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08 jan, 2019

Sobre os Brechós e Por Uma Moda Mais Sustentável

Sabe quando você abre o guarda-roupa, tem uma quantidade até além do suficiente de roupas mas não sabe o que vestir? Sabe quando você tem bastante roupas, mas acaba sempre vestindo a mesma coisa, muitas vezes até tendo aquela peça que nunca usou e que continua permanecendo intocada? Ou quando começa a pipocar nas notícias os nomes de marcas famosas ligados ao trabalho escravo e você começa a pensar que tem algo de muito errado porque você também contribuiu com isso quando comprou aquela blusinha daquela marca?

Todos os anos, ao menos umas ou duas vezes ao ano eu faço uma doação de roupas e sapatos que não estou usando há mais de 6 meses, acontece que eu acabei percebendo que isso é tipo um círculo vicioso pra mim: você se desfaz daquelas roupas que não usa mais (até aí super ok), mas acaba comprando mais roupas novas e assim vai… Eu vou continuar doando porque não suporto ver coisas se acumulando e que não uso mais quando tem tanta gente que precisa e veja bem, não há nada de errado nisso e tecnicamente é assim que as coisas funcionam: tirar o que não se usa mais e dar espaço para o novo. Mas aí eu comecei a me pegar principalmente naquelas notícias que vira e mexe estão divulgando sobre marcas famosas que utilizam trabalho escravo nas suas roupas e olha, não são poucas não: nos últimos 8 anos um numero alarmante de 37 marcas estavam (e ainda estão) envolvidas com trabalho escravo, isso porque eu ainda nem comecei a citar as marcas que usam peles de animais nas suas coleções e isso é um processo também muito cruel, pra dizer o mínimo.

Nós vivemos em um mundo que se antes, há alguns anos atrás, ninguém se preocupava com a procedência das coisas, hoje é melhor a gente começar a se preocupar sim e MUITO. Parar, pensar melhor, analisar e procurar saber a real da onde vem tudo aquilo que consumimos, como é todo o processo até chegar o produto final nas nossas mãos, além do que, é bom ser criterioso e sempre se fazer aquela pergunta: “eu realmente preciso disso?”. De certa forma já fazemos um pouco disso de buscar procedências, ainda que de uma maneira bem lenta, com a alimentação, mas porque não fazer o mesmo com as roupas que vestimos e os calçados que usamos?

E não é difícil de descobrir, já existe até aplicativo pra celular que mostra os nomes das marcas que estão envolvidas com o trabalho escravo, as denúncias sempre aparecem nas notícias então não há como ser omisso a tudo isso. Uma coisa que já estou colocando em prática é: fazer uma seleção de roupas no meu guarda roupa e ficar só mais com aquelas que são “peças coringa” e principalmente que dá pra fazer vários looks com a mesma roupa. Eu olhei meu guarda roupa com mais carinho e comecei a montar looks diferentes com as mesmas peças de roupas e complementar sempre com um acessório pra dar um up. Geralmente faço isso com colares porque eu amo um colar, mas tô partido pra uns brincos mais ousados também.

Acontece que daqui um tempo, é natural que eu comece a enjoar de algumas dessas roupas e tudo bem nisso porque a moda faz parte desse processo também, mas foi aí que eu decidi partir para os BRECHÓS e um mundo novo abriu pra mim. Se você entrar no Instagram, por exemplo, irá encontrar milhões de marcas de brechó espalhados pelo país inteiro e tem roupas pra todos os gostos e estilos: desde um vintage, até a ultima moda que está se usando no momento.

Tem brechós apenas especializados em marcas caras (o que não é meu estilo), mas é uma ideia boa também porque por mais que você saiba que aquela marca que você gosta esteja envolvida em algo sujo como o trabalho escravo, você não está contribuindo mais pra isso comprando diretamente de um brechó e ainda paga bem mais barato, além do que, você está contribuindo por uma moda cíclica e não um fast fashion. Você irá adquirir roupas que estão em ótimo estado (muitas vezes nunca usadas), afinal de contas, é uma roupa como todas as outras e assim dando tempo de uso pro tanto que aquela peça realmente deve durar, é diferente de se adquirir uma peça nova diretamente de uma fast fashion que passou por todo o processo (e talvez, no mínimo, muito possivelmente por um trabalho escravo) pra ser colocada na arara. Claro que, vale lembrar: existem grandes marcas que trabalham direitinho, não estou dizendo pra gente execrar todas as fast fashions e nunca mais comprar nada, mas sim MUDAR os hábitos (a minha meta é ficar nos brechós e pequenos produtores, mas há o grande porém do bom senso de buscar a informação de procedência). Afinal, só depende de nós – que somos consumidores, tenhamos uma mudança de compra, para que essas grandes marcas também tomem uma atitude e garantam condições justas para seus trabalhadores e causem o mínimo do mínimo de impacto no planeta.

Muitas pessoas aqui ainda associam os brechós com roupas velhas, sujas, bregas e até um certo “medo” de usar algo que já foi de alguém, mas não é nada disso gente, o brechó é um segmento que lá fora, principalmente nos EUA e Europa já existe há muitos anos e que certamente se você entrasse em um compraria alguma coisa, então porque não fazer o mesmo aqui já que também está em crescimento no Brasil? Eu descobri brechós ótimos, com roupas em perfeito estado e o melhor ainda: muitas peças são únicas.

Mas por que comprar em brechós?

– Bom, pra começar que você está contribuindo por uma moda mais sustentável, principalmente por todos os motivos que eu disse lá em cima, você comprando de brechós, além de estar eliminando qualquer mão de obra escrava ou crueldade animal nova, está fazendo da moda algo mais consciente e reciclável para você e para o planeta. Você economiza em água, energia e produtos químicos (lembram quando eu disse lá em cima sobre TODO o processo até chegar em nossas mãos, certo?). E sustentabilidade é o que esse mundo precisa em todos os segmentos, inclusive na moda.

– Economia de dinheiro. Eu acho que nem preciso explicar muito nesse ponto, porque nos brechós as roupas são infinitamente mais baratas e isso todo mundo sabe. Mas nessa hora também vale ser criterioso porque muitas vezes o barato é convidativo a se comprar mais e mais roupas. Então sempre use o critério e bom senso: Eu preciso mesmo dessa roupa? Vou usar bastante? Além de economizar porque pagou mais barato, você só vai comprar o que realmente for usar, isso também é uma moda mais consciente.

– Estimular o seu lado fashion – essa é a parte que eu mais estou gostando – porque assim você aprende a conhecer melhor o seu estilo e aproveitar o que você já tem. A melhor forma de fazer isso é misturar peças antigas com peças atuais (aprendi isso justamente pesquisando sobre brechós): Um vestidindo vintage com uma jaqueta jeans e tênis fica super lindo (eu amo/sou vestido + tênis). É ir olhando as roupas com carinho pra ir treinando o olho e aprender a enxergar o potencial que cada peça tem. Nem tudo que estará no brechó você vai gostar ou é bonito, mas a magia disso é que garimpar por peças do seu gosto, se torna algo bem divertido.

– Você vai encontrar todo estilo de roupa. Até mesmo de grandes grifes que muitas vezes a pessoa comprou por impulso, mas acabou passando pra frente porque nunca usou. O bom de encontrar diferentes estilos em um único lugar (o que não é o caso de shoppings porque já vem toda a coleção mastigada e pronta pra gente) é que você pode encontrar uma peça que de repente você não ache que combine com seu estilo, mas com alguma mistura fica ótimo e isso é bem legal porque, além de estimular a criatividade, você entra no mesmo ponto em que já disse de misturar peças e ter algo mais único e usável no seu guarda-roupa.

– Muitas peças, quicá a maioria delas, são exclusivas. Principalmente o vestidos e blusas vintages que estão em perfeito estado e muito em alta atualmente, há brechós só especializados nisso e há toda uma história nessas roupas, eu acho incrível isso. E fique tranquila: a curadoria desses brechós é BEM profissional e muitas peças, se precisarem, passam por pequenas reformas ou customizações (que você também pode fazer – o famigerado DIY) e TODAS as peças são perfeitamente higienizadas, então esqueça pra sempre aquele tabu besta de que brechó tem roupa velha, suja e brega.

Eu decidi pro meu 2019 adotar uma moda mais consciente e sustentável e só adquirir peças de brechó pra mesclar com as roupas que eu já tenho, os meus looks desse post nem todos ainda estão 100% brechó, mas a maioria das peças são sim, alguns deles também é de PEQUENO PRODUTOR, o tão conhecido “COMPRE DE QUEM FAZ” e também conhecido pela prática do SLOW FASHION que é um termo exatamente ao contrário do fast fashion, ou seja, você compra de alguém que você consegue saber toda a procedência tanto da origem da matéria prima, como também da produção, são produtores que prezam pela diversidade, que se preocuparam com o impacto ambiental e respeita seu trabalhador porque mantém a sua produção entre pequena e média escalas. Em suma é uma moda muito mais ética. E isso te garante uma peça de roupa mais exclusiva, por preço justo além do plus de você poder saber toda a procedência até chegar nas suas mãos o que eu acho ótimo e também é mais uma alternativa pra fugir dessas fast fashions que exploram vidas e o planeta, mas vou falar sobre o compre de quem faz em um próximo post porque esse aqui já ficou enorme.

No que depender de mim, de agora em diante só será dessa forma, já tinha há um certo tempo boicotado muitas marcas por toda essa barbárie do trabalho escravo, mas além disso sempre achei um abuso uma blusinha custar mais de 40 reais ou um vestido de estampa mais bonitinha ter a bagatela de 300 reais na etiqueta, DA MESMA FORMA que também é pra ficar com dois pés atrás quando aquela roupa está barata demais (certeza que há um trabalho escravo aí), agora passei a faca em tudo quanto é marca desse tipo (tirando a fase de adolescente besta, o fato é que eu nunca liguei pra marcas e há muitos anos o meu se importar com uma etiqueta é zero). Isso é uma contribuição até muito ínfima se comparado ao mundo todo, mas fico com a consciência mais tranquila e sei que de alguma forma estou fazendo a minha parte e não compactuando com a exploração de pessoas, animais e o meio ambiente.

Pra terminar, no Netflix há um documentário – The True Cost que é muito impactante e mostra TODO o processo de como uma roupa chega até nós, joga na nossa cara como é o trabalho escravo, as mortes e doenças e todo o impacto ambiental que isso custa pras pessoas e pro mundo, e aí fala sobre a importância dos brechós e daquele pequeno produtor que tem respeito pelo ser humano e pelo planeta, sobretudo é um caminho pra nos mostrar a importância da consciência em adquirir uma moda mais sustentável, vale muito a pena assistir:

Vou deixar também uma LISTA DE BRECHÓS ONLINE, sendo que alguns tem a loja física também pra vocês darem um bizú, vou sempre manter essa lista atualizada conforme eu for conhecendo e se alguém tiver um brechó legal pra indicar, posta nos comentários que eu atualizo, tá bem?

Rejeitados Gato PretoFroufrouGarimpos com AmorBrechó PolaroidMinha Vó TinhaBrechó SPQue Chuchu Moda VintageClinica Moda BrechóAuthentic BrechóBrechó RebajasBrechó do GriloVivintageGarimpos da MariaDry Martini Brechó (o meu brechó online)

* Ultima vez atualizado em 09/01/2019

Mulheres maravilhosas que usam brechó ou compram de quem faz, tem looks lindos pra se inspirar, sempre atualizarei aqui também:
Lígia RomãoBruna RosaIsadora AttabLorrayna Teixeira

26 dez, 2018

Costa Rica – Praias do Pacífico

As praias da Costa Rica do lado do Pacífico são maravilhosas. Conhecemos bastante e vou falar um pouquinho delas. Pra começar que nós saímos de Cartago e fomos até San Jose – lá ficamos dois dias para conhecer a cidade, organizar as coisas, reservar hospedagem… Dessa vez nós não deixamos nada reservado, a gente sempre fechava as hospedagens um dia ou dois antes de chegar ao destino. É um pouquinho mais arriscado, é verdade, mas não tivemos problemas em não conseguir um lugar pra ficar e dessa forma também nos deu mais flexibilidade para ficar mais alguns dias em algumas praias que gostamos muito.

De San Jose fomos até Puntarenas, a cidade é na costa também, há muitas chegadas de navios, mas o lugar é em si não tem nada pra fazer e a praia não é bonita, o lugar serve mais como porto do que como visitação e ainda bem que eu pesquisei tudo isso antes. Puntarenas foi apenas o nosso ponto de partida para as melhores praias do Pacífico, então de lá pegamos um ferryboat (terminal Naviera Tambor) que durou mais ou menos 1 hora e 20 de viagem, daí descemos em Cóbano, na província de Puntarenas que é da região de Malpaís. Cóbano é uma cidade que não tem nada ahahahahaha, é apenas o ponto que você vai pegar o ônibus e ir para as praias e toda essa coisa de províncias e regiões na Costa Rica é meio confuso mesmo de entender, mas nada que faça você se perder. De Cóbano (que não tem nada rs), pegamos um ônibus e fomos até Playa Carmen, a viagem de ônibus durou mais ou menos 1 hora.

Vocês perceberam que até agora, nada é muito simples pra se deslocar de um ponto A para o B na América Central. Não é difícil no sentido de se localizar e nem de chegar, acredite: tem como ir pra (quase) tudo, mas despende um tempo sim e requer um certo planejamento, o que sempre fazíamos era sair o mais cedo possível e isso faz uma diferença muito grande em ganho de tempo e não correr o risco de chegar em algum lugar e não ter mais transporte, é sempre bom se atentar em tudo isso estando na América Central, é por isso que não deixamos nada de reservas antecipadamente pois assim, teríamos mais flexibilidade nos horários e o tempo de estadia. Sem contar o plus mais aventureiro do “vamos ver no que dá” quando está indo pra algum lugar, eu gostei muito dessa forma rs.

Só que no meio de tudo isso de pega um ferryboat, bus, anda, anda, você passa por lugares que a paisagem é maravilhosa, uma natureza praticamente intocada e viajar pra mim é isso, é um instante que não volta mais, é um tempo que você tem que aproveitar ao máximo. Quando as pessoas me perguntam da Costa Rica eu digo que é um país que cresceu no meio da floresta e mesmo assim, há muito mais floresta que cidades ou pessoas. Pra vocês terem uma ideia, até mesmo pra efeito de comparativo, a população TOTAL da Costa Rica é de 5 milhões de habitantes, sendo que só na cidade de São Paulo por exemplo, é de 12 milhões de pessoas. Obviamente que geograficamente falando, a Costa Rica é um país bem pequeno, mas mesmo assim, não é a toa que se veja muito mais floresta, verde a cidades ou pessoas – o que é maravilhoso na minha opinião, até mesmo porque os Costa-riquenhos tem uma conscientização de preservação do meio ambiente muito grande e você nota muito disso quando chega nas praias.

Nos ficamos em Playa Carmen, em um hostel bem no meio da natureza, bem rústico, mas tudo muito confortável, pessoas maravilhosas e uma piscina que foi o must have desse lugar e acabamos ficando mais que o previsto.

Aí conhecemos toda a extensão de praias: Carmen, Santa Tereza, Manzanillo. Pegamos algumas trilhas, conhecemos outras praias que são reservas ambientais. As praias na Costa Rica, principalmente do lado do Pacífico são muito mais selvagens.

Eu e Ricardo por muitas vezes andávamos 3, 4 quilômetros de praias e não se via uma alma, só a gente mesmo, pra se entrar em todas essas praias você caminha cerca de 100 ou 200 metrôs de trilha no meio do verde até se chegar a praia, não é como estamos acostumados aqui que se tem a praia, calçadão, quiosques, avenidas… As praias ali estão realmente no seu estado máximo de preservação e eu fiquei encantada com isso. Se você é do tipo meio reticente com uma natureza mais rústica e selvagem, que faz questão de sentar em uma espreguiçadeira quando se está na praia eu tenho duas opções: ou fique num resort (que eu não faço ideia de valor, mas é caro) ou não vá. É sério. Não conseguimos subir até a região da Libéria por motivo de tempo, mas essa parte do Pacífico é assim: uma natureza mais selvagem e mais intocada, nem todo mundo se adapta com isso, pra mim, foi uma das experiências mais incríveis porque era exatamente isso que eu estava procurando quando decidimos essa viagem.

Vimos pelicanos, tucanos, iguanas, uma vida marinha muito mais densa que em praias mais populosas, justamente porque ali tem pouquíssimas pessoas. Foi uma experiência única pra mim, algumas praias que fomos era impossível de entrar no mar de tão bravo que era. O lado do Pacífico o mar é sempre mais bravo que o lado do Atlântico e enquanto o Atlântico o mar é mais azul, no Pacífico é um verde praticamente cor de esmeralda. Fazer uma viagem que eu tive a oportunidade de estar em dois oceanos foi algo bem bacana pra mim, é interessante você fazer algumas comparações, mas ambos são tão lindos que fica difícil escolher um preferido.

P.S. Os links das fotos eu tô colocando do Instagram mesmo porque foi as que eu decidi mostrar, achei que ficou visualmente mais bonito no post e porque também, não preciso ficar editando foto por foto tudo de novo, me segue no @juesgalha.

28 nov, 2018

San Blás – Panamá

“E quanto a mim? Eu continuo acreditando em paraíso.
Mas pelo menos sei que não é um lugar que possa procurar.
Porque não é para onde vai, é como se sente por um instante na sua vida enquanto é parte de alguma coisa.
E se achar esse momento, ele pode durar para sempre.”

– Do filme “A Praia”

Se essa viagem tivesse resumida apenas em San Blás eu já teria voltado pra casa super feliz. O Arquipélago de San Blás é um conjunto de 365 ilhas (dá pra visitar uma ilha diferente por dia, durante o ano todo ehehehe) situadas frente a costa norte do Istmo, ao leste do Canal do Panamá. É uma reserva ambiental cuidada exclusivamente pelos índios Kuna, que formam parte da comarca Kuna Yala ao longo da costa caribenha do Panamá. Conhecer San Blás pra mim foi como se eu estivesse em um lugar à parte do mundo, acho que tive essa mesma sensação quando visitei o Deserto do Atacama (e disse a mesma coisa aqui), mas é incrível quando um lugar toma esse tipo de sentimento na gente.

No próprio hostel que ficamos no Panamá, havia uma moça que organizava passeios para San Blás, tanto passeios de um dia como pra ficar hospedado nas ilhas e já adianto de antemão: passeios de um dia não compensam, se você quer aproveitar MESMO, fique ao menos uns 3 dias em San Blás. Considero que de 3 à 5 dias seja suficiente, nós ficamos 4 dias. Eu já tinha pesquisado muito antes da viagem e escolhi ficarmos na Isla Franklin – por ser um pouco mais afastada, não receber tantos turistas e ser uma ilha bem linda. Fechamos o como chegar (já com a volta), e como a moça (esqueci o nome dela!) entrou em contato com a Isla Franklin avisando que chegaríamos, um barqueiro estaria nos esperando no porto.

Saímos as 5:15 da manhã da Cidade do Panamá, um motorista num 4×4 (mais pra frente explico o porquê) veio na porta do hostel nos buscar e o itinerário foi esse aqui: mais o menos uma hora e vinte de estrada, depois 1 parada de 10 minutos num posto para ir ao banheiro, comer algo e dalí ele pega uma outra estrada em anexo para começar a entrar na reserva. Desse ponto em diante é só curva, sobe, desce, terra e pirambeira (por isso do 4×4) e isso segue por mais uma hora de estrada. Chegando ao porto que nada mais é do que um barranco aonde param os barquinhos, há vários barqueiros de várias ilhas e isso parece meio bagunçado no começo (na verdade é um pouco mesmo rs), mas é só perguntar pela ilha que você vai ficar que todo mundo vai te indicando, como chegamos já com uma reserva, já tinha um índio nos esperando e aí foi mais uns 50 minutos de barco (por isso que eu acho que não compensa ir só para passar o dia, muito embora, tem ilhas mais próximas, mas o legal de San Blás é você ficar alguns dias).

Chegamos na Isla Franklin, quem nos recebeu foi o Pali, um dos Kuna Yala que é tipo o gerente da ilha, ele indicou aonde seria bom pra gente montar nossa barraca (SIM! Nós acampamos!!!), informou o horário das refeições e como funcionava as coisas na ilha. Por se tratar de um arquipélago de ilhas de uma reserva ambiental todo recurso é limitado: primeiro porque estamos numa ilha no meio do mar do Caribe e segundo que por ser uma reserva, é a preservação que conta mais. San Blás não tem hotéis e muito menos resorts, não existe luxo, é tudo bem rústico mesmo. As acomodações são cabanas de palha com colchão OU você pode levar a sua própria morada e acampar. A energia é (bem) racionada. Não tem água quente. O chuveiro é a água tratada do mar. Não tem televisão e muito menos internet. Mas posso falar? Foram dias de literalmente dentro do paraíso pra mim. Ficamos completamente OFF do mundo, completamente desligada de qualquer coisa que fosse do lado de fora de San Blás.

Nosso mundo nesses dias foram somente nessas ilhas e pra mim foi uma das coisas mais incríveis que já fiz pra mim. Tudo é bem rústico, bem simples e tudo aquilo de sempre dizermos que “não vivemos sem”, perde todo o sentido num lugar como esse. Tínhamos todas as noites um céu escandalosamente estrelado. Um mar azul a 2 dois passos da onde eu dormia que formava uma piscina infinita. Bichos aonde realmente devem estar: na natureza. Silêncio. Paz. Quietude.
A única coisa que eu me permiti levar foi meu Kindle porque ler um livro num lugar como esse, é praticamente uma obrigação. Fomos pra outras ilhas, uma delas era forrada de estrelas do mar, a outra tinha um barco naufragado que dava pra ir de snorkel até lá, desembarcamos em um banco de areia bem no meio do mar que não tinha nada em volta, a água batia na cintura e dava pra ver os pés de tão cristalina. Um mar tão, tão azul que chega a doer tão lindo, você andava 150/200 metros com água ainda na altura do peito e cheio de peixinhos em volta.

Tinha pouquíssimas pessoas na ilha com a gente, então, todo mundo se conheceu, fez amizade e toda a noite a gente se reunia pra tomar vinho e dar risadas. É inevitável que quando fui embora de lá não teve como sentir aquele aperto no coração, teria ficado muito mais se não tivesse ainda todo um roteiro a cumprir pela frente. É incrível como esses lugares são transformadores na vida da gente, San Blás é um lugar pra ir e nunca mais esquecer porque vai ficar cravado naquela parte do seu cérebro e no seu coração que você pode até um dia esquecer o seu nome, mas garanto que se pisar em San Blás jamais se esquecerá dali.

O tempo ali parece que passa diferente, as preocupações e queixas precisam ser deixadas de lado de fora pra você conseguir mergulhar com o coração e você realmente entende que não precisa de tanta coisa pra ser feliz. O menos é mais. Acho que quanto mais eu viajo, quanto mais eu piso nos lugares que estão longe da minha casa e da minha zona de conforto, mais eu vejo o quanto ainda tenho que explorar; seja no mundo ou até mesmo dentro de mim.

Ao mesmo tempo que eu conheço eu vejo que ainda tenho muito o que conhecer, porque eu ainda não vi nada, conhecer para poder viver esses lugares, para ter novas histórias, lições e aprendizados, pra sentir o quanto sou pequena e nunca se esquecer que o EGO não vale absolutamente nada nesse mundo egoísta que infelizmente a gente as vezes se acomoda tanto. Não é sobre o tanto de países no mundo você já visitou, é sobre estar de verdade em um lugar. ❤️

Dicas:
– Só entra em San Blás com passaporte.
– Leve um galão de água dependendo do tempo que irá ficar. Lá vende água, mas obviamente é mais caro. Leve alguns snacks também, tem todas as refeições na ilha, mas sempre bate uma fome fora de hora.
– O mínimo de roupa possível: se você puder deixar sua mala/mochilão aonde estiver hospedado na Cidade do Panamá e levar só uma mochilinha com o mínimo necessário, é melhor.
– Lanterna ehehehe principalmente se você vai ao banheiro no meio da noite.
– Papete funciona melhor que chinelo se você for passear em outras ilhas.
– Kindle. Fortemente. Kindle pra sempre! Leve um E-Book (livros molham e são mais pesados pra carregar, um e-book em viagens é infinitamente mais prático). É maravilhoso ler na beira da praia.
– Passeios para outras ilhas você paga à parte, quanto mais pessoas (no máximo 10), mais barato fica. Faça esses passeios ao menos uma vez.
– Faça amizades, é legal ter a turminha na ilha e fazer a piada “ei, vem pro lado divertido da ilha” ahahahahaha, nos dias em que ficamos tinha os argentinos, a colombiana e dois espanhóis, divertidíssimos.
– Assista todos os por do sol e nascer do sol também, acredite em mim: você vai sentir saudade disso quando estiver em casa, só não comece a bater palma porque ninguém vai te entender.
– Respeite a natureza, respeite todo tipo de forma de vida nesses lugares, por ex: não fique pegando estrela do mar só pra fazer a foto do seu instagram, dá pra fotografar sem precisar tocar. De nada.
– Não pense que você vai sofrer porque a água do chuveiro não é quente, porque não tem internet e nem tv, porque o chão da sua cabana é areia batida, porque as 9 da noite não tem mais nada de energia elétrica, quando você chegar lá e olhar em volta, vai perceber que realmente não precisa de nada disso (e não vai sentir falta).
– Vá com o coração aberto. MEU DEUS É SAN BLÁS. Não existe como não abrir o coração pra esse lugar tão maravilhoso.

22 nov, 2018

Art Journal

Primeiro vamos começar com a pergunta que todo mundo faz:
O que é um Art Journal?

Art Journal, trocando em miúdos, é como se fosse um diário artístico (que você não precisa necessariamente atualizar todos os dias como um diário) e que nele você pode se expressar da forma que quiser: seja escrevendo, desenhando, fazendo colagens ou qualquer outra coisa que a sua imaginação mandar. Por se tratar de um registro pessoal, você é livre para criar nele o que bem entender sem precisar se preocupar com o julgamento alheio, não precisa se preocupar com moldes ou formas de fazer, óbvio que se tratando de algo que estimula a criatividade, é acima de tudo, um ótimo meio para você se expressar artisticamente e emocionalmente e com isso adquirir um autoconhecimento muito grande.

No começo pode parecer meio confuso a ideia (é, eu também achei a mesma coisa), mas conforme você vai criando o hábito e a prática de ter um Art Journal, a mente vai se abrindo e consequentemente você vai soltando mais a imaginação para suas criações pessoais; seja desenhando, fazendo colagens ou simplesmente escrevendo, você é (e deve) ser livre para criar o que quiser. Este aqui é o meu, comecei no ultimo feriado:

Mas o que eu preciso ter para começar um Journal?
Um caderno com folhas brancas. É isso. Existem diversos sites aqui na internet que fazem uns journals/planners (também para os Bullets) super customizados que você compra as brochuras separadamente (pode ser com/sem pauta, pontilhado ou quadriculado), eu comprei o meu do A.Craft que além de ter coisas lindas, no próprio site tem tutoriais e vídeos bem explicadinhos pra você montar o seu journal de acordo com sua escolha: pode ser o bullet (tipo agenda com coisas do dia a dia), pode ser o art, pode ser os dois. Você pode também fazer um Journal Traveling, tipo um diário de viagem mesmo com colagens, registros, fotos, enfim… Acho que deu pra notar que as criações pra isso não tem limites né?

A prática está se tornando cada vez mais conhecida aqui no Brasil, começou com o Bullet (ou Bujo) e está cada vez mais ganhando adeptos nos outros segmentos. O Bullet você também usa a imaginação do jeito que quiser, mas ele é mais voltado para você registrar os afazeres do dia/mês e nele você vai adicionando todos os seus compromissos, a ideia dele é mais voltada a isso, enquanto o Art é simplesmente pra soltar a imaginação, ser livre para fazer o que quiser e foi por isso que escolhi este, até mesmo porque eu já tenho a minha agenda que uso no celular mesmo.

Já é mais que cientificamente provado que a arte promove efeitos super positivos na nossa saúde, inclusive a emocional e o Journaling é uma ótima ferramenta para arteterapia (ou a cura através da arte), eu sou muito a favor de tudo e qualquer coisa que promova qualquer expressão a arte. Está feliz? Triste? Está se sentido criativo? Ou quer apenas ter um espaço pra colocar suas ideias? O Art Journal é um ótimo caminho para isso. Tudo isso promove uma sensação de bem estar, satisfação pessoal, ajuda na ansiedade e é um meio incrível para o autoconhecimento.

O Youtube e Pinterest são os melhores canais para buscar inspirações (minha nossa, tem cada coisa linda!) e foi durante a viagem que olhando despretensiosamente coisas no Pinterest, eu decidi que ter um journal seria algo bem legal pra mim, comprei umas coisinhas de papelaria maravilhosas na Daiso e no ultimo feriado comecei o meu, hoje mesmo pretendo “perder” um tempinho com ele e fazer uns desenhos…

Esse vídeo aqui tem um contexto bem lindinho pro Art Journal, quem ficou com vontade de ter um, esse vídeo já pode servir como inspiração:

P.S. Criei uma categoria Art Journal aqui no blog que pretendo colocar minhas criações (ou pelo menos algumas delas) e postar coisas lindas de achados de papelaria (eu tinha me esquecido do quanto esse mundo é vasto e maravilhoso).

13 set, 2018

Bordados da Vez e Lojinha

Gente, eu tô A-M-A-N-D-O bordar. Eu separei um cantinho na minha sala pra acomodar todas as minhas traquitanas de bordados, aprendi alguns pontos novos e melhorei muito o meu bordado comparado aos de quando comecei. O único ponto negativo é que bordar pra mim caiu naquele mesmo dilema dos livros: Muito livro pra pouca vida, muitas ideias de bordados pra pouca vida. Eu queria ter muito mais tempo pra me dedicar a isso, mas ao menos o tempo que uso pra bordar está sendo maravilhoso pra mim e tem saído bordadinhos lindos. Isso me deu uma ideia para duas coisas que quero externar com mais afinco pra vocês:

– Criei um perfil no Instagram só pra postar as fotos dos meus bordados que venho fazendo, tem todos lá, quem quiser me segue no @juesgalha_borda porque estou sempre postando e pretendo manter bem ativo esse perfil, além do meu pessoal.

– Eu também andei investindo em mais materiais, pra mim não compensa por exemplo comprar apenas 1 bastidor por vez, eu já tenho que logo comprar no mínimo uns 6 porque algumas coisas aqui pra bordar, infelizmente, não são nada baratas. Tenho um estoque bom de linhas, já peguei o jeito de transferir o desenho sem desperdiçar muito papel e descobri que o brim é o melhor tecido pra bordar (já comprei uma metragem boa de tecido preto em brim também porque bordados com fundo preto ficam lindos).

– Dito isso eu resolvi criar uma lojinha no Elo7 pra vender alguns bordados que estou desapegando (eu tenho um sério problema em desapegar das coisas que faço porque pego amor ahahahah). Criei a lojinha pra pelo menos pagar o meu material que uso. Se der certo ótimo, se não der certo, continuo bordando mesmo assim. Por enquanto a lojinha está super pequena, mas eu pretendo na segunda quinzena de novembro (mais pra frente explico porquê) já ter uma boa gama de bordados pra montar uma vitrine online bonita. A lojinha, como disse, ainda é pequena, mas foi feita com muito amor e carinho:

>>>>>>>>>> https://www.elo7.com.br/juesgalhabordados

– Minha ideia e pelo menos por enquanto, NÃO É trabalhar com encomendas. Eu preciso primeiro testar pra ver se a lojinha vira, pra depois eu decidir se partiria pra encomendas ou não. Então só estará venda, apenas tudo aquilo que estiver exposto na loja. É isso ou isso ehehehe.

Mas vamos ao que interessa, esses são os meus últimos bordados feitos. Está pela ordem de criação – do mais antigo para o mais novo:

>>> Mágico de Oz
Eu queria um bordado pra por na porta da entrada de casa, mas não queria nada muito tradicional de “home sweet home”, aí escolhi essa frase do filme. Além do que, eu sou apaixonada por Mágico de Oz.

>>> Vou dar o nome de “Eu Amei Essas Tetas”…
…Porque foi a primeira que fiz uma tetinha coloridinha assim, achei que não ficaria bom e ficou uma gracinha. Ainda pensando se vou por na lojinha pra vender.

>>> Malala
Malala pra mim é um grande ícone feminista que luta pelos direitos de meninas poderem ir a escola e muitas outras coisas em prol das mulheres. Alguém já leu seu livro? Recomendo. Eu achei um desenho lindo dela na internet que era na verdade, um desenho para colorir e resolvi na hora começar a bordar. Eu amei esse. Não está disponível para a venda.

>>> Mulheres Nuas
Não achei nome melhor para ele, mas achei que a composição do desenho ficou muito poética. Eu amo bordar corpos femininos e foi nesse que aprendi o ponto matiz que usei no preenchimento dos cabelos. Está disponível para a compra na lojinha… Por enquanto… Porque eu tô querendo muito ficar com ele.

22 maio, 2018

Livro: O Morro dos Ventos Uivantes

“Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.”

Tenho esse livro há muitos anos na minha estante, mas sempre acabava escolhendo qualquer outro pra ler e sempre fui deixando ele de lado. Como agora eu tô na pegada de romances históricos, principalmente de escritores bem antigos, decidi ler o Morro dos Ventos Uivantes e acho que foi um dos livros mais incríveis que já li na minha vida. É sério. Eu fiquei triste de terminar a história, fui lendo mais devagar dessa vez porque não queria devorar tudo de uma vez. E que história. Me pergunto porque não li esse clássico antes, mas acho que tudo tem seu momento, talvez em outras épocas eu não teria me apegado tanto a esse livro como me apeguei agora, justamente porque quando o comprei, eu estava até em outra vibe de leitura. O Morro dos Ventos Uivantes fala de amor, vingança e tragédia. Fala de personagens rancorosos, impulsivos, de amores doentios que ferem uns aos outros, de personagens intensos que amam, choram, se amaldiçoam e perdoam. Tudo de uma maneira muito forte. Não existe momentos, situações ou sentimentos brandos nessa história. É um clássico pesado, por muitas vezes eu fechava o livro, respirava fundo por alguns minutos, olhava pro Ricardo e soltava um:

“- Muitas vezes provocamos os fantasmas e nos desafiamos mutuamente a andar e chamar os mortos por entre as sepulturas. Mas tu, Heathcliff, se te desafiar agora, ainda terás coragem de fazê-lo? Se tiveres, ficarei contigo. Não quero jazer ali sozinha. Podem enterrar-me a sete palmos de profundidade e fazer desabar a igreja sobre mim, mas não descansarei enquanto não estivermos juntos. Jamais!”

Ao contrário das histórias de Jane Austen que são romances densos, mas que ao mesmo tempo são leves no seu contexto, o Morro dos Ventos Uivantes é uma paulada louca atrás da outra, alguns personagens você odeia tanto, mas tanto, que no fundo acaba tendo até uma certa admiração por eles. Heathcliff certamente é o mais detestável da história e suas falas são tão pesadas, tão carregadas de ódio, tirania, rancor e tão desprovidas de qualquer tipo de humanidade, que de certo modo você compreende o porquê dele ter se tornado um homem tão duro e amargo. Eu não vou ficar soltando nada da história porque não quero dar nenhum tipo de spoiler – por mínimo que seja, mas é um livro pesado, denso e envolvente que, acima de tudo, é algo pra se ler bem devagar e mastigar cada momento. Foi assim que fiz.

“E eu rezo uma oração.. hei de repeti-la até que minha língua se entorpeça… Catarina Earnshaw, possas tu não encontrar sossego enquanto eu tiver vida! Dizes que te matei, persegue-me então! A vítima persegue seus matadores, creio eu. Sei que fantasmas têm vagado pela terra. Fica sempre comigo.. encarna-te em qualquer forma… torna-me louco! Só não quero que me deixes neste abismo, onde não posso te encontrar! Oh, Deus! é inexprimível! Não posso viver sem minha vida! Não posso viver sem minha alma!”

“Não disse que não é amor, definitivamente é, mas eu sei que é efêmero e que o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, e mesmo que eu te amasse com todas as forças do meu corpo nem em cem anos poderia te amar tanto quanto te amei em um único dia. Talvez daqui 100 anos eu ame ainda mais, tanto, que tu já tenha se espalhado de tal forma, sendo impossível de tirar daqui do meu eu mais secreto e íntimo não como um prazer, porque eu não sou um para mim mesma, mas como o meu próprio ser existindo na sombra da tua existência, sendo apenas a metade e não meu todo. Onde não há você, não existe eu, só vazio.”

O Morro dos Ventos Uivantes é mais um clássico atemporal, feito de personagens que nenhum deles é apático, ao contrário, todos são incrivelmente intensos. Foi o único livro escrito por Emily Brontë (que pelo que li foi uma autora reclusa e problemática e que faleceu no ano seguinte ao lançamento de sua obra). Kate Bush criou a canção Wuthering Heights que é mundialmente conhecida também, o poeta Dante Gabriel Rossetti disse que a história se passa no inferno e que só os lugares e as pessoas têm nomes ingleses. Certamente tudo isso faz jus a fama que esse clássico tem e que torna a história ainda mais interessante. Vai ganhar 5/5 das xícaras e entrou com louvor pra minha lista de livros favoritos:

13 out, 2017

Cerro Toco – Deserto do Atacama

Quando nós fechamos a viagem pro Deserto do Atacama, entre todos os passeios que pesquisei, eu queria fazer algo que fosse mais… Como posso dizer? Algo mais ousado… Que pudesse testar meus limites ou chegar perto disso. Queria algo mais pancadão, sabe. Eu tinha pesquisado muito sobre o trekking ao vulcão Lascar (um dos vulcões AINDA ATIVO do Atacama) e fiquei doida pra fazer. Fechamos esse com a Ayllu, porém quando chegamos lá, fomos informados que a estrada que leva ao vulcão estava fechada por conta da neve e provavelmente ia continuar assim por mais um mês. Esse ano foi bem atípico no Atacama: teve muita neve e chuva, algo que não acontecia há anos e isso em meados de julho atrapalhou um pouco a vida de quem viajou pra lá. Fiquei chateada quando soube disso, é possível ver o Lascar por muitos lugares e bem pela manhã dava pra ver uma fumacinha saindo dele, foi um dos passeios que eu mais estava esperando, mas aí nos deram outra opção: Cerro Toco. Cerro Toco é um estratovulcão (ou seja, vulcão em forma de cone que são formados de camadas de fluxo de lava, cinzas e blocos de pedra) que não está mais ativo e o cume está a 5604 metros acima do nível do mar. A caminhada leva mais ou menos de 1:30 à 3 horas pra subir e mais ou menos 1 hora pra descer, é mais suave de subir que o Lascar segundo as informações passadas à nós (ahahahahaha eu tô rindo aqui sozinha porque vou chegar nessa parte), mesmo Cerro Toco sendo maior na altitude.

Então vamos pra Cerro Toco.

Por recomendação deixamos esse pro ultimo dia no Atacama, assim o corpo estaria mais aclimatado. Um dia antes fizemos uma pequena reunião com nosso guia que nos passou as condições do tempo (-10 graus durante o trajeto e -15 no cume), roupa adequada pra suportar o frio, o que levar, alimentação e alguns cuidados antes de ir. Na sexta feira o guia passou pra nos pegar cedinho e era pra ter ido mais um casal com a gente, mas eles acabaram desistindo, então fomos só nós 3. A viagem de carro durou mais ou menos 1 hora e como sempre passando por lugares incríveis, chegando lá começamos a nos preparar pra subida: gorro, paninho de proteção pra nariz e boca por conta do vento, óculos (indispensável), meias e luvas térmicas (que eu não tinha e o guia providenciou pra gente), capacete e na mochila apenas o necessário: um lanche, um saquinho bem farto de frutas secas e oleaginosas, uma barrinha de chocolate e um Gatorade de 1 litro. Paramentados, recebemos 1 bastão de trekking pra cada mão (descobri que isso realmente faz uma TOTAL diferença) e o plano era: primeiramente não morrer (ahahaha brincadeira), caminhar os 40 primeiros minutos sem pausa, depois uma pausa rápida pra tomar algo, comer umas frutinhas secas e continuar. Como caminhar em lugares assim? Passos lentos (SEMPRE!), curtos e sempre respirando devagar – conforme as passadas, não é nada parecido como se caminha na cidade, por exemplo, e menos ainda trote rápido, apenas.caminhar.devagar. Se alguém se sentisse mal era só falar, o tempo de cada um seria respeitado.

E aí fomos. Os primeiros minutos foram meio confusos pra eu ajeitar minha passada com o bastão de trekking, uma vez que coordenação nunca foi um ponto forte em mim. Rola todo um esqueminha da passada com o movimento dos bastões, mas logo me ajeitei com isso e fui. Se ajeita, sobe, respira, sobe, sobe, sobe, respira – NOSSA! QUE FALTA DE AR, NÃO TEM AR AQUI!!!! e tão logo eu também encontrei o famigerado MAL DA MONTANHA. Bom, eu já sabia que isso ia acontecer (porque 5 mil, 600 e lá vai pedrinha acima do nível do mar, fora que o Atacama já está a 2400 metros acima, é meio que né… bem previsto disso acontecer). Eu tenho um certo trauminha com esse lance de mal da montanha porque a primeira vez que senti, eu não sabia o que era e achei que estava mesmo tendo um treco (em Portillo – 2010), vomitei, não consegui comer, muita tontura e fiquei toda malzona mesmo. Em Cerro Toco não seria diferente os sintomas, o ar ali é (bem mais) rarefeito, mas eu já sabia como lidar melhor com isso. A gente estava numa subida, estava bem frio, porém, nesse aspecto foi relativamente tranquilo porque estávamos bem agasalhados, mas mesmo que você queira ou tente andar mais rápido não é possível, e não pelo caminho em si, mas realmente por conta da altitude: você sente uma pressão enorme na cabeça, dor de cabeça, batimentos acelerados, tontura e falta de ar. Não é uma sensação necessariamente que te leve ao desespero, mas assusta um pouco… Por isso que eu acho que a mente nessas horas conta tanto quanto o físico.

Fui prestando atenção nas minhas passadas, sincronizando com minha respiração e mentalizando musicas e muitas coisas boas dos momentos daquela viagem e ao longo da minha vida, pensei nos meus gatos, num banho quentinho quando pegávamos trechos com muito vento ahahaha enfim… é praticamente uma meditação e um ótimo exercício pra mentes ansiosas como a minha. Durante essa primeira etapa eu não pensei em tempo, simplesmente fui vivendo cada passo que eu dava, mas a uma certa altura eu tive que parar e respirar mais fundo, aí sim perguntei ao guia quanto tempo ainda faltava e ele disse: “nenhum, acabamos de completar os 40 minutos” UFA!!! Eu estava com a respiração e o coração muito acelerado, por um mísero segundo achei que não conseguiria, mas tratei logo de tirar esse pensamento negativo da minha mente, porque é lógico que eu ia conseguir, eu estava alí pra isso e queria testar meus limites, certo? Tomei um pouco de Gatorade, não quis comer o chocolate e o guia foi me orientando a inspirar pela boca e soltar devagar o ar pelo nariz pra equalizar minha respiração, além é claro, isso junto com os milhões de incentivos, dizendo que nós estávamos muito bem pelo tempo e distância que já tínhamos feito e isso AJUDA muito em um momento como esse.

Feito isso, continuamos nosso trekking. Teríamos mais uma hora pela frente (mais ou menos) e dessa vez alguns caminhos com um pouco mais de neve, mas nada muito tenso e deu pra fazer de boa (mais uma vez: bastões de trekking ajudam MUITO nessas horas). O objetivo do momento era: caminhar, respirar, não desmaiar, caminhar, respirar, não desmaiar ahahahaha, parei mais umas 2 ou 3 vezes, equalizei minha respiração e continuei… Desistir não tinha nem sequer passado pela minha cabeça, mesmo nos momentos mais complicadinhos. Eu só pensava em conseguir e conquistar o cume seria o meu prêmio, a minha superação. Fizemos mais uma pequena pausa e o guia nos disse: “Falta pouco! É alí (e apontou), só mais 200 metros e chegamos, bora conquistar esse cume?” Nessa hora eu acho que a sensação que dá deve ser a mesma quando se alcança o auge de uma meditação ou algum outro momento que você simplesmente se deixa levar, eu não consigo bem explicar o que exatamente de tão maravilhoso invadiu em mim nessa hora, mas acho que se o mundo tivesse acabado alí, naquele minuto, eu teria continuado minha caminhada mesmo assim porque naquele instante, era somente aquilo que importava pra mim. Acho que a corrida também proporciona muito disso, mas pra mim ali ainda era bem diferente porque eu não estava no meu “território” habitual e não estava fazendo algo que estou acostumada a fazer, entende?

E aí anda mais um pouco, respira mais um pouco, anda, anda e então chegamos. Eu não consigo por em palavras a sensação louca que é de chegar no cume de uma montanha, ao mesmo tempo que você se sente grande por ter conseguido, você se sente tão pequeno quanto um grão de areia também, porque é só olhar em volta e sentir como somos tão insignificantes em relação natureza, ao mundo e ao universo. Super piegas eu ficar retratando essas emoções, eu sei, e mais piegas ainda foi quando eu sentei numa pedra pertinho de uma pirambeira e comecei a chorar (é lógico que eu ia chorar, alguém ainda tinha duvida disso? ahahaha), mas são registros meus que eu gosto de deixar aqui. Com certeza foi uma superação pra mim, de todos os trekkings e trilhas que já fiz, Cerro Toco foi o mais emocionante de todos e o que mais mexeu comigo. A volta foi bem mais curta, o que não quer dizer que foi ao mesmo tempo fácil. O Rick e o nosso guia desceram como se estivessem apenas descendo uma escada, eu que sou mais comedida (leia-se medrosa), fui bem mais devagar. Quer dizer, foi e não foi mais fácil. Descida sempre tem aquilo de firmar o pé antes de dar o passo seguinte pra não sair rolando até ir parar na cidade e como o caminho da volta era cheio daquelas pedrinhas soltas, isso me rendeu um escorregão, nada sério, mas o Claudio (o guia) disse que sendo assim eu já poderia ter minha propriedade em Cerro Toco, é tipo um “batismo” pra quem leva algum tombo ou escorregão nas montanhas ahahaha.

A volta nos despedimos de Cerro toco e com uma vista linda de Licancabur (que está ainda nos meus planos) e depois de toda a experiência, penso que foi bom o vulcão Lascar não ter dado certo dessa vez, o trekking dele é um pouco mais difícil e leva mais tempo, eu teria conseguido ele também, mas teria sofrido mais. Algumas coisas que preciso mencionar: faço academia, corro e mesmo assim, não foi algo fácil pra mim. Eu acredito que Cerro Toco seja um trekking acessível pra (quase) todos, mas tenha em mente os perrengues também, porque como disse lá em cima: a mente é tão importante quanto o preparo físico e se você não estiver com o coração aberto pra isso, não vá. Outra coisa que preciso contar: o silêncio! Sim, o silêncio. Tanto quando estávamos subindo como quando estávamos descendo, é um silêncio que poucas vezes você sente na vida, principalmente quando se vive em cidades como a grande maioria de nós, a gente de certa forma se acostuma e aprende a viver com barulhos, mas o silêncio numa montanha chega a ser latente, a única coisa que você escuta são seus passos, mas o silêncio em volta chega a ser hipnotizante. Pra terminar esse post vou deixar uma música do RadioHead que viemos ouvindo na volta e me marcou muito. Esse dia está 10/10 na lista de coisas inesquecíveis em viagens.

Só pra título de curiosidade, essas são as altitudes de alguns vulcões do Atacama:

Lascar – 5500 metros de altitude
Cerro Toco – 5604 metros de altitude
Putana – 5890 metros de altitude
Licancabur – 5910 metros de altitude
Sairecabur – 5971 metros de altitude
San Pedro – 6145 metros de altitude
Aucalquincha – 6176 metros de altitude
Ojos del Salado – 6887 metros de altitude

27 set, 2017

O que fazer no Deserto do Atacama

Essa semana estava lendo um artigo que o Chile foi eleito através da World Travel Awards como o melhor destino da América do Sul para aventuras pela terceira vez consecutiva e não é pra menos, tem de ski a passeio no deserto, tem de praias a vulcão, sem contar que o turismo no Chile é muito bem feito, o governo investe uma grana boa e é por isso que voltamos pela segunda vez pra lá. Algumas pessoas tem a ideia de quando se fala em deserto tudo se resume a areia, areia, um pouco mais de areia e que não há muito o que se fazer. Se engana totalmente. O Deserto do Atacama tem centenas de passeios incríveis, alguns mais perto e outros bem mais longe que podem levar até dias, eu queria ter ficado muito mais tempo pra conseguir conhecer tudo o que tem lá, tem muita coisa legal  pra se fazer no Atacama e ainda penso em um dia voltar novamente.

Como disse no outro post sobre o deserto, agências de passeios ali não faltam e existem duas escolhas: você reservar lá quando chegar ou reservar com antecedência meses antes da sua viagem. Foi o que eu fiz e prefiro dessa forma porque você pode negociar um desconto e se programar melhor, principalmente se acontecer algum imprevisto de clima (o que aconteceu conosco em um dos passeios). Eu pesquisei bastante antes de fechar: pesquisei valores, opções de passeios, os mais legais, mas priorizei acima de tudo a confiança e segurança porque veja bem, estamos falando de um DESERTO que existe poucos recursos como socorro médico, posto de gasolina, comunicação, etc… Então você precisa de guias que te levem e te tragam dos lugares com segurança e obviamente todas agências lá possuem isso ou pra mais ou pra um pouco menos dependendo das suas expectativas e planos. Depois de muito pesquisar sobre tudo isso eu fechei meus passeios com a Ayllu Atacama que tem uma agência bem no centrinho, então é tranquilo pra encontrar quando se chega lá. Todos os feedbacks que li sobre a Ayllu são super positivos; tanto em blogs de viagem, como no TripAdvisor, eles responderam todas as minhas duvidas, perguntaram que seu tinha alguma restrição alimentar (alguns passeios tem café da manhã, almoço, lanche), pegaram meu horário de chegada e me deram informações importantes. Os passeios que eu fechei com eles foram:

Valle da La Luna, Laguna Cejar, Geyser El Tatio e Vulcão Lascar que tivemos que trocar pra Cerro Toco porque a estrada que leva até o vulcão estava fechada por conta da neve. No dia que chegamos, fechamos o roteiro com a Renata que nos atendeu muito bem e o primeiro da lista foi Valle de La Luna + pôr do sol no Valle de La Muerte: teve um trekking leve, teve entrada em caverna, vista maravilhosa (!), vinho, comidinhas e um pôr do sol maravilhoso com uma vista linda do vulcão Lincancabur, recomendo muito e é uma ótima opção pra se iniciar no Atacama:

Eu estou mostrando pela ordem dos passeios, eu só não me lembro se foi no segundo ou terceiro dia que demos um OFF pra conhecer o centrinho, mas o segundo que fizemos foi o Laguna Cejar: o famoso lago profundo que devido a quantidade absurda de sal que tem nele, você boia, não tem como afundar e é maravilhosa a vista de ter um lago desses no meio do deserto. A água é absurdamente gelada, já vou avisando, mas crie coragem e entre mesmo assim, vale muito a pena pela experiência e a gente só se vive uma vez na vida, né? Depois fomos pro Ojos del Salar que são duas crateras imensas com água doce e salgada onde se pode mergulhar, mas eu preferi só olhar mesmo porque eu já tinha tido a minha cota de encarar água gelada pro dia ehehehe e depois fomos para o pôr do sol Laguna Tebinquinche que o caminho é um pouco mais complicado e que nesta hora, final de tarde, o tempo já estava bem mais frio. Eu fiquei especialmente apaixonada por Laguna Tebinquinche porque além de ter uma vista maravilhosa, do tipo raro aos nossos olhos (fica no meio de um vale e recebe água do degelo das montanhas), é um lago muito sagrado, portanto é estritamente proibido tocar na água ou ultrapassar a linha da trilha que é demarcada. O pôr do sol ali é lindo também, conforme o sol vai se pondo a paisagem em volta vai mudando de cor, e a água do lago fica como um espelho refletindo tudo em volta, vimos tudo isso tomando um belo Pisco Sour e degustando comidinhas deliciosas (o pessoal da Ayllu foi muito querido e fez opções sem carne pra mim), outro passeio que vale muito a pena fazer:

No dia que fomos para os Geysers Del Tatio saímos antes mesmo do sol nascer. O guia nos buscou no hotel e de lá partimos. É preciso sair muito cedo por dois motivos: fica longe do Atacama (são quase duas horas de carro) e o espetáculo mesmo acontece quando o sol nasce e os geysers soltam aqueles vapores de água que chegam aos 10 metros de altura facilmente, isso acontece porque há um contraste muito grande entre a temperatura da água (por volta 85°C) e a temperatura ambiente, que neste dia pegamos os agradáveis -15°C ahahahahaha, ou seja, basicamente é o mesmo que se estivéssemos em cima de uma panela de pressão. Vocês lembram que eu disse que no Atacama quanto mais alto, mais frio? Pois bem, o Atacama está a 2.400 metros acima do nível do mar e o campo aonde fica os Geysers está a 4.320 metros, então esse é um dos passeios que é imprescindível camadas de roupas e um casaco adequado pra esse tipo de temperatura. O que pode acontecer também é sentir o tal do Mal da Montanha (enjoo, tontura, dor de cabeça, falta de ar), eu senti um pouco quando estávamos subindo de carro, mas como estou mais esperta com esse tipo de coisa, eu só tomei um pouquinho de café antes de sair do hotel e alguns golinhos de água durante o caminho, não quis comer nada porque é certeza que passaria mal, tomamos um belo café da manhã enquanto estávamos lá e aí foi super de boas porque o corpo já estava mais aclimatado. Foi sem dúvida um dos passeios que eu mais AMEI fazer e estando no Atacama você não pode deixar de incluir os Geysers del Tatio na sua lista, a volta também foi muito legal porque o que não vimos na estrada na ida por estar escuro, vimos tudo na volta e foi incrível:

E o penúltimo passeio que fizemos foi pra Pukara de Quitor, esse nós fizemos por nossa conta mesmo porque é bem próximo do centrinho do Atacama (3km) e não necessita de guias. Você pode alugar bicicleta ou ir a pé, escolhemos a segunda opção, ao chegar ao parque você paga uma entrada que sai por volta de mais ou menos 15 reais. Pukara de Quitor é um sítio arqueológico pré colombiano que foi construído no século XII (ou seja, essa ruína tem mais de 700 anos) e serviu de proteção dos atacamenhos que lutavam contra invasores. Pukara na língua dos quéchua significa “fortaleza” e Quitor é o nome do monte onde, em 1982 foi proclamado como monumento nacional. A subida é um pouco puxada, mas nada impossível, toda a vista que se tem quando se chega ao topo é compensadora:

O Atacama é um pedaço no mundo incrível pra se conhecer. E nos acontecimentos também: encontrei lá um amigo que conheci na Noruega, mas que agora mora em São Paulo, por um acaso ele viu no meu FB que eu também estava no Atacama e nos encontramos um dia para jantar juntos. Mundão pequeno, né? Há vários outros passeios além desses que fiz e tudo depende de quanto tempo você vai ficar e o quanto está disposto a gastar. A Ayllu não é uma das agências mais baratas, justamente por ter um turismo mais diferenciado, eles oferecem diversos atrativos que vão além dos lugares, além de um atendimento impecável, tanto na agência como os guias que nos acompanharam, aliás, o que já me perguntaram: Dá pra ir pros lugares sem guia? Creio que alguns até dão pra fazer sem um guia, porém não é recomendado! Eles mesmos lá enfatizam isso. É sempre mais seguro você estar com um guia que conheça o lugar e que esteja com equipamentos de segurança necessários: GPS no carro, sinal via satélite e rádio, caixa de primeiros socorros – essas coisas que fazem uma total diferença caso você precise delas. Portanto, eu recomendo que (tirando Pukara de Quitor), ninguém faça algum passeio sozinho. Pra quem viaja de carro (nós conhecemos um casal que saiu de Curitiba de carro e chegou até lá) eu não sei qual é o procedimento pra se visitar os lugares, então, pra quem tem essa intenção, pesquise muito bem antes. Pra fechar os posts sobre o Atacama (porque ainda falta do Chile) eu deixei Cerro Toco pra um outro post, uma vez que fazer esse trekking foi uma experiência única pra mim, então ainda vou escrever sobre ele contando tudo. Ah, e o post não é nenhum publi não, viu? Escrevi unicamente baseada na minha experiência. 🙂

03 ago, 2017

Por que parei de comer carne?

Primeiro de tudo tenho que dizer: este post é um relato totalmente pessoal. Escrito a partir das MINHAS experiências e vivências, então isso significa que em nenhum momento a ideia aqui é impor, criticar, militar ou dizer o que é certo ou errado pra alguém. Portanto não sou parâmetro pra nada, afinal, a ideia é única e exclusivamente contribuir os meus 25 centavos e dividir com vocês a minha história.

Já tem mais de um ano que eu não como carne vermelha no jantar: primeiro porque carne vermelha leva muito tempo pro estômago digerir (cerca de 3 dias) e como minha janta costuma sempre ser depois das 20 horas (ou seja, já meio tarde) eu resolvi optar por algo mais leve; então eu comia uma salada bem farta, as vezes acompanhada com algum carbo e sempre com alguma carne branca (frango ou peixe). Segundo motivo é que estava me sentindo muito pesada/inchada e não saciada totalmente ao comer carne vermelha a noite: uma hora depois eu já estava com fome de novo. Acontece que depois de um tempo começou acontecer a mesma coisa no almoço: inchaço, não saciava e enjoo (eu ficava “conversando” com aquele pedaço de carne no estômago o resto do dia) e de repente não estava me apetecendo mais. De repente eu vi que estava deixando de escolher carne vermelha pra escolher alguma carne branca pra comer. Até aí, nada de muito diferente. Mas depois de um tempo, o mesmo começou a acontecer com frango, peixe (inclusive com os temakis e comida japa que tanto amo) e porco (que já muito raramente eu comia).

Lisa me representando nessa mudança.

Tentei persistir, mesmo ainda com todo aquele combo de mal estar que já mencionei acima e não deu muito certo. Se eu ia a um restaurante ou eu escolhia alguma opção sem carne ou quando muito pegava um pedacinho de carne no self-service que depois sempre acabava sobrando no meu prato. Em casa a mesma coisa, todo dia era: “não estou afim de comer carne hoje.” Foi nessa transição-não-programada que eu comecei a perceber que ficar sem a carne não ia ser um problema pra mim, muito pelo contrário, ia ser um problema se eu continuasse a comer porque, acima de tudo, eu penso que a comida está associada ao prazer e bem estar… Se você não está satisfeito com uma coisa: você muda pra outra, simples assim. E isso foi algo que eu cuspi pro alto e caiu bem na minha testa, devo mencionar porque né… Até alguns anos atrás eu dizia que era incapaz de viver sem carne e não entendia como é que um vegetariano/vegano consegue ficar sem consumir uma das proteínas mais gostosas que existe. Mas temos aí uma liçãozinha nesse ponto: nada (ou quase nada, talvez?) perpetua pra sempre, especialmente quando se trata de hábitos.

E veja bem, foi aí que eu resolvi ir parando… E não por ‘moda’ ou influência de alguém, mas porque realmente comecei a ficar saturada desse tipo de alimento. E aí as coisas mudam: os hábitos, os gostos, as preferências, as crenças, a visão sobre as coisas, o mundo… TUDO! Hoje a gente vê muito sobre sustentabilidade, alimentos orgânicos, o impacto no ambiente de algumas práticas do homem, mudanças de hábitos, qualidade de vida, mas isso é assunto pra um outro post. Comecei a ler muitos artigos sobre vegetarianismo/veganismo e obviamente as questões dos animais e todas as outras que envolvem essa escolha pra vida, também tiveram um grande peso pra mim, é óbvio que tiveram. Entrei em grupos vegans no FB e comecei a buscar uma série de receitas que fazendo em casa, descobri um mundo inteiro de coisas gostosas pra comer que substituíram a carne de uma maneira tão positiva que eu nem imaginava. E fiquei feliz por isso porque achei que seria bem mais difícil. E minha ideia é exatamente essa: se não vou comer carne, que pelo menos eu faça meu alimento e evite ao máximo os ultra processados e industrializados (algo que já faço há tempos). Se comer é um prazer, fazer a própria comida também é. E isso me fez um bem danado: comecei a me sentir saciada, no sentido de alimentada e não cheia. Não sinto mais fome logo depois de ter almoçado ou jantado, me sinto bem menos inchada também (muito em parte porque eu sempre fui de reter líquido, principalmente no período menstrual) e isso simplesmente acabou. Me sinto mais leve, e posso dizer que espiritualmente também estou leve com minha consciência.

Se me perguntam: “Nossa (nossa = credo) mas você virou vegana?” Eu digo que (ainda) não. Eu diria que estou na fase de Ovo Lacto Vegetariano, ou seja: não consome carne, mas consome leite, ovo e derivados. Vegan envolve muitas outras coisas além da comida. Não é uma transição que acontece da noite pro dia, mesmo porque não é algo fácil tirar o que se comeu uma vida inteira, mas não é impossível e muito menos um bicho de sete cabeças. Você precisa se questionar, se perguntar, se informar, ler bastante e ter em mente se é isso mesmo que você realmente quer. É uma coisa muito particular, entende? Comigo eu posso dizer que foi até meio fácil, o começo de tudo foi porque simplesmente meu corpo começou a não aceitar mais a carne no organismo, mas eu ainda consumo leite (que eu gosto de verdade), queijo, ovos (bem raramente), então tudo precisa ser de uma forma gradual pro seu corpo ir se acostumando e pro psicológico também ir se adaptando, está tudo ligado. Conversando outro dia com um amigo vegetariano, ele me disse: “Ju, se minha experiência pode servir pra alguma coisa, te digo: só pare com aquilo que vc não se sente bem ao comer. Se vc gosta e não te prejudica, mande bala!”

E é basicamente isso!

Mas e as proteínas? E a vitamina B-12? Por eu me exercitar bastante e correr também, obviamente eu preciso de todos os nutrientes necessários e saber consumi-los pra não ter nenhuma deficiência de alguma vitamina, é primordial. Eu vou passar com uma nutricionista em breve pra fazer um hemograma completo e conhecer o que posso substituir, adaptar, suplementar, enfim… Nem vou entrar em detalhes sobre essa parte porque eu não sou nutricionista e porque ainda não passei com uma, então não vou escrever sobre aquilo que não tenho conhecimento e cada pessoa é um caso diferente, né? Mas pretendo contar aqui também essa fase.

Essas são apenas algumas das minhas comidinhas durante esse período, tem todas as receitas e dicas de lugares no meu Instagram, passa lá pra dar uma olhada:

É isso. Acima de tudo, acima inclusive de qualquer bandeira que isso representa, é uma ESCOLHA minha e estou bem feliz e em paz com essa decisão. 🙂

21 nov, 2016

Séries britânicas que amo e recomendo

Se eu for escrever sobre todos os seriados que assisto e já assisti eu teria que transformar esse blog em um blog só de séries. Assim como os livros, são muitos seriados pra pouca vida ehehe e ultimamente ando preferindo assistir séries a filmes. Eu gosto muito de seriados britânicos, mesmo que a produção não seja total britânica eu me refiro a história em si mesmo, aliás, acho que esse gosto é até por motivos óbvios porque, desde sempre vocês sabem que eu sou apaixonada pelo Reino Unido e toda a história que o envolve, então fiz uma listinha pequena (mas modesta) de alguns seriados que já vi e outros que estou acompanhando pra vocês:

Downton Abbey

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“A série se passa em sua maior parte em uma propriedade, localizada em Yorkshire, e segue a vida os Crawley, uma família aristocrática inglesa, e os seus criados, no início do século XX, a partir de 1912. Já ganhou alguns prêmios também: entrou no Livro Guinness dos Recordes de 2011 como o “programa de televisão em língua inglesa mais aclamado pela crítica” do ano, no qual também recebeu o título de melhor minissérie no Emmy. No ano seguinte, venceu na categoria melhor minissérie ou filme para televisão no Globo de Ouro.” (wikipédia)

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Downton Abbey é o must have quando se trata de seriados britânicos. Tem 6 temporadas e DA eu assisti muito rápido porque a história é incrivelmente envolvente. Quando eu estava assistindo eu sempre dizia ao Rick que era a nossa novelinha das 10 ehehehe. Me emocionei em muitos momentos, todos os personagens eram fantásticos e mesmo quando no meio da história uma das atrizes desistiu de uma personagem que era até relevante pra trama, a produção não perdeu a mão com o fio da história. Entrou pra minha lista de séries favoritas e quando terminou eu entrei numa DPS (Depressão Pós Seriado) e me senti orfã. No começo do ano, li algumas notícias informando que supostamente a série poderia virar um filme e estou torcendo pra que isso se concretize. Pra quem ama histórias da aristocracia inglesa, Dowmton Abbey é um prato cheio.

Call The Midwife

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Call the Midwife é uma série de televisão britânica criada por Heidi Thomas, baseada nas memórias de Jennifer Worth no leste de Londres em 1950 que conta a vida das parteiras que viviam e trabalhavam naquela época.

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Logo depois que fiquei “orfã” de Downton Abbey, comecei a procurar por outro seriado que fosse na mesma linha britânica pra assistir. Quando li a sinopse dessa eu não achei muita graça pra falar a verdade, mas quando comecei a assistir me apaixonei logo no primeiro episódio. Call the Midwife é uma série fantástica e o mais legal é que absolutamente TO-DO episódio você tira alguma lição. A narrativa é incrível e a trilha sonora também não fica atrás. Por enquanto são 5 temporadas e eu estou aguardando a 6 que está prevista para janeiro de 2017.

Outlander

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“Claire Randall (Caitriona Balfe) é uma enfermeira em combate em 1945. Ela é misteriosamente transportada através do tempo e mandada para 1743, e sua vida passa a correr riscos que ela desconhece. Forçada a se casar com Jamie Fraser (Sam Heughan), um cortês e nobre guerreiro escocês. Um relacionamento apaixonado se acende, e deixa o coração de Claire dividido entre dois homens completamente diferentes, em duas vidas que não podem ser conciliadas.” (Adoro Cinema)

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Embora seja uma história baseada nos livros de uma escritora americana, a história é toda britânica. Se você quer um seriado britânico com menos temporadas, Outlander é uma boa opção porque por enquanto só tem duas e eu terminei de assistir a primeira neste final de semana. Quando começou eu não tinha me encantado muito, mas agora já estou completamente envolvida com a história, é o tipo de seriado que você quer sempre ver o próximo episódio pra saber o que vai acontecer. A fotografia é maravilhosa, os atores são ótimos e a história tem muitos momentos emocionantes, alguns violentos, outros engraçados e várias cenas picantes protagonizadas pelo casal Jamie e Claire. Pelo pé que terminou a primeira temporada, a segunda com certeza terá muitas reviravoltas, e pretendo começar a ver ainda essa semana. Devo mencionar a música de abertura também, que é linda!

The Crown

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“The Crown é uma série de TV anglo-americana criada e escrita por Peter Morgan para a Netflix. A série é uma história biográfica sobre a família real do Reino Unido. A primeira temporada, que estreou em 4 de novembro de 2016, está disponível com 10 episódios. The Crown, o drama mais caro já produzido pela empresa de streaming Netflix e o primeiro a ser realizado no Reino Unido, irá traçar a vida da Rainha Elizabeth II do Reino Unido a partir de seu casamento em 1947 até os dias atuais.” (wikipédia)

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Mesmo sendo baseada em fatos reais sobre a vida da Rainha, The Crown não é necessariamente uma série histórica feita ao estilo de documentário. Muito pelo contrário, a trama é recheada de fatos emocionantes e abordagens bem complexas aonde muito se vê a Elisabeth mulher/irmã/mãe e a Elisabeth Rainha. É muito bom pra entender também como funciona a sucessão de tronos na monarquia, eu tinha um pouco de duvidas em relação aos Reis antes da Rainha, mas pra quem assistiu O Discurso do Rei, A Rainha (produção do Peter Morgan também) ou W.E. em The Crown fica claro saber quem é quem na linhagem real. Por enquanto só tem uma temporada porque estreou semanas atrás e eu terminei ontem de assistir a primeira. A fotografia e a produção desse seriado está fantástica e também não é a toa que isso tenha custado 130 milhões ehehehe, mas a forma como é contada é incrível, emocionante e envolvente. Netflix nunca decepciona. Sem contar os atores que são brilhantes e entre eles preciso mencionar John Lithgow que faz Winston Churchill e que está exatamente tão igual ao primeiro ministro que chega a ser assustador. Mesmo com alguns momentos em que se mostra o passado da Rainha ainda quando criança, a história mesmo começa em 1947, logo após a Segunda Guerra em que ela se casa com Phillip e logo em seguida assume o trono. Segundo li, obviamente a história seguirá uma cronologia e terá umas 6 temporadas que com certeza vou amar assistir todas.