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Livros: o que mais gostei e não gostei em 2017

Ler sempre foi uma das minhas mais queridas terapias. Outro dia li uma matéria muito interessante que contava como o hábito da leitura não é só apenas usado como um hobby, mas também como um refúgio para os leitores, há um trecho muito interessante que tenho que destacar:

“Ler nos coloca em um espaço intermediário: ao mesmo tempo em que deixamos em suspenso nosso eu, nos conecta com nossa essência mais íntima, um bem valioso para se manter certo equilíbrio nesses tempos de distração. A leitura, dizia María Zambrano, nos brinda com um silêncio que é um antídoto ao barulho que nos rodeia. Ela nos procura um estado prazeroso semelhante ao da meditação e nos traz os mesmos benefícios que o relaxamento profundo.

E, é exatamente isso!!! Pra 2017 eu tinha colocado uma meta de ler ao menos um livro por mês e não parar de ler durante o ano. Consegui ler 16.

Eu gosto muito de suspenses, mitologias (especialmente as nórdicas), mas particularmente gosto muito de ler sobre a Segunda Guerra Mundial e títulos de livros pra essa parte tão obscura da história do mundo não faltam, mas esse ano também li bastante fantasia, especialmente de Neil Gaiman e alguns outros romances mais curtinhos, também estiveram presentes na lista. Não me simpatizo muito com ficção científica e autobiografias, mas é tudo questão de gosto mesmo e acredito que com o passar do tempo a gente vai moldando nossas preferências nas escolhas. Não importa se você gosta só de ler best sellers, clássicos, adaptações de cinema ou obras de pensadores filosóficos, a literatura não tem preconceitos (e nem deve), mas sim incentivos (e muitos) – ainda mais no Brasil que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca nem comprou um livro, então incentivar a leitura é algo primordial. Enfim… Esse post é pra dizer do livro que mais gostei e o que menos gostei esse ano, vou começar com o que menos gostei, porque os preferidos eu acabei escolhendo dois.

O que menos gostei:

A Fúria e a Aurora – Renée Ahdieh. O ultimo da trilogia da Princesa Sultana que eu não fiz a resenha aqui porque nem valeu a pena, veja bem não é um livro de toooodo o ruim, acredito que o livro só é considerado ruim quando você não consegue mais ler e acaba abandonando a história, aliás, os dois primeiros livros dessa trilogia foram até que legais, nada extraordinários, mas legais. Já o terceiro o que deu pra notar era a personagem principal totalmente hipócrita, egoísta, chata e mimada pra caramba (é baseado numa história real) que não estava condizendo em nada com a mensagem que ela queria passar, além de uma autora que parecia que não estava com a menor vontade de escrever esse ultimo livro. Tinha tudo pra ser uma história boa porque o contexto é bem interessante, mas infelizmente foi bem sem graça mesmo.

O que mais gostei:

Eu escolhi dois porque ambos ficaram empatados nos meus quesitos de livros que considero 100% bons. O primeiro deles é A Ponte Invisível de Julie Orringer. São 724 páginas e eu li tão rápido que nem vi a história passar, eu fiquei apaixonada por essa história e fiz a resenha dele aqui. Leitura mais que recomendada, esse também entrou pra minha lista de preferidos porque é daquele tipo de história com reviravoltas e altamente emocionante, te prende do começo ao fim.

O outro é Deuses Americanos do Neil Gaiman. Há muito tempo eu estava pra ler esse livro, mas sempre começava com outro e ia deixando esse na fila, até que esse ano eles adaptaram a história pra um seriado e aí eu resolvi ler. Pelo amor de Odin. Que história!!!! Me perguntei por que eu não li antes. Mas acho que sei o porquê: Se você só lê a sinopse, dá a impressão de que você não vai entender nada da história, que vai ser uma parada super viajada daquelas que não ligam nada com nada, mas Neil Gaiman tem o dom de contar e criar as fantasias mais loucas e COM muito sentido que te puxa pra dentro do livro. Deuses Americanos é fantástico, eu fiz uma resenha dele também. O seriado também é bem legal, mas algumas coisas são bem diferentes do livro, eu sempre recomendo ler antes e assistir a série depois.

E vocês, o que mais gostaram e o que menos gostaram de ler esse ano?

Livro: Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa

A gente não pode julgar um livro pela capa, mas confesso que essa foi a primeira coisa que me atraiu quando vi este livro nas avaliações do Skoob da Lia. Aliás, o Skoob é uma ótima rede social de livros, quem quiser me seguir lá, fique a vontade. Mas então, depois de me apaixonar pela capa eheheheh, eu fui ler mais sobre e me interessei bastante também, mas fui deixando ele na fila de leituras e semanas atrás comecei a ler, segue o resumo:

“1987. Só existe uma pessoa no mundo inteiro que compreende June Elbus, de 14 anos. Essa pessoa é o seu tio, o renomado pintor Finn Weiss. Tímida na escola, vivendo uma relação distante com a irmã mais velha, June só se sente “ela mesma” na companhia de Finn; ele é seu padrinho, seu confidente e seu melhor amigo. Quando o tio morre precocemente de uma doença sobre a qual a mãe de June prefere não falar, o mundo da garota desaba. Porém, a morte de Finn traz uma surpresa para a vida de June – alguém que a ajudará a curar a sua dor e a reavaliar o que ela pensa saber sobre Finn, sobre sua família e sobre si mesma. No funeral, June observa um homem desconhecido que não tem coragem de se juntar aos familiares de Finn. Dias depois, ela recebe um pacote pelo correio. Dentro dele há um lindo bule que pertenceu a seu tio e um bilhete de Toby, o homem que apareceu no funeral, pedindo uma oportunidade para encontrá-la. À medida que os dois se aproximam, June descobre que não é a única que tem saudades de Finn. Se ela conseguir confiar realmente no inesperado novo amigo, ele poderá se tornar a pessoa mais importante do mundo para June. “Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa” é uma história sensível que fala de amadurecimento, perda do amor e reencontro, um retrato inesquecível sobre a maneira como a compaixão pode nos reconstruir.”

A história é toda contada na visão de June Elbus, a personagem principal da história que logo de cara é impossível não se simpatizar por ela. “Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa” é uma história sobre relações familiares, amores inapropriados, ciúmes, amadurecimento e perdão. É uma história totalmente psicológica, mas contada de uma maneira leve e sublime, que faz você se colocar no lugar de cada personagem e entender a cabeça e os motivos das ações de cada um deles. Não tem grandes reviravoltas ou algum desfecho totalmente inesperado, mas é uma leitura que te faz querer continuar e continuar a ler, porém sem grande pressa. Acho que isso se deve muito em parte pelos momentos de reflexão que a gente acaba tendo com os personagens, ao passo que, desperta uma série de emoções contraditórias, mas acima de tudo sinceras e com várias interpretações.

“Eu sentia ter provas de que nem todos os dias têm a mesma duração, nem todo o tempo tem o mesmo peso. Prova de que há mundos e mundos por cima de mundos, se você quiser que eles estejam ali.”

Vai ganhar as 4 xícaras de café:

cafe2-horz

Livro: A Guerra Não Tem Rosto de Mulher

Resumo:

A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Alexiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

Este livro é a face FEMININA da guerra. Um lado da guerra desconhecido porque até então nunca havia sido contado. O livro é uma coletânea de depoimentos dolorosos das mulheres do Exército Vermelho que combateram durante a Segunda Guerra Mundial. A forma como autora expõe esses depoimentos é extremamente comovente. São histórias que contam o sofrimento, as angústias, as dores, os traumas e, principalmente, os abusos tanto físicos quanto psicológicos sofridos por essas mulheres que, todos esses anos ficaram caladas até mesmo dentro de suas casas. A guerra para essas mulheres que estiveram combatendo no front carregando um fuzil maior que seu tamanho, pilotando tanques, aviões ou cuidando dos milhões feridos, não terminou no Dia da Vitória. Enquanto os homens tiveram todos os seus méritos e reconhecidos por sua bravura, as mulheres foram xingadas de mulheres-machos e tratadas como prostitutas por uma sociedade em que nessa época, tinha um feminino extremamente conservador. Uma mulher ir a guerra era algo totalmente fora de questão, elas carregaram esse peso pelo resto de suas vidas e a guerra deixou tantas marcas que, muitas delas sequer foram apagadas. Não é toa que a autora Svetlana Aleksiévitch ganhou em 2015 o Nobel da Literatura por esta obra, pois o livro é impressionante do inicio ao fim, eu desconheço algum outro livro que tenha contado sobre esse lado feminino. Pra quem gosta de ler sobre esse período da história, eu diria que esta leitura é mais que obrigatória.

“Como a pátria nos recebeu? Não consigo contar sem soluços… Quarenta anos se passaram, e até hoje meu rosto queima. Os homens se calavam, mas as mulheres… Elas gritavam para nós: ‘Sabemos o que vocês faziam lá! Com as b… Jovens seduziam nossos homens. P… do front. Cadelas militares…’. Nos ofendiam de várias maneiras… O vocabulário russo é rico…”

Vai ganhar 4/4 xícaras:

cafe2-horz

Livro: Lugar Nenhum

“Em Lugar Nenhum Neil Gaiman conta a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive uma vida normal em Londres. Tem um bom emprego e vai se casar com a mulher ideal. Uma noite, porém, ele encontra na rua uma misteriosa garota ferida e decide socorrê-la. Depois disso, parecer ter se tornado invisível para todas as outras pessoas. As poucas que notam sua presença não conseguem lembrar exatamente quem ele é. Sem emprego, noiva ou apartamento, é como se Richard não existisse mais. Pelo menos não nessa Londres. Sim, porque existe uma outra – a Londres-de-Baixo. Constituída de uma espécie de labirinto subterrâneo, entre canais de esgoto e estações de metrô abandonadas, essa outra Londres é povoada por monstros, monges, párias, nobres, decaídos e assassinos – e é para lá que Richard vai.”

Esse livro tinha tudo pra eu amar: uma história de Neil Gaiman e Londres. Mas, infelizmente, não foi exatamente isso que aconteceu. “Lugar Nenhum” não é uma história ruim, mas pra mim faltou e sobrou muito ao mesmo tempo e vou explicar o porquê: o começo é muito legal, você sente que “uau, essa história será boa”, mas quando a história começa a desenrolar, ela se perde ao longo dos capítulos e do meio em diante, fica maçante.

Ao menos para mim não fluiu como eu esperava. Gaiman descreve Londres com uma riqueza de detalhes surpreendente e eu achei isso tão fantástico que preciso ressaltar, mas acho que pecou falando demais sobre muitos personagens que não tiveram praticamente relevância alguma na história (As 7 Irmãs, o Conde, Lamia), sendo que ele poderia ter contato muito mais sobre os principais – algo que não fez e aí acabou faltando algumas repostas pras minhas perguntas: Quem decide aonde será o próximo mercado? Como surgiu a Londres de baixo? E o pai de Door? Não sabemos nada da vida dele. Como Richard conseguiu enxergar Door? Isso fez com que a história ficasse com alguns fios soltos, o final ficou um pouquinho melhor, mas achei que a história poderia ter sido melhor explorada. Não é um livro de todo o ruim, veja bem… Mas eu que amei tanto “Deuses Americanos” ou “Oceano no Fim do Caminho” – histórias essas que superam minhas expectivas que acabei achando que “Lugar Nenhum” fosse no mínimo ser tão bom quanto, com certeza não é um dos melhores de Neil Gaiman, mas não é de todo o ruim. Vai ganhar só 2 das 4 xícaras: