Posts marcados na categoria Veganismo

16 maio, 2018

Sobre produtos de beleza veganos

Já expliquei aqui, que o veganismo não é somente o que você come, que envolve muitas outras coisas que impactam diretamente ou indiretamente na sua vida e que, aos poucos, substituindo algumas coisas, também é possível fazer uso de produtos que não sejam nada de origem animal e nem testados em animais. As vezes isso é fácil, mas nem sempre é.

De produtos de higiene pessoal, cosméticos e maquiagem eu diria que já consegui mudar uns 80% dessas coisas que eu consumo pra produtos 100% veganos. Mas o veganismo é um processo lento, não se muda da noite pro dia e isso significa que faz parte se enganar, afinal de contas, tem muita coisa que nem sempre (ou quase sempre) a informação do rótulo é realmente clara. Há um outro porém também: Muitas vezes entramos num impasse difícil porque como deixar de tomar determinado remédio que sua saúde precisa, mas que o laboratório faz teste em animais? Como mudar de marca de shampoo se você, na sua cidade, nunca encontra e quando encontra é uma marca vegana extremamente cara que vai pesar no bolso?

Nem todo mundo tem acesso a informação fácil ou tempo de ficar pesquisando todos os componentes de um produto pra descobrir se aquilo tem ou não alguma origem animal e tá tudo bem sabe, porque um dos princípios do veganismo é fazer tudo aquilo que está AO NOSSO ALCANCE para minimizar ao máximo a exploração animal e isso quer dizer que muitas vezes também iremos falhar simplesmente porque nem tudo depende só da nossa escolha.

Isso não quer dizer que estamos “traindo o movimento” daquilo que acreditamos. Quer dizer que não vivemos todos da mesma maneira e que temos a obrigação SIM (bem como qualquer um – vegano ou não) de respeitar o espaço e o tempo de cada um. Ninguém nesse mundo se tornou vegano de uma hora pra outra. E nem todos vão adotar isso pra vida.

Quando eu disse que já consegui mudar 80% dos produtos de beleza e higiene pessoal pra veganos, quer dizer que os outros 20% que eu ainda não consegui é porque existem uma série de motivos contras no meio: ou a troca seria cara demais e inviável ao meu bolso ou eu ainda não encontrei o produto ou simplesmente ainda não existe. Por exemplo: Desodorantes. Eu faço uma mistura de leite de magnésio + leite de rosas e essência de lavanda, acontece que em dias muito quentes e quando treino bastante na academia, essa criação mais natural que faço, não segura 100% e eu tenho que apelar pra um desodorante creminho que tenho em casa. É isso ou ficar fedendo. Sei que a Davene tem a linha de desodorante Corpo a Corpo e uma outra marca chamada Red Apple que não tem nada de origem animal, mas quem disse que eu acho esses benditos pra comprar? Percebem os por menores que isso implica? Em todo caso sigo procurando e tentando outras opções (a receita creme com óleo de coco não deu certo).

Em compensação eu já consegui substituir minhas maquiagens e produtos pra cabelo que encontro com facilidade e por um preço que não custe o valor do meu rim, as empresas estão (finalmente) se ligando disso e aos poucos linhas e mais linhas veganas estão surgindo no mercado. Como eu disse: aos poucos. Isso não acontece da noite pro dia. Mas já é um passo. Lembrando que estou apenas falando de PRODUTOS veganos e não MARCAS veganas, ok?

Enfim… Escrevi esse post hoje porque com tudo isso, eu estou aprendendo a escolher melhor tudo aquilo que consumo, me informo melhor quando uma duvida surge e assim também posso passar adiante tudo aquilo que descubro pra conscientização do próximo. O mundo já é radical o bastante com muitas outras coisas e radilismo gera ódio, a gente não precisa e nem deve, fazer o mesmo com o veganismo, não é? Pra terminar vou deixar alguns sites aqui que tem bastante informação sobre produtos e composições:

PEA
Vegan.Org
Peta
Anda
Sociedade Vegetariana Brasileira
Vegan Society

Aplicativos:

Animal Free
Bunny Free App
Happy Cow
Veg Safe

05 fev, 2018

É possível ser 100% vegano?

Em primeiro lugar é muito difícil por uma régua pra ficar medindo a porcentagem de um meio de vida que abrange tantas coisas e que nos afetam de uma forma direta e indireta. É óbvio que no mundo que vivemos hoje, olhando de cima e como um todo, é impossível ser ESSE 100% vegano: produzimos lixo, geramos poluição, consumimos produtos veganos que compramos em supermercados que também vendem produtos de origem animal, tomamos os remédios que precisamos e que muitas vezes faz teste em animais, então essa é uma independência que infelizmente ainda não existe, mas não quer dizer que não se é menos ou mais vegano por isso. Esse é também um dos questionamentos que ouvimos de pessoas que não são veganas e muitas vezes esses questionamentos, são feitos como se tudo isso tivesse que ser colocado no preto ou branco, no oito ou oitenta, sem um meio termo e não é assim que as coisas funcionam, aliás, alguns veganos que se acham os salvadores do mundo também colocam as coisas dessa forma, mas isso será pauta pra um outro post.

Primeiro vamos checar: O QUE É VEGANISMO?
O termo Vegan foi criado em 1944 por Donald Watson – secretário da Sociedade Vegetariana de Leicester, por definição, o veganismo, transcrevendo exatamente as mesmas palavras de Donald, é: “uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade.”

“na medida do possível e do praticável”

Nem tudo e acredito que na verdade – a grande maioria das coisas, está ao nosso alcance, mas isso não quer dizer que não estamos fazendo nada. Veganismo é acima de tudo: a conscientização, a compaixão e como o próprio termo define e vou salientar mais uma vez: “Na medida do possível e do praticável”. Portanto, o ponto central de tudo, não é ficar medindo com a régua o quanto se é vegano ou não, isso não existe! Mas sim fazer e praticar o que está ao nosso alcance e o máximo que pudermos, buscando sempre a evolução e fazendo o nosso melhor para um mundo aonde, quem sabe um dia, não utilize mais nenhum tipo de exploração animal. 🙂

Pra complementar deixo um vídeo bem curtinho, mas muito explicativo sobre esse assunto. No vídeo, o rapaz diz de uma forma muito clara e honesta que dá sim pra ser 100% vegano:

18 jan, 2018

Minha saúde sendo vegana

Quando comecei a falar aqui no blog sobre minha transição para o veganismo eu prometi que quando passasse por uma nutricionista e tivesse uma avaliação concreta sobre a minha saúde, eu contaria tudo aqui no blog. Pois bem, no começo de dezembro eu passei em consulta com a nutricionista Carina Amorim. A Cá é especializada em nutrição voltada ao esporte e obviamente, como uma boa profissional que é, também atende os veganos que praticam esportes e que segundo ela: são muitos os que ela cuida.

Fiz um hemograma completo, tão completo que tive que fazer esse exame deitada na maca porque me drenaram 25 tubinhos de sangue, foi um exame pra literalmente me mapear dos pés a cabeça, nunca tinha feito algo tão completo assim e durante esse período de dezembro + festas e começo de janeiro, ela me passou um plano alimentar que nem vou chamar de dieta, mesmo porque, não é nada de tãooo diferente do que já comia, porém com algumas adequações, pois pela bioimpedância, minha massa muscular estava um pouco baixa.

Vale lembrar que (óbvio) eu não como nada de origem animal: nem ovos, leite ou derivados e carne muito menos. Aliás, aqui cabe uma ressalva: muito raramente eu escorrego no queijo quando basicamente não tem muito pra onde fugir (e as vezes não tem mesmo), de qualquer forma, eu parei de comprar queijos em casa e quando posso, evito ao máximo, por isso que eu ainda chamo a minha situação de processo para o veganismo. Durante esse tempo de festas, também teve o recesso da academia e fiquei um pouco mais de tempo sem treinar e correr… Bem… Eu preciso tomar vergonha na cara pra voltar a correr como antes, dei uma relaxada nisso. Enfim… Ontem foi o retorno com a nutri, levei meu hemograma, fizemos novamente a bioimpedância e vou dizer: estou feliz e até surpresa!

Ela ficou maravilhada com meu exame porque segundo as palavras dela: minha saúde está perfeita e redondinha, principalmente pra uma pessoa como eu que não consome nada de origem animal. Colesterol, tireoide, glicemia, hormônios, tudo perfeito!! Inclusive, aumentei bem o percentual MASSA MAGRA e diminui o percentual de gordura. E isso SÓ na base uma alimentação saudável sem nada de origem animal, então, acho que isso já responde a famigerada pergunta que todo mundo faz para os veganos:

Mas e as proteínas?

Dito isso, só vou precisar suplementar a B12 (que eu já sabia), aliás, preciso dizer: o Ricardo TAMBÉM vai ter que repor a B12 e ele COME CARNE, ou seja amores, isso não é uma ‘exclusividade’ de veganos! E vou ter que suplementar a vitamina D também que já tive deficiência dessa há uns anos atrás e como eu sou do tipo vampiro que foge do sol, eu já estava suspeitando que talvez precisasse repor essa vitamina mesmo e tudo bem.

No mais, eu estou até pensando em enquadrar esse hemograma pra esfregar na cara de quem fala que é impossível ser vegano E saudável, que é impossível seguir uma vida livre de crueldade animal porque precisamos da carne e dos derivados ou a famosa: que é impossível obter massa magra sem comer carne. A gente ouve diversas críticas e achismos quando decide ir para o veganismo, mas se você estivesse comendo um quilo de cigarros ninguém falaria absolutamente nada. É fato! Então tem muita gente que é pela implicância mesmo e eu não sei porque uma decisão individual incomoda tanto as pessoas, mas é nessas que você aprende a ver em quem se importa mesmo com você e quem só quer te xoxar.

Sempre disse que vegetarianismo/veganismo tem que ser uma decisão pessoal de cada um, afinal de contas, você está mudando algo que fez por boa parte da sua vida, além é claro, de todos os outros pontos que o veganismo engloba e que não se trata só de alimentação. Pra mim, tudo isso só reforça o que eu já sabia: que é possível SIM ser saudável livre de crueldade e reforça mais ainda quando penso que tomei uma das melhores decisões da minha vida. #GoVegan

22 nov, 2017

Pão vegano de cebola

Essa receita tá rolando bastante nos grupos vegans e já tinha um tempo que eu estava querendo fazer, domingo eu e o Rick resolvemos botar a mão na massa e o resultado foi um pão de cebola que cresceu bastante, ficou hiper macio e muito, muito gostoso. O melhor de tudo: sem ovo ou leite. Nada mesmo de origem animal, o que deixou a receita ainda mais gostosa. Segue a receita, essa eu peguei no Vegemarian, mas no grupo Ogros Veganos do Facebook a galera posta direto essa receita também:

Pão de Cebola

1 xícara de água
1/2 xícara de óleo
1 cebola média
4 colheres de sopa de açúcar
1 pacote (10 g) de fermento biológico seco
1 colher de sobremesa rasa de sal
Farinha de trigo até a massa começar a soltar das mãos (um usei quase um pacote de 1 quilo de farinha, usei uma marca italiana que encontrei no mercado porque eu sou afrescalhada mesmo, mas pode ser qualquer uma da preferência de cada um)
Molho de tomate para pincelar

Adicione o fermento a uma tigela grande e reserve. Bata bem no liquidificador o óleo, a água, a cebola picada, o sal e o açúcar, despeje essa mistura na tigela onde está o fermento. Misture bem e deixe descansar por 10 minutos.
Depois do descanso adicione a farinha aos poucos até obter uma massa macia e homogênea, adicione farinha até a massa desgrudar das mãos.

Sove a massa por cerca de 8-10 minutos e deixe descansar coberta com um pano úmido por cerca de 1 hora. Após o descanso sove levemente a massa e modele o pão ou os pães da forma que desejar e adicione a uma assadeira untada, cubra e deixe descansar novamente por cerca de 1 hora ou até a massa dobrar de tamanho.
Pré aqueça o forno a 200 graus.

Gente, é sério: FAÇAM!!! Ficou muito gostoso e macio, vou fazer novamente pro natal!

01 nov, 2017

Dia Mundial do Veganismo

Não ia deixar esse dia passar em branco aqui no blog porque foi uma das melhores decisões da minha vida. Sempre que falo em veganismo, eu lembro em primeiro lugar desse vídeo porque me identifico TOTALMENTE com ele e fico feliz por fazer parte dessa revolução:

Ser vegano não é fazer dieta, veganismo não está só relacionado apenas a comida, vai muito, muito mais além… Vou aproveitar esse post pra deixar algumas das milhões informações importantes sobre esse assunto:

Vegetarianos e Veganos. Quais as diferenças? Essa tabela feita pelo Vista-se ilustra de uma forma bem simplificada isso, mas é só pesquisar no Google pra ter mais informações detalhadas:

Piadinhas, tirações de sarro e chacotas com quem é vegano: Não, não é engraçado. Rimos por educação, mas a vontade mesmo é de dar as costas e sair andando. Eu já fiz isso anos atrás, não vou negar, mas só quando se coloca no lugar do outro é que a gente percebe que não tem graça nenhuma. Tem quem não aceita essas piadas e aí retruca e aí gera discussão e aí os veganos são rotulados de chatos. É de cada um, sabe? Eu realmente não ligo, de verdade, mas também não acho graça alguma.

Questionamentos. São milhões e garanto que pra todos eles há pelo menos uma resposta boa, o que mais se ouve é a famigerada pergunta: “mas e as proteínas?” como se por um momento todo mundo fosse o expert em nutrição, este vídeo é um dos montes que existem no Youtube respondendo especificamente a esse tema e desde já adianto que não se encontra proteína só na carne:

Sobre conselhos/comentários/achismos. Dispenso. De verdade, dispenso forte. Tirando é claro que se em algum momento eu solicitei a opinião sobre, aí ok. E digo o porquê: Geralmente essas coisas quase sempre vem disfarçadas de arrogância e isso sim me incomoda bastante. E em tão poucos meses nesse meu processo pro veganismo eu já ouvi umas merdas bem cabulosas, mas por sorte, tenho 100% do apoio das pessoas mais importantes da minha vida. Então, hoje em dia funciona assim: se eu não perguntei, eu também dispenso o “eu só acho que…” 

Veganismo não é impossível. Veganismo é uma escolha individual, mas que te faz pensar no próximo, você pode não querer pra você ou não concordar, mas tem que respeitar e acredite: não procuramos conselhos dos outros (principalmente de quem não é). Só o respeitinho mesmo.

Sempre é bom procurar um nutricionista, inclusive quem come carne também. Deficiência de vitamina não está necessariamente ligada ao não comer carne, leite ou derivados, na verdade tudo é questão de adequação da alimentação pra comer certo, viver bem e isso é totalmente diferente. Existem pessoas que possuem deficiência de alguma vitamina, que são anêmicas (e nem sabem) mesmo comendo carne, ovos e leite, então dizer que vegano não come bem ou que não é saudável, não é nem argumento e isso já foi mais do que provado.

Ser vegano é caro? Nunca!!! Falo por mim, estamos economizando muito mais no mercado do que quando eu consumia carne. Sim, o paladar melhora e tanto fisicamente como mentalmente, me sinto muito bem, já disse isso aqui. Cortei definitivamente o leite, troquei pelo vegetal e sabe o que aconteceu? Nunca mais tive rinite alérgica.

Teste em animais, roupas de couro ou qualquer outra coisa que seja de origem animal: as vezes é muito difícil escolher um produto livre de crueldade, ou seja, que não tenha nada de origem animal ou que não seja testado em animais… Hoje em dia já existem diversas empresas que estão se conscientizando disso, mas muitas ainda não deixam isso claro em seus rótulos, com o tempo você vai aprendendo a identificar melhor isso.

Quer saber mais a respeito? Esse post do Veganize indica 13 documentários sobre o veganismo que são esclarecedores, principalmente porque alguns mostram sem rodeios, de como é o processo cruel de abate dos animais pra carne chegar ao seu prato. E não só a carne, mas leite e ovos também. Eu já assisti alguns deles, mas não todos, alguns são realmente pesados porque a verdade nua e crua é jogada na sua cara.

Essa foi a minha contribuição para o dia de hoje que acho que pelo menos vale uma reflexão.

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhores com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que não estamos contribuindo para o sofrimento deles.” – Paul McCartney

26 out, 2017

Receita: Pão de “queijo” vegano

Gostem ou não, daqui pra frente todas receitas que aparecem neste blog serão VEGANAS e pelos motivos óbvios que não preciso explicar. Quem diz que vegano tem opções muito restritas do que comer, não sabe o que está falando e não sabe principalmente das descobertas maravilhosas que se tem quando se adota o veganismo pra vida. A gente descobre coisas novas, sabores e ideias. Semana atrás eu ganhei um livro maravilhoso da Lia com mais de 150 receitas, TODAS VEGANAS:

Já fiz algumas receitas do livro que além de deliciosas são super fáceis e ontem a Luciana me passou uma receita de pão de beijo, mais conhecida como pão de “queijo” vegano. Eu já estava com a ideia de fazer, mas a Lu (que é mineira e não vegana) passou pra mim e eu fiquei morrendo de vontade quando ela ainda me disse que ficava uma delícia, ou seja, se uma MINEIRA disse que o pão de queijo vegano fica super gostoso, então pode confiar.

Vamos a receita:

INGREDIENTES
– 5 ou 6 mandioquinhas (conhecida também como batata baroa) médias
– 4 xícaras de chá de polvilho doce
– 1 xícara de chá de polvilho azedo
– 1 xícara de chá de óleo de coco bem quente (pode substituir por azeite extravirgem de oliva)
– 1 xícara e 1/2 de chá de água bem quente

Sal a gosto.

MODO DE PREPARO
Cozinhe a mandioquinha e, depois, amasse bem para formar um purê. Misture esse purê com os polvilhos e o sal. Acrescente aos poucos o óleo e continue misturando. Por último, acrescente a água. Misture tudo até conseguir uma massa homogênea. Faça bolinhas pequenas com as mãos (a massa não gruda nas mãos). Preaqueça o forno e asse em forno baixo/médio (aproximadamente 180º) por mais ou menos 40 minutos.

O resultado é um pão crocante por fora e macio por dentro, sabor MELHOR que pão de queijo:

Ficou muito gostoso, porém, numa próxima eu vou fazer algumas adaptações: colocar menos óleo de coco ou testar com azeite, mas menos que uma xícara, o sabor do óleo de coco sobressai um pouquinho. Ao invés de 4 xícaras do polvilho doce e 1 do azedo eu faria 2/2. É o azedo que dá aquele saborzinho mais marcante ao pão de queijo, veremos como será na próxima. Mas o melhor de tudo, além de gostoso, é essa receita ser zero crueldade animal: nada de leite, ovos e queijo. Temperinhos secos casam muito bem. Inhame e batata doce no lugar da mandioquinha também deve ficar bom. Ótimo acompanhamento pra um café da manhã/tarde ou pra receber as visitas.

19 set, 2017

meu processo para o veganismo até o momento

4 meses sem nenhum tipo de carne animal e agora estou no processo do vegetarianismo para o veganismo, ou seja, não só a carne, mas nada de origem animal (leite, laticínios, ovos) também. Há também muito do que você veste e consome: couro, cosméticos, maquiagens testados em animais e algumas pequenas mudanças eu já fiz nisso também, porém, essa parte será pauta pra um outro post. Leite ainda não cortei totalmente, mas diminui MUITO principalmente depois que descobri da ligação do leite e laticínios com a rinite alérgica, uso o leite mais em receitas (e pra terminar logo as caixas que ainda tenho em casa) e mesmo assim substituo sempre que posso porque também aprendi a fazer vários leites vegetais, até o momento o que mais estou consumindo e gostando é o leite de aveia: fácil de fazer e delicioso.

Ovo eu nem lembro da ultima vez que consumi, seja pra mim ou cozinhado algum prato. Nas minhas pesquisas descobri que a banana é um ótimo substituto do ovo nas receitas, além de muitos outros ingredientes e dá super certo mesmo. Queijos eu evito ao máximo (acho que esse será o mais difícil pra mim), mas como disse, veja bem, eu sou uma vegetariana que está em processo para o veganismo.

Fisicamente me sinto ótima. Não sinto cansaço e nenhum tipo de fadiga ou desanimo, principalmente quando corro ou estou na academia, posso dizer que meu rendimento até melhorou. Não tive mais aquele inchaço que tanto me incomodava e minhas refeições tem sido maravilhosas porque antes era basicamente uma proteína animal + salada na janta, sendo que no almoço era a mesma coisa só que aí eu acrescentava um carbo. Em casa, todos nos dias na janta, tem ao menos umas 3 coisas diferentes no meu prato, descubro sempre receitas deliciosas e fazer a minha própria comida com nada de origem animal e nada industrializado (muito embora eu já evite isso há muitos anos) tem sido algo tão prazeroso que, chega a ser uma terapia pra mim.

Psicologicamente/Espiritualmente digo e afirmo de todo coração que não sinto vontade de comer carne, de verdade, não sinto mesmo. Acredito que em parte isso se deve ao fato de eu estar comendo melhor, com uma gama enorme de variedades de alimentos e também porque foi mais fácil do que eu pensava. Aos poucos é como se meu cérebro fosse acostumando o meu corpo a não aceitar mais as coisas de origem animal, sei que não é uma “mágica” que acontece do dia pra noite, é um processo gradual de descobrimento e também de muitas verdades que o Veganisno joga na sua cara – verdades essas que no passado eram simplesmente ignoradas, mas penso nisso como um despertar pra um novo começo e isso tem me trazido muita paz e a certeza de que fiz uma das melhores escolhas pra minha vida.

O vídeo a seguir mostra muito do que sinto e estou vivendo em relação ao veganismo. O difícil não é adequar a alimentação, mas muitas vezes lidar com o lado sombrio das pessoas quando te criticam ou fazem chacota sobre suas escolhas, nessas horas o melhor mesmo é a resiliência, o respirar fundo e o deixar pra lá, até mesmo porque eu já sabia desse revés no caminho, mas sei que faz parte… (muito embora eu preciso dizer: tive muito apoio de pessoas mais próximas a mim: marido, pais, amigos mais chegados e considero isso como uma grande sorte)

P.S. Ainda não passei com uma nutri, mas pretendo muito em breve fazer isso e já tenho algumas boas indicações de nutricionistas especializadas em alimentação vegana, contarei tudo. Ah! E não esqueci os posts sobre o Atacama também, be patient.

03 ago, 2017

Por que parei de comer carne?

Primeiro de tudo tenho que dizer: este post é um relato totalmente pessoal. Escrito a partir das MINHAS experiências e vivências, então isso significa que em nenhum momento a ideia aqui é impor, criticar, militar ou dizer o que é certo ou errado pra alguém. Portanto não sou parâmetro pra nada, afinal, a ideia é única e exclusivamente contribuir os meus 25 centavos e dividir com vocês a minha história.

Já tem mais de um ano que eu não como carne vermelha no jantar: primeiro porque carne vermelha leva muito tempo pro estômago digerir (cerca de 3 dias) e como minha janta costuma sempre ser depois das 20 horas (ou seja, já meio tarde) eu resolvi optar por algo mais leve; então eu comia uma salada bem farta, as vezes acompanhada com algum carbo e sempre com alguma carne branca (frango ou peixe). Segundo motivo é que estava me sentindo muito pesada/inchada e não saciada totalmente ao comer carne vermelha a noite: uma hora depois eu já estava com fome de novo. Acontece que depois de um tempo começou acontecer a mesma coisa no almoço: inchaço, não saciava e enjoo (eu ficava “conversando” com aquele pedaço de carne no estômago o resto do dia) e de repente não estava me apetecendo mais. De repente eu vi que estava deixando de escolher carne vermelha pra escolher alguma carne branca pra comer. Até aí, nada de muito diferente. Mas depois de um tempo, o mesmo começou a acontecer com frango, peixe (inclusive com os temakis e comida japa que tanto amo) e porco (que já muito raramente eu comia).

Lisa me representando nessa mudança.

Tentei persistir, mesmo ainda com todo aquele combo de mal estar que já mencionei acima e não deu muito certo. Se eu ia a um restaurante ou eu escolhia alguma opção sem carne ou quando muito pegava um pedacinho de carne no self-service que depois sempre acabava sobrando no meu prato. Em casa a mesma coisa, todo dia era: “não estou afim de comer carne hoje.” Foi nessa transição-não-programada que eu comecei a perceber que ficar sem a carne não ia ser um problema pra mim, muito pelo contrário, ia ser um problema se eu continuasse a comer porque, acima de tudo, eu penso que a comida está associada ao prazer e bem estar… Se você não está satisfeito com uma coisa: você muda pra outra, simples assim. E isso foi algo que eu cuspi pro alto e caiu bem na minha testa, devo mencionar porque né… Até alguns anos atrás eu dizia que era incapaz de viver sem carne e não entendia como é que um vegetariano/vegano consegue ficar sem consumir uma das proteínas mais gostosas que existe. Mas temos aí uma liçãozinha nesse ponto: nada (ou quase nada, talvez?) perpetua pra sempre, especialmente quando se trata de hábitos.

E veja bem, foi aí que eu resolvi ir parando… E não por ‘moda’ ou influência de alguém, mas porque realmente comecei a ficar saturada desse tipo de alimento. E aí as coisas mudam: os hábitos, os gostos, as preferências, as crenças, a visão sobre as coisas, o mundo… TUDO! Hoje a gente vê muito sobre sustentabilidade, alimentos orgânicos, o impacto no ambiente de algumas práticas do homem, mudanças de hábitos, qualidade de vida, mas isso é assunto pra um outro post. Comecei a ler muitos artigos sobre vegetarianismo/veganismo e obviamente as questões dos animais e todas as outras que envolvem essa escolha pra vida, também tiveram um grande peso pra mim, é óbvio que tiveram. Entrei em grupos vegans no FB e comecei a buscar uma série de receitas que fazendo em casa, descobri um mundo inteiro de coisas gostosas pra comer que substituíram a carne de uma maneira tão positiva que eu nem imaginava. E fiquei feliz por isso porque achei que seria bem mais difícil. E minha ideia é exatamente essa: se não vou comer carne, que pelo menos eu faça meu alimento e evite ao máximo os ultra processados e industrializados (algo que já faço há tempos). Se comer é um prazer, fazer a própria comida também é. E isso me fez um bem danado: comecei a me sentir saciada, no sentido de alimentada e não cheia. Não sinto mais fome logo depois de ter almoçado ou jantado, me sinto bem menos inchada também (muito em parte porque eu sempre fui de reter líquido, principalmente no período menstrual) e isso simplesmente acabou. Me sinto mais leve, e posso dizer que espiritualmente também estou leve com minha consciência.

Se me perguntam: “Nossa (nossa = credo) mas você virou vegana?” Eu digo que (ainda) não. Eu diria que estou na fase de Ovo Lacto Vegetariano, ou seja: não consome carne, mas consome leite, ovo e derivados. Vegan envolve muitas outras coisas além da comida. Não é uma transição que acontece da noite pro dia, mesmo porque não é algo fácil tirar o que se comeu uma vida inteira, mas não é impossível e muito menos um bicho de sete cabeças. Você precisa se questionar, se perguntar, se informar, ler bastante e ter em mente se é isso mesmo que você realmente quer. É uma coisa muito particular, entende? Comigo eu posso dizer que foi até meio fácil, o começo de tudo foi porque simplesmente meu corpo começou a não aceitar mais a carne no organismo, mas eu ainda consumo leite (que eu gosto de verdade), queijo, ovos (bem raramente), então tudo precisa ser de uma forma gradual pro seu corpo ir se acostumando e pro psicológico também ir se adaptando, está tudo ligado. Conversando outro dia com um amigo vegetariano, ele me disse: “Ju, se minha experiência pode servir pra alguma coisa, te digo: só pare com aquilo que vc não se sente bem ao comer. Se vc gosta e não te prejudica, mande bala!”

E é basicamente isso!

Mas e as proteínas? E a vitamina B-12? Por eu me exercitar bastante e correr também, obviamente eu preciso de todos os nutrientes necessários e saber consumi-los pra não ter nenhuma deficiência de alguma vitamina, é primordial. Eu vou passar com uma nutricionista em breve pra fazer um hemograma completo e conhecer o que posso substituir, adaptar, suplementar, enfim… Nem vou entrar em detalhes sobre essa parte porque eu não sou nutricionista e porque ainda não passei com uma, então não vou escrever sobre aquilo que não tenho conhecimento e cada pessoa é um caso diferente, né? Mas pretendo contar aqui também essa fase.

Essas são apenas algumas das minhas comidinhas durante esse período, tem todas as receitas e dicas de lugares no meu Instagram, passa lá pra dar uma olhada:

É isso. Acima de tudo, acima inclusive de qualquer bandeira que isso representa, é uma ESCOLHA minha e estou bem feliz e em paz com essa decisão. 🙂