Limites pra uma alimentação saudável?

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As vezes eu vejo umas coisas meio absurdas nessa internet que eu não sei se é chatice da minha parte ou se é a falta do bom senso que realmente está acabando entre as pessoas… Eu acompanho alguns blogs fit porque gosto de pegar dicas de receitas e exercícios, mas nada mais além disso, porque coisas mais sérias como suplementação por exemplo, somente um profissional da área pra orientar… Além do mais, eu nem vou entrar nas questões de posts patrocinados porque ao mesmo tempo que isso é muito bem maquiado e que, infelizmente, ainda tem muita gente que não percebe (ou finge que não percebe, vai saber…), tem aquele que também escancara e não faz questão alguma de disfarçar mas ok, acho que “pagando bem que mal tem?”, porém é óbvio que não tem como não se perguntar: até que ponto uma “opinião” paga é realmente confiável? Mas a questão, como disse nem é essa, vou falar de um ponto específico que ando observando com uma frequência até que grande nesse meio…

Semanas atrás vi uma foto num blog fit muito conhecido que me deixou um tanto quanto incomodada ao ponto de se perguntar “mas gente, isso é realmente necessário?” tipo… Sério mesmo… REALMENTE precisa? E como essa modinha agora de “marmitar” em qualquer lugar (qualquer lugar MESMO) virou uma febre entre os fitnistas (mas não todos e não estou generalizando, que fique isso bem claro), eu me pergunto também, até aonde algumas pessoas querem e procuram um meio de vida mais saudável e até aonde isso não se torna uma neurose que, diga-se de passagem, na maioria das vezes (como na maioria das neuroses) faz você fazer papel de ridículo, pelo simples fato do exagero, mas isso é uma opinião minha e isso não necessariamente quer dizer que eu esteja certa. É só uma opinião! Foto de gente “marmitando” dentro do carro durante o transito, no consultório, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê e até mesmo em um avião – daquela ponte aérea super curta que quando você pensa em abrir um pacotinho merreca de amendoim, seu voo já chegou ao destino. Percebam que, não é só o fato de você comer quando sente fome – isso, na verdade, não é o problema (é uma solução!), nem ter sua própria comida, mas pra começar que eu acharia grosseiro demais alguém abrir um potão de macarrão e frango do meu lado em um consultório enquanto eu também espero a minha vez pra passar com um médico ou ainda: 15 claras de ovos e uma batata doce do tamanho da sua cabeça, tudo isso sendo aberto bem ao seu lado e dentro de uma caixa gigante pressurizada mais conhecida como avião… SOCORRO!!!!!

Gente, numa boa? Eu só consigo imaginar o cheiro bombástico que deve ser quando se destampa uma “marmita” dessas e como disse, o ponto geral de tudo isso: não importando aonde! Diferente daquele que resolve comer uma maçã ou uma barrinha de cereal pra enganar a fome ou porque não teve tempo pra almoçar… Sei lá até que ponto uma tupperware com comida FRIA e nuclear em termos de cheiro, aberta sem precedentes do limite de respeito do espaço ao próximo – como querendo dizer: “foda-se, é a minha hora de comer”, está sendo a bandeira declarada da boa alimentação. Acredito que isso seja algo pra no mínimo se questionar. Acho que pra tudo tem um lugar certo (restaurantes self services tem aos montes com variadas opções e preços baratos, sabiam?), pra tudo é uma questão de educação e se isso é normal pra muita gente, eu tenho o direito de achar que não é (e ainda pensar que isso é no mínimo estranho).

Você fazer uma viagem relativamente curta de avião e levar sua própria comida (independente da “marmita” em questão ser patrocinada ou não pra você estar ganhando um bom cascalho ao fazer papel de besta numa ponte aérea) me leva a questionar que então fazer uma viagem longa, viajar pra um lugar em que a comida é diferente dos seus hábitos alimentares está totalmente fora de questão porque né… Pessoas que “marmitam” em qualquer lugar, mas não comem nada além daquilo que estão habituadas (ou se impõem pra si, pensando bem), então a (única) solução é ficar em casa e isso pra mim já é se privar demais da vida. Até porque a fiscalização aduaneira pode até deixar com o “jeitinho brasileiro” você passar naquela ponte aérea curtinha, mas jamais deixaria você passar transportando sua feira dentro mala de mão em um voo internacional, correndo até o risco de te prenderem por terrorismo enquanto você tenta explicar que toda aquela caralhada de claras de ovos e batata doce com cara de poucos amigos não é uma bomba. Isso foi é apenas uma das observações que sempre faço quando vejo esse tipo radicalismo, porque assim… Se um dia ou outro você comer algo que está fora dos seus hábitos, não quer dizer que você irá viver menos na sua vida super saudável-radical por isso, nunca ninguém comprovou cientificamente uma coisa dessas. Então apenas RE-LA-XE, aproveite mais e não seja tão exageradamente regrado assim. Dizer que “levamos esse hábito porque gostamos” eu até acredito com algumas reticências, mas pra mim é o mesmo que uma criança de 5 anos dizer “porque sim e pronto”, mesmo porque, eu duvido que não tenha aquele que não suba pelas paredes quando vê uma barra de chocolate, mas que se obrigue a comer aquele brigadeiro-fit como substituto e que, mesmo que diga que é, com certeza o gosto e o prazer não são os mesmos. Não, não são.

Sou super a favor da alimentação saudável. É óbvio! Ninguém quer ter uma veia entupida, ter um treco e bater as botas. As pessoas estão cada vez mais procurando por isso (eu sou uma delas) e parabéns! – porque ninguém vive de fast food e comida industrializada. Alimentos saudáveis são uma delícia – algo que com criatividade e boa vontade dá pra fazer coisas maravilhosamente gostosas, mas não sou a favor de me abster 100% do prazer que é comer outras coisas que eu gosto, que necessariamente não são tão saudáveis assim e que de uma forma ou de outra se eu não comer, podem me privar de OUTROS prazeres da vida por isso. Bom senso, minha gente!

Querem um exemplo? Pensem se eu – Juliana, fosse exatamente assim: regrada radicalmente a base de clara de ovo, frango, macarrão integral e com uma viagem incrível marcada pra daqui uns dias em que, o meu destino são países, cujo alguns deles eu não faça nem ideia de como seja a comida… E eu faria o que com toda minha vida de marmiteira do cardápio regrado? Acho que o melhor seria eu ficar em casa vendo tevê e comendo frango sonso, né? Percebam até que ponto você precisa saber o que é saudável e o que é privação, não só de alimentação, mas de outras coisas que isso acaba envolvendo. Eu só de dei UM exemplo entre muitos.

Não vejo problema em um pedacinho de pudim de leite depois do almoço, menos problema ainda no bom e velho arroz com feijão ou um lanche rápido pra quem naquele dia, não teve tempo de almoçar. Ovo é ótimo pra quem está malhando e não vou morrer mais cedo que você, só porque justo hoje eu resolvi comer o meu frito com pão no meu café da manhã (e você comeu suas 15 claras e ainda cozidas. cara, teu peido deve ser uma bomba). Alimentação saudável é super válido sim, quem ainda não se tocou disso, deveria se informar e pensar mais a respeito pra ter hábitos melhores e uma vida mais longa, mas só não seja um escravo disso… Afinal de contas, o exagero por mais bem intencionado que seja, também não é legal. Reflitam.

Juliana Esgalha Post por