"Requiem for a Dream"

MÚSICA DO DIA: LUST FOR LIFE – IGGY POP

Clique no para ouvir.

“Requiem for a Dream”

Minha rua é um verdadeiro agito!
Já disse isso aqui, uma vez escrevi um post falando sobre isso e carinhosamente a chamei de Springfield… De fato, mesmo sendo uma rua pequena, coisas estranhas sempre acontecem nela, justamente por ser próximo da avenida, perto no centro ou justamente porque o mundo está perdendo a linha do bom senso mesmo.

Na noite passada foi a vez de um drogado filhinho de papai dar seu show à parte e bem debaixo da minha janela, o elenco do seu drama mexicano também contou com as participações especiais dos seus pais que chegaram em um mega carro importado e muito bem vestidos por sinal. O drogado filhinho de papai contado para vocês no episódio de hoje, se chama André… Que chorou, esperneou, jogou os tênis (importados, eu vi) no meio da rua, xingou e mandou todo mundo pra casa do caralho, assim mesmo – em alto e bom som. Seus pais, aparentemente impassíveis, inertes, apenas balbuciavam: “André, vamos pra casa”, “André, pare com isso”, “André bibibi” e eu que da minha janela, estava esperando um pouco mais de emoção por parte deles, comentei com o Rick: “por quê o pai, que é o dobro do tamanho do filho, não senta a mão na orelha desse muleque logo de uma vez?”. Mas por um momento, aliás, por um longo momento eu tive pena dos pais… Pena porque, não deve ser fácil ter um filho assim, não era legal aquele tipo de situação e dolorido mais ainda… Fiquei com pena principalmente do pai que era um senhor simpático de cabelos brancos e assim como a mãe, os dois estavam nitidamente esgotados de tudo aquilo. Enquanto que na calçada estava o drogado-André-filhinho-de-papai gritando um monte de impropérios e por muitas vezes fazendo-se de coitadinho, de criança mimada que se joga no chão quando o pai se recusa a comprar um doce no mercado.

Logo depois chegou um casal de amigos e pela idade, possivelmente eram amigos do André, tentaram conversar com ele, queriam levá-lo pra casa e André toda hora dizia que ia continuar na rua e só quando quisesse iria pra casa, que estava com o demônio no corpo (ahauaha essa eu ri), que ia roubar se ninguém desse dinheiro pra ele… Coisas assim – frases clichês de um drogado no ápice da sua loucura… Falava “tchau, me esquece” toda hora, mas sempre permanecia no lugar… E tudo isso, de certa forma, foi me irritando porque seus pais não faziam nada, aliás, mal ouvi a voz dos dois… Nem um grito, nem uma repressão, nem uma medida imposta um pouco mais enérgica e à essa altura já havia passado quase duas horas, eu já tinha me cansado daquele show idiota e queria muito ir dormir.

Engraçado que, toda aquela pena que senti dos pais começou a me dar uma certa irritação porque eu percebi que eles simplesmente não iriam fazer nada mesmo: o dia amanheceria, eu ia sair pra trabalhar e ver que tudo estava ainda na mesma merda, pareciam duas samambaias postadas na calçada… Eu agiria diferente, não teria essa paciência absurda e nessas horas você não precisa ser um psicólogo, nem muito menos um terapeuta de família pra notar que se André tornou-se aquela pessoa deplorável que estava jogado alí na calçada, era porque muito provavelmente (apenas uma suposição), seus pais lhe deram muita liberdade (financeira inclusive!), passaram muito a mão na sua cabeça e agora estava tudo cagado na vida daquela família mesmo! Poderia também ser o contrário: proteger demais, repreender demais, mimimis demais… Afinal qualquer coisa em exagero, seja lá o que for, não faz bem pra ninguém!

Enfim… Analises psíquicas à parte, já era tarde da noite e como disse: estava caindo de sono, mas impossibilitada de dormir por conta de toda aquela gritaria vulgar de um lado e a paciência irritante ao extremo do outro… Até que André – o protagonista da trama, gritou mais alto, mandou todo mundo pros piores lugares que vocês podem imaginar mais um vez, repetiu que ia roubar o primeiro que aparecesse na frente dele, pediu uma garrafa de pinga e aí… Bom… E aí que eu me irritei de vez e chamei a polícia. Chega dessa palhaçada, néééammmm? Acho que os pais dele estavam precisando se livrar logo daquela situação, não mereciam aquilo por mais que talvez tivessem errado na educação do filho. Liguei e disse que tinha um drogado na minha rua completamente louco e que fazia mais de duas horas que os pais e os amigos estavam tentando levar ele pra casa… Sete minutos depois lá estava uma viatura da polícia com dois policiais na minha rua e estranhamente André – que estava tão agressivo e machão com todo mundo, baixou a guarda e ficou bem quietinho. Nem mencionou pro senhor guarda que iria roubar o primeiro que aparecesse na frente dele. Notei que André, por mais louco que se mostrasse não comeu merda, nem bateu de frente com os policiais, sinal de que à essa altura não estava mais tãããão louco assim, era falta de uma boa piaba na orelha mesmo, uns sacodes… Coisa que, infelizmente, não aconteceu. André merecia isso, uns bons tabefes dos pais!

Dois minutos foram suficientes pra André que demorou mais de duras pra obedecer os pais, entrar no carro e ir embora! Assim mesmo, simples e prático! O adorável silêncio e a querida tranqüilidade estavam de volta em “Springfield”.
Mundo besta! Esse tipo de assunto fica muito bom em tema pra filme, porque na vida real é bem chato de ser ver, pensei… Escovei os dentes e fui dormir!


Trailer do filme “Requiem For a Dream”

Juliana Esgalha Post por