Meu Ano Novo em Londres

Aparentemente o ano de 2017 está começando (só) agora aqui no blog, não é mesmo? Eu já tinha que ter postado alguma coisa neste humilde espaço, mas confesso que só não fiz por pura preguiça mesmo porque coisas pra contar, eu tenho bastante. Minha virada de ano não poderia ter sido mais incrível: eu estava em Londres e meu sonho – mesmo já sendo pela 4º vez que viajo pra lá – era passar um ano novo no meu lugar preferido do mundo.

Saímos daqui no dia 24 e chegamos lá bem no Natal (passei a ceia no avião mesmo ehehehe), o Marcelo e Lau foram buscar a gente no aeroporto porque no Natal, nenhum tipo de transporte funciona em Londres. Já é inverno na Europa e pegamos temperaturas que variaram entre 5 e -2 o que eu particularmente adoro porque eu amo inverno e nunca terei essas temperaturas mais baixas aqui no Brasil. A cidade estava maravilhosamente enfeitada pro Natal, especialmente a Regent’s e Oxford Street, os ingleses realmente sabem como decorar nessa época.

Como nas outras vezes, desta vez também ficamos hospedados na casa do Má que mora em Blackheath – região mais afastada do centro, próximo do parque de Greenwich e eu morro de amores por aquele pedacinho de Londres… A vida ali parece que passa mais devagar, com uma certa sutileza em dias lindos como esse:

Eu sou apaixonada por Londres e isso não é novidade pra quem lê meu blog ou me conhece. E acho incrível como sempre encontro coisas novas por lá em qualquer segmento: cultural, gastronômico ou um simples passeio pelas ruas, acho incrível que mesmo tudo aquilo que eu já tinha visto, ainda é capaz de me arrancar grandes suspiros. Eu fiz muitos passeios lá e desta vez – por já conhecer bem a cidade, fui com mais “calma” por assim dizer, acho que vi tudo com um olhar mais apurado, não só de viajante, mas de quem já viu como algumas coisas ali realmente são. E mesmo assim sempre me surpreendo.

Este post vou falar especificamente de como é o ano novo em Londres, eu visitei outras cidades: Oxford, Cambridge e York que terá um post para cada dessas e também vou escrever sobre algumas coisas que amei conhecer ou fazer novamente por Londres mesmo, mas nesse será somente sobre o ano novo.

O Má comprou os ingressos antecipadamente pra gente ver os fogos da região alí de Westminster: aonde pega o Parlamento e a London Eye e de uns anos cá é assim: você precisa de ingressos pra ver os fogos que custa 10 libras por pessoa (o que é muito barato pelo espetáculo que oferece), os setores são divididos por cores e nós escolhemos o setor azul: ficamos bem de frente pra London Eye, melhor vista.

No dia 31 chegamos lá por volta das 10 horas da noite. Estava frio, mas nada absurdamente que congelasse os ossos. O céu estava limpíssimo, sem foggy, nem nuvem. A segurança da cidade para este dia estava ultra reforçada, muito em parte pela preocupação de possíveis atentados, mas claro também por toda segurança que um evento tem que oferecer, os ingleses são bem cautelosos e organizados com isso. Quanto ao lance de atentados, honestamente eu procurei não pensar nisso desde o dia que saí daqui e eu vi que ali estava segura com tantos policiais em volta, mas mais ainda, vi que as pessoas estavam juntas, assim como eu, por um único bem comum: celebrar a chegada de um novo ano.

Tinha muita gente, muita mesmo… Mas estava relativamente fácil de transitar, principalmente se você precisasse ir a um banheiro químico, comprar algo pra beber/comer ou simplesmente se precisasse ir de um ponto ao outro. Como disse: ficamos na vista mais privilegiada, bem de frente a London Eye, sempre como exatamente sonhei. Levamos o nosso vinho (desde que não fosse de vidro e uma quantidade aceitável por pessoa, podia levar, não levamos champanhe porque só encontramos em garrafas de vidro) e nos divertimos TANTO antes mesmo dos fogos que nem sentimos o frio.

Durante todo esse tempo há um DJ que fica tocando alí pra animar a galera, a ultima música que ele tocou antes de começar a contagem regressiva foi uma do George Michael, todo mundo cantou junto, foi muito emocionante e uma bela homenagem, GM é muito querido no Reino Unido! Daí a musica terminou e um contador imenso apareceu refletido na frente de um prédio, iniciou-se a contagem regressiva… Eu não sei colocar o quão emocionante isso é em palavras, mas ficou um silêncio quase que total, só nos dez últimos 10 segundos que todo mundo começou a contar junto e quando o ultimo segundo soou, os sinos do Big Ben começaram a tocar. Fico arrepiada só de escrever.

Obviamente como manteiga derretida que sou, antes mesmo dos 10 segundos finais de 2016 eu já estava em lágrimas, chorando feito uma louca-chorona-da-virada-do-ano, claro que principalmente por estar alí no meio daquela celebração toda, mas principalmente também por estar virando mais um ano, mais uma nova etapa… Pra mim sempre tem um significado muito grande de renovação, de coisas novas e de boas esperanças. E foi incrível. Foi inesquecível. Esse vídeo da BBC mostra como foi lindo, mas só mesmo estando lá pra sentir como é:

A duração dos fogos é de 11 minutos. Depois disso o DJ continua, mas aos poucos a galera já vai se dispersando e as comemorações continuam pelas ruas de Londres. Nós: eu, Rick e Marcelo ficamos por alí dançando e nos divertindo por um bom tempo antes de começar a pegar o caminho de volta pra casa que também foi tão divertido quanto. Pra mim foi maravilhoso, foi além das minhas expectativas e se começou assim tão bem, desejo assim seja durante todo o ano de 2017, para mim e pra todos vocês.

Feliz Ano Novo! 🙂

Livro: O Rouxinol

Esse é mais um daqueles livros que eu devorei muito rápido e que eu não poderia deixar de fazer uma resenha aqui. Particularmente eu gosto muito das histórias que são contadas no período da Segunda Guerra (eu acho que já disse isso aqui no blog) e esse me surpreendeu muito.

Sinopse:

“No amor descobrimos quem queremos ser. Na guerra descobrimos quem somos.”

França, 1939:

“No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.

Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país. Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.

Separadas pelas circunstâncias, divergentes em seus ideais e distanciadas por suas experiências, as duas irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra – e talvez pagar um preço inimaginável por seus atos de heroísmo.”

A história conta como foi a vida de duas irmãs Vianne e Isabelle na Segunda Guerra Mundial, ambas com personalidades e vidas completamente distintas mas com algo em comum: tentando sobreviver ao horrores da guerra com as doenças, os invernos implacáveis e a fome severa. O grande destaque deste livro são as mulheres e sua coragem.

“Feridas cicatrizam. O amor perdura. Nós continuamos.”

A história se passa na guerra do inicio ao fim, em uma narrativa em terceira pessoa intercalada entre as duas principais personagens e com outra em primeira pessoa feita por uma Vianne no pós guerra, muitos anos depois. O que de forma alguma quebra o ritmo da história, ao contrário, instiga mais ainda a curiosidade de quem está lendo. O final é ainda mais emocionante e surpreendente, me prendi na história do começo ao fim. O mais legal ainda é que descobri o que teremos uma adaptação pro cinema feita pela TriStar Pictures e mesmo que a gente saiba que os livros sempre (ou quase sempre) são melhores que os filmes, eu tenho certeza que será surpreendente nas telas também. Vai ganhar as 4 xícaras de café, entrou pra minha lista dos preferidos.

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Séries britânicas que amo e recomendo

Se eu for escrever sobre todos os seriados que assisto e já assisti eu teria que transformar esse blog em um blog só de séries. Assim como os livros, são muitos seriados pra pouca vida ehehe e ultimamente ando preferindo assistir séries a filmes. Eu gosto muito de seriados britânicos, mesmo que a produção não seja total britânica eu me refiro a história em si mesmo, aliás, acho que esse gosto é até por motivos óbvios porque, desde sempre vocês sabem que eu sou apaixonada pelo Reino Unido e toda a história que o envolve, então fiz uma listinha pequena (mas modesta) de alguns seriados que já vi e outros que estou acompanhando pra vocês:

Downton Abbey

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“A série se passa em sua maior parte em uma propriedade, localizada em Yorkshire, e segue a vida os Crawley, uma família aristocrática inglesa, e os seus criados, no início do século XX, a partir de 1912. Já ganhou alguns prêmios também: entrou no Livro Guinness dos Recordes de 2011 como o “programa de televisão em língua inglesa mais aclamado pela crítica” do ano, no qual também recebeu o título de melhor minissérie no Emmy. No ano seguinte, venceu na categoria melhor minissérie ou filme para televisão no Globo de Ouro.” (wikipédia)

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Downton Abbey é o must have quando se trata de seriados britânicos. Tem 6 temporadas e DA eu assisti muito rápido porque a história é incrivelmente envolvente. Quando eu estava assistindo eu sempre dizia ao Rick que era a nossa novelinha das 10 ehehehe. Me emocionei em muitos momentos, todos os personagens eram fantásticos e mesmo quando no meio da história uma das atrizes desistiu de uma personagem que era até relevante pra trama, a produção não perdeu a mão com o fio da história. Entrou pra minha lista de séries favoritas e quando terminou eu entrei numa DPS (Depressão Pós Seriado) e me senti orfã. No começo do ano, li algumas notícias informando que supostamente a série poderia virar um filme e estou torcendo pra que isso se concretize. Pra quem ama histórias da aristocracia inglesa, Dowmton Abbey é um prato cheio.

Call The Midwife

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Call the Midwife é uma série de televisão britânica criada por Heidi Thomas, baseada nas memórias de Jennifer Worth no leste de Londres em 1950 que conta a vida das parteiras que viviam e trabalhavam naquela época.

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Logo depois que fiquei “orfã” de Downton Abbey, comecei a procurar por outro seriado que fosse na mesma linha britânica pra assistir. Quando li a sinopse dessa eu não achei muita graça pra falar a verdade, mas quando comecei a assistir me apaixonei logo no primeiro episódio. Call the Midwife é uma série fantástica e o mais legal é que absolutamente TO-DO episódio você tira alguma lição. A narrativa é incrível e a trilha sonora também não fica atrás. Por enquanto são 5 temporadas e eu estou aguardando a 6 que está prevista para janeiro de 2017.

Outlander

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“Claire Randall (Caitriona Balfe) é uma enfermeira em combate em 1945. Ela é misteriosamente transportada através do tempo e mandada para 1743, e sua vida passa a correr riscos que ela desconhece. Forçada a se casar com Jamie Fraser (Sam Heughan), um cortês e nobre guerreiro escocês. Um relacionamento apaixonado se acende, e deixa o coração de Claire dividido entre dois homens completamente diferentes, em duas vidas que não podem ser conciliadas.” (Adoro Cinema)

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Embora seja uma história baseada nos livros de uma escritora americana, a história é toda britânica. Se você quer um seriado britânico com menos temporadas, Outlander é uma boa opção porque por enquanto só tem duas e eu terminei de assistir a primeira neste final de semana. Quando começou eu não tinha me encantado muito, mas agora já estou completamente envolvida com a história, é o tipo de seriado que você quer sempre ver o próximo episódio pra saber o que vai acontecer. A fotografia é maravilhosa, os atores são ótimos e a história tem muitos momentos emocionantes, alguns violentos, outros engraçados e várias cenas picantes protagonizadas pelo casal Jamie e Claire. Pelo pé que terminou a primeira temporada, a segunda com certeza terá muitas reviravoltas, e pretendo começar a ver ainda essa semana. Devo mencionar a música de abertura também, que é linda!

The Crown

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“The Crown é uma série de TV anglo-americana criada e escrita por Peter Morgan para a Netflix. A série é uma história biográfica sobre a família real do Reino Unido. A primeira temporada, que estreou em 4 de novembro de 2016, está disponível com 10 episódios. The Crown, o drama mais caro já produzido pela empresa de streaming Netflix e o primeiro a ser realizado no Reino Unido, irá traçar a vida da Rainha Elizabeth II do Reino Unido a partir de seu casamento em 1947 até os dias atuais.” (wikipédia)

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Mesmo sendo baseada em fatos reais sobre a vida da Rainha, The Crown não é necessariamente uma série histórica feita ao estilo de documentário. Muito pelo contrário, a trama é recheada de fatos emocionantes e abordagens bem complexas aonde muito se vê a Elisabeth mulher/irmã/mãe e a Elisabeth Rainha. É muito bom pra entender também como funciona a sucessão de tronos na monarquia, eu tinha um pouco de duvidas em relação aos Reis antes da Rainha, mas pra quem assistiu O Discurso do Rei, A Rainha (produção do Peter Morgan também) ou W.E. em The Crown fica claro saber quem é quem na linhagem real. Por enquanto só tem uma temporada porque estreou semanas atrás e eu terminei ontem de assistir a primeira. A fotografia e a produção desse seriado está fantástica e também não é a toa que isso tenha custado 130 milhões ehehehe, mas a forma como é contada é incrível, emocionante e envolvente. Netflix nunca decepciona. Sem contar os atores que são brilhantes e entre eles preciso mencionar John Lithgow que faz Winston Churchill e que está exatamente tão igual ao primeiro ministro que chega a ser assustador. Mesmo com alguns momentos em que se mostra o passado da Rainha ainda quando criança, a história mesmo começa em 1947, logo após a Segunda Guerra em que ela se casa com Phillip e logo em seguida assume o trono. Segundo li, obviamente a história seguirá uma cronologia e terá umas 6 temporadas que com certeza vou amar assistir todas.

Minha primeira meia maratona!

Há pouco mais de um ano eu estava começando a correr, mais precisamente há um ano e quatro meses. Eu não imaginava que a corrida fosse mudar tanta coisa em mim e na minha vida. Conheci pessoas, corri em muitos lugares e finalmente me encontrei num esporte que eu tive a certeza que não iria enjoar ou abandonar depois de um tempo. Por consequência ajustei minha alimentação, mudei meus hábitos, passei a ter uma vida zero sedentária e total de hábitos muito melhores. Hoje faço musculação e corrida e isso já virou uma rotina tão essencial pra mim que, quando tenho que deixar de treinar por algum compromisso ou qualquer coisa do tipo, eu já sinto falta. Me acostumei com a prática de esportes e os resultados vieram: controlo melhor minha ansiedade, esteticamente eu estou bem satisfeita com meu corpo e o melhor de tudo: minha saúde está melhor do que nunca, eu que sempre tive o colesterol mais elevado por conta da hereditariedade de família, baixou de um ano pra cá pro nível ótimo – segundo meu ultimo hemograma.

Correr também me trouxe uma ótima companhia e incentivo: o Rick. Ele entrou nessa junto comigo, perdeu peso, vai pra academia comigo, treina corrida regradinho (melhor que eu, confesso) e hoje corre muito bem e, é rápido. Um incentiva o outro e juntos, estamos criando bons resultados e benefícios. Ano passado nessa época eu corria 5k e nada além disso, mesmo porque eu estava começando. Lembro que no começo do ano eu fiz minha primeira corrida de 10k e quando terminei e eu pensei: “G-zus, correr 5 até vai, mas 10 é loucura”, *risos*, semanas depois eu já estava achando 5k pouco pra mim, já estava correndo lindamente nos 10k e aí comecei a pensar assim, bem despretensiosamente mesmo, em quem sabe um dia, correr uma meia maratona.

Até então, eu ainda não tinha certeza sobre nada… Na verdade, meu plano inicial era fazer uma meia maratona somente em 2017, mas aí eu me inscrevi pros 16k da Athenas que foi em agosto e quando consegui completar e chegar inteira nessa corrida, pensei: ‘Uau! eu ACHO que consigo uma meia maratona ainda esse ano.’ Enfatizei o “ACHO” porque eu tenho um defeito muito grande de muitas vezes não confiar no meu verdadeiro potencial. De querer fazer, mas não botar a fé de achar que vou conseguir, o fato é que eu tenho uma predisposição pro drama quando o assunto é comigo mesma, especialmente aqueles dramas carregados de clichês como os mexicanos, mas quando eu vou lá e faço, aí que acredito que era capaz sim. Só que acreditar depois de já feito é muito fácil, né? Mesmo porquê, se eu me doasse esses mesmos créditos antes, talvez o caminho seria até mais suave pra mim… Cansei de ouvir o Rick me dizer: “Para de ser boba, é claro que vc consegue. Confie mais em você.” e isso é algo que ainda tenho muito que aprender, mas eu ainda vou voltar nesse assunto…

Depois desses 16k, na outra semana mesmo, nos inscrevemos pra Meia Sampa que seria no dia 9 de Outubro. Trajeto reto, sem grandes e absurdas subidas, o clima ainda não estaria tão quente, uma corrida muito bem cotada entre corredores e eu pensei: “SEGURA ESSE FORNINHO, JULIANA” Comecei a treinar com uma planilha e confesso: eu odeio planilhas! Apesar de necessárias, principalmente dependendo do seu objetivo e distância, elas te ajudam a se manter na linha, ter melhores resultados, mas odeio planilhas mesmo assim porque não é todo dia quero quero seguir a risca o que está ali ou justo naquele dia de treino que eu não tô afim de correr, que eu estou com o corpo cansado, enfim… O lance é que, logo depois dos 16k da Athenas, possivelmente por ter dado uma baixada na minha imunidade, eu peguei uma sinusite bacteriana que me derrubou por um mês. Fiquei ruim mesmo, foi praticamente um mês a base de antibióticos, inalações, respirando pela boca e não sentindo gosto de comida alguma. Essa parte não é drama, eu fiquei lascada mesmo. Quando melhorei, investi em alguns complexos vitamínicos por orientação do meu professor da academia, afinal, treino + corrida consome muito do corpo. Voltei a treinar, voltei a correr e foi aí que o bicho pegou: se você fica um tempo sem correr, quando você volta, é praticamente como começar do zero. Até você acostumar o corpo de volta é um processo bem chatinho, talvez isso seja algo que nem aconteça com todo mundo, mas comigo foi assim… Eu não estava rendendo como queria, não estava vendo evolução e eu tinha um pouco mais de um mês pra meia maratona.

Mesmo assim continuei, muito em parte pela minha teimosia, mas principalmente pelos incentivos do Rick que, foram fundamentais pra eu seguir em frente… Por inúmeras vezes ouvi dele nos treinos (enquanto estava praticamente cuspindo meus pulmões pela boca): “Encaixa essa respiração”, “Acerta esse pace”, “Olha a postura, você tá toda torta correndo” e nos poucos dias que fiquei desanimada, que por um breve momento acreditei que o melhor talvez fosse deixar esse plano mais pra frente, eu fui me reerguendo… Fui de uma forma – bem tosca ainda, confesso – acreditando mais em mim, até o dia que eu tive certeza: depois um longão que tivemos e eu fiz 18k em 1:51, nesse dia eu pensei: “EITA QUE AGORA VAI SIM!”

No dia da Meia que foi nesse ultimo domingo, apesar da ansiedade da expectativa – algo absolutamente normal, eu estava incrivelmente calma (porra, pra uma pessoa mega ansiosa vai entender, né?). Eu nunca me preocupei com tempo, com que: – minha nossa eu TENHO que fazer tantos quilômetros em um tanto de tempo, com essa coisa de competir que muitos tem (não estou criticando, apenas dizendo que isso não é o que procuro), porque como já disse aqui: a competição é apenas comigo mesma e mais ninguém. Eu só quero completar e de preferência chegar inteira. O dia estava bonito, não estava quente e o trajeto foi lindo. Começou a corrida e eu só consegui “me encaixar” mesmo pouco depois do quilometro 4, quase virando pro 5 e lá pelo quilômetro 7 (quando na minha cabeça eu calculei: já fiz 1/3 dessa porra toda) eu achei que tudo estava, apesar de estar em um pace bom, demorando demais… Não virava o quilometro sabe? Toma gel, toma água, pensa em coisa boa, acerta a respiração, prestenção na passada, menina! olhe a paisagem, curta o momento e corra, por favor, apenas corra.

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Depois dos 10k eu não me preocupei com mais nada, esse é aquele momento ápice de uma corrida que sua cabeça simplesmente desliga de qualquer coisa externa e você só vive aquilo, sabe? Seu corpo simplesmente vai… E isso é uma sensação imensuravelmente maravilhosa. Mas aí, lá pelo quilometro 17 os sinais de cansaço começaram a ficar mais evidentes e eu pensei: “tá, só falta mais 4… 4k não é nada pra quem já fez 17, né?” o que na verdade, não é nada o cacete… ainda mais pra uma primeira meia maratona, quando à essa altura, você sente dor até no fio de cabelo e eu já estava bem cansada, mas também já tinha resolvido na minha cabeça que de um jeito ou de outro eu ia completar, porque o incrível de uma longa distância principalmente, é que numa corrida, o físico obviamente é a parcela que mais conta, mas o psicológico é imprescindível. Quando entrei na reta final, faltando 1 quilômetro – aquele único 1 quilômetro que parecia que nunca mais iria acabar – um senhor de 64 anos, maratonista e que amou minhas tatuagens me acompanhou e eu o acompanhei… Eu estava bem cansada e ele estava com cãibra nas duas pernas:

eu: “- eu estou bem cansada”
ele: “- vamos juntos, te acompanho até o final”

depois de uns minutos:

ele: “- estou com cãibras nas duas pernas”
eu: “- vamos juntos, te acompanho até o final”

Sendo assim nos ajudamos nos últimos metros finais (psicológico é fundamental, lembram?) e aí cruzei a linha de chegada. Lembro de ter batido minha mão com a dele e ambos terem dito um “parabéns” e foi isso. Eu não sei colocar em palavras o sensação desses segundos que acontecem quando você cruza uma linha de chegada, porque parece que por um breve momento, bem breve mesmo, não existe mais dor, não existe mais cansaço, você não escuta nada em volta e a sensação de dever cumprido e satisfação é muito, muito grande. Rick e amigos estavam me esperando depois da chegada e eu não segurei mais, chorei mesmo! Chorei porque se eu choro até com comercial de margarina, é óbvio que eu ia chorar na minha primeira meia maratona ahahahahaha. Eu consegui completar, eu fiz minha primeira meia maratona. Foram 21 quilômetros que cada passo que eu dei, serviu pra eu sempre me lembrar que se eu quero, eu posso e consigo, serviu pra eu dar um calabokitos pra aquela parte da minha mente que as vezes fica me martelando: “será que eu consigo?” que mais do que nunca, eu não posso nunca deixar de acreditar e mim e que se quero, é só literalmente, correr atrás.