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Minha primeira meia maratona!

Há pouco mais de um ano eu estava começando a correr, mais precisamente há um ano e quatro meses. Eu não imaginava que a corrida fosse mudar tanta coisa em mim e na minha vida. Conheci pessoas, corri em muitos lugares e finalmente me encontrei num esporte que eu tive a certeza que não iria enjoar ou abandonar depois de um tempo. Por consequência ajustei minha alimentação, mudei meus hábitos, passei a ter uma vida zero sedentária e total de hábitos muito melhores. Hoje faço musculação e corrida e isso já virou uma rotina tão essencial pra mim que, quando tenho que deixar de treinar por algum compromisso ou qualquer coisa do tipo, eu já sinto falta. Me acostumei com a prática de esportes e os resultados vieram: controlo melhor minha ansiedade, esteticamente eu estou bem satisfeita com meu corpo e o melhor de tudo: minha saúde está melhor do que nunca, eu que sempre tive o colesterol mais elevado por conta da hereditariedade de família, baixou de um ano pra cá pro nível ótimo – segundo meu ultimo hemograma.

Correr também me trouxe uma ótima companhia e incentivo: o Rick. Ele entrou nessa junto comigo, perdeu peso, vai pra academia comigo, treina corrida regradinho (melhor que eu, confesso) e hoje corre muito bem e, é rápido. Um incentiva o outro e juntos, estamos criando bons resultados e benefícios. Ano passado nessa época eu corria 5k e nada além disso, mesmo porque eu estava começando. Lembro que no começo do ano eu fiz minha primeira corrida de 10k e quando terminei e eu pensei: “G-zus, correr 5 até vai, mas 10 é loucura”, *risos*, semanas depois eu já estava achando 5k pouco pra mim, já estava correndo lindamente nos 10k e aí comecei a pensar assim, bem despretensiosamente mesmo, em quem sabe um dia, correr uma meia maratona.

Até então, eu ainda não tinha certeza sobre nada… Na verdade, meu plano inicial era fazer uma meia maratona somente em 2017, mas aí eu me inscrevi pros 16k da Athenas que foi em agosto e quando consegui completar e chegar inteira nessa corrida, pensei: ‘Uau! eu ACHO que consigo uma meia maratona ainda esse ano.’ Enfatizei o “ACHO” porque eu tenho um defeito muito grande de muitas vezes não confiar no meu verdadeiro potencial. De querer fazer, mas não botar a fé de achar que vou conseguir, o fato é que eu tenho uma predisposição pro drama quando o assunto é comigo mesma, especialmente aqueles dramas carregados de clichês como os mexicanos, mas quando eu vou lá e faço, aí que acredito que era capaz sim. Só que acreditar depois de já feito é muito fácil, né? Mesmo porquê, se eu me doasse esses mesmos créditos antes, talvez o caminho seria até mais suave pra mim… Cansei de ouvir o Rick me dizer: “Para de ser boba, é claro que vc consegue. Confie mais em você.” e isso é algo que ainda tenho muito que aprender, mas eu ainda vou voltar nesse assunto…

Depois desses 16k, na outra semana mesmo, nos inscrevemos pra Meia Sampa que seria no dia 9 de Outubro. Trajeto reto, sem grandes e absurdas subidas, o clima ainda não estaria tão quente, uma corrida muito bem cotada entre corredores e eu pensei: “SEGURA ESSE FORNINHO, JULIANA” Comecei a treinar com uma planilha e confesso: eu odeio planilhas! Apesar de necessárias, principalmente dependendo do seu objetivo e distância, elas te ajudam a se manter na linha, ter melhores resultados, mas odeio planilhas mesmo assim porque não é todo dia quero quero seguir a risca o que está ali ou justo naquele dia de treino que eu não tô afim de correr, que eu estou com o corpo cansado, enfim… O lance é que, logo depois dos 16k da Athenas, possivelmente por ter dado uma baixada na minha imunidade, eu peguei uma sinusite bacteriana que me derrubou por um mês. Fiquei ruim mesmo, foi praticamente um mês a base de antibióticos, inalações, respirando pela boca e não sentindo gosto de comida alguma. Essa parte não é drama, eu fiquei lascada mesmo. Quando melhorei, investi em alguns complexos vitamínicos por orientação do meu professor da academia, afinal, treino + corrida consome muito do corpo. Voltei a treinar, voltei a correr e foi aí que o bicho pegou: se você fica um tempo sem correr, quando você volta, é praticamente como começar do zero. Até você acostumar o corpo de volta é um processo bem chatinho, talvez isso seja algo que nem aconteça com todo mundo, mas comigo foi assim… Eu não estava rendendo como queria, não estava vendo evolução e eu tinha um pouco mais de um mês pra meia maratona.

Mesmo assim continuei, muito em parte pela minha teimosia, mas principalmente pelos incentivos do Rick que, foram fundamentais pra eu seguir em frente… Por inúmeras vezes ouvi dele nos treinos (enquanto estava praticamente cuspindo meus pulmões pela boca): “Encaixa essa respiração”, “Acerta esse pace”, “Olha a postura, você tá toda torta correndo” e nos poucos dias que fiquei desanimada, que por um breve momento acreditei que o melhor talvez fosse deixar esse plano mais pra frente, eu fui me reerguendo… Fui de uma forma – bem tosca ainda, confesso – acreditando mais em mim, até o dia que eu tive certeza: depois um longão que tivemos e eu fiz 18k em 1:51, nesse dia eu pensei: “EITA QUE AGORA VAI SIM!”

No dia da Meia que foi nesse ultimo domingo, apesar da ansiedade da expectativa – algo absolutamente normal, eu estava incrivelmente calma (porra, pra uma pessoa mega ansiosa vai entender, né?). Eu nunca me preocupei com tempo, com que: – minha nossa eu TENHO que fazer tantos quilômetros em um tanto de tempo, com essa coisa de competir que muitos tem (não estou criticando, apenas dizendo que isso não é o que procuro), porque como já disse aqui: a competição é apenas comigo mesma e mais ninguém. Eu só quero completar e de preferência chegar inteira. O dia estava bonito, não estava quente e o trajeto foi lindo. Começou a corrida e eu só consegui “me encaixar” mesmo pouco depois do quilometro 4, quase virando pro 5 e lá pelo quilômetro 7 (quando na minha cabeça eu calculei: já fiz 1/3 dessa porra toda) eu achei que tudo estava, apesar de estar em um pace bom, demorando demais… Não virava o quilometro sabe? Toma gel, toma água, pensa em coisa boa, acerta a respiração, prestenção na passada, menina! olhe a paisagem, curta o momento e corra, por favor, apenas corra.

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Depois dos 10k eu não me preocupei com mais nada, esse é aquele momento ápice de uma corrida que sua cabeça simplesmente desliga de qualquer coisa externa e você só vive aquilo, sabe? Seu corpo simplesmente vai… E isso é uma sensação imensuravelmente maravilhosa. Mas aí, lá pelo quilometro 17 os sinais de cansaço começaram a ficar mais evidentes e eu pensei: “tá, só falta mais 4… 4k não é nada pra quem já fez 17, né?” o que na verdade, não é nada o cacete… ainda mais pra uma primeira meia maratona, quando à essa altura, você sente dor até no fio de cabelo e eu já estava bem cansada, mas também já tinha resolvido na minha cabeça que de um jeito ou de outro eu ia completar, porque o incrível de uma longa distância principalmente, é que numa corrida, o físico obviamente é a parcela que mais conta, mas o psicológico é imprescindível. Quando entrei na reta final, faltando 1 quilômetro – aquele único 1 quilômetro que parecia que nunca mais iria acabar – um senhor de 64 anos, maratonista e que amou minhas tatuagens me acompanhou e eu o acompanhei… Eu estava bem cansada e ele estava com cãibra nas duas pernas:

eu: “- eu estou bem cansada”
ele: “- vamos juntos, te acompanho até o final”

depois de uns minutos:

ele: “- estou com cãibras nas duas pernas”
eu: “- vamos juntos, te acompanho até o final”

Sendo assim nos ajudamos nos últimos metros finais (psicológico é fundamental, lembram?) e aí cruzei a linha de chegada. Lembro de ter batido minha mão com a dele e ambos terem dito um “parabéns” e foi isso. Eu não sei colocar em palavras o sensação desses segundos que acontecem quando você cruza uma linha de chegada, porque parece que por um breve momento, bem breve mesmo, não existe mais dor, não existe mais cansaço, você não escuta nada em volta e a sensação de dever cumprido e satisfação é muito, muito grande. Rick e amigos estavam me esperando depois da chegada e eu não segurei mais, chorei mesmo! Chorei porque se eu choro até com comercial de margarina, é óbvio que eu ia chorar na minha primeira meia maratona ahahahahaha. Eu consegui completar, eu fiz minha primeira meia maratona. Foram 21 quilômetros que cada passo que eu dei, serviu pra eu sempre me lembrar que se eu quero, eu posso e consigo, serviu pra eu dar um calabokitos pra aquela parte da minha mente que as vezes fica me martelando: “será que eu consigo?” que mais do que nunca, eu não posso nunca deixar de acreditar e mim e que se quero, é só literalmente, correr atrás.

Star Wars Run

Eu nunca tinha corrido com chuva… Até participar da Star Wars Run. A inscrição dessa corrida foi mais cara que as outras, mas o marido que é praticamente um PhD em toda a história do filme e nessas ultimas semanas me viciou também porque começamos a assistir a saga toda, fez questão de participarmos dessa corrida. Eu nunca tinha visto todos os filmes, então nunca fui fã, só que agora peguei o gostinho também e gente?!?!? Star Wars esse ano virou febre e já estamos com os ingressos do filme pro dia 17/12.

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A corrida foi a noite, largada as 21 horas – o que achei um horário ótimo. Percurso de 7km pelo minhocão de São Paulo. Antes da largada começou a armar uma chuva daquelas e confesso que fiquei um pouquinho preocupada porque sei lá… Não sou feita de açúcar, mas eu sou bem cagona com essas coisas de trovão e tals, no começo da corrida a chuva começou bem marota e do meio em diante desabou de vez. Eu amei. Gente, que delícia. O tempo estava bem abafado, naquele modo sauna que transpira até pensamento, mas com a chuva deu uma refrescada tão boa que eu fiz 7 quilômetros correndo lindamente num pace maravilhoso de 6:10 e se eu tivesse feito 10k com certeza teria conseguido também. A estrutura da corrida estava bem feita: tinha food trucks, iogurte greco de graça (acho que eu comi uns 5 eheheh), vários stands pra fazer fotos legais, pontos de hidratação ok e bastante interatividade pra quem é fã de Star Wars. Estarei na edição do ano que vem com certeza, ainda mais agora que sou uma Jedi =D

Na foto: Phillipe, Eu, Rick e Claudio

Na foto: Phillipe, Eu, Rick e Claudio

#JulianaCorre

Comecei a correr despretensiosamente há alguns meses atrás (+ ou – uns 6 meses) quando voltei a academia e desde então, sem eu até perceber, tudo começou a mudar. Começava com caminhar um tanto, correr uns dois minutos, depois caminhar de novo, correr mais 3 minutos e assim ia. Engraçado é que antes eu não aguentava correr nem um minuto na esteira, não tinha fôlego e achava que nunca teria… Antigamente pensava: “isso não é pra mim” e isso foi, felizmente, um grande engano meu. Comecei a melhorar cada dia mais, até que os resultados foram vindo junto com a mudança que eu comecei a perceber em cada passo que eu dava na esteira.

Comecei a pegar gostinho por isso e aí eu resolvi correr na rua também: gostei tanto que, pelo menos três vezes na semana eu vou correr na rua. Mas eu queria ir mais longe. Aí eu me inscrevi em uma corrida de rua porque queria ver e sentir como eu me sairia no meio da galera, numa prova, com tempo e percurso marcado. E antes mesmo de ir na minha primeira corrida eu já tinha me inscrito em mais duas porque eu sou do tipo que se empolga com propriedade quando algo começa a me agradar. Comecei a ler uma porrada de artigos sobre corridas e seus benefícios, dei uma remanejada na minha alimentação que nunca foi ruim, mas vi que dava pra melhorar bastante. Comecei a me inspirar em amigos que já correm, fiquei de cara quando soube que o Doutor Drauzio Varella começou a correr com 50 anos, é ex fumante e corre nada menos que 4 (QUATROOOO) MARATONAS (sim, eu disse MA-RA-TO-NAS) por ano. Eu fui correndo e as coisas boas foram vindo.

Percebi que as mudanças não estavam sendo apenas no meu corpo: além de perder os quilinhos sobrando que queria, melhorar a disposição/resistência, músculos mais durinhos, eu comecei a sentir também muitas melhoras na minha cabeça. Não tive mais crises de ansiedade (pra quem não sabe, eu tenho TAG), sinto menos stress, passei a dormir melhor e eu notei que cada vez que ponho os fones de ouvido e começo a correr, eu consigo me concentrar só nisso e deixo todos os meus problemas/pensamentos de lado enquanto corro. Quando termino de correr eu estou pingando de suor, meu rosto fica parecendo um pimentão (sou daquelas que corre e fica vermelha) e cansada, mas com aquele cansaço tão gostoso que o corpo e a mente estão mais leves que uma pena. Ah, a endorfina, Deus como é bom. Já declarei publicamente meu amor por ela.

Montei uma playlist maravilhosa, investi em um bom tênis, continuei a correr e foi aí que eu descobri: me apaixonei pela corrida. E não falo daquela paixão platônica que só dura um tempo, não. É amor mesmo. E quando isso acontece não tem mais volta. Hoje não me vejo mais sem correr. Eu me encontrei em corridas e por um acaso eu também sou aquele tipo de pessoa que já tentou de tudo um pouco no assunto exercícios, mas nada me motivava. Uma das coisas mais legais em correr é que, pelo menos pra mim, eu não estou competindo com ninguém e nem preciso disso. Eu estou competindo comigo mesma. Eu sempre ganho quando completo um percurso mesmo que eu chegue muito depois do primeiro colocado, ganho quando faço um treino na esteira ou na rua. São meus méritos que correr, só depende de mim mesma. Rick também começou a correr junto comigo. Corremos juntos, nos incentivamos juntos, o que torna tudo ainda mais prazeroso.

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Aprendi algo muito importante: não importa se você corre rápido ou mais devagar. Just keep running. E quando muitas vezes algo parecer difícil de conseguir: just keep running. Não vou aqui ficar levantando a bandeira de que todos deveriam correr porque isso é pessoal de cada um e é um pouco chato também né, estou aqui apenas contando o bem que correr tem me feito, ainda sou iniciante nos 5K e sei que tenho muito chão ainda literalmente pra correr, aliás, essas fotos do post são das minhas duas primeiras corridas que participei: a Circuito Das Estações – Primavera e a Vênus que foi o percurso que mais gostei.

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Minhas próximas metas são 10K, 15K, e espero em 2017 correr meia maratona. Ainda não sei se tenho coragem de encarar uma maratona, mas pra quem achava que nem correr um metro na esteira conseguiria, pensando bem, uma maratona não é um sonho tão distante assim. Just keep running 🙂