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Inglaterra: York

Já vou começar esse post dizendo: eu fiquei apaixonada pela histórica York. Que cidade incrível! É de cair o queixo, logo que você sai da estação de trem dá pra ter uma visão incrível da muralha que corta a cidade. Reservamos dois dias pra York e como o Marcelo teria que trabalhar e York fica muito mais ao norte da Inglaterra, foi muito mais viável ir de trem pra lá do que de carro, saindo de Londres dá umas 2 horas e meia de viagem.

York foi fundada em 71 pelos romanos e está muito bem preservada desde então, é por isso que é uma cidade tão procurada por viajantes. Por estar numa posição estratégica no sentido de ser um importante acesso de outros países e relativamente próxima aos países nórdicos (próxima do mar do norte), York teve muitas invasões ao longo de sua história e mesmo sendo fundada pelos romanos, a cidade tem uma influência Viking muito grande também, por conta disso ela foi chamada pelos nórdicos de Jorvik e que o tornaram a sua capital respectivamente. York é uma cidade praticamente toda murada o que dá uma visão muito mais ampla da época medieval, é possível andar sobre as muralhas e sentir como foi nessa época.

No centro da cidade há as conhecidas Shambles e tem esse nome porque é assim que eram chamadas as ruas na época medieval, as principais shambles são: King’s Shamble, Church Street, St. Andrew Gate e Stonegate (nosso hostel era pertinho da Stonegate). Com um comercio bem diversificado (cheio de pubs, cafés, lojinhas) é uma área exclusiva para pedestres e é muito conhecida porque é a rua medieval mais bem preservada da Europa. Essas ruinhas são todas sinuosas e bem estreitas, a noite o clima fica mais fantasmagórico, bem interessante também.

Outro lugar que eu amei conhecer foi o Clifford’s Tower – um símbolo da cidade. Em 1066, William, o conquistador, atravessou o Canal da Mancha com seus soldados e estava decidido a tomar York. Ele não só conseguiu como ainda construiu vários castelos e fortificações pra controlar a região. Uma destas fortificações é a Clifford’s Tower (ou parte do que restou dela ehehe) que fica no alto de uma colina e que dá pra ter uma visão ótima da cidade toda. Tem esse nome porque dizem que o Rei Edward II, mandou enforcar um lorde traidor de nome Robert Clifford, isso lá em 1322, fazendo com que ele fosse pendurado nas pedras. Desde então a torre passou a ser conhecida como a Torre de Clifford e é possível visitar a parte interna também.

Há várias outras atrações e lugares incríveis para se conhecer em York, a catedral é belíssima, mas não cheguei a entrar porque achei o preço um pouco salgado. Nos jardins ao redor do Museu há várias ruínas romanas, inclusive as ruínas da Saint Mary’s Abbey. Há passeios de barco pelo rio também ou você pode simplesmente andar por alí, beirando o rio, admirando a paisagem, enfim… Tem muita coisa pra conhecer. York é uma cidade que vale muito a pena incluir no seu roteiro de viagem ao Reino Unido, super recomendo. Um dia na cidade, numa viagem de bate e volta partindo de Londres eu acho pouco porque perderia muitas atrações, então vale a pena e ficar de 2 a 3 dias pra conhecer bem. Definitivamente entrou pra minha lista de cidades preferidas da Inglaterra.

Inglaterra: Oxford e Cambridge

Na nossa ultima viagem, enquanto estivemos na Inglaterra também fomos conhecer Oxford e Cambridge: as duas cidades da Inglaterra conhecidas mundialmente por suas universidades. Primeiro vou falar de Oxford que fomos até lá de carro com o Marcelo e no outro post prometo escrever sobre York.

Oxford

Oxford é uma cidade pequena, facilmente dá pra conhecer muito fazendo o caminho a pé, uma vez que as atrações e toda a área universitária se concentram bem no centro. A cidade é uma graça e com uma arquitetura maravilhosa. Nomes importantíssimos passaram por lá: Bill Clinton, Oscar Wilde, J. R. R. Tolkien, Edmund Halley, Lewis Carroll (de Alice no País das Maravilhas). Mesmo sendo uma cidade pequena, Oxford tem muitas coisas pra ver, aliás, como tudo na Inglaterra, em Oxford por exemplo está a Bodleian Library que além de ser uma das bibliotecas mais antigas da Europa, é a segunda maior do Reino Unido depois da London’s British Library. Como fomos apenas pra passar um dia, optamos por um tour rápido pelos principais pontos da cidade e depois visitamos o Castelo de Oxford que foi uma ótima escolha. O castelo foi construído em 1071 as margens do rio Tâmisa e desde essa data até (pasmem!) – 1966 foi usado como prisão. Parte do castelo, após ter sofrido muitas destruições durante a Guerra Civil inglesa (1142), foi reconstruído e transformado em um hotel (o Marcelo já ficou hospedado lá quando estava viajando a trabalho e disse que apesar de ser bem confortável, deu à ele uma sensação muito estranha). E são nos edifícios do castelo que tem as visitas guiadas. Elas são feitas em grupos e acontecem todos os dias a partir das 10h. O ingresso para adultos custa £10.25 o que vale muito a pena. As primeiras histórias de Rei Arthur nasceram dentro das prisões do castelo (1136), escrita pelo monge galês Geoffrey de Monmouth, somente algumas colunas da capela sobreviveram e é possível visitar. Na saída do castelo há um café muito charmoso e que recomendo muito.

Cambridge

Dias depois fomos pra Cambridge e de carro também, mas dessa vez estava eu, Marcelo, Rick, Lau e Jean (primo do Lau e o motivo da viagem – afinal ele é matemático ehehe). Lá nos encontramos com o Alexz, amigo do Má que mora há muitos anos em Cambridge e foi nosso guia particular. Eu achei Cambridge um pouco mais animada que Oxford e com uma arquitetura igualmente rica, vários nomes importantes também passaram por lá: Isaac Newton, Charles Darwin, Lord Byron e os famosos mais atuais como Emma Thompson e Hugh Laurie. Passamos um dia muito divertido e agradável em Cambridge e que assim como Oxford é possível passear por toda a cidade a pé. Conhecemos bastante coisa: visitamos a igreja Great St Mary que por 3 libras (e se você tiver com muita disposição e pernas), é possível subir até o topo da igreja e ter uma vista magnífica da cidade. Visitamos também a área dos colleges (Trinity, Queens, Saint John e King), só não visitamos as áreas internas deles (principalmente pra tristeza do Jean) porque justo naquele dia estava acontecendo um evento fechado ao público. Almoçamos em um Pub muito legal (almoçar em Pubs pela Inglaterra é sempre garantia de boa comida e cerveja) e depois visitamos a parte dos canais (pelo Rio Cam) com aqueles passeios de gôndolas (punting) que passa por pontes super famosas como a Mathematical Bridge (reza a lenda que a estrutura de madeira foi construída por Isaac Newton, sem a utilização de parafusos) e uma outra que é igualzinha a Ponte do Suspiros de Veneza. Cambridge também é uma cidade super perto de Londres (de carro leva mais tempo, mas de trem é a apenas 45 minutos) que vale muito a pena visitar, não só pelo charme, arquitetura, mas principalmente por toda a história que engloba.

Quer ver mais destinos na Inglaterra? Aqui tem vários posts.

Meu Ano Novo em Londres

Aparentemente o ano de 2017 está começando (só) agora aqui no blog, não é mesmo? Eu já tinha que ter postado alguma coisa neste humilde espaço, mas confesso que só não fiz por pura preguiça mesmo porque coisas pra contar, eu tenho bastante. Minha virada de ano não poderia ter sido mais incrível: eu estava em Londres e meu sonho – mesmo já sendo pela 4º vez que viajo pra lá – era passar um ano novo no meu lugar preferido do mundo.

Saímos daqui no dia 24 e chegamos lá bem no Natal (passei a ceia no avião mesmo ehehehe), o Marcelo e Lau foram buscar a gente no aeroporto porque no Natal, nenhum tipo de transporte funciona em Londres. Já é inverno na Europa e pegamos temperaturas que variaram entre 5 e -2 o que eu particularmente adoro porque eu amo inverno e nunca terei essas temperaturas mais baixas aqui no Brasil. A cidade estava maravilhosamente enfeitada pro Natal, especialmente a Regent’s e Oxford Street, os ingleses realmente sabem como decorar nessa época.

Como nas outras vezes, desta vez também ficamos hospedados na casa do Má que mora em Blackheath – região mais afastada do centro, próximo do parque de Greenwich e eu morro de amores por aquele pedacinho de Londres… A vida ali parece que passa mais devagar, com uma certa sutileza em dias lindos como esse:

Eu sou apaixonada por Londres e isso não é novidade pra quem lê meu blog ou me conhece. E acho incrível como sempre encontro coisas novas por lá em qualquer segmento: cultural, gastronômico ou um simples passeio pelas ruas, acho incrível que mesmo tudo aquilo que eu já tinha visto, ainda é capaz de me arrancar grandes suspiros. Eu fiz muitos passeios lá e desta vez – por já conhecer bem a cidade, fui com mais “calma” por assim dizer, acho que vi tudo com um olhar mais apurado, não só de viajante, mas de quem já viu como algumas coisas ali realmente são. E mesmo assim sempre me surpreendo.

Este post vou falar especificamente de como é o ano novo em Londres, eu visitei outras cidades: Oxford, Cambridge e York que terá um post para cada dessas e também vou escrever sobre algumas coisas que amei conhecer ou fazer novamente por Londres mesmo, mas nesse será somente sobre o ano novo.

O Má comprou os ingressos antecipadamente pra gente ver os fogos da região alí de Westminster: aonde pega o Parlamento e a London Eye e de uns anos cá é assim: você precisa de ingressos pra ver os fogos que custa 10 libras por pessoa (o que é muito barato pelo espetáculo que oferece), os setores são divididos por cores e nós escolhemos o setor azul: ficamos bem de frente pra London Eye, melhor vista.

No dia 31 chegamos lá por volta das 10 horas da noite. Estava frio, mas nada absurdamente que congelasse os ossos. O céu estava limpíssimo, sem foggy, nem nuvem. A segurança da cidade para este dia estava ultra reforçada, muito em parte pela preocupação de possíveis atentados, mas claro também por toda segurança que um evento tem que oferecer, os ingleses são bem cautelosos e organizados com isso. Quanto ao lance de atentados, honestamente eu procurei não pensar nisso desde o dia que saí daqui e eu vi que ali estava segura com tantos policiais em volta, mas mais ainda, vi que as pessoas estavam juntas, assim como eu, por um único bem comum: celebrar a chegada de um novo ano.

Tinha muita gente, muita mesmo… Mas estava relativamente fácil de transitar, principalmente se você precisasse ir a um banheiro químico, comprar algo pra beber/comer ou simplesmente se precisasse ir de um ponto ao outro. Como disse: ficamos na vista mais privilegiada, bem de frente a London Eye, sempre como exatamente sonhei. Levamos o nosso vinho (desde que não fosse de vidro e uma quantidade aceitável por pessoa, podia levar, não levamos champanhe porque só encontramos em garrafas de vidro) e nos divertimos TANTO antes mesmo dos fogos que nem sentimos o frio.

Durante todo esse tempo há um DJ que fica tocando alí pra animar a galera, a ultima música que ele tocou antes de começar a contagem regressiva foi uma do George Michael, todo mundo cantou junto, foi muito emocionante e uma bela homenagem, GM é muito querido no Reino Unido! Daí a musica terminou e um contador imenso apareceu refletido na frente de um prédio, iniciou-se a contagem regressiva… Eu não sei colocar o quão emocionante isso é em palavras, mas ficou um silêncio quase que total, só nos dez últimos 10 segundos que todo mundo começou a contar junto e quando o ultimo segundo soou, os sinos do Big Ben começaram a tocar. Fico arrepiada só de escrever.

Obviamente como manteiga derretida que sou, antes mesmo dos 10 segundos finais de 2016 eu já estava em lágrimas, chorando feito uma louca-chorona-da-virada-do-ano, claro que principalmente por estar alí no meio daquela celebração toda, mas principalmente também por estar virando mais um ano, mais uma nova etapa… Pra mim sempre tem um significado muito grande de renovação, de coisas novas e de boas esperanças. E foi incrível. Foi inesquecível. Esse vídeo da BBC mostra como foi lindo, mas só mesmo estando lá pra sentir como é:

A duração dos fogos é de 11 minutos. Depois disso o DJ continua, mas aos poucos a galera já vai se dispersando e as comemorações continuam pelas ruas de Londres. Nós: eu, Rick e Marcelo ficamos por alí dançando e nos divertindo por um bom tempo antes de começar a pegar o caminho de volta pra casa que também foi tão divertido quanto. Pra mim foi maravilhoso, foi além das minhas expectativas e se começou assim tão bem, desejo assim seja durante todo o ano de 2017, para mim e pra todos vocês.

Feliz Ano Novo! 🙂

cilada de viagem

Eu adoro acompanhar blogs de viagens, mas ultimamente eu estou pegando uma certa birra deles. É muito comum, e eu diria que até insistente, você encontrar posts ~encorajadores~ do tipo: “fulano largou o emprego e foi viajar o mundo” ou “fulana viajou a Europa com apenas 1 euro por dia”. Amigos, eu digo uma coisa: não é bem assim. Não é nada disso na verdade!

Essa semana li um post num blog de viagens bem conhecido e que gosto muito, mas que me deixou bem intrigada com um post; era sobre um jovem português que viajou vários países da Europa “gastando” apenas 1 euro por dia. Isso tecnicamente, claro! E como ele conseguiu isso? Basicamente mendigando. Essa é a palavra. Em um trecho do post ele dizia que chegou a pedir esmola pra poder comer e que na grande maioria das vezes dependeu da boa vontade das pessoas mesmo. Na página do Facebook dele há vários posts inspiradores, contanto detalhes da viagem e blá blá blá e nossa! – vários patrocinadores também, entre eles a Decathlon (mas ué?). Eu não sei em qual parte da história isso é motivante e encorajador, mas pra mim não passa de algo humilhante e cara de pau. Pra dizer o mínimo.

Você viajar com o mínimo de gastos dá sim, mas requer planejamento e responsabilidade. Acompanho dezenas de blogs de viagens, já vi muita gente viajando com pouco, eu mesma sou adepta a esse estilo, mas faça isso de uma forma bem mais digna e responsável. O couch surfing, como uma amiga bem citou, é muito conhecido entre os viajantes e uma opção de viagem mais barata. Outro exemplo? Quem trabalha nos lugares que está viajando pra pagar comida, hospedagem e tudo mais… Isso é bem legal e muito comum em hostels. Carona? Desde que você tome certos cuidados também vale, tem muita gente generosa no mundo, mas gente ruim tá esparramado aos montes por aí e acho que nem preciso lembrar disso, não é?

ciladas-viagens

O que não é legal é você depender da boa vontade das pessoas e achar que está sendo “o super fodão” em mendigar comida ou aonde dormir (e ainda achar que está no lucro). Isso é um incomodo pras pessoas em volta e tem outro nome também – gente folgada. Pensa só: Se essa moda pega, imagina o caos que viraria nas cidades que 90% das pessoas são turistas? Outra coisa que é muito comum de ler nesses blogs é a história de alguém que, supostamente, jogou tudo pro alto, dizendo que largou o emprego e foi viajar o mundo quando se tem toda uma e$$$trutura por trás… Geralmente até papai e mamãe bancando as aventuras, mas isso a Globo não mostra e nem nunca vai mostrar. Aliás, não vejo nada de errado nisso, que fique bem claro, mas seja honesto porque nem tudo foi exatamente largado.

Aliás, qual o problema de trabalhar muito, juntar grana (e isso inclui as coisas que se abre mão, eu bem sei como é) e fazer uma viagem legal do jeito que você sempre quis e planejou? Christopher McCandless teve sua história contada no filme Na Natureza Selvagem e foi assim mesmo – ele largou tudo – TUDO mesmo! pra chegar até o Alasca, aliás, é de longe um dos meus filmes preferidos, a história é realmente maravilhosa, te faz refletir numa porrada de coisas, mas há um spoiler bem pertinente: ele se fode no final. ¯\_(ツ)_/¯

As pessoas adoram enfiar regras de como viver e aproveitar o mundo, de como somos dependentes do dinheiro e saem por aí parafraseando o clichêzão do Clube da Luta de que “bibibi compramos coisas que não precisamos”, do nosso hábito do conforto e de nossos empregos enfiados em um escritório, mas nenhuma se mete a largar tudo e fazer a mesma coisa tão na cara e a coragem como mostram. Eu pelo menos não conheço ninguém pessoalmente assim. Acho muito válido você se desprender de certos hábitos que estão enraizados na nossa vida e uma viagem é a maneira mais perfeita pra isso, principalmente inclusive, pra se desprender de muitos preconceitos, mas querer vender a receita duvidosa de largar tudo ou viver com miséria de mendigagem pra fazer a viagem dos seus sonhos é uma grande furada. Não, meus amiguinhos, não é bem por aí. Continuem viajando da maneira que lhe convém e lhe cabem, mas não se motivem cegamente por esse tipo de história.