Viajando: Stonehenge – Salisbury

MÚSICA DO DIA: PORCELAIN – MOBY

Viajando: Stonehenge – Salisbury

(…) “Ela estendeu a mão e colocou a ponta dos dedos entre as sobrancelhas do moço, que era sensível a Visão. Soprou levemente sobre ele e ouviu sua exclamação de espanto, pois o círculo de pedras acima deles pareceu dissolver-se nas sombras” (…)
Do livro: “As Brumas de Avalon”

É engraçado quando tudo aquilo que vc leu nos livros de castelos, Reis, Rainhas, Merlins, cavaleiros, magia, espadas e fadas torna-se realidade quando vc se depara com algo tão antigo como esse e que fez parte dessa história.
Rei Artur, se é que ele realmente existiu (e eu acredito que sim) muito provavelmente viveu em torno de 400 ou 450 depois de Cristo. O Stonehenge já existia há muito tempo antes disso, cerca de 3.000 mil anos antes de Cristo – mais antigo até, que as pirâmides do Egito. Acredita-se e especula-se muitas coisas sobre esse círculo de pedras tão misterioso, uma delas é a ligação com o lendário povo da perdida Atlantis e eu, particularmente já li milhões de coisas a respeito do Stonehenge pq simplesmente sua existência me fascina…

O Stonehenge sempre fez parte dos meus livros preferidos (mesmo sendo duas coisas de épocas diferentes) e consequentemente dos meus sonhos também, no livro “As Crônicas de Artur” o narrador da história – que por sinal é um cavaleiro, conta que Merlin deixou Artur uma noite inteira no centro do círculo de pedras segurando a excalibur para o alto, para assim ele ser digno da espada mágica e ter direito a ela (e ele foi!). Eu nunca tinha estado diante de algo tão antigo nesse mundo e conhecer o Stonehenge de perto foi mais que um sonho realizado, mas também como se eu voltasse nesses tempos medievais e estivesse presente em tudo aquilo.

O Stonehenge fica na cidade de Salisbury que é uma cidade pequena, mas extremamente acolhedora , um dia antes estivemos em Bath que é uma cidade muito linda também e que fica no interior da Inglaterra, no outro dia cedinho fomos direto pra Salisbury e quando chegamos na cidade, já compramos de imediato um bilhete que dava direito ao Stonehenge e mais alguns outros passeios alí por perto. O dia estava de sol, mas como eu já tinha pegado toda a manha do clima inglês, tinha certeza que muito em breve o tempo ia mudar. E mudou mesmo.

Para se chegar ao Stonehenge vc precisa pegar uma estrada, que por sinal é muito bonita – aliás, como tudo na Inglaterra, ele não fica na cidade propriamente dita, mas sim há uns 20 minutos fora dalí.
Minha ansiedade – como já era de se esperar – estava mais aflorada do que nunca, parecia tudo uma eternidade, uma demora louca… Até o momento em que o ônibus virou em uma curvinha eu o vi … E ele estava lá, me esperando .
Eu não sei explicar com palavras como foi minha primeira impressão, parece que por um momento louco, eu cheguei acreditar que não estava alí de tão surreal que era pra mim, mas é claro que todo aquele sonho estava apenas começando a tomar suas formas reais.

O Stonehenge fica bem próximo da estrada, quem passa por alí de carro consegue vê-lo perfeitamente, ele fica no meio de um vale imenso – basta apenas vc olhar em toda a sua volta e respirar fundo pra sentir uma paz inexplicável entrando no seu coração, é como se o mundo tivesse começado exatamente alí , naquele ponto.

Passamos por uma passarela que entra por debaixo da estrada e quando saí, lá estava tudo aquilo que eu li nos meus livros, aquilo que eu sempre quis conhecer…
Bem diante dos meus olhos.
Não sei o que dizer, mas permitam-me um clichê: É um conto de fadas , tinha bastante gente por perto visitando tbm, mas o silêncio era tão grande que eu era capaz de ouvir a minha própria respiração. Não tem como vc visitar um lugar como esse e não sentir a energia a sua volta, penso que até os mais incrédulos de qualquer crença ou história sentiria algo diferente que aquele lugar transmite só pelo sutil fato de vc estar diante de toda aquela magnitude…
Não podia tocar nas pedras , havia uma certa distância por questões de preservação e eu concordo com isso plenamente, mas só de estar diante de algo tão antigo e tão cheio de histórias e mistérios, só de simplesmente estar perto, é mais do que suficiente, vc se sente muito pequeno diante de tudo isso.

E puxa vida… Isso eu não ia contar, mas vou contar… Eu chorei (pronto, falei).
E como chorei. Chorei por estar alí , por estar realizando o meu sonho ao lado da pessoa que eu mais amo , chorei pq é gostoso vc se apegar a uma coisa boa e que de tão boa chega a ser mágica, chorei pq por um lampejo de momento eu senti como se estivesse nas histórias dos meus livros de Rei Artur e talvez até pela magia do lugar, se eu arriscasse uma olhadela pro lado veria um cavaleiro com uma espada passando pelo meio daqueles vales verdes e imensos. Ora, qual problema da sua paixão por essas histórias e da magia que vc permitiu-se entrar te levar – como uma criança, para esse lado da imaginação?

Sonhar é uma das poucas coisas na vida que não se paga, portanto eu sonho mesmo e nesse dia tão real eu sonhei como se estivesse nos meus livros.
Estava um frio danado, minhas previsões tinham sido fundadas finalmente e além do frio começou com uma garoa fina também.

Se isso me atrapalhou?

De forma alguma, ao contrario, dei umas duas voltas completas por todo Stonehenge e a cada ângulo que vc olha é uma mágica diferente de vê-lo .
A Inglaterra sempre foi o meu sonho de lugar do mundo a se conhecer, sempre disse isso aqui no blog e o Stonehenge pra mim, era como se fosse… Digamos assim…
Um sonho a parte.

Penso que ir a Inglaterra e não conhecer o Stonehenge é como ir a um parque de diversões e não andar na montanha-russa.
É como pedir um chocolate quente e só vir a caneca.

E sim, esse foi mais um sonho realizado.

Saímos de lá e depois de eu ter passado pela loja de survenis e feito a festa, depois de ter comido uma legítima torta de carne e de ter tirado algumas fotos com um povo meio doido (mais conhecidos como Heritages ), fomos embora…
E quando entrei no ônibus fiquei olhando para trás, até a imagem daquelas pedras, do meu sonho… Sumir de vista.
Não disse muita coisa durante o caminho, pois estava com o pensamento e a mente ainda bem longe… Foi literalmente algo mágico na minha vida, e isso eu nunca vou esquecer. Às vezes, aliás, por muitas vezes eu me pergunto:

“Será que um dia eu vou voltar lá?”

E algo me diz:
“É claro que vai, bobinha!”

Mais sobre o Stonehenge no Wikipédia
Próxima parada: Londres, o melhor de todos os lugares e o ultimo lugar a ser contado por aqui. É, deixei o mais legal pra depois mesmo!

Juliana Esgalha Post por