o melhor de tudo: low carb, ou seja – zero farinha branca, não engorda e dá pra comer sem culpa. Pra essa receita você vai precisar de:

01 ovo
01 colher (sopa) de iogurte natural desnatado
01 colher (sopa) de farelo fino de aveia
01 colher (café) de fermento em pó
sal e *tompero* à gosto

Misture tudo até formar uma massa homogênea, não vai ficar uma textura massuda de pão normal, ela fica algo como textura de vitamina mesmo, se achar que a massa ainda está muito líquida, pode colocar mais um pouquinho de aveia. Misture bem e coloque em forminhas de silicone (eu sempre faço duas receitas, então rende 6 forminhas) e leve ao forno na temperatura de 180 graus por mais ou menos 15 minutos. Dá pra fazer no microondas também, mas só testei no forno. Você pode rechear com o que quiser, eu usei queijo cottage, atum sólido (de preferência ao de água e não óleo) e tomatinho cereja… Ficou lindo, ficou fit, ficou fofinho e gostoso assim:

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P.S. Eu acho que dá pra fazer essa receita na versão doce também colocando uma colher de cacau em pó, açúcar demerara/mascavo/stevia, frutas, canela… Testarei em breve!

E a outra receita é pizza fake, low carb também! Pros ingredientes da “massa” vc vai precisar:

1/2 brócolis
1/2 couve flor
01 ovo
01 dente de alho
1/2 xícara de queijo muçarela ralado
01 colher (sopa) de queijo parmesão.

Cozinhe o brócolis e o couve flor. Escorra. Corte os brotinhos ou use com os cabinhos mesmo (algumas receitas dispensam os cabinhos, eu usei alguns… queria testar com o meio termo) e triture no mixer ou corte bem fininho. Coloque num refratário de vidro, passe um plástico filme, faça um furo no centro do plástico com uma faca e leve ao microondas por aproximadamente 8 minutos, isso é para evaporar a água que os legumes soltam. Adicione o ovo, queijos, o alho e misture até formar uma massa homogênea. Despeje a massa numa assadeira de pizza e espalhe com uma espatula ou com as mãos mesmo. Leve ao forno já pré aquecido na temperatura de 180 graus por mais ou menos 20 minutos, isso depende um pouco de forno pra forno, então observe até ela ficar mais douradinha. Retire e recheie com os ingredientes de sua preferência, eu usei molho de tomate e queijo muçarela apenas porque ontem foi o meu Segunda Sem Carne, leve ao forno novamente para derreter o recheio e pronto! – Fica essa maravilhosidade pra comer sem culpa:

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P.S. Achei que a massa ficou um pouco fina, da próxima vez deixo mais grossa, não coloquei sal porque o salgado do queijo já tempera bem e também não untei a forma porque mais uma vez é o queijo que já faz esse trabalho, dá pra fazer só de couve flor ao invés de ser metade de brócolis, é só usar o talo todo do couve flor como medida. Quanto mais sequinha a couve/brocólis estiver, mais crocante e mais com gosto de massa de pizza de verdade fica, portanto, tem que fazer o esquema do microondas de tirar a água. Acho que dá pra fazer na frigideira também, testarei numa próxima porque eu acho que, inclusive, o tempo de preparo será menor. O queijo adicionado a massa também fica por sua escolha em colocar ou não, se não quiser colocar queijo, aí sim vc coloca uma pitada de sal ou algum outro tempero de sua escolha.

Gostaram? Tem alguma receita fit boa também? Me conta aqui nos comentários. Curta o blog no FB.
Tô postando tudo no Instagram também, me segue lá.

Entrevista pro Na Mesa Com Rodrigo

Esses dias eu estava pensando em como a corrida mudou pra melhor a minha vida em todos os sentidos: físico, emocional, social, dia a dia… – TUDO! De carona nisso, também mudou muito a vida do Rick que hoje em dia, além de correr mais rápido do que eu (hunft! ahahaha), fez com que ele perdesse peso e parasse de fumar (e além de tudo é meu pacer nas corridas). É muito bom quando você se encontra em algo relacionado ao esporte porque a gama de benefícios que isso traz pra vida é realmente muito grande.

Hoje, meu amigo querido de longa data – o Rodrigo, publicou no blog dele Na Mesa Com Rodrigo (um blog que tem posts incríveis sobre alimentação, psicologia, músicas – vale a pena adicionar nos favoritos, tem também a fanpage no FB) uma entrevista muito legal que ele fez comigo sobre como e quando a corrida entrou pra minha vida, ali eu falo de muitas coisas: da Equipe Viva, dos benefícios, dos meus desafios pessoais, tem até playlist com músicas pra animar quem quer correr, segue o link pra quem quiser ler tudo na integra. E Rô, muito obrigada por me escolher pro seu blog pra falar de algo que amo muito!

Corrida Athenas, que estou inscrita pra próxima etapa que será 16k

Corrida Athenas, que estou inscrita pra próxima etapa que será 16k

Segunda Sem Carne

Vocês conhecem o Segunda Sem Carne?

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Eu já tinha ouvido falar, mas nunca parei pra ler a respeito. O Segunda Sem Carne é uma campanha de conscientização sobre os impactos que produtos de origem animal na alimentação tem sobre os animais, sociedade, saúde humana e o planeta. Vocês podem ler tudo a respeito neste link aqui. A ideia, é de pelo menos uma vez por semana você não consumir nada de origem animal e por consequência descobrir novos sabores (o site tem receitas fáceis e deliciosas). O Segunda Sem Carne já existe em 35 países, apoiada por um monte de gente famosa. Paul Paul McCartney – vegano fervoroso é o embaixador da causa no Reino Unido e, aqui no Brasil, o Segunda Sem Carne chegou em 2009 com várias implementações em parcerias entre a (SVB) Sociedade Vegetariana Brasileira e a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) da prefeitura.

Mas por que a segunda-feira? Porque segunda-feira é o dia da semana mais associado a mudanças como todos nós sabemos, afinal, quem nunca: ‘segunda eu começo a dieta’, ‘segunda eu volto a academia’, então daí veio o Segunda Sem Carne. Diante disso, eis que ontem resolvi aderir ao movimento! Confesso que acabei almoçando frango (eu ainda não tinha decidido a respeito ehehe), mas já na janta não comi nada de origem animal. Porém, dessa semana em diante vou me programar melhor e ficar pelo menos toda segunda feira sem comer carne e/ou qualquer outro produto de origem animal. Meu jantar de ontem foi: espinafre, brócolis com tomate cereja e cuzcuz marroquino com creme de ricota light. De sobremesa: uma banana. Me satisfez bem a fome e diga-se de passagem estava delicioso. Veja bem, a ideia nesse post NÃO É, de forma alguma e que fique BEM CLARO, converter ninguém (aliás, odeio essa palavra… converter… uurgh) até mesmo porque, nem vegetariana eu sou… Mas acho que vale dar uma leitura na campanha e pensar a respeito com carinho e se achar legal pensar em aderir também, afinal de contas, no mundo que estamos vivendo hoje, qualquer ação boa – por mínima que seja, já é um respiro de esperança pra um futuro melhor. <3

Com a palavra, Dr. Drauzio Varella

Doutor Drauzio Varella é uma grande inspiração pra mim: como pessoa e como atleta. Seu livro está na minha lista de leituras (aliás, tenho que dar um pulo hoje no shopping e vou aproveitar pra comprar) e li hoje esse trecho aqui que achei tão incrível que vou compartilhar com vocês:

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Eu Corro – por Drauzio Varella, 68 anos, médico

“Quando eu estava prestes a completar 50 anos, um amigo me disse que naquela idade começava a decadência. Então resolvi fazer alguma coisa legal para comemorar a data e tive a ideia de fazer uma maratona. Já comecei a correr pensando nos 42 km. Pouco tempo depois, outro amigo me passou um programa de treinos e fui seguindo como podia. No fim daquele ano, corri a Maratona de Nova York em 4h01. Isso foi em 1993, e desde então já participei dessa prova mais umas sete ou oito vezes. Também já corri em Chicago, Berlim e Joinville — meu melhor tempo é de 3h38, em 1994, em Nova York.

A maratona é minha distância preferida. Ninguém corre 42 km sem estar preparado, todo mundo ali sabe o que está fazendo, então existe muito mais respeito. Já participei de alguns revezamentos e provas menores, mas não gostei. Também fiz a São Silvestre e detestei, achei uma bagunça. Treino duas vezes por semana no Parque do Ibirapuera e nos fins de semana procuro correr no Minhocão ou no centro da cidade. Aí vario os trajetos: passeio pela praça da Sé, largo de São Bento, Mercado Municipal. Cada treino varia entre 15 e 25 km, depende de quanto tempo tenho.

Também subo os 16 andares do meu prédio duas vezes por semana. Vou pelas escadas e desço pelo elevador, onde aproveito para ir me alongando. Repito isso entre oito e dez vezes. É puxado, mas me dá um fôlego danado e com certeza me ajuda a correr melhor. Se as pessoas fizessem mais exercício, ficar parado seria menos penoso para o corpo. Quando você é sedentário, você se levanta e logo tem que se sentar de novo — e aquilo não te descansa. Quando você corre bastante e senta, é uma sensação muito boa.

Sempre levo meu tênis quando vou viajar. Tem coisa mais gostosa do em um dia de congresso você se levantar cedinho para treinar? Corro 2 horas e depois passo o resto dia sentado, sem culpa, ouvindo as pessoas falarem sobre os assuntos de que eu mais gosto. É uma delícia. Para mim, a corrida é um antidepressivo maravilhoso. Sou muito agitado, faço muitas coisas e a corrida também me ajuda a relaxar. É o momento em que fico em contato comigo mesmo, vejo minhas limitações, e isso me deixa mais com o pé no chão. Por isso não corro ouvindo música e prefiro treinar sozinho.

No ano passado, fiz a Maratona de Berlim em 4h12. Depois pensei que se tivesse feito 2 minutos a menos teria me qualificado para Boston. Não quero estabelecer essa meta porque tenho medo de me frustrar, mas, se este ano eu conseguir fazer uma maratona em menos de 4h10, posso comemorar os 70 anos correndo em Boston.

Não tenho nenhum cuidado especial com alimentação. Antes do treino, bebo uma água de coco ou como uma fruta. Depois tomo café com leite e como pão, azeite e tomate. Não estou convencido de que existe um benefício real nesses géis e vitaminas, aminoácidos. Durante a maratona só bebo água, não tomo nem isotônico. Como cortei açúcar da minha alimentação há 34 anos, tenho medo de ficar enjoado e passar mal. O exercício só é bom quando ele termina. Durante, é sofrimento. Às vezes você até libera uma endorfina no meio e dá uma sensação boa, mas o prazer mesmo vem quando você acaba.

Quem faz atividade física tem um envelhecimento muito mais saudável. Tenho quase 70 e não tomo nenhum remédio, peso 3 kg a mais do que na época da faculdade. As pessoas dizem: “Você é magro, hein? Que sorte!” Não é sorte, tenho que suar a camisa todos os dias.

Eu corro porque estou convencido de que o exercício físico é contra a natureza humana. Precisamos combater essa inércia. Nenhum animal desperdiça energia, ele gasta sua força para ir atrás de comida e de sexo ou para fugir de um predador. Com essas três necessidades satisfeitas, ele deita e fica quieto. Vá a um zoológico para ver se você encontra uma onça correndo à toa. Ou um gorila se exercitando na barra. Por isso é tão difícil para a maioria das pessoas fazer atividades físicas.

Um exemplo disso são meus pacientes. A grande maioria são mulheres com câncer de mama. Muitas passam por quimioterapia, perdem o cabelo, têm enjoos, fazem cirurgia para retirar parte do seio. E enfrentam esse processo com tanta coragem que fico até emocionado. Depois disso tudo, falo para elas que, se caminharem 40 minutos por dia, cortam pela metade a chance de morrer de câncer de mama. Esse índice é maior do que o da quimio, mas menos de 1% das minhas pacientes começam a fazer exercício. Vai contra a natureza humana.

Muita gente fala que não tem tempo de fazer exercícios. Dizem que acordam muito cedo para levar os filhos à escola, que trabalham demais, que têm que cuidar da casa. Antes eu até ficava com compaixão, mas hoje eu digo: isso é problema seu. Ninguém vai resolver esse problema para você. Você acha que eu tenho vontade de levantar cedo para correr? Não tenho, mas encaro como um trabalho. Se seu chefe disser que a empresa vai começar um projeto novo e precisa que você esteja lá às 5h30, você vai estar lá. Você vai se virar, mudar sua rotina e dar um jeito. Por que com exercício não pode ser assim?

Nós temos a tendência de jogar a responsabilidade sobre a nossa saúde nos outros. Em Deus, na cidade, na poluição, no trânsito, no estresse. Cada um de nós tem que se responsabilizar pelo próprio bem-estar e encontrar tempo para cuidar do corpo. É uma questão de prioridades.

Se você não consegue fazer exercício de jeito nenhum, pelo menos tem que ter consciência de que está vivendo errado, que não está levando em consideração a coisa mais importante que você tem, que é o seu corpo. Este ano pretendo correr as maratonas do Rio e de Chicago. Se fizer abaixo de 4h10, me qualifico para Boston.”

#JulianaCorre

Comecei a correr despretensiosamente há alguns meses atrás (+ ou – uns 6 meses) quando voltei a academia e desde então, sem eu até perceber, tudo começou a mudar. Começava com caminhar um tanto, correr uns dois minutos, depois caminhar de novo, correr mais 3 minutos e assim ia. Engraçado é que antes eu não aguentava correr nem um minuto na esteira, não tinha fôlego e achava que nunca teria… Antigamente pensava: “isso não é pra mim” e isso foi, felizmente, um grande engano meu. Comecei a melhorar cada dia mais, até que os resultados foram vindo junto com a mudança que eu comecei a perceber em cada passo que eu dava na esteira.

Comecei a pegar gostinho por isso e aí eu resolvi correr na rua também: gostei tanto que, pelo menos três vezes na semana eu vou correr na rua. Mas eu queria ir mais longe. Aí eu me inscrevi em uma corrida de rua porque queria ver e sentir como eu me sairia no meio da galera, numa prova, com tempo e percurso marcado. E antes mesmo de ir na minha primeira corrida eu já tinha me inscrito em mais duas porque eu sou do tipo que se empolga com propriedade quando algo começa a me agradar. Comecei a ler uma porrada de artigos sobre corridas e seus benefícios, dei uma remanejada na minha alimentação que nunca foi ruim, mas vi que dava pra melhorar bastante. Comecei a me inspirar em amigos que já correm, fiquei de cara quando soube que o Doutor Drauzio Varella começou a correr com 50 anos, é ex fumante e corre nada menos que 4 (QUATROOOO) MARATONAS (sim, eu disse MA-RA-TO-NAS) por ano. Eu fui correndo e as coisas boas foram vindo.

Percebi que as mudanças não estavam sendo apenas no meu corpo: além de perder os quilinhos sobrando que queria, melhorar a disposição/resistência, músculos mais durinhos, eu comecei a sentir também muitas melhoras na minha cabeça. Não tive mais crises de ansiedade (pra quem não sabe, eu tenho TAG), sinto menos stress, passei a dormir melhor e eu notei que cada vez que ponho os fones de ouvido e começo a correr, eu consigo me concentrar só nisso e deixo todos os meus problemas/pensamentos de lado enquanto corro. Quando termino de correr eu estou pingando de suor, meu rosto fica parecendo um pimentão (sou daquelas que corre e fica vermelha) e cansada, mas com aquele cansaço tão gostoso que o corpo e a mente estão mais leves que uma pena. Ah, a endorfina, Deus como é bom. Já declarei publicamente meu amor por ela.

Montei uma playlist maravilhosa, investi em um bom tênis, continuei a correr e foi aí que eu descobri: me apaixonei pela corrida. E não falo daquela paixão platônica que só dura um tempo, não. É amor mesmo. E quando isso acontece não tem mais volta. Hoje não me vejo mais sem correr. Eu me encontrei em corridas e por um acaso eu também sou aquele tipo de pessoa que já tentou de tudo um pouco no assunto exercícios, mas nada me motivava. Uma das coisas mais legais em correr é que, pelo menos pra mim, eu não estou competindo com ninguém e nem preciso disso. Eu estou competindo comigo mesma. Eu sempre ganho quando completo um percurso mesmo que eu chegue muito depois do primeiro colocado, ganho quando faço um treino na esteira ou na rua. São meus méritos que correr, só depende de mim mesma. Rick também começou a correr junto comigo. Corremos juntos, nos incentivamos juntos, o que torna tudo ainda mais prazeroso.

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Aprendi algo muito importante: não importa se você corre rápido ou mais devagar. Just keep running. E quando muitas vezes algo parecer difícil de conseguir: just keep running. Não vou aqui ficar levantando a bandeira de que todos deveriam correr porque isso é pessoal de cada um e é um pouco chato também né, estou aqui apenas contando o bem que correr tem me feito, ainda sou iniciante nos 5K e sei que tenho muito chão ainda literalmente pra correr, aliás, essas fotos do post são das minhas duas primeiras corridas que participei: a Circuito Das Estações – Primavera e a Vênus que foi o percurso que mais gostei.

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Minhas próximas metas são 10K, 15K, e espero em 2017 correr meia maratona. Ainda não sei se tenho coragem de encarar uma maratona, mas pra quem achava que nem correr um metro na esteira conseguiria, pensando bem, uma maratona não é um sonho tão distante assim. Just keep running 🙂