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24 abr, 2018

Livro: Persuasão – Jane Austen

“O enredo gira em torno de Anne Elliot, filha de Sir Walter Elliot, um vaidoso e esnobe baronete. No passado, Anne apaixonara-se por Frederick Wentworth, que, embora belo, inteligente e ambicioso, não tinha tradições ou conexões familiares importantes – e assim Anne fora persuadida pela família a romper com ele. Em 1815, momento em que se passam os eventos narrados no livro, a boa, generosa e sensível Anne Elliot continua solteira, mas agora, aos 27 anos, pensa com mais autonomia e maturidade. Agora, também, a situação financeira de Sir Walter Elliot é desfavorável, e ele se vê obrigado a alugar a propriedade da família. Por força do destino, o novo ocupante da residência é cunhado de Wentworth. Quase oito anos após o rompimento, Anne se verá novamente convivendo com seu grande amor, agora um capitão da Marinha, e reflexões, conjunturas e arrependimentos serão inevitáveis. Anne e Frederick se redescobrem apaixonados, e renovam o compromisso de casamento. Com o mesmo texto leve e envolvente – mas irônico e perspicaz – que a caracteriza, Austen faz aqui uma crítica à vaidade típica da sociedade inglesa do início do século XIX, ao mesmo tempo em que enfoca o tema do casamento, quase onipresente em seus escritos.”

Persuasão é o quarto livro que li de Jane Austen e depois de Orgulho e Preconceito, foi o segundo que mais gostei da autora. Jane Austen é imortal, longe de ser uma escritora água com açúcar, apesar do contexto de suas histórias, suas obras são de uma peculiaridade única. Persuasão foi o seu ultimo romance acabado, mas infelizmente, Jane não viveu a tempo de ser publicado. A heroína da vez é Anne Elliott e é impossível não gostar dela. Já sua família não se pode dizer o mesmo, sua mãe já falecida, Anne é filha de sir Walter e tem mais duas irmãs: Elisabeth e Mary. Sir Walter é um egocêntrico que não passa de um baronete falido, Elisabeth é a mesquinha que só pensa em condição social e Mary (que é a única casada) é a umbiguista da família.

Mas a história mesmo gira em torno do amor interrompido de Anne Elliot e Frederick Wentworth que foi persuadido pela amiga de Anne – Lady Russel, justamente porque na época, aos olhos da amiga, ele não tinha nada para oferecer a Anne (lembrando que praticamente todos os casamentos nessa época eram arranjados de acordo com a quantidade de dinheiro). Oito anos depois Frederick Wentworth volta como Capitão Wentworth: financeiramente mais abastado, mas também muito ressentido e, é aí que tudo começa a se desenrolar. Apesar de toda a simplicidade do contexto, a história vai se tornando cada vez mais inquietante ao leitor, você não sabe muito bem o que esperar. Persuasão é o tipo de livro que o final não é exatamente o importante, mas sim as situações que acontecem ao longo da história.

Jane Austen como sempre faz críticas a sociedade daquela época, sobretudo as mulheres e aos costumes com aquela pitada de sarcasmo tão típico da autora. Vai ganhar 5/5 xícaras:

“Não admito que seja da natureza masculina mais do que da feminina ser inconstante e esquecer quem se ama, ou quem já se amou. Acredito no contrário. Acredito que uma verdadeira analogia entre nossas estruturas físicas e mentais; e acho que quando nossos corpos são mais fortes, o mesmo se dá com os sentimentos; estes são capazes de suportar os tratamentos mais rudes, e de enfrentar os mais árduos climas.”

27 mar, 2018

Livro: Emma – Jane Austen

“Emma Woodhouse é uma mulher rica e aparentemente esnobe, mas no fundo, sua maior ambição na vida é ver os outros felizes. Quando decide que tem o talento para formar novos casais, passa a trabalhar de cupido na pequena aldeia inglesa de Hartfield. Emma foca suas atenções em Harriet Smith e, em meio à busca de pretendentes para a amiga, se mete em diversas confusões, sempre resgatada pelo amigo, o cavalheiro sr. Knightley.”

Antes de começar a minha resenha do livro, eu preciso mostrar esse presente maravilhoso que ganhei de aniversário do meu amigo Fred e da Tininha, olha que coisa mais linda, agora eu tenho uma Jane Austen pra chamar de minha:

Emma é o terceiro livro de Jane Austen que li. Apesar de serem os mesmos moldes das outras histórias de Jane Austen que envolve amor, casamento, drama e muito romance (e que eu amo de paixão), Emma é uma personagem um tanto quanto peculiar neste livro. Órfã de mãe, rica e decidida a nunca se casar com ninguém, Emma tem sua vida dedicada a cuidar do pai e a achar que tem o dom de conhecer todos os corações alheios, mas na verdade ela nem conhece o seu próprio. É uma personagem do bem, mas é mimada e egocêntrica a ponto de sempre querer ser a cupido casamenteira de todos e que acha que sempre está certa em tudo. Isso por um lado pode-se pensar que ao ajudar ser o cupido de alguém, seja na verdade, uma característica de uma pessoa altruísta, mas a real é que Emma é uma pessoa que só pensa nela mesma. Uma das características dos livros de Jane Austen, além de personagens principalmente de figuras femininas fortes, é perceber também como ter posses e terras significava absolutamente tudo naquela época e por isso se vê muito preconceito e pré julgamentos com as classes menos favorecidas, muitas atitudes mesquinhas e pessoas invejosas que só vivem de aparências (eu tinha vontade de dar um sacode na Sra. Elton cada vez que ela falava de Maple Grove ahahahha).

Emma apesar de ser a protagonista, não foi a minha personagem favorita. Em muitos momentos dá pra ter uma profunda birra por ela, mas no final, ela amadurece muito, reconhece seus erros e enxerga finalmente que por mais que ao seu ver fossem boas intenções, sua ajuda com algumas pessoas, só serviu pra atrapalhar. Mesmo assim, apesar de tudo, o desfecho da história tem um final feliz para todos e pra ela também, que merece, afinal de contas. Veja bem, Emma não é uma personagem má, longe disso, mas não é uma personagem forte e tão decidida como é Elizabeth Bennet ou Elinor Dashwood de outras histórias de Austen. Assim como nos outros livros de Jane Austen, há uma infinidade de personagens nesse também, meus preferidos foram: Mr. Knightley (disparado), o casal Weston, Harriet, Jane Fairfax, Frank Churchill… É um livro gostoso de ler, atemporal e encantador, mesmo que em alguns momentos seja um pouquinho maçante, pra mim, foi mais uma história de Jane Austen incrivelmente prazerosa. 5/5 xícaras:

05 mar, 2018

Livro: Razão e Sensibilidade

Após a morte de Henry Dashwood, sua esposa e filhas – a sensata Elinor, a romântica Marianne e a jovem Margaret – veem-se empobrecidas e obrigadas a trocar sua confortável mansão por um pequeno chalé em Barton Park. Enquanto Elinor é controlada e cautelosa, Marianne demonstra abertamente seus sentimentos, recusando-se a adotar a conduta hipócrita que é esperada dela. As irmãs enfrentam grandes desafios em suas vidas amorosas e são forçadas a encontrar o equilíbrio entre razão e emoção antes de conquistarem o verdadeiro amor.

Razão e Sensibilidade é um livro que, assim como Orgulho e Preconceito, eu devorei muito rápido. Eu nunca imaginei que fosse ficar tão obcecada por Jane Austen e que em tão pouco tempo ela fosse se tornar uma das minhas escritoras mulheres preferidas ousando em ainda dizer que muito provavelmente, ela tirou o primeiro lugar de Marion Zimmer Bradley (das Brumas de Avalon) e agora está no topo da minha lista. Eu sou apaixonada por literatura inglesa, com a única exceção de não gostar de Harry Potter (okey, não me odeiem por isso) e não foi por falta de tentativas, mas eu realmente nunca gostei, em compensação Jane Austen é espetacular.

Jane Austen está muito mais irônica e crítica aos costumes dessa época em Razão e Sensibilidade. As protagonistas da história são Elinor e Marianne, duas irmãs super unidas, mas de personalidades completamente diferentes. Enquanto uma é a razão, a outra é completamente movida pela emoção. Razão a Sensibilidade é um livro que fala sobre decepções amorosas e casamentos feitos por dinheiro e não por amor – algo muito comum na sociedade inglesa aristocrática daquela época, algo que claramente também tem muitas críticas de Jane Austen durante o livro. Razão e Sensibilidade tem muiiiitos personagens: primas, tias, irmãos, amigos, pretendentes… Meus Deus. São muitos, mesmo assim não há como se perder na história porque todos eles são muito bem construídos e estão perfeitamente linkados com o desenrolar do contexto. Engraçado que são traços de personalidades que são muito encontrados no nosso mundo de hoje e é por coisas como essa que sempre digo que Jane Austen foi uma mulher muito a frente do seu tempo. Embora o final tenha me deixado satisfeita, eu achei que ela poderia ter se prolongando por um pouco mais e ter colocado ainda mais detalhes no final da história, achei que comparado ao livro, faltou o mesmo ritmo no final que foi muito rápido ao meu ver, mesmo assim é mais uma história única que foi maravilhosa pra mim do início ao fim.

Eu até ia dar uma pausa com Jane e ler agora algum outro livro que algum outro autor, mas estou muito animada pra ler Emma e esse foi o escolhido da vez. Vai receber 4 das 5 xícaras, justamente por esse final rápido demais, mesmo assim é uma história que recomendo muito, é encantadora.

20 fev, 2018

Livro: Orgulho e Preconceito

Primeiro vamos ao resumo:

“Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.”

Uma das primeiras perguntas que eu me fiz ao terminar este livro foi: Por que eu não li Jane Austen antes? Orgulho e Preconceito é um livro que foi lançado em 1813 e foi ele que colocou Jane Austen como uma das escritoras mais famosas, não só da literatura inglesa, como na do mundo. Eu achava que a princípio teria um pouco de dificuldade em acostumar com o livro, justamente por ser uma literatura bem antiga com uma escrita mais robusta e realmente é assim mesmo, mas li o livro em 1 semana e ainda fiquei com aquela ressaca literária depois que terminou a história.

A história aborda as diferenças sociais, patriarcado, educação das mulheres, condições sociais e a importância que era um casamento bem arranjado naquela época, afinal, filhas mulheres não tinham o direito de herdar os bens da família após a morte do pai, então acho que de certo modo, compreendi todo o desespero da Sra. Bennet em casar as filhas, mesmo que em quase todos os momentos da história eu sempre quisesse bater nela. O romance é do tipo que envolve logo nas primeiras páginas, daqueles que você se apega facilmente a história e com uma boa dosagem de drama (ah eu adoro um drama!), Jane Austen te prende do começo ao fim. A riqueza de detalhes dos personagens são perfeitamente bem construídos, especialmente Sr. Darcy e Elizabeth que são os protagonistas da história e que você só começa a gostar de um, quando toma o partido do outro. Os diálogos são interessantíssimos, cheios de sentimentos, força e deveras persuasivos.

Mas o que mais me impressionou nesse livro, foi ter uma notável percepção de como Jane Austen foi uma mulher a frente do seu tempo. Sua forma de pensar, suas críticas em tom de ironia acerca da vida como sociedade naquela época, é algo surpreendente e vale lembrar que, não só pela época em que esse livro foi escrito – aonde ela contava cenas do cotidiano em quem viveu, mas principalmente porque Jane Austen tinha menos que 20 anos quando escreveu Orgulho e Preconceito. Certamente também seria uma grande mulher nos dias de hoje.

Orgulho e Preconceito é uma história maravilhosa. É em suma, a essência real do que é um romance bem contado e agora entendo porque tantas pessoas colocam ele num patamar altíssimo como um dos melhores da história. É maduro acima de tudo, muito diferente de muito romance atual que consiste daquela base superficial, que quase sempre é carregada de contextos sexuais – o que não é uma crítica minha, mas boa parte dos romances da atualidade que leio hoje em dia, eu sempre termino com a sensação de que faltou emoção na história e principalmente emoção por parte de quem o escreveu. Orgulho e Preconceito com certeza entrou pra minha lista de livros preferidos e eu me tornei uma pessoa tão obcecada por Jane Austen que já comprei todos os outros dela. Meu escolhido da vez é: Razão e Sensibilidade.

“Há poucas pessoas que eu amo de verdade, e menos ainda de que eu tenho boa opinião. Quanto mais conheço o mundo, mais me sinto insatisfeita com ele; e a cada dia se confirma a minha crença na incoerência de toda personalidade humana, e na pouca confiança que podemos depositar na aparência de mérito ou de razão.”

E obviamente vai levar 5/5 das xícaras:

14 fev, 2018

Livro: O Clube de Leitura de Jane Austen

Cinco mulheres e um homem se reúnem para debater as obras de Jane Austen na Califórnia do início dos anos 2000 e acabam descobrindo, entre casamentos frustrados, arranjos sociais e afetivos, que suas vivências não são assim tão diferentes das experimentadas por Emma ou outras personagens da escritora britânica que tão bem descreveu a sociedade de sua época, dois séculos atrás. No livro, que figurou na lista do mais vendidos do The New York Times e deu origem ao filme homônimo estrelado por Kathy Baker e Emily Blunt, a premiada escritora norte-americana Karen Joy Fowler disseca as relações contemporâneas com acuidade, humor e ironia dignos da autora de Orgulho e preconceito e outras obras que continuam fascinando leitores de todas as idades. Uma homenagem a uma das maiores escritoras da língua inglesa e uma deliciosa comédia de costumes dos nossos tempos. Ponto forte: No ano do bicentenário de sua morte, Jane Austen (1775-1817) continua atraindo leitores de várias idades, especialmente jovens. O livro é uma excelente porta de entrada para a obra de Jane Austen e agrada em cheio também aos já fãs da autora.

Antes de começar a resenha deste livro eu preciso confessar: eu nunca li nada de Jane Austen. Mas foi justamente por esse motivo que antes de começar a ler qualquer livro dela, eu escolhi a obra de uma outra autora que fala sobre os livros de Jane Austen. Em tempo: agora o meu escolhido da vez é Orgulho e Preconceito, é o que estou lendo no momento.

“Cada um de nós tem uma Austen particular.”

No livro é interessante observar como as obras de Jane Austen ainda refletem tão atualmente o mundo de hoje e mostra a beleza e as dores dos relacionamentos humanos, há vários trechos dos livros dela na história e a grande sacada da autora, foi mesclar de uma maneira muito interessante, as obras de Jane Austen com as vidas dos personagens do clube de leitura. Eu achei isso sensacional porque, faz com que analisemos a nossa própria vida também à luz dos fatos de Austen e a gente sempre se identifica um pouquinho com cada personagem.

Cada obra de Jane Austen é focada em um dos personagens do clube, então isso significa que você conhece o passado, as escolhas, fraquezas, anseios, desejos e os problemas de cada um de uma maneira muito sutil, mesmo muito embora alguns tendo vidas tão complexas. É fato que se eu já tivesse lido as obras de Jane Austen, certamente teria aproveitado muito mais o livro, mas esta é uma história também para quem nunca leu seus livros e que com certeza, irá se animar pra ler ao menos uma história dessa escritora que ainda desperta tanto interesse nas pessoas.

O Clube da Leitura de Jane Austen é uma leitura leve e cadenciada (eu estava precisando de uma leitura mais leve depois de tantos livros sobre guerra, afinal de contas), nada absurdamente extraordinário, mas muito gostoso de se ler. Com certeza agora também vou querer assistir o filme. Vai ganhar 5/5 xícaras de café: