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Cerro Toco – Deserto do Atacama

Quando nós fechamos a viagem pro Deserto do Atacama, entre todos os passeios que pesquisei, eu queria fazer algo que fosse mais… Como posso dizer? Algo mais ousado… Que pudesse testar meus limites ou chegar perto disso. Queria algo mais pancadão, sabe. Eu tinha pesquisado muito sobre o trekking ao vulcão Lascar (um dos vulcões AINDA ATIVO do Atacama) e fiquei doida pra fazer. Fechamos esse com a Ayllu, porém quando chegamos lá, fomos informados que a estrada que leva ao vulcão estava fechada por conta da neve e provavelmente ia continuar assim por mais um mês. Esse ano foi bem atípico no Atacama: teve muita neve e chuva, algo que não acontecia há anos e isso em meados de julho atrapalhou um pouco a vida de quem viajou pra lá. Fiquei chateada quando soube disso, é possível ver o Lascar por muitos lugares e bem pela manhã dava pra ver uma fumacinha saindo dele, foi um dos passeios que eu mais estava esperando, mas aí nos deram outra opção: Cerro Toco. Cerro Toco é um estratovulcão (ou seja, vulcão em forma de cone que são formados de camadas de fluxo de lava, cinzas e blocos de pedra) que não está mais ativo e o cume está a 5604 metros acima do nível do mar. A caminhada leva mais ou menos de 1:30 à 3 horas pra subir e mais ou menos 1 hora pra descer, é mais suave de subir que o Lascar segundo as informações passadas à nós (ahahahahaha eu tô rindo aqui sozinha porque vou chegar nessa parte), mesmo Cerro Toco sendo maior na altitude.

Então vamos pra Cerro Toco.

Por recomendação deixamos esse pro ultimo dia no Atacama, assim o corpo estaria mais aclimatado. Um dia antes fizemos uma pequena reunião com nosso guia que nos passou as condições do tempo (-10 graus durante o trajeto e -15 no cume), roupa adequada pra suportar o frio, o que levar, alimentação e alguns cuidados antes de ir. Na sexta feira o guia passou pra nos pegar cedinho e era pra ter ido mais um casal com a gente, mas eles acabaram desistindo, então fomos só nós 3. A viagem de carro durou mais ou menos 1 hora e como sempre passando por lugares incríveis, chegando lá começamos a nos preparar pra subida: gorro, paninho de proteção pra nariz e boca por conta do vento, óculos (indispensável), meias e luvas térmicas (que eu não tinha e o guia providenciou pra gente), capacete e na mochila apenas o necessário: um lanche, um saquinho bem farto de frutas secas e oleaginosas, uma barrinha de chocolate e um Gatorade de 1 litro. Paramentados, recebemos 1 bastão de trekking pra cada mão (descobri que isso realmente faz uma TOTAL diferença) e o plano era: primeiramente não morrer (ahahaha brincadeira), caminhar os 40 primeiros minutos sem pausa, depois uma pausa rápida pra tomar algo, comer umas frutinhas secas e continuar. Como caminhar em lugares assim? Passos lentos (SEMPRE!), curtos e sempre respirando devagar – conforme as passadas, não é nada parecido como se caminha na cidade, por exemplo, e menos ainda trote rápido, apenas.caminhar.devagar. Se alguém se sentisse mal era só falar, o tempo de cada um seria respeitado.

E aí fomos. Os primeiros minutos foram meio confusos pra eu ajeitar minha passada com o bastão de trekking, uma vez que coordenação nunca foi um ponto forte em mim. Rola todo um esqueminha da passada com o movimento dos bastões, mas logo me ajeitei com isso e fui. Se ajeita, sobe, respira, sobe, sobe, sobe, respira – NOSSA! QUE FALTA DE AR, NÃO TEM AR AQUI!!!! e tão logo eu também encontrei o famigerado MAL DA MONTANHA. Bom, eu já sabia que isso ia acontecer (porque 5 mil, 600 e lá vai pedrinha acima do nível do mar, fora que o Atacama já está a 2400 metros acima, é meio que né… bem previsto disso acontecer). Eu tenho um certo trauminha com esse lance de mal da montanha porque a primeira vez que senti eu não sabia o que era e achei que estava mesmo tendo um treco (em Portillo – 2010), vomitei, não consegui comer, muita tontura e fiquei toda malzona mesmo. Em Cerro Toco não seria diferente os sintomas, o ar ali é (bem mais) rarefeito, mas eu já sabia como lidar melhor com isso. A gente estava numa subida, estava bem frio, porém, nesse aspecto foi relativamente tranquilo porque estávamos bem agasalhados, mas mesmo que você queira ou tente andar mais rápido não é possível, e não pelo caminho em si, mas realmente por conta da altitude: você sente uma pressão enorme na cabeça, dor de cabeça, batimentos acelerados, tontura e falta de ar. Não é uma sensação necessariamente que te leve ao desespero, mas assusta um pouco… Por isso que eu acho que a mente nessas horas conta tanto quanto o físico.

Fui prestando atenção nas minhas passadas, sincronizando com minha respiração e mentalizando musicas e muitas coisas boas dos momentos daquela viagem e ao longo da minha vida, pensei nos meus gatos, num banho quentinho quando pegávamos trechos com muito vento ahahaha enfim… é praticamente uma meditação e um ótimo exercício pra mentes ansiosas como a minha. Durante essa primeira etapa eu não pensei em tempo, simplesmente fui vivendo cada passo que eu dava, mas a uma certa altura eu tive que parar e respirar mais fundo, aí sim perguntei ao guia quanto tempo ainda faltava e ele disse: “nenhum, acabamos de completar os 40 minutos” UFA!!! Eu estava com a respiração e o coração muito acelerado, por um mísero segundo achei que não conseguiria, mas tratei logo de tirar esse pensamento negativo da minha mente, porque é lógico que eu ia conseguir, eu estava alí pra isso e queria testar meus limites, certo? Tomei um pouco de Gatorade, não quis comer o chocolate e o guia foi me orientando a inspirar pela boca e soltar devagar o ar pelo nariz pra equalizar minha respiração, além é claro, isso junto com os milhões de incentivos, dizendo que nós estávamos muito bem pelo tempo e distância que já tínhamos feito e isso AJUDA muito em um momento como esse.

Feito isso, continuamos nosso trekking. Teríamos mais uma hora pela frente (mais ou menos) e dessa vez alguns caminhos com um pouco mais de neve, mas nada muito tenso e deu pra fazer de boa (mais uma vez: bastões de trekking ajudam MUITO nessas horas). O objetivo do momento era: caminhar, respirar, não desmaiar, caminhar, respirar, não desmaiar ahahahaha, parei mais umas 2 ou 3 vezes, equalizei minha respiração e continuei… Desistir não tinha nem sequer passado pela minha cabeça, mesmo nos momentos mais complicadinhos. Eu só pensava em conseguir e conquistar o cume seria o meu prêmio, a minha superação. Fizemos mais uma pequena pausa e o guia nos disse: “Falta pouco! É alí (e apontou), só mais 200 metros e chegamos, bora conquistar esse cume?” Nessa hora eu acho que a sensação que dá deve ser a mesma quando se alcança o auge de uma meditação ou algum outro momento que você simplesmente se deixa levar, eu não consigo bem explicar o que exatamente de tão maravilhoso invadiu em mim nessa hora, mas acho que se o mundo tivesse acabado alí, naquele minuto, eu teria continuado minha caminhada mesmo assim porque naquele instante, era somente aquilo que importava pra mim. Acho que a corrida também proporciona muito disso, mas pra mim ali ainda era bem diferente porque eu não estava no meu “território” habitual e não estava fazendo algo que estou acostumada a fazer, entende?

E aí anda mais um pouco, respira mais um pouco, anda, anda e então chegamos. Eu não consigo por em palavras a sensação louca que é de chegar no cume de uma montanha, ao mesmo tempo que você se sente grande por ter conseguido, você se sente tão pequeno quanto um grão de areia também, porque é só olhar em volta e sentir como somos tão insignificantes em relação natureza, ao mundo e ao universo. Super piegas eu ficar retratando essas emoções, eu sei, e mais piegas ainda foi quando eu sentei numa pedra pertinho de uma pirambeira e comecei a chorar (é lógico que eu ia chorar, alguém ainda tinha duvida disso? ahahaha), mas são registros meus que eu gosto de deixar aqui. Com certeza foi uma superação pra mim, de todos os trekkings e trilhas que já fiz, Cerro Toco foi o mais emocionante de todos e o que mais mexeu comigo. A volta foi bem mais curta, o que não quer dizer que foi ao mesmo tempo fácil. O Rick e o nosso guia desceram como se estivessem apenas descendo uma escada, eu que sou mais comedida (leia-se medrosa), fui bem mais devagar. Quer dizer, foi e não foi mais fácil. Descida sempre tem aquilo de firmar o pé antes de dar o passo seguinte pra não sair rolando até ir parar na cidade e como o caminho da volta era cheio daquelas pedrinhas soltas, isso me rendeu um escorregão, nada sério, mas o Claudio (o guia) disse que sendo assim eu já poderia ter minha propriedade em Cerro Toco, é tipo um “batismo” pra quem leva algum tombo ou escorregão nas montanhas ahahaha.

A volta nos despedimos de Cerro toco e com uma vista linda de Licancabur (que está ainda nos meus planos) e depois de toda a experiência, penso que foi bom o vulcão Lascar não ter dado certo dessa vez, o trekking dele é um pouco mais difícil e leva mais tempo, eu teria conseguido ele também, mas teria sofrido mais. Algumas coisas que preciso mencionar: faço academia, corro e mesmo assim, não foi algo fácil pra mim. Eu acredito que Cerro Toco seja um trekking acessível pra (quase) todos,  mas tenha em mente os perrengues também, porque como disse lá em cima: a mente é tão importante quanto o preparo físico e se você não estiver com o coração aberto pra isso, não vá. Outra coisa que preciso contar: o silêncio! Sim, o silêncio. Tanto quando estávamos subindo como quando estávamos descendo, é um silêncio que poucas vezes você sente na vida, principalmente quando se vive em cidades como a grande maioria de nós, a gente de certa forma se acostuma e aprende a viver com barulhos, mas o silêncio numa montanha chega a ser latente, a única coisa que você escuta são seus passos, mas o silêncio em volta chega a ser hipnotizante. Pra terminar esse post vou deixar uma música do RadioHead que viemos ouvindo na volta e me marcou muito. Esse dia está 10/10 na lista de coisas inesquecíveis em viagens.

Só pra título de curiosidade, essas são as altitudes de alguns vulcões do Atacama:

Lascar – 5500 metros de altitude
Cerro Toco – 5604 metros de altitude
Putana – 5890 metros de altitude
Licancabur – 5910 metros de altitude
Sairecabur – 5971 metros de altitude
San Pedro – 6145 metros de altitude
Aucalquincha – 6176 metros de altitude
Ojos del Salado – 6887 metros de altitude

O que fazer no Deserto do Atacama

Essa semana estava lendo um artigo que o Chile foi eleito através da World Travel Awards como o melhor destino da América do Sul para aventuras pela terceira vez consecutiva e não é pra menos, tem de ski a passeio no deserto, tem de praias a vulcão, sem contar que o turismo no Chile é muito bem feito, o governo investe uma grana boa e é por isso que voltamos pela segunda vez pra lá. Algumas pessoas tem a ideia de quando se fala em deserto tudo se resume a areia, areia, um pouco mais de areia e que não há muito o que se fazer. Se engana totalmente. O Deserto do Atacama tem centenas de passeios incríveis, alguns mais perto e outros bem mais longe que podem levar até dias, eu queria ter ficado muito mais tempo pra conseguir conhecer tudo o que tem lá, tem muita coisa legal  pra se fazer no Atacama e ainda penso em um dia voltar novamente.

Como disse no outro post sobre o deserto, agências de passeios ali não faltam e existem duas escolhas: você reservar lá quando chegar ou reservar com antecedência meses antes da sua viagem. Foi o que eu fiz e prefiro dessa forma porque você pode negociar um desconto e se programar melhor, principalmente se acontecer algum imprevisto de clima (o que aconteceu conosco em um dos passeios). Eu pesquisei bastante antes de fechar: pesquisei valores, opções de passeios, os mais legais, mas priorizei acima de tudo a confiança e segurança porque veja bem, estamos falando de um DESERTO que existe poucos recursos como socorro médico, posto de gasolina, comunicação, etc… Então você precisa de guias que te levem e te tragam dos lugares com segurança e obviamente todas agências lá possuem isso ou pra mais ou pra um pouco menos dependendo das suas expectativas e planos. Depois de muito pesquisar sobre tudo isso eu fechei meus passeios com a Ayllu Atacama que tem uma agência bem no centrinho, então é tranquilo pra encontrar quando se chega lá. Todos os feedbacks que li sobre a Ayllu são super positivos; tanto em blogs de viagem, como no TripAdvisor, eles responderam todas as minhas duvidas, perguntaram que seu tinha alguma restrição alimentar (alguns passeios tem café da manhã, almoço, lanche), pegaram meu horário de chegada e me deram informações importantes. Os passeios que eu fechei com eles foram:

Valle da La Luna, Laguna Cejar, Geyser El Tatio e Vulcão Lascar que tivemos que trocar pra Cerro Toco porque a estrada que leva até o vulcão estava fechada por conta da neve. No dia que chegamos, fechamos o roteiro com a Renata que nos atendeu muito bem e o primeiro da lista foi Valle de La Luna + pôr do sol no Valle de La Muerte: teve um trekking leve, teve entrada em caverna, vista maravilhosa (!), vinho, comidinhas e um pôr do sol maravilhoso com uma vista linda do vulcão Lincancabur, recomendo muito e é uma ótima opção pra se iniciar no Atacama:

Eu estou mostrando pela ordem dos passeios, eu só não me lembro se foi no segundo ou terceiro dia que demos um OFF pra conhecer o centrinho, mas o segundo que fizemos foi o Laguna Cejar: o famoso lago profundo que devido a quantidade absurda de sal que tem nele, você boia, não tem como afundar e é maravilhosa a vista de ter um lago desses no meio do deserto. A água é absurdamente gelada, já vou avisando, mas crie coragem e entre mesmo assim, vale muito a pena pela experiência e a gente só se vive uma vez na vida, né? Depois fomos pro Ojos del Salar que são duas crateras imensas com água doce e salgada onde se pode mergulhar, mas eu preferi só olhar mesmo porque eu já tinha tido a minha cota de encarar água gelada pro dia ehehehe e depois fomos para o pôr do sol Laguna Tebinquinche que o caminho é um pouco mais complicado e que nesta hora, final de tarde, o tempo já estava bem mais frio. Eu fiquei especialmente apaixonada por Laguna Tebinquinche porque além de ter uma vista maravilhosa, do tipo raro aos nossos olhos (fica no meio de um vale e recebe água do degelo das montanhas), é um lago muito sagrado, portanto é estritamente proibido tocar na água ou ultrapassar a linha da trilha que é demarcada. O pôr do sol ali é lindo também, conforme o sol vai se pondo a paisagem em volta vai mudando de cor, e a água do lago fica como um espelho refletindo tudo em volta, vimos tudo isso tomando um belo Pisco Sour e degustando comidinhas deliciosas (o pessoal da Ayllu foi muito querido e fez opções sem carne pra mim), outro passeio que vale muito a pena fazer:

No dia que fomos para os Geysers Del Tatio saímos antes mesmo do sol nascer. O guia nos buscou no hotel e de lá partimos. É preciso sair muito cedo por dois motivos: fica longe do Atacama (são quase duas horas de carro) e o espetáculo mesmo acontece quando o sol nasce e os geysers soltam aqueles vapores de água que chegam aos 10 metros de altura facilmente, isso acontece porque há um contraste muito grande entre a temperatura da água (por volta 85°C) e a temperatura ambiente, que neste dia pegamos os agradáveis -15°C ahahahahaha, ou seja, basicamente é o mesmo que se estivéssemos em cima de uma panela de pressão. Vocês lembram que eu disse que no Atacama quanto mais alto, mais frio? Pois bem, o Atacama está a 2.400 metros acima do nível do mar e o campo aonde fica os Geysers está a 4.320 metros, então esse é um dos passeios que é imprescindível camadas de roupas e um casaco adequado pra esse tipo de temperatura. O que pode acontecer também é sentir o tal do Mal da Montanha (enjoo, tontura, dor de cabeça, falta de ar), eu senti um pouco quando estávamos subindo de carro, mas como estou mais esperta com esse tipo de coisa, eu só tomei um pouquinho de café antes de sair do hotel e alguns golinhos de água durante o caminho, não quis comer nada porque é certeza que passaria mal, tomamos um belo café da manhã enquanto estávamos lá e aí foi super de boas porque o corpo já estava mais aclimatado. Foi sem dúvida um dos passeios que eu mais AMEI fazer e estando no Atacama você não pode deixar de incluir os Geysers del Tatio na sua lista, a volta também foi muito legal porque o que não vimos na estrada na ida por estar escuro, vimos tudo na volta e foi incrível:

E o penúltimo passeio que fizemos foi pra Pukara de Quitor, esse nós fizemos por nossa conta mesmo porque é bem próximo do centrinho do Atacama (3km) e não necessita de guias. Você pode alugar bicicleta ou ir a pé, escolhemos a segunda opção, ao chegar ao parque você paga uma entrada que sai por volta de mais ou menos 15 reais. Pukara de Quitor é um sítio arqueológico pré colombiano que foi construído no século XII (ou seja, essa ruína tem mais de 700 anos) e serviu de proteção dos atacamenhos que lutavam contra invasores. Pukara na língua dos quéchua significa “fortaleza” e Quitor é o nome do monte onde, em 1982 foi proclamado como monumento nacional. A subida é um pouco puxada, mas nada impossível, toda a vista que se tem quando se chega ao topo é compensadora:

O Atacama é um pedaço no mundo incrível pra se conhecer. E nos acontecimentos também: encontrei lá um amigo que conheci na Noruega, mas que agora mora em São Paulo, por um acaso ele viu no meu FB que eu também estava no Atacama e nos encontramos um dia para jantar juntos. Mundão pequeno, né? Há vários outros passeios além desses que fiz e tudo depende de quanto tempo você vai ficar e o quanto está disposto a gastar. A Ayllu não é uma das agências mais baratas, justamente por ter um turismo mais diferenciado, eles oferecem diversos atrativos que vão além dos lugares, além de um atendimento impecável, tanto na agência como os guias que nos acompanharam, aliás, o que já me perguntaram: Dá pra ir pros lugares sem guia? Creio que alguns até dão pra fazer sem um guia, porém não é recomendado! Eles mesmos lá enfatizam isso. É sempre mais seguro você estar com um guia que conheça o lugar e que esteja com equipamentos de segurança necessários: GPS no carro, sinal via satélite e rádio, caixa de primeiros socorros – essas coisas que fazem uma total diferença caso você precise delas. Portanto, eu recomendo que (tirando Pukara de Quitor), ninguém faça algum passeio sozinho. Pra quem viaja de carro (nós conhecemos um casal que saiu de Curitiba de carro e chegou até lá) eu não sei qual é o procedimento pra se visitar os lugares, então, pra quem tem essa intenção, pesquise muito bem antes. Pra fechar os posts sobre o Atacama (porque ainda falta do Chile) eu deixei Cerro Toco pra um outro post, uma vez que fazer esse trekking foi uma experiência única pra mim, então ainda vou escrever sobre ele contando tudo. Ah, e o post não é nenhum publi não, viu? Escrevi unicamente baseada na minha experiência. 🙂

Viajando: Chile – Deserto do Atacama

No mês de Agosto estivemos no Chile mais uma vez. A primeira vez foi no final de 2010 e passei o Ano Novo lá que foi incrível. Eu sou apaixonada pelo Chile! Amo Santiago. A cidade, as pessoas, os lugares, o clima. Mas dessa vez resolvemos escolher um Chile mais aventureiro e roots e fomos pro Deserto do Atacama. Ficamos 5 dias insanos lá, então como já falei sobre o Chile aqui no blog eu vou deixar pra depois os posts sobre Santiago e outros lugares que conheci e falar mais sobre o deserto que foi o ponto principal da nossa viagem. Hoje eu vou falar sobre como chegar até o Atacama, o vilarejo, dicas de lugares pra comer, se hospedar e coisas que não podem faltar quando se está num deserto,  no outro post falarei especificamente sobre os passeios que fiz.

Pra se chegar até o Atacama existem duas opções: estrada (que leva um dia partindo de Santiago) ou a melhor opção que é o aéreo: de Santiago você pega um voo (1 hora e 1/2 de viagem) até o aeroporto de Calama e de lá você pega um transfer (1 hora e 20 de viagem) até a vila de São Pedro do Atacama. No aeroporto mesmo há diversas empresas de transfer (nós escolhemos a Licancabur que te deixa na porta do seu hotel. O valor é $9.000 somente ida ou $14.000 ida e volta) ou você pode escolher ir de táxi também, nós escolhemos o transfer porque além de ser mais barato, eu tive uma confiabilidade maior com a empresa e uma coisa que não se pode reclamar do Chile é organização e opções de locomoção. Quando desci em Calama e olhei em volta eu já comecei a sentir toda a atmosfera do deserto, mas chegar no deserto do Atacama eu penso que deve ser a mesma sensação que pisar em outro planeta. Aquele lugar é outro mundo.

Chegamos em São Pedro do Atacama bem no comecinho da tarde. Fizemos o check in no hotel, ficamos hospedados no Atacamadventure Wellness & Ecolodge que fica mais ou menos uns 2 quilômetros do centrinho, mas a noite eles dispõem de transfers e o hotel tem uma estrutura muito boa também, tem até um ofurô pra relaxar, super recomendo. Do hotel fomos até o centrinho a pé mesmo e chegando lá já procuramos a Ayllu Atacama que foi aonde eu fechei todos os meus passeios. Eu cotei outras agências antes e nas minhas pesquisas, a Ayllu estava sempre muito bem indicada nos feedbacks dos viajantes, definitivamente eu também recomendo muito porque todos os passeios que fiz com eles foram todos incríveis. Montado o roteiro dos passeios com o pessoal da agência fomos procurar algo pra comer e no centrinho minúsculo do Atacama restaurantes não faltam, aliás as 4 coisas que não faltam ali são: restaurantes, agências de passeios, casas de cambio e mini mercadinhos. No vilarejo tem apenas uma farmácia e uma agência bancária, portanto já chegue lá meio que preparado nesses pontos. A comida é muito boa, na maioria dos lugares – embora não em todos, tem opções vegetarianas ou veganas no cardápio… Eu estava um pouco receosa quanto a isso porque achei que teria um pouco de dificuldade de encontrar comida sem carne, mas foi muito de boa em todos lugares que visitei. Ah, e outra dica importante e essa é para os aventureiros estilosos: tem uma loja na North Face e uma da Columbia também, importante saber principalmente se você precisa de uma blusa mais quentinha ou uma bota de trekking caso você tenha levado só tênis (vou falar sobre tênis X bota depois).

Aliás o tipo de vestimenta é algo muito importante pro Atacama e vou dizer o motivo: você tem calor e muito frio no mesmo dia, então é imprescindível estar preparado pros dois. Nessa época de agosto durante o dia o calor é de agradável pra mais frio, ou seja, até dá pra ficar só de camiseta durante o dia enquanto você está andando no sol e quando começa a entardecer você sente bem a temperatura começar a cair, a noite é bem frio mesmo. Dependendo do passeio que você vai também conta, quanto mais alto (acima do nível do mar), mais frio é, e eu estou falando de temperaturas entre -15 e -20 graus, portanto, roupas e camadas pra MUITO frio são necessárias. Outra coisa: boné, óculos de sol, protetor solar e água são quatro coisas que não existe como ficar sem no Atacama e embora nessa época o calor seja mais agradável, o sol é MUITO intenso e aí te dá aquela sensação falsa que não está queimando a sua pele, mas está sim e bastante. Protetor e água eu não preciso nem explicar, né? Estamos no deserto mais seco e mais árido do MUNDO. Outra coisa que eu acho super importante, mas que pouca gente conta: levar tênis ou bota de trilha/trekking? Eu levei os dois porque também fiquei em Santiago alguns dias, então eu precisava do tênis, mas no Atacama eu somente usei as botas de trekking, chinelo eu usei apenas dentro do hotel e o tênis ficou todos os dias intocados e guardados no mochilão. Se você não se incomoda em voltar com um tênis imprestável de sujo ou acha que pode ser mais confortável que as botas, ok, mas o chão lá é todo formado por pedrinhas, no centrinho nada é asfaltado, é tudo areia (tanto batida como solta) e dependendo do lugar que você irá, o tênis não vai proteger seus pés de andar num local mais arenoso e irregular, portanto na minha humilde opinião de trilheira amadora, as botas de trekking são muito melhores, a minha que é da Quechua voltou lindamente suja que só dei uma batida por cima com um pano e deixei assim mesmo, porque botas sujas são as que mais tem histórias pra contar.

Enfim… Essas são minhas dicas pra se iniciar no deserto.

O Atacama é um lugar extremo. É o extremo do mundo. É o extremo do seco, do quente, do frio, é selvagem, é mágico, é um lugar único! Antes de viajar eu estava com muitas expectivas e conhecer essa parte do Chile superou tudo aquilo que eu imaginava e foi além, te faz refletir sobre si e o mundo, eu voltei com muitas vivências maravilhosas. As fotos, os registros e as histórias nunca vão expressar nem 0.001% do que é estar presente ali e viver/sentir tudo aquilo, é por isso que eu digo: visitem o Atacama ao menos uma vez na vida! No próximo post eu vou contar sobre os passeios que fiz e quais eu mais gostei.

Inglaterra: York

Já vou começar esse post dizendo: eu fiquei apaixonada pela histórica York. Que cidade incrível! É de cair o queixo, logo que você sai da estação de trem dá pra ter uma visão incrível da muralha que corta a cidade. Reservamos dois dias pra York e como o Marcelo teria que trabalhar e York fica muito mais ao norte da Inglaterra, foi muito mais viável ir de trem pra lá do que de carro, saindo de Londres dá umas 2 horas e meia de viagem.

York foi fundada em 71 pelos romanos e está muito bem preservada desde então, é por isso que é uma cidade tão procurada por viajantes. Por estar numa posição estratégica no sentido de ser um importante acesso de outros países e relativamente próxima aos países nórdicos (próxima do mar do norte), York teve muitas invasões ao longo de sua história e mesmo sendo fundada pelos romanos, a cidade tem uma influência Viking muito grande também, por conta disso ela foi chamada pelos nórdicos de Jorvik e que o tornaram a sua capital respectivamente. York é uma cidade praticamente toda murada o que dá uma visão muito mais ampla da época medieval, é possível andar sobre as muralhas e sentir como foi nessa época.

No centro da cidade há as conhecidas Shambles e tem esse nome porque é assim que eram chamadas as ruas na época medieval, as principais shambles são: King’s Shamble, Church Street, St. Andrew Gate e Stonegate (nosso hostel era pertinho da Stonegate). Com um comercio bem diversificado (cheio de pubs, cafés, lojinhas) é uma área exclusiva para pedestres e é muito conhecida porque é a rua medieval mais bem preservada da Europa. Essas ruinhas são todas sinuosas e bem estreitas, a noite o clima fica mais fantasmagórico, bem interessante também.

Outro lugar que eu amei conhecer foi o Clifford’s Tower – um símbolo da cidade. Em 1066, William, o conquistador, atravessou o Canal da Mancha com seus soldados e estava decidido a tomar York. Ele não só conseguiu como ainda construiu vários castelos e fortificações pra controlar a região. Uma destas fortificações é a Clifford’s Tower (ou parte do que restou dela ehehe) que fica no alto de uma colina e que dá pra ter uma visão ótima da cidade toda. Tem esse nome porque dizem que o Rei Edward II, mandou enforcar um lorde traidor de nome Robert Clifford, isso lá em 1322, fazendo com que ele fosse pendurado nas pedras. Desde então a torre passou a ser conhecida como a Torre de Clifford e é possível visitar a parte interna também.

Há várias outras atrações e lugares incríveis para se conhecer em York, a catedral é belíssima, mas não cheguei a entrar porque achei o preço um pouco salgado. Nos jardins ao redor do Museu há várias ruínas romanas, inclusive as ruínas da Saint Mary’s Abbey. Há passeios de barco pelo rio também ou você pode simplesmente andar por alí, beirando o rio, admirando a paisagem, enfim… Tem muita coisa pra conhecer. York é uma cidade que vale muito a pena incluir no seu roteiro de viagem ao Reino Unido, super recomendo. Um dia na cidade, numa viagem de bate e volta partindo de Londres eu acho pouco porque perderia muitas atrações, então vale a pena e ficar de 2 a 3 dias pra conhecer bem. Definitivamente entrou pra minha lista de cidades preferidas da Inglaterra.

Inglaterra: Oxford e Cambridge

Na nossa ultima viagem, enquanto estivemos na Inglaterra também fomos conhecer Oxford e Cambridge: as duas cidades da Inglaterra conhecidas mundialmente por suas universidades. Primeiro vou falar de Oxford que fomos até lá de carro com o Marcelo e no outro post prometo escrever sobre York.

Oxford

Oxford é uma cidade pequena, facilmente dá pra conhecer muito fazendo o caminho a pé, uma vez que as atrações e toda a área universitária se concentram bem no centro. A cidade é uma graça e com uma arquitetura maravilhosa. Nomes importantíssimos passaram por lá: Bill Clinton, Oscar Wilde, J. R. R. Tolkien, Edmund Halley, Lewis Carroll (de Alice no País das Maravilhas). Mesmo sendo uma cidade pequena, Oxford tem muitas coisas pra ver, aliás, como tudo na Inglaterra, em Oxford por exemplo está a Bodleian Library que além de ser uma das bibliotecas mais antigas da Europa, é a segunda maior do Reino Unido depois da London’s British Library. Como fomos apenas pra passar um dia, optamos por um tour rápido pelos principais pontos da cidade e depois visitamos o Castelo de Oxford que foi uma ótima escolha. O castelo foi construído em 1071 as margens do rio Tâmisa e desde essa data até (pasmem!) – 1966 foi usado como prisão. Parte do castelo, após ter sofrido muitas destruições durante a Guerra Civil inglesa (1142), foi reconstruído e transformado em um hotel (o Marcelo já ficou hospedado lá quando estava viajando a trabalho e disse que apesar de ser bem confortável, deu à ele uma sensação muito estranha). E são nos edifícios do castelo que tem as visitas guiadas. Elas são feitas em grupos e acontecem todos os dias a partir das 10h. O ingresso para adultos custa £10.25 o que vale muito a pena. As primeiras histórias de Rei Arthur nasceram dentro das prisões do castelo (1136), escrita pelo monge galês Geoffrey de Monmouth, somente algumas colunas da capela sobreviveram e é possível visitar. Na saída do castelo há um café muito charmoso e que recomendo muito.

Cambridge

Dias depois fomos pra Cambridge e de carro também, mas dessa vez estava eu, Marcelo, Rick, Lau e Jean (primo do Lau e o motivo da viagem – afinal ele é matemático ehehe). Lá nos encontramos com o Alexz, amigo do Má que mora há muitos anos em Cambridge e foi nosso guia particular. Eu achei Cambridge um pouco mais animada que Oxford e com uma arquitetura igualmente rica, vários nomes importantes também passaram por lá: Isaac Newton, Charles Darwin, Lord Byron e os famosos mais atuais como Emma Thompson e Hugh Laurie. Passamos um dia muito divertido e agradável em Cambridge e que assim como Oxford é possível passear por toda a cidade a pé. Conhecemos bastante coisa: visitamos a igreja Great St Mary que por 3 libras (e se você tiver com muita disposição e pernas), é possível subir até o topo da igreja e ter uma vista magnífica da cidade. Visitamos também a área dos colleges (Trinity, Queens, Saint John e King), só não visitamos as áreas internas deles (principalmente pra tristeza do Jean) porque justo naquele dia estava acontecendo um evento fechado ao público. Almoçamos em um Pub muito legal (almoçar em Pubs pela Inglaterra é sempre garantia de boa comida e cerveja) e depois visitamos a parte dos canais (pelo Rio Cam) com aqueles passeios de gôndolas (punting) que passa por pontes super famosas como a Mathematical Bridge (reza a lenda que a estrutura de madeira foi construída por Isaac Newton, sem a utilização de parafusos) e uma outra que é igualzinha a Ponte do Suspiros de Veneza. Cambridge também é uma cidade super perto de Londres (de carro leva mais tempo, mas de trem é a apenas 45 minutos) que vale muito a pena visitar, não só pelo charme, arquitetura, mas principalmente por toda a história que engloba.

Quer ver mais destinos na Inglaterra? Aqui tem vários posts.

Meu Ano Novo em Londres

Aparentemente o ano de 2017 está começando (só) agora aqui no blog, não é mesmo? Eu já tinha que ter postado alguma coisa neste humilde espaço, mas confesso que só não fiz por pura preguiça mesmo porque coisas pra contar, eu tenho bastante. Minha virada de ano não poderia ter sido mais incrível: eu estava em Londres e meu sonho – mesmo já sendo pela 4º vez que viajo pra lá – era passar um ano novo no meu lugar preferido do mundo.

Saímos daqui no dia 24 e chegamos lá bem no Natal (passei a ceia no avião mesmo ehehehe), o Marcelo e Lau foram buscar a gente no aeroporto porque no Natal, nenhum tipo de transporte funciona em Londres. Já é inverno na Europa e pegamos temperaturas que variaram entre 5 e -2 o que eu particularmente adoro porque eu amo inverno e nunca terei essas temperaturas mais baixas aqui no Brasil. A cidade estava maravilhosamente enfeitada pro Natal, especialmente a Regent’s e Oxford Street, os ingleses realmente sabem como decorar nessa época.

Como nas outras vezes, desta vez também ficamos hospedados na casa do Má que mora em Blackheath – região mais afastada do centro, próximo do parque de Greenwich e eu morro de amores por aquele pedacinho de Londres… A vida ali parece que passa mais devagar, com uma certa sutileza em dias lindos como esse:

Eu sou apaixonada por Londres e isso não é novidade pra quem lê meu blog ou me conhece. E acho incrível como sempre encontro coisas novas por lá em qualquer segmento: cultural, gastronômico ou um simples passeio pelas ruas, acho incrível que mesmo tudo aquilo que eu já tinha visto, ainda é capaz de me arrancar grandes suspiros. Eu fiz muitos passeios lá e desta vez – por já conhecer bem a cidade, fui com mais “calma” por assim dizer, acho que vi tudo com um olhar mais apurado, não só de viajante, mas de quem já viu como algumas coisas ali realmente são. E mesmo assim sempre me surpreendo.

Este post vou falar especificamente de como é o ano novo em Londres, eu visitei outras cidades: Oxford, Cambridge e York que terá um post para cada dessas e também vou escrever sobre algumas coisas que amei conhecer ou fazer novamente por Londres mesmo, mas nesse será somente sobre o ano novo.

O Má comprou os ingressos antecipadamente pra gente ver os fogos da região alí de Westminster: aonde pega o Parlamento e a London Eye e de uns anos cá é assim: você precisa de ingressos pra ver os fogos que custa 10 libras por pessoa (o que é muito barato pelo espetáculo que oferece), os setores são divididos por cores e nós escolhemos o setor azul: ficamos bem de frente pra London Eye, melhor vista.

No dia 31 chegamos lá por volta das 10 horas da noite. Estava frio, mas nada absurdamente que congelasse os ossos. O céu estava limpíssimo, sem foggy, nem nuvem. A segurança da cidade para este dia estava ultra reforçada, muito em parte pela preocupação de possíveis atentados, mas claro também por toda segurança que um evento tem que oferecer, os ingleses são bem cautelosos e organizados com isso. Quanto ao lance de atentados, honestamente eu procurei não pensar nisso desde o dia que saí daqui e eu vi que ali estava segura com tantos policiais em volta, mas mais ainda, vi que as pessoas estavam juntas, assim como eu, por um único bem comum: celebrar a chegada de um novo ano.

Tinha muita gente, muita mesmo… Mas estava relativamente fácil de transitar, principalmente se você precisasse ir a um banheiro químico, comprar algo pra beber/comer ou simplesmente se precisasse ir de um ponto ao outro. Como disse: ficamos na vista mais privilegiada, bem de frente a London Eye, sempre como exatamente sonhei. Levamos o nosso vinho (desde que não fosse de vidro e uma quantidade aceitável por pessoa, podia levar, não levamos champanhe porque só encontramos em garrafas de vidro) e nos divertimos TANTO antes mesmo dos fogos que nem sentimos o frio.

Durante todo esse tempo há um DJ que fica tocando alí pra animar a galera, a ultima música que ele tocou antes de começar a contagem regressiva foi uma do George Michael, todo mundo cantou junto, foi muito emocionante e uma bela homenagem, GM é muito querido no Reino Unido! Daí a musica terminou e um contador imenso apareceu refletido na frente de um prédio, iniciou-se a contagem regressiva… Eu não sei colocar o quão emocionante isso é em palavras, mas ficou um silêncio quase que total, só nos dez últimos 10 segundos que todo mundo começou a contar junto e quando o ultimo segundo soou, os sinos do Big Ben começaram a tocar. Fico arrepiada só de escrever.

Obviamente como manteiga derretida que sou, antes mesmo dos 10 segundos finais de 2016 eu já estava em lágrimas, chorando feito uma louca-chorona-da-virada-do-ano, claro que principalmente por estar alí no meio daquela celebração toda, mas principalmente também por estar virando mais um ano, mais uma nova etapa… Pra mim sempre tem um significado muito grande de renovação, de coisas novas e de boas esperanças. E foi incrível. Foi inesquecível. Esse vídeo da BBC mostra como foi lindo, mas só mesmo estando lá pra sentir como é:

A duração dos fogos é de 11 minutos. Depois disso o DJ continua, mas aos poucos a galera já vai se dispersando e as comemorações continuam pelas ruas de Londres. Nós: eu, Rick e Marcelo ficamos por alí dançando e nos divertindo por um bom tempo antes de começar a pegar o caminho de volta pra casa que também foi tão divertido quanto. Pra mim foi maravilhoso, foi além das minhas expectativas e se começou assim tão bem, desejo assim seja durante todo o ano de 2017, para mim e pra todos vocês.

Feliz Ano Novo! 🙂

cilada de viagem

Eu adoro acompanhar blogs de viagens, mas ultimamente eu estou pegando uma certa birra deles. É muito comum, e eu diria que até insistente, você encontrar posts ~encorajadores~ do tipo: “fulano largou o emprego e foi viajar o mundo” ou “fulana viajou a Europa com apenas 1 euro por dia”. Amigos, eu digo uma coisa: não é bem assim. Não é nada disso na verdade!

Essa semana li um post num blog de viagens bem conhecido e que gosto muito, mas que me deixou bem intrigada com um post; era sobre um jovem português que viajou vários países da Europa “gastando” apenas 1 euro por dia. Isso tecnicamente, claro! E como ele conseguiu isso? Basicamente mendigando. Essa é a palavra. Em um trecho do post ele dizia que chegou a pedir esmola pra poder comer e que na grande maioria das vezes dependeu da boa vontade das pessoas mesmo. Na página do Facebook dele há vários posts inspiradores, contanto detalhes da viagem e blá blá blá e nossa! – vários patrocinadores também, entre eles a Decathlon (mas ué?). Eu não sei em qual parte da história isso é motivante e encorajador, mas pra mim não passa de algo humilhante e cara de pau. Pra dizer o mínimo.

Você viajar com o mínimo de gastos dá sim, mas requer planejamento e responsabilidade. Acompanho dezenas de blogs de viagens, já vi muita gente viajando com pouco, eu mesma sou adepta a esse estilo, mas faça isso de uma forma bem mais digna e responsável. O couch surfing, como uma amiga bem citou, é muito conhecido entre os viajantes e uma opção de viagem mais barata. Outro exemplo? Quem trabalha nos lugares que está viajando pra pagar comida, hospedagem e tudo mais… Isso é bem legal e muito comum em hostels. Carona? Desde que você tome certos cuidados também vale, tem muita gente generosa no mundo, mas gente ruim tá esparramado aos montes por aí e acho que nem preciso lembrar disso, não é?

ciladas-viagens

O que não é legal é você depender da boa vontade das pessoas e achar que está sendo “o super fodão” em mendigar comida ou aonde dormir (e ainda achar que está no lucro). Isso é um incomodo pras pessoas em volta e tem outro nome também – gente folgada. Pensa só: Se essa moda pega, imagina o caos que viraria nas cidades que 90% das pessoas são turistas? Outra coisa que é muito comum de ler nesses blogs é a história de alguém que, supostamente, jogou tudo pro alto, dizendo que largou o emprego e foi viajar o mundo quando se tem toda uma e$$$trutura por trás… Geralmente até papai e mamãe bancando as aventuras, mas isso a Globo não mostra e nem nunca vai mostrar. Aliás, não vejo nada de errado nisso, que fique bem claro, mas seja honesto porque nem tudo foi exatamente largado.

Aliás, qual o problema de trabalhar muito, juntar grana (e isso inclui as coisas que se abre mão, eu bem sei como é) e fazer uma viagem legal do jeito que você sempre quis e planejou? Christopher McCandless teve sua história contada no filme Na Natureza Selvagem e foi assim mesmo – ele largou tudo – TUDO mesmo! pra chegar até o Alasca, aliás, é de longe um dos meus filmes preferidos, a história é realmente maravilhosa, te faz refletir numa porrada de coisas, mas há um spoiler bem pertinente: ele se fode no final. ¯\_(ツ)_/¯

As pessoas adoram enfiar regras de como viver e aproveitar o mundo, de como somos dependentes do dinheiro e saem por aí parafraseando o clichêzão do Clube da Luta de que “bibibi compramos coisas que não precisamos”, do nosso hábito do conforto e de nossos empregos enfiados em um escritório, mas nenhuma se mete a largar tudo e fazer a mesma coisa tão na cara e a coragem como mostram. Eu pelo menos não conheço ninguém pessoalmente assim. Acho muito válido você se desprender de certos hábitos que estão enraizados na nossa vida e uma viagem é a maneira mais perfeita pra isso, principalmente inclusive, pra se desprender de muitos preconceitos, mas querer vender a receita duvidosa de largar tudo ou viver com miséria de mendigagem pra fazer a viagem dos seus sonhos é uma grande furada. Não, meus amiguinhos, não é bem por aí. Continuem viajando da maneira que lhe convém e lhe cabem, mas não se motivem cegamente por esse tipo de história.