09 jan, 2018

Sobre NÃO ter filhos

Acho que nunca escrevi diretamente sobre esse assunto no blog, embora eu já tenha dito alguma coisa em algum post por aí e confesso que até fiquei na dúvida se publicaria esse ou não, porque de certa forma, não deixa de ser polêmico pra algumas pessoas. Mas prestes a completar 39 anos de idade e há quase 12 de casada, ainda chegam pessoas até mim que perguntam: “quando você terá um bebê?” e isso talvez me incomode mais do que deveria, eu sei, mas é muito em parte pelo fato de eu já estar até a tampa de saco cheio de (ainda!) ouvir isso. Então, sinto em decepcionar alguns, mas adianto desde já que, daqui não sairá bebês. Eu resolvi pela primeira vez falar sobre isso abertamente aqui no blog porque eu já ouvi todo tipo de pergunta que vocês podem imaginar, já me perguntaram inclusive, se eu tinha algum problema de saúde que me impedisse de ter filhos, como se o único motivo de eu não ter bebês fosse então alguma “””falha””” no meu corpo e não uma escolha minha. Se não quer deve ser porque não pode.

Acho que umas das primeiras coisas que as pessoas precisam entender de uma vez por todas é: usar o bom senso sem moderação. Aliás, tá liberado. Tem quem pergunta sobre filhos numa boa, de uma conversa despretensiosa mesmo, mas na sua grande maioria as pessoas perguntam naquele tom de cobrança, como se isso fosse uma obrigação e acreditem: até hoje comigo é assim. Sua vida não é parâmetro pra todas outras e falo isso como um todo mesmo. Pra começar que a decisão de não ter filhos é algo em comum acordo entre mim e Ricardo. Ele também não quer e nunca precisamos conversar por horas e horas pra chegar nessa decisão, aliás, que eu me lembre, nunca precisou de uma grande conversa na verdade porque, nossos objetivos, planos e prioridades sempre andaram tão bem alinhados entre nós dois que quando nos demos conta, só concluímos o que já tínhamos certeza: não queremos mesmo. Gostamos das mesmas coisas e fazemos essas mesmas coisas sempre juntos. Querem um exemplo? Uma delas é viajar. Viajar é uma prioridade na nossa vida e aqui eu já deixei claro que é uma das coisas que eu mais amo fazer. Já me disseram (lógico que já me disseram, né?) que ter filhos e viajar é algo super possível sim. Obviamente é. E eu nunca duvidei disso. Mas volto a bater na mesma tecla de que nenhuma vida deve ser parâmetro pras outras. Gostamos de viajar, de fazer mochilão, pingando em vários lugares, passeios diferentões, fazer as coisas loucas do nosso jeito e um filho, para nós, não cabe nessa situação.

Outra? Gosto de crianças. Gosto mesmo. Mas perceba: disse que gosto e isso não quer dizer que venero e amo de paixão a ponto de ter uma. Amo de paixão por exemplo: meus gatos e meu cachorro, e aí alguém pode dizer: “isso não pode ser usado como comparativo”, mas eu digo que pra minha vida, pode sim. Amo de paixão minha rotina, minha casa, minhas coisas, meus hábitos e com uma criança isso seria diferente. Explicando: eu disse que seria diferente e não pior. Mas, não quero mudar o que está ótimo para mim e isso de alguma forma, poderia quem sabe, ser pior. Quem sabe? Se eu não sei, ninguém mais saberia e no benefício na duvida, prefiro não arriscar.

Mas acredito que o principal de tudo é que não me sinto MAIS ou MENOS mulher por não ter gerado um filho, e consequentemente, nem melhor ou pior do que ninguém. Eu acho deveras importante dizer isso porque na cabeça de muita gente, uma mulher só será mulher mesmo – do tipo ISO 9001 de qualidade – depois que parir um bebê. Eu sempre fui muito bem resolvida nesse sentido, mas talvez não seja da mesma forma pra outras mulheres e isso pode machucar uma pessoa dependendo da forma como você coloca a situação, pra mim, dizer que só descobriu o que é o amor depois de ter filhos me soa muito estranho também, mas até aí, a minha vida também não pode ser parâmetro pras outras, talvez pras outras o sentido de tudo só tenha chegado a partir desse ponto mesmo e tudo bem. Eu por exemplo descubro o amor e a felicidade nas pequenas e grandes coisas e com as pessoas que eu amo, então acho que esse conceito amor & felicidade pós filhos seria algo bem furado pra mim. PRA MIM.

Ninguém tem obrigação de por um filho no mundo. A mulher não uma máquina de reprodução. Temos sentimentos, crenças e planos como qualquer mortal, mas acima de tudo (pelo menos para nós, maioria do mundo ocidental, de uma vida normal): temos ESCOLHAS, temos o LIVRE ARBÍTRIO pra fazer o que em teoria, não deveria nunca ser criticado ou questionado por ninguém. E colocar a mulher na obrigação de que ela tem sim que gerar filhos só porque se casou ou só porque “o tempo está passando”, pra dizer o mínimo, é um pensamento bem arcaico. Sem contar que filhos, ao contrário do que a gente as vezes vê, é responsabilidade. Responsabilidade é uma palavra que engloba muitas coisas. Muitas mesmo. E essa é uma que eu não penso em assumir. Já tenho as minhas, o Rick tem as dele e juntos temos as nossas. E de verdade, o fato é que, resumidamente falando eu não estou disposta a abrir mão de mudar/adequar as coisas na minha vida por uma criança. Ao olhos de muita gente isso soa como um egoísmo, uma afronta, um motivo pra começar uma inquisição das não-mães e jogar todas na fogueira, mas pra mim, é só uma escolha minha e que por sinal, não diz respeito à ninguém.

Tenho muitas amigas mães, aliás, poucas são as amigas não-mães que sobraram no círculo e isso é muito engraçado porque eu sempre digo que adoro ser a tia. São todas excelentes mães e algumas delas tem tanta vocação pra maternidade que eu diria que o papel delas nesse mundo é exatamente esse: ser mãe. Mas é exatamente todo esse zelo e dedicação a uma parte sua que você coloca no mundo que eu não vejo pra mim. E tá tudo bem, sabe. Qual o problema nisso?

Todos nós temos os nossos sonhos, planos e metas e graças a Deus que nenhum é igual ao outro. Ainda bem que são as nossas escolhas e decisões que nos diferem um do outro porque, é assim que o mundo gira, é assim que existimos enquanto alguém no mundo. Então, pense bem antes de perguntar pra coleguinha quando ela terá um bebê porque talvez, esse seja aquele assunto que ela não queira falar simplesmente porque, não diz respeito a você ou porque, ela já esteja bem cansada de responder sempre a mesma coisa. Ao invés disso, pergunte sempre sobre ela mesma, em como está, quais dos planos do momento. A vida não precisa de manual de como se deve fazer isso ou aquilo, porque esse manual, simplesmente não existe e ninguém precisa principalmente, de gente metendo o nariz aonde não foi chamado.

Juliana Esgalha

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3 Comentários

  • Isabela Pinheiro
    Janeiro 10, 2018

    Ju, adorei seu post e me identifiquei demais. Eu também sou contada todos os dias(inclusive hoje fui) sobre ter filhos, minha sogra e minha mãe competem em me cobrar. Antes eu me estressava quando me cobravam, hoje ignoro e dou uma resposta genérica. Já dicuti com minha mãe e ela melhorou muito. Até pouco tempo atrás eu não queria filhos, mas não sei porque mudei de ideia, mas não tenho pressa de ter. Estou tranquila. Também amo minha vida do jeito que está. Antes não sentia falta, hoje já sinto. Enfim, mas só terei quando achar que devo e pronto.
    Agora sobre perguntar aos outros de filho, eu não gosto de perguntar, acho que ninguém tem nada com isso. Cada um sabe de sua vida. Cada um faz suas escolhas. As pessoas têm que saber respeitar as escolhas do outro. Ninguém tem que ficar dando satisfação da vida para os outros.
    Espero que um dia as pessoas entendam que cada um é feliz do jeito que quer e ninguém tem nada com isso.
    E também espero que a sociedade evolua e pare de cobrar e julgar as mulheres.
    Beijocas 🙂

  • Celso Novaes
    Janeiro 10, 2018

    Juliana mandou muito bem. As escolhas do ser humano são pessoais, íntimas e intransferíveis. Completei 50 na semana passada e, apesar de ter passado por vários relacionamentos , não rolou de ter filhos. Isso jamais me afetou, porque nunca fui cobrado ou pressionado pelas minhas ex esposas/namoradas. Confesso que, às vezes, cansa um pouco o fato de algumas pessoas já chegarem julgando, olhando torto, fazendo aquelas mesmas perguntinhas capciosas, como se a gente fosse, sei lá, inferior, pecador, infértil…mas eu olho pro lado e, em 5 segundos…plau!…já mudei de assunto.

  • Nana
    Janeiro 09, 2018

    Meu Deus, posso curtir e compartilhar 1000000 vezes seu post? Como me identifiquei com seu post! Sei exatamente como é aguentar essa cobrança (e olha que só estou casada há dois anos kkk) e já me enchi das piadas, cobranças e perguntas sobre “quando vem o bebê?!”.
    As pessoas tem mesmo essa mania irritante de querer colocar todo mundo em uma forminha, para que todo mundo pense igual, haja igual… e coitada de quem pensar diferente! Já ouvi pérolas do tipo: sou “seca” se não tiver o amor de um filho; não estou obedecendo a Deus por não crescer e multiplicar, que não vou ter ninguém para cuidar de mim na velhice (é filho ou enfermeiro?). Tem gente até que parece que está rogando praga… “você vai ver, você vai ter gêmeos….”
    Ainda bem que, acima de tudo, somos mulheres bem resolvidas e que não nos abalamos com esses comentários tão atrasados…
    Bj e fk c Deus
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com