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Viajando: Chile – Deserto do Atacama

No mês de Agosto estivemos no Chile mais uma vez. A primeira vez foi no final de 2010 e passei o Ano Novo lá que foi incrível. Eu sou apaixonada pelo Chile! Amo Santiago. A cidade, as pessoas, os lugares, o clima. Mas dessa vez resolvemos escolher um Chile mais aventureiro e roots e fomos pro Deserto do Atacama. Ficamos 5 dias insanos lá, então como já falei sobre o Chile aqui no blog eu vou deixar pra depois os posts sobre Santiago e outros lugares que conheci e falar mais sobre o deserto que foi o ponto principal da nossa viagem. Hoje eu vou falar sobre como chegar até o Atacama, o vilarejo, dicas de lugares pra comer, se hospedar e coisas que não podem faltar quando se está num deserto,  no outro post falarei especificamente sobre os passeios que fiz.

Pra se chegar até o Atacama existem duas opções: estrada (que leva um dia partindo de Santiago) ou a melhor opção que é o aéreo: de Santiago você pega um voo (1 hora e 1/2 de viagem) até o aeroporto de Calama e de lá você pega um transfer (1 hora e 20 de viagem) até a vila de São Pedro do Atacama. No aeroporto mesmo há diversas empresas de transfer (nós escolhemos a Licancabur que te deixa na porta do seu hotel. O valor é $9.000 somente ida ou $14.000 ida e volta) ou você pode escolher ir de táxi também, nós escolhemos o transfer porque além de ser mais barato, eu tive uma confiabilidade maior com a empresa e uma coisa que não se pode reclamar do Chile é organização e opções de locomoção. Quando desci em Calama e olhei em volta eu já comecei a sentir toda a atmosfera do deserto, mas chegar no deserto do Atacama eu penso que deve ser a mesma sensação que pisar em outro planeta. Aquele lugar é outro mundo.

Chegamos em São Pedro do Atacama bem no comecinho da tarde. Fizemos o check in no hotel, ficamos hospedados no Atacamadventure Wellness & Ecolodge que fica mais ou menos uns 2 quilômetros do centrinho, mas a noite eles dispõem de transfers e o hotel tem uma estrutura muito boa também, tem até um ofurô pra relaxar, super recomendo. Do hotel fomos até o centrinho a pé mesmo e chegando lá já procuramos a Ayllu Atacama que foi aonde eu fechei todos os meus passeios. Eu cotei outras agências antes e nas minhas pesquisas, a Ayllu estava sempre muito bem indicada nos feedbacks dos viajantes, definitivamente eu também recomendo muito porque todos os passeios que fiz com eles foram todos incríveis. Montado o roteiro dos passeios com o pessoal da agência fomos procurar algo pra comer e no centrinho minúsculo do Atacama restaurantes não faltam, aliás as 4 coisas que não faltam ali são: restaurantes, agências de passeios, casas de cambio e mini mercadinhos. No vilarejo tem apenas uma farmácia e uma agência bancária, portanto já chegue lá meio que preparado nesses pontos. A comida é muito boa, na maioria dos lugares – embora não em todos, tem opções vegetarianas ou veganas no cardápio… Eu estava um pouco receosa quanto a isso porque achei que teria um pouco de dificuldade de encontrar comida sem carne, mas foi muito de boa em todos lugares que visitei. Ah, e outra dica importante e essa é para os aventureiros estilosos: tem uma loja na North Face e uma da Columbia também, importante saber principalmente se você precisa de uma blusa mais quentinha ou uma bota de trekking caso você tenha levado só tênis (vou falar sobre tênis X bota depois).

Aliás o tipo de vestimenta é algo muito importante pro Atacama e vou dizer o motivo: você tem calor e muito frio no mesmo dia, então é imprescindível estar preparado pros dois. Nessa época de agosto durante o dia o calor é de agradável pra mais frio, ou seja, até dá pra ficar só de camiseta durante o dia enquanto você está andando no sol e quando começa a entardecer você sente bem a temperatura começar a cair, a noite é bem frio mesmo. Dependendo do passeio que você vai também conta, quanto mais alto (acima do nível do mar), mais frio é, e eu estou falando de temperaturas entre -15 e -20 graus, portanto, roupas e camadas pra MUITO frio são necessárias. Outra coisa: boné, óculos de sol, protetor solar e água são quatro coisas que não existe como ficar sem no Atacama e embora nessa época o calor seja mais agradável, o sol é MUITO intenso e aí te dá aquela sensação falsa que não está queimando a sua pele, mas está sim e bastante. Protetor e água eu não preciso nem explicar, né? Estamos no deserto mais seco e mais árido do MUNDO. Outra coisa que eu acho super importante, mas que pouca gente conta: levar tênis ou bota de trilha/trekking? Eu levei os dois porque também fiquei em Santiago alguns dias, então eu precisava do tênis, mas no Atacama eu somente usei as botas de trekking, chinelo eu usei apenas dentro do hotel e o tênis ficou todos os dias intocados e guardados no mochilão. Se você não se incomoda em voltar com um tênis imprestável de sujo ou acha que pode ser mais confortável que as botas, ok, mas o chão lá é todo formado por pedrinhas, no centrinho nada é asfaltado, é tudo areia (tanto batida como solta) e dependendo do lugar que você irá, o tênis não vai proteger seus pés de andar num local mais arenoso e irregular, portanto na minha humilde opinião de trilheira amadora, as botas de trekking são muito melhores, a minha que é da Quechua voltou lindamente suja que só dei uma batida por cima com um pano e deixei assim mesmo, porque botas sujas são as que mais tem histórias pra contar.

Enfim… Essas são minhas dicas pra se iniciar no deserto.

O Atacama é um lugar extremo. É o extremo do mundo. É o extremo do seco, do quente, do frio, é selvagem, é mágico, é um lugar único! Antes de viajar eu estava com muitas expectivas e conhecer essa parte do Chile superou tudo aquilo que eu imaginava e foi além, te faz refletir sobre si e o mundo, eu voltei com muitas vivências maravilhosas. As fotos, os registros e as histórias nunca vão expressar nem 0.001% do que é estar presente ali e viver/sentir tudo aquilo, é por isso que eu digo: visitem o Atacama ao menos uma vez na vida! No próximo post eu vou contar sobre os passeios que fiz e quais eu mais gostei.

Porque viajar é MUITO BOM

Porque viajar é MUITO BOM

Semana passada o Blog Insônia fez um post de fotos com as estradas mais incríveis do mundo, quem quiser conferir segue o link.

Eu que AMOOOOOOO viajar mais que tudo nessa vida e acreditem: às vezes eu tenho a certeza que é um gosto maior que meu consumismo por roupas, maquiagens e afins e se eu tiver que escolher entre tudo isso OU uma viagem (e acho que esse ano, se Deus quiser, tem MAIS), eu escolho sem pestanejar por meu lindo pézinho aventureiro na estrada (ou por num avião, rá!), enfim…

Adorei conhecer as estradas mais incríveis do mundo, mas o mais legal de tudo isso é saber que pelo menos em uma delas eu já estive e recentemente heim, é a Estrada de Los Caracoles (Cordilheira dos Andes) – Chile:


E essa sou eu, com o pézinho na ribanceira, fazendo a phyna:


E o cabelo já não está mais o mesmo…

Realmente é uma estrada incrível, principalmente pelo medinho que dá (ok, na verdade é quase um cagaço) e, é nessas horas que a gente pensa:

VIAJAR É MUITOOOOOOO BOM!!!

Juliana Esgalha Post por

Andes: Portillo – Chile

Andes: Portillo – Chile

Do mar para as montanhas. Tudo começou quando primeiro íamos fazer um passeio para o Vale Nevado que é bem mais perto de Santiago e na última hora mudamos e optamos por Portillo de tão bem que falaram de lá. Portillo é mais longe, e acima dos 3.300 metros do nível do mar que segundo o guia, nós íamos até um Hotel de lá, aonde podia-se ver e visitar um lago (o Lago Del Inca) maravilhoso, cujo lugar tem todo uma lenda deveras curiosa.


Saindo de Santiago aos poucos tanto a paisagem como o clima vão nitidamente mudando, passamos por muitos vinhedos e fomos cada vez mais entrando para o meio das Cordilheiras, gente acreditem: em foto é uma coisa, mas estando pessoalmente lá é outra sensação. Fizemos uma parada, passamos pela aduana que pega uma estrada que vai para Argentina e a partir daquele ponto o guia nos avisou que seriam muitas curvas (no total de 30) e muuuuuitas subidas… Em seguida deu uma risadinha do tipo “vai começar o rock roll”.


Reparem na estrada cheia de curvas abaixo, dá medo


Essa tal subida cheia de curvas eu não vou negar: dá um cagaço enorme e me questionei por duas vezes aonde fui amarrar meu burro, principalmente porque a cada curva dava pra se sentir cada vez mais cercado pelas cordilheiras e coisas como estradas e veículos iam ficando cada vez mais minúsculos se comparados ao tamanho absurdo de tudo aquilo…


Com uma pequena esticada de pescoço pela janela do ônibus era possível ver TUDO lá em baixo e em muitos pedaços de tão estreitos que eram o motorista tinha que parar e manobrar pra fazer a curva, nessa hora não tem como deixar de pensar: “se despencarmos lá em baixo, mamãe terá trabalho pra achar meus pedacinhos depois” AHAUAUHAUHAHUAU tudo isso é claro que cada vez mais ALTO, mais FRIO ficava… Saímos de Santiago com 30 graus e chegamos lá com 3 míseros graus apenas, acompanhados de uma chuva bem fina e gelada, mas foi o “chegamos” que eu vi que o passeio valeu a pena:


Lago Del Inca

Nossa parada foi no Sky Resort Portillo, muito conhecido e procurado no inverno por gente do mundo inteiro. Neve? Não, não tive contato com nenhuma por assim dizer justamente pela época do ano, mas vi algumas cordilheiras ao longe bem branquinhas. Em seguida, almoçaríamos ali, faríamos uma horinha e depois voltaríamos para Santiago, andei por todo o Hotel que por dentro, pelo menos para mim, achei super parecido com o hotel do filme O Iluminado ehehehe…


Uma São Bernardo que mora lá e ficamos super amigas…


E quando subimos para a parte de cima e saímos para o lado fora, eu me dei conta do quão longe eu estava de casa:


Essa piscina, na época de alta temporada tem a àgua aquecida, que bom, néam?


Na hora lembrei daquela cena do filme A Praia quando Richard (Leonardo di Caprio) encontra aquela praia maravilhosa e começa a tocar a música Porcelain do Moby, eu tive essa mesma sensação quando visitei o Stonehenge na Inglaterra e é algo inexplicável pra se colocar em palavras, só estando lá pra sentir:


O Lago Del Inca é maravilhoso, lindo, perfeito! Super entendi quando a guia disse que apesar de mais longe, era um passeio muito mais bonito e que valia à pena, a água é de um azul bem forte cuja superfície parece um espelho gigante e tudo isso somados com a paz e quietude que o lugar em volta transmite você fica com cara de bobo olhando pra tudo. É de cair o queixo.

Em Portillo também, infelizmente, conheci o que é um “Mal da Montanha” e por conta da altitude eu senti muita falta de ar, palpitação, cabeça e corpo extremamente pesados e acreditem: é uma sensação bem desagradável de sentir e fiquei chateada comigo mesma por isso, tanto que no almoço eu só consegui tomar um prato de sopa e parecia que eu tinha comido 3 quilos de feijoada, mas apesar desse por menor é um passeio que super valeu à pena, mesmo com os cagaços de medo na estrada, mesmo com as faltas de ar por culpa do mal da montanha…

Fiquei depois imaginando tudo aquilo com neve – deve ser no mínimo, inesquecível. Com certeza é um lugar que eu gostaria muito de voltar no inverno, mas pra encarar tudo eu tomaria uns gorós antes com certeza, #ficadica!


#Aloka no meio do frio!

Dica: Se você pensa em fazer um passeio como esse e tem Vale Nevado como uma opção mais próxima eu digo que vale a pena gastar mais algumas horas da viagem e ir para Portillo. E não importa a época do ano porque é um lugar lindo com ou sem neve, e SIM, leve blusas bem quentinhas porque lá É frio em qualquer época também.

Mais no Flickr.

Juliana Esgalha Post por

Viña del Mar/Valparaíso – Chile

Viña del Mar/Valparaíso – Chile

Valparaíso e Viña del Mar são as duas cidades da costa do Chile mais visitadas, justamente por ficar à uma hora e pouco de Santiago apenas e foi as duas que conhecemos nessa viagem. Fomos primeiro para Viña del Mar e chegando lá eu percebi que o clima do Chile é algo assim… Bem doido!


Saímos de uma Santiago super quente e chegamos lá com frio e um céu bem monocromático, demorou para o sol resolver dar as caras, mas depois bem timidamente ele foi aparecendo. Passamos rápido por Viña Del Mar, mas eu não perdi a chance de pelo menos molhar meus pés no Oceano Pacífico, que até então, nós nunca tínhamos sido apresentados. =D


A água é BEM gelada e de Pacífico o mar não tem nada, vi poucos banhistas na água e em apenas duas praias que vi um pessoal surfando. Viña Del Mar é uma cidade bem bonitinha, acolhedora e que lembra muito algumas cidades litorâneas daqui e como aqui, os chilenos também gostam de curtir um feriado com praia e Viña é a mais procurada por eles, além é claro do Festival de Música que acontece todos os anos – Shakira já esteve em um deles.

No centro também tem um museu com várias coisas da Ilha da Páscoa (este é um lugar que ainda quero muito conhecer), mas que infelizmente eu não consegui visitar… Tudo bem, quem sabe numa próxima.


Almoçamos nesse restaurante – o Castillo Wulff que tem uma vista linda e comida ótima de preço acessível, super indico…


… E depois logo em seguida fomos para Valparaíso (declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2003) que é uma cidade mais portuária, simples, mas bem arrumadinha!


Monumento a los Héroes de Iquique na Plaza Sotomayor


Café super charmosinho que encontrei em Val


Disseram que logo depois do terremoto, Valparaíso foi bem castigada pelo tsunami do ano passado, vimos bastantes lugares – muito bonitos por sinal, interditados por riscos de desabamentos, uma pena! Gostaria de ter conhecido mais dessas duas cidades, embora eu acredite que mais algumas horas já seriam suficientes pra conhecer tudo, é uma parte do Chile que eu super recomendo visitar. =)


Próximo post será sobre um passeio bem no meio da Cordilheira dos Andes, mais precisamente em um lugar lindo (e frio) chamado Portillo, um dos passeios mais loucos que já fiz na vida, aguardem! Mais fotos no Flickr.

Juliana Esgalha Post por