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29 jan, 2019

Porto Viejo e Bocas del Toro – Costa Rica/Panamá

Bocas del Toro foi o nosso ultimo destino dessa viagem antes de voltar a Cidade do Panamá. Bocas é uma província do Panamá quase já com fronteira com a Costa Rica e fica do lado Atlântico. Nós saímos de Santa Teresa (me dá um nó na garganta de saudade só de lembrar) e voltamos a San Jose, dormimos uma noite lá e no outro dia bem cedo partimos primeiro para as praias de Puerto Viejo. Da capital costa riquenha até a Puerto Viejo de Talamanca (província de Limón, ou simplesmente Porto Viejo como todos conhecem) é mais ou menos unas 32 quilômetros e ficamos alguns dias lá conhecendo algumas praias: Cocles, Manzanillo, Cahuita, Punta Uva (minha preferida). O lado do Atlântico tem uma pegada mais caribenha, a cidade é mais agitada que o lado do Pacífico e a noite a vida noturna é mais presente com muitos bares e restaurantes, mas sem perder a preservação das praias e dos lugares e isso é ótimo!

Foram dias divertidíssimos de praias, tortillas e cerveja. Foi uma despedida a altura da Costa Rica:

Gente, parece que não, mas praia cansa. O calor é de derreter, a gente andava pra caramba e por opção mesmo porque a gente queria ir atravessando as praias e ir conhecendo tudo, ou seja, a pé é muito melhor. Acho que ficamos no total, com uma troca de hostel, 4 dias em Puerto Limón e aí fomos para Bocas del Toro que já é Panamá e nosso trajeto foi assim:

Ônibus até a fronteira: foi mais ou menos uns 50 minutos de viagem, aí desce na fronteira entre Costa Rica e Panamá que não tem nada com coisa alguma, é só pra passar de um país pro outro mesmo, então confere vacinas, carimba passaporte e você atravessa uma ponte enorme… A PÉ! Com sua mochila, mala, o que tiver… Eu me senti muito aventureira nessa parte porque era a gente, mais uma galerinha que chegou junto e os caminhões passando junto com a gente, assim… eu nem quis imaginar como deve ser chegar a noite ali (somos aventureiros, mas há limites) porque se eu não estou enganada a aduana começa as 8 da manhã e fecha as 18 horas, então tenha em mente que chegar a noite não é uma opção.

Bom, daí já dentro do Panamá começa a segunda parte da viagem pra chegar em Bocas del Toro e há duas opções: vans, táxis ou esperar o ônibus que leva até o porto. A van já estava lá, é um pouco mais barato que o táxi e escolhemos essa opção porque o ônibus é pinga pinga, então decidimos pela opção não absurdamente cara, porém mais rápida. Foi mais ou menos 1:10 de viagem, o motorista te deixa na porta das entradas pras lanchas, você compra o ticket de ida e volta (dica: já compre a volta, assim você não pega filas depois principalmente se for voltar no fim de semana = todo mundo) e aí fomos pra parte final do trajeto: de lancha.

Daí em diante o trecho durou mais ou menos uns 45 minutos e foi com o plus de ’emoção’ porque pegamos uma tempestade no meio do mar e eu que já estava super escolada com essa viagem de pega ônibus, barco, trilha, dorme na barraca, praia com mar muito bravo, atravessa aduana, picada de bicho (eu fui picada por todos os pernilongos habitantes desses dois países, sem contar as formigas e percevejo que pipocou meu corpo inteiro ahaha), essa foi a única parte da viagem que eu fiquei com medo. Mas deu tudo certo, chegamos sim com chuva, mas os outros dias foram todos de sol… E mais praias.

Bocas Del Toro também é um arquipélago, mas ficamos só em Isla Cólon porque não tínhamos mais muitos dias e também tinham as praias por ali muito legais pra conhecer.

A cidade é bem organizadinha, com coisas legais pra fazer e diversos restaurantes e bares super charmosos, feirinhas de artesanato e como pegamos uma épocas de festas – as Festas Pátrias que os Panamenhos chamam, Bocas estava até um pouco mais agitada, mas nada bagunçado. Foram dias incríveis com certeza.

26 dez, 2018

Costa Rica – Praias do Pacífico

As praias da Costa Rica do lado do Pacífico são maravilhosas. Conhecemos bastante e vou falar um pouquinho delas. Pra começar que nós saímos de Cartago e fomos até San Jose – lá ficamos dois dias para conhecer a cidade, organizar as coisas, reservar hospedagem… Dessa vez nós não deixamos nada reservado, a gente sempre fechava as hospedagens um dia ou dois antes de chegar ao destino. É um pouquinho mais arriscado, é verdade, mas não tivemos problemas em não conseguir um lugar pra ficar e dessa forma também nos deu mais flexibilidade para ficar mais alguns dias em algumas praias que gostamos muito.

De San Jose fomos até Puntarenas, a cidade é na costa também, há muitas chegadas de navios, mas o lugar é em si não tem nada pra fazer e a praia não é bonita, o lugar serve mais como porto do que como visitação e ainda bem que eu pesquisei tudo isso antes. Puntarenas foi apenas o nosso ponto de partida para as melhores praias do Pacífico, então de lá pegamos um ferryboat (terminal Naviera Tambor) que durou mais ou menos 1 hora e 20 de viagem, daí descemos em Cóbano, na província de Puntarenas que é da região de Malpaís. Cóbano é uma cidade que não tem nada ahahahahaha, é apenas o ponto que você vai pegar o ônibus e ir para as praias e toda essa coisa de províncias e regiões na Costa Rica é meio confuso mesmo de entender, mas nada que faça você se perder. De Cóbano (que não tem nada rs), pegamos um ônibus e fomos até Playa Carmen, a viagem de ônibus durou mais ou menos 1 hora.

Vocês perceberam que até agora, nada é muito simples pra se deslocar de um ponto A para o B na América Central. Não é difícil no sentido de se localizar e nem de chegar, acredite: tem como ir pra (quase) tudo, mas despende um tempo sim e requer um certo planejamento, o que sempre fazíamos era sair o mais cedo possível e isso faz uma diferença muito grande em ganho de tempo e não correr o risco de chegar em algum lugar e não ter mais transporte, é sempre bom se atentar em tudo isso estando na América Central, é por isso que não deixamos nada de reservas antecipadamente pois assim, teríamos mais flexibilidade nos horários e o tempo de estadia. Sem contar o plus mais aventureiro do “vamos ver no que dá” quando está indo pra algum lugar, eu gostei muito dessa forma rs.

Só que no meio de tudo isso de pega um ferryboat, bus, anda, anda, você passa por lugares que a paisagem é maravilhosa, uma natureza praticamente intocada e viajar pra mim é isso, é um instante que não volta mais, é um tempo que você tem que aproveitar ao máximo. Quando as pessoas me perguntam da Costa Rica eu digo que é um país que cresceu no meio da floresta e mesmo assim, há muito mais floresta que cidades ou pessoas. Pra vocês terem uma ideia, até mesmo pra efeito de comparativo, a população TOTAL da Costa Rica é de 5 milhões de habitantes, sendo que só na cidade de São Paulo por exemplo, é de 12 milhões de pessoas. Obviamente que geograficamente falando, a Costa Rica é um país bem pequeno, mas mesmo assim, não é a toa que se veja muito mais floresta, verde a cidades ou pessoas – o que é maravilhoso na minha opinião, até mesmo porque os Costa-riquenhos tem uma conscientização de preservação do meio ambiente muito grande e você nota muito disso quando chega nas praias.

Nos ficamos em Playa Carmen, em um hostel bem no meio da natureza, bem rústico, mas tudo muito confortável, pessoas maravilhosas e uma piscina que foi o must have desse lugar e acabamos ficando mais que o previsto.

Aí conhecemos toda a extensão de praias: Carmen, Santa Tereza, Manzanillo. Pegamos algumas trilhas, conhecemos outras praias que são reservas ambientais. As praias na Costa Rica, principalmente do lado do Pacífico são muito mais selvagens.

Eu e Ricardo por muitas vezes andávamos 3, 4 quilômetros de praias e não se via uma alma, só a gente mesmo, pra se entrar em todas essas praias você caminha cerca de 100 ou 200 metrôs de trilha no meio do verde até se chegar a praia, não é como estamos acostumados aqui que se tem a praia, calçadão, quiosques, avenidas… As praias ali estão realmente no seu estado máximo de preservação e eu fiquei encantada com isso. Se você é do tipo meio reticente com uma natureza mais rústica e selvagem, que faz questão de sentar em uma espreguiçadeira quando se está na praia eu tenho duas opções: ou fique num resort (que eu não faço ideia de valor, mas é caro) ou não vá. É sério. Não conseguimos subir até a região da Libéria por motivo de tempo, mas essa parte do Pacífico é assim: uma natureza mais selvagem e mais intocada, nem todo mundo se adapta com isso, pra mim, foi uma das experiências mais incríveis porque era exatamente isso que eu estava procurando quando decidimos essa viagem.

Vimos pelicanos, tucanos, iguanas, uma vida marinha muito mais densa que em praias mais populosas, justamente porque ali tem pouquíssimas pessoas. Foi uma experiência única pra mim, algumas praias que fomos era impossível de entrar no mar de tão bravo que era. O lado do Pacífico o mar é sempre mais bravo que o lado do Atlântico e enquanto o Atlântico o mar é mais azul, no Pacífico é um verde praticamente cor de esmeralda. Fazer uma viagem que eu tive a oportunidade de estar em dois oceanos foi algo bem bacana pra mim, é interessante você fazer algumas comparações, mas ambos são tão lindos que fica difícil escolher um preferido.

P.S. Os links das fotos eu tô colocando do Instagram mesmo porque foi as que eu decidi mostrar, achei que ficou visualmente mais bonito no post e porque também, não preciso ficar editando foto por foto tudo de novo, me segue no @juesgalha.

13 dez, 2018

Cartago – Costa Rica

Eu disse à vocês no ultimo post sobre a viagem da América Central de como se faz pra ir da Cidade do Panamá até San Jose na Costa Rica de ônibus e toda a aventura que foi. Quando chegamos em San Jose nós já fomos direto para Cartago que é uma das províncias da Costa Rica e que fica a mais ou menos uns 25 quilômetros da capital.

Cartago é uma cidade pequenininha que foi fundada em 1563 e tem cerca de 160 mil habitantes. O que não esperávamos ao chegar em Cartago era (pasmem!) – o frio!!! Durante o dia era de boa, mas à noite era bem friozinho. O meu mochilão foi com apenas exclusivamente com roupas para praia, a única coisa que levei “no caso de..” foi uma legging e um cardigã bem fininho, a gente realmente não estava esperando por isso ahahahaha (muito menos preparados), mesmo quando, ao sinal, chegamos com chuva em San Jose e como chove na Costa Rica, mas isso eu vou contar em outro post.

Nós ficamos hospedados em uma casa (esquema tipo bed & breakfast) que a dona nos acolheu com tanto carinho e amor que eu não sei descrever pra vocês o quanto isso foi legal pra gente. Eu vou até deixar o contato da Jack e Ary (filha dela) direto do Booking aqui porque pra quem pretende conhecer Cartago eu recomendo muito a hospedagem delas. Café da manhã nota mil e a hospitalidade delas foi perfeita, é uma casa de família e nós literalmente ficamos hospedados em uma família porque nos acolheram como se fôssemos parte também.

Cartago apesar de pequena é uma cidade que tem uma porção de coisas pra fazer. Tem um Mercadão enorme que vale a pena visitar, todo mundo vem conversar e te oferecer coisas, um museu no central da cidade bem legal, um parque super bem cuidado, uma igreja central linda e bastante opções pra comer. Fizemos todas essas coisas, mas aproveitamos bastante também pra descansar e foi uma ótima ideia ter feito isso porque praia é uma delícia, mas cansa.

No segundo dia, nós fomos até o Vulcão Irazú e que fica a uns 30 quilômetros de Cartago, há passeios até ele saindo de San Jose também e o que eu recomendo antes é: verifique as condições do clima porque senão você corre o risco de não ver nada e foi o que aconteceu com a gente ahahahahaha. Mesmo assim, pra gente, valeu muito a visita primeiro porque é um passeio diferente – ainda mais porque é vulcão que ainda está ativo (ultima erupção foi em 1994), segundo que pra mim e o Rick, não existe tempo ruim em viagens e pra gente também não foi tão longe como pra quem sai de San Jose, então era uma coisa que de qualquer jeito queríamos fazer. Se paga para entrar na reserva do parque, então é mais um motivo pra eu recomendar ver antes as condições do clima, porque em Cartago além do friozinho (no vulcão é mais frio ainda, cerca de 3 graus a temperatura), chove bastante também. De certa forma, isso pra mim não é problema, eu não deixo meu espírito de viajante se abater por fatores que eu não posso controlar, mas é óbvio que se tivesse um céu limpo a gente teria aproveitado mais.

Estando em San Jose eu recomendo muito ir conhecer Cartago, vale a pena ficar uns dias lá. Vale mais a pena até do que ficar em San Jose. Eu nem tenho muito que falar sobre a capital porque a cidade meio que foi apenas o lugar pro nosso ponto de partida entre Pacífico e Atlântico. Ficamos acho que dois dias, como disse, somente pra descansar de viagens mais longas porque a cidade em si, não tem tantos atrativos: é um pouco suja e alguns pontos não é muito seguro andar, principalmente à noite. O bom da Costa Rica são mesmo as praias e os parques de reserva, isso é realmente maravilhoso. Mas se quiser mesmo conhecer alguma cidade, eu recomendo fortemente ir até Cartago.

07 dez, 2018

Indo do Panamá pra San Jose na Costa Rica

Vamos lá!
Existem 3 maneiras de ir da Cidade do Panamá para San Jose na Costa Rica: avião, carro ou ônibus. Como somos mochileiros roots ahahahahaha e pobres (essa é a real), escolhemos ir de ônibus da maneira mais louca pra se ganhar tempo e economizar dinheiro – cruzar o país direto, sem paradas. Existem duas empresas de ônibus que operam nessas viagens, nós escolhemos a Tica Bus (que por sinal vai até o México) e por ter sido a mais citada nas pesquisas que fiz dos blogs de viajantes pela internet, optamos pela Tica. Compramos os tickets no terminal de ônibus da Cidade do Panamá (estação Allbrook do metrô) e minha dica é: escolha o ultimo horário e viaje a noite – é mais tranquilo, a viagem é direta (não contando com a parte da aduana) e, pelo menos foi o que fiz – você vai dormindo todo o caminho.

Nos informamos antes se não teria problema cruzar a fronteira sem uns formulários de entrada e saída que eu tinha lido em alguns lugares que obrigatoriamente precisava deles, enfim, como a moça da Tica Bus nos garantiu que não teria nenhum problema de entrar sem esses formulários (eu vou chegar nesse ponto mais pra frente), nós compramos as passagens (40 dólares) para o ultimo horário – meia noite e partimos.

Pra dizer a verdade eu dormi todo o caminho até chegar na fronteira, então pra mim, a viagem passou relativamente rápida e isso me ajudou bastante principalmente pra chegar (mais) descansada (dentro dos parâmetros de “conforto” que é viajar de ônibus né), mas chegamos em Paso Canoas (na fronteira) bem cedinho, por volta de umas 7 horas manhã.

Chegar antes disso não adianta nada porque as fronteiras só abrem mesmo as 8 da manhã e aí essa foi a parte mais cansativa da viagem porque você precisa passar pelas duas aduanas: tanto a do Panamá como da Costa Rica. Nessa parte rola todo o processo de tirar todas as malas do ônibus, policial revistar, cachorro farejar as malas, fila pra pagar a taxa de saída, viajantes de um lado, locais do outro, compra um café (pra relaxar!), carimba passaportes, mostra a carteirinha de vacina, confere passaportes antes de entrar no ônibus de novo e tudo isso em duas aduanas. Demorou um pouquinho, mas tudo correu dentro da normalidade.

Sobre os tais formulários de entrada e saída na realidade eles não me pediram nada disso, mas se paga uma taxinha pra todos esses tramites de um país para o outro, porém é mais tranquilo do que eu pensava, pois você faz isso com um funcionário identificado assim que você desce do ônibus, ele mesmo preenche esses formulários e não é como eu achava que já teria que ter esses papéis em mãos. Ah, essa parte vale um adendo: Além do passaporte que pedem (claro!) há duas coisas importantes que você imprescindivelmente precisa ter em mãos:

– Comprovante do lugar que você vai se hospedar;
– Comprovante da volta, no caso era o nosso voo do Panamá pra São Paulo;
– Carteirinha comprovando a vacina da febre amarela; (na verdade isso foi a primeira coisa que me pediram antes mesmo do passaporte) e de verdade, sem isso você não consegue entrar em nenhum desses dois países.

Enfim, eis que depois de viajar a noite toda e passar por todo o processo de imigração, 16 HORAS DEPOIS (!) chegamos em San Jose. Definitivamente essa é a maneira mais econômica de se cruzar a fronteira e dependendo de como está montado o seu roteiro de lugares, é o que mais vale a pena fazer. E acreditem em mim: não é nenhum um bicho de sete cabeças. Achei até que seria mais cansativo pelo tempo em si de viagem, mas como dormi a maior parte do trajeto, não achei tão puxado assim (eu fico muito mais arrebentada em viagens de avião, dá pra acreditar?), na fronteira não tem jeito mesmo, o processo é um pouquinho mais demorado porque é óbvio que não tem só você pra cruzar de um país pro outro, então o que eu recomendo é relaxar e seguir o fluxo de tudo, compre um café quentinho, siga as instruções dos policiais aduaneiros que não tem erro nenhum.

E como eu e Ricardo somos dois loucos viajando e como chegamos cedo na capital da Costa Rica, nós já tínhamos planejado de San Jose já ir direto pra Cartago, uma cidade ao lado (mais uma hora e vinte de trem ahahaha), que queríamos muito conhecer e que vou contar sobre no próximo post dessa viagem.

28 nov, 2018

San Blás – Panamá

“E quanto a mim? Eu continuo acreditando em paraíso.
Mas pelo menos sei que não é um lugar que possa procurar.
Porque não é para onde vai, é como se sente por um instante na sua vida enquanto é parte de alguma coisa.
E se achar esse momento, ele pode durar para sempre.”

– Do filme “A Praia”

Se essa viagem tivesse resumida apenas em San Blás eu já teria voltado pra casa super feliz. O Arquipélago de San Blás é um conjunto de 365 ilhas (dá pra visitar uma ilha diferente por dia, durante o ano todo ehehehe) situadas frente a costa norte do Istmo, ao leste do Canal do Panamá. É uma reserva ambiental cuidada exclusivamente pelos índios Kuna, que formam parte da comarca Kuna Yala ao longo da costa caribenha do Panamá. Conhecer San Blás pra mim foi como se eu estivesse em um lugar à parte do mundo, acho que tive essa mesma sensação quando visitei o Deserto do Atacama (e disse a mesma coisa aqui), mas é incrível quando um lugar toma esse tipo de sentimento na gente.

No próprio hostel que ficamos no Panamá, havia uma moça que organizava passeios para San Blás, tanto passeios de um dia como pra ficar hospedado nas ilhas e já adianto de antemão: passeios de um dia não compensam, se você quer aproveitar MESMO, fique ao menos uns 3 dias em San Blás. Considero que de 3 à 5 dias seja suficiente, nós ficamos 4 dias. Eu já tinha pesquisado muito antes da viagem e escolhi ficarmos na Isla Franklin – por ser um pouco mais afastada, não receber tantos turistas e ser uma ilha bem linda. Fechamos o como chegar (já com a volta), e como a moça (esqueci o nome dela!) entrou em contato com a Isla Franklin avisando que chegaríamos, um barqueiro estaria nos esperando no porto.

Saímos as 5:15 da manhã da Cidade do Panamá, um motorista num 4×4 (mais pra frente explico o porquê) veio na porta do hostel nos buscar e o itinerário foi esse aqui: mais o menos uma hora e vinte de estrada, depois 1 parada de 10 minutos num posto para ir ao banheiro, comer algo e dalí ele pega uma outra estrada em anexo para começar a entrar na reserva. Desse ponto em diante é só curva, sobe, desce, terra e pirambeira (por isso do 4×4) e isso segue por mais uma hora de estrada. Chegando ao porto que nada mais é do que um barranco aonde param os barquinhos, há vários barqueiros de várias ilhas e isso parece meio bagunçado no começo (na verdade é um pouco mesmo rs), mas é só perguntar pela ilha que você vai ficar que todo mundo vai te indicando, como chegamos já com uma reserva, já tinha um índio nos esperando e aí foi mais uns 50 minutos de barco (por isso que eu acho que não compensa ir só para passar o dia, muito embora, tem ilhas mais próximas, mas o legal de San Blás é você ficar alguns dias).

Chegamos na Isla Franklin, quem nos recebeu foi o Pali, um dos Kuna Yala que é tipo o gerente da ilha, ele indicou aonde seria bom pra gente montar nossa barraca (SIM! Nós acampamos!!!), informou o horário das refeições e como funcionava as coisas na ilha. Por se tratar de um arquipélago de ilhas de uma reserva ambiental todo recurso é limitado: primeiro porque estamos numa ilha no meio do mar do Caribe e segundo que por ser uma reserva, é a preservação que conta mais. San Blás não tem hotéis e muito menos resorts, não existe luxo, é tudo bem rústico mesmo. As acomodações são cabanas de palha com colchão OU você pode levar a sua própria morada e acampar. A energia é (bem) racionada. Não tem água quente. O chuveiro é a água tratada do mar. Não tem televisão e muito menos internet. Mas posso falar? Foram dias de literalmente dentro do paraíso pra mim. Ficamos completamente OFF do mundo, completamente desligada de qualquer coisa que fosse do lado de fora de San Blás.

Nosso mundo nesses dias foram somente nessas ilhas e pra mim foi uma das coisas mais incríveis que já fiz pra mim. Tudo é bem rústico, bem simples e tudo aquilo de sempre dizermos que “não vivemos sem”, perde todo o sentido num lugar como esse. Tínhamos todas as noites um céu escandalosamente estrelado. Um mar azul a 2 dois passos da onde eu dormia que formava uma piscina infinita. Bichos aonde realmente devem estar: na natureza. Silêncio. Paz. Quietude.
A única coisa que eu me permiti levar foi meu Kindle porque ler um livro num lugar como esse, é praticamente uma obrigação. Fomos pra outras ilhas, uma delas era forrada de estrelas do mar, a outra tinha um barco naufragado que dava pra ir de snorkel até lá, desembarcamos em um banco de areia bem no meio do mar que não tinha nada em volta, a água batia na cintura e dava pra ver os pés de tão cristalina. Um mar tão, tão azul que chega a doer tão lindo, você andava 150/200 metros com água ainda na altura do peito e cheio de peixinhos em volta.

Tinha pouquíssimas pessoas na ilha com a gente, então, todo mundo se conheceu, fez amizade e toda a noite a gente se reunia pra tomar vinho e dar risadas. É inevitável que quando fui embora de lá não teve como sentir aquele aperto no coração, teria ficado muito mais se não tivesse ainda todo um roteiro a cumprir pela frente. É incrível como esses lugares são transformadores na vida da gente, San Blás é um lugar pra ir e nunca mais esquecer porque vai ficar cravado naquela parte do seu cérebro e no seu coração que você pode até um dia esquecer o seu nome, mas garanto que se pisar em San Blás jamais se esquecerá dali.

O tempo ali parece que passa diferente, as preocupações e queixas precisam ser deixadas de lado de fora pra você conseguir mergulhar com o coração e você realmente entende que não precisa de tanta coisa pra ser feliz. O menos é mais. Acho que quanto mais eu viajo, quanto mais eu piso nos lugares que estão longe da minha casa e da minha zona de conforto, mais eu vejo o quanto ainda tenho que explorar; seja no mundo ou até mesmo dentro de mim.

Ao mesmo tempo que eu conheço eu vejo que ainda tenho muito o que conhecer, porque eu ainda não vi nada, conhecer para poder viver esses lugares, para ter novas histórias, lições e aprendizados, pra sentir o quanto sou pequena e nunca se esquecer que o EGO não vale absolutamente nada nesse mundo egoísta que infelizmente a gente as vezes se acomoda tanto. Não é sobre o tanto de países no mundo você já visitou, é sobre estar de verdade em um lugar. ❤️

Dicas:
– Só entra em San Blás com passaporte.
– Leve um galão de água dependendo do tempo que irá ficar. Lá vende água, mas obviamente é mais caro. Leve alguns snacks também, tem todas as refeições na ilha, mas sempre bate uma fome fora de hora.
– O mínimo de roupa possível: se você puder deixar sua mala/mochilão aonde estiver hospedado na Cidade do Panamá e levar só uma mochilinha com o mínimo necessário, é melhor.
– Lanterna ehehehe principalmente se você vai ao banheiro no meio da noite.
– Papete funciona melhor que chinelo se você for passear em outras ilhas.
– Kindle. Fortemente. Kindle pra sempre! Leve um E-Book (livros molham e são mais pesados pra carregar, um e-book em viagens é infinitamente mais prático). É maravilhoso ler na beira da praia.
– Passeios para outras ilhas você paga à parte, quanto mais pessoas (no máximo 10), mais barato fica. Faça esses passeios ao menos uma vez.
– Faça amizades, é legal ter a turminha na ilha e fazer a piada “ei, vem pro lado divertido da ilha” ahahahahaha, nos dias em que ficamos tinha os argentinos, a colombiana e dois espanhóis, divertidíssimos.
– Assista todos os por do sol e nascer do sol também, acredite em mim: você vai sentir saudade disso quando estiver em casa, só não comece a bater palma porque ninguém vai te entender.
– Respeite a natureza, respeite todo tipo de forma de vida nesses lugares, por ex: não fique pegando estrela do mar só pra fazer a foto do seu instagram, dá pra fotografar sem precisar tocar. De nada.
– Não pense que você vai sofrer porque a água do chuveiro não é quente, porque não tem internet e nem tv, porque o chão da sua cabana é areia batida, porque as 9 da noite não tem mais nada de energia elétrica, quando você chegar lá e olhar em volta, vai perceber que realmente não precisa de nada disso (e não vai sentir falta).
– Vá com o coração aberto. MEU DEUS É SAN BLÁS. Não existe como não abrir o coração pra esse lugar tão maravilhoso.

19 nov, 2018

Mochilão: Cidade do Panamá

A Cidade do Panamá foi a primeira cidade que pisamos da América Central e claro, nosso primeiro país dessa parte do mundo também. Nosso voo foi à noite, então chegamos no Panamá bem cedinho, quando todo mundo ainda estava acordando. Eu vou contar toda a experiência e dicas da cidade nesse post porquê dividimos nossa estadia na cidade do Panamá em duas partes: duas noites quando chegamos (depois fomos direto para San Blás) e quando retornamos da Costa Rica pelo Atlântico, vindo por Bocas Del Toro, ficamos mais 3 noites e aí deu tempo de conhecer a cidade muito melhor.

A primeira coisa que se pensa quando se fala no Panamá é o chapéu panamenho ou o famoso Canal do Panamá (lindíssimo por sinal, mas só passamos por ele, não deu tempo de ir), mas a cidade vai muito além disso. A Cidade do Panamá é a conexão pra muita gente que viaja aos EUA (mais precisamente a Miami), está muito bem cotado com ótimos lugares para compras (justamente por ser uma zona franca), mas como eu disse: pelo menos para mim, a Cidade do Panamá vai muito além disso.

Dicas de restaurantes super badalados ou hotéis incríveis eu não tenho pra passar porque como bem sabem, eu e Rick viajamos no padrão mochileiros: com conforto, mas sem grandes luxos. Como o nosso roteiro principal foram as praias, deixamos todo e qualquer tipo de compras para o final, assim não precisamos carregar peso desnecessariamente no nosso mochilão. Tanto na ida, como na volta, nós ficamos no mesmo Hostel: O Hostel Mamallena – que tem uma ótima localização, quarto só para mim e o Rick, é pertinho de uma das linhas do metrô (que é uma linha só, mas já super facilita) e fica a 2k de Casco Viejo, que é a parte histórica da cidade e esse vale muito a pena conhecer tanto ao dia, como à noite. É bom pra passear, tomar uma cerveja, comprar souvenirs e conhecer toda a parte histórica que é bem lindinha. O único ponto negativo é o fluxo de carros que ficam circulando por Casco Viejo que tem as ruas mais estreitas, os taxistas são especialmente chatos porque buzinam (pra conseguir corridas) pra todas as pessoas que eles acham que tem potencial de turista e isso é um pouco irritante. O Uber é mais barato que táxi e uma boa opção, usamos algumas vezes, valeu a pena e dá pra usar de boas.

A parte modernosa da cidade fica justamente aonde se encontram os famosos arranha céus (não é à toa que a Cidade do Panamá é conhecida como a Dubai das Américas) e realmente é uma parte do Panamá muito bonita, há diversos restaurantes, bares, hotéis no meio daqueles arranhas todos que são incríveis, mas como nossa estadia do Panamá foi no começo de viagem e fim de viagem, de início, nós naturalmente ficamos comedidos com gastos (justamente porque teríamos muitos lugares para passar pela frente) e no final da viagem, já estávamos bem cansados pra fazer qualquer passeio no calor escaldante da cidade, então não fomos muito além do básico.

Panamá é quente. Muito quente, na verdade. E extremamente úmido. Todos os dias chove e sem hora marcada pra isso acontecer, de repente o dia está ensolarado, mas aí o tempo resolve fechar e chover. E CHOVE MESMO! Não que isso pra mim seja um incomodo, mas é bom ficar ligado no céu e acompanhar o clima por algum aplicativo de celular. Leve somente roupas leves e confortáveis. Ande sempre com uma garrafa d’água (acho que é a dica mais preciosa de todas) e carregue muito no protetor solar, principalmente se você for caminhar pela Cinta Costera que pra mim, foi o que eu mais gostei da cidade. Dá pra fazer tanto a pé ou de bike e vale fazer esse caminho à noite também, porque o visual da cidade toda iluminada é maravilhoso.

Outro lugar legal pra conhecer é o Causeway de Amador, que é um caminho que leva a 3 pequenas ilhas próximas da cidade do Panamá (não fomos a nenhuma dessa vez, mas é de lá que saem os ferrys para essas ilhas). Tem o museu da Biodiversidade, um Duty Free também, mas o gostoso mesmo é passear por esse caminho que tem umas vistas maravilhosas. Recomendo ir de bus e ir voltando a pé e de preferência faça isso na parte da manhã porque o calor é intenso.

Compras?
Pra quem ama compras, o Panamá é um prato cheio. Há muitos, muitos shoppings mesmo. Eu conheci dois deles, sendo que um era super fácil de chegar da onde estávamos hospedados. Então os dois que recomendo são: Albrook Mall que é o maior do Panamá (atenção mochileiros que estão nos arredores: tem um mercado imenso também ali dentro também) e o Multiplaza que é mais classudão e é aonde tem a loja da Victoria’s Secret (atenção meninas!) que vendem sutiãs e a linha completa de esporte da marca (a do Allbrook é mais basiquinha), mas há diversos outros shoppings para todos os gostos e bolsos, não me apeguei tanto nessa parte porque nossa pegada de viagem foi outra.

A moeda do Panamá é o Balboa que vale o mesmo que o dólar, mas dá pra usar o dólar por lá tranquilamente pois é o dinheiro de circulação em todo o país, o Balboa mesmo você só vai encontrar nas moedas e não em notas. O idioma é o espanhol e eu com o meu portunhol porco consegui me virar muito bem, então comunicação não será problema. O fuso horário é de duas horas atrás em relação a Brasília e nessa época do ano a cidade já está bem quente. Vocês perceberam que diversas vezes eu falo do calor na cidade não é? O calor pra mim não foi problema nessas férias, afinal de contas 90% dos lugares nós estávamos foram em praias, mas quando regressamos à Cidade do Panamá eu estranhei um pouquinho porque o clima é (bem) mais abafado que nas praias, então, estar preparado a isso é muito, muito importante. Mais uma vez: roupa leve, água e protetor – é sério, não esquece disso!

Próximo post provavelmente eu irei colocar a resenha de algum livro pra ir mesclando com os posts dessa viagem, mas na próxima parte eu falarei de San Blás que certamente para mim foi o lugar mais incrível de toda a América Central e que valeu cada pernada pra chegar até lá. Me aguardem.:)

07 nov, 2017

Farellones no Chile

Este é, finalmente, o ultimo post sobre nossa viagem ao Chile, quem quiser boas dicas sobre o deserto do Atacama aqui tem bastante informações, sobre o Chile aqui também tem boas dicas da nossa viagem anterior, mas hoje vou falar sobre o Parque Farellones que é bem pertinho de Valle Nevado e fica a mais ou menos uns 50 minutos de Santiago. Na rua do flat em que ficamos, encontramos uma agência – a Snow Tours que faz esses passeios de montanha e em vinícolas também, há diversas outras agências pelo centro da cidade que vendem esses tours, mas escolhemos essa pois estava com um bom feedback dos viajantes e era pertinho da gente, além de disponibilizarem o transporte que te busca e te deixa na porta do hotel, há também o serviço de aluguel de roupas, caso você não esteja devidamente preparado para o frio nesse tipo de lugar.

No nosso passeio estava incluso Valle Nevado + Farellones, porém, durante o caminho a nossa guia Denise, que é brasileira e muito gente boa, nos deu uma dica de ouro: quem estava indo com a intenção de esquiar, Valle Nevado era uma boa opção, contudo, quem queria se esbaldar na neve, passear ou fazer algum outro tipo de passeio, Farellones era o mais indicado e essa foi a minha real intenção, eu já teria minha cota de aventura no Atacama e esquiar não estava nos meus planos. Então, eu, Rick e mais algumas pessoas descemos em Farellones e o resto do grupo foi pro Valle Nevado e voltariam por volta da hora do almoço. Portanto, não conhecemos o Valle Nevado, mas eu e Rick passamos um dia incrível em Farellones.

A entrada no Parque, se eu não estou enganada, custa $20.000 pesos Chilenos (cerca de R$100,00) e honestamente não acho caro porque além de um lugar super lindo, com vistas maravilhosas, essa entrada dá o direito de fazer todas as atividades disponíveis dentro do parque, menos esquiar e as aulas de esqui (isso tem valor separado), você pode ficar o dia todo lá, sair do parque e voltar também, ir milhões de vezes em todas as atividades que quiser. Tem muita coisa legal pra fazer lá: passeio de bike, trineo (mais conhecido como skibunda e eu não gostei desse por motivos de: medo de descer naquela pranchinha), tubing (descer a neve com uma boia), snowboard, ski, tirolesa, teleférico, além dos cafés que ficam tanto na parte de cima como na parte de baixo do parque. Eu já tinha visto neve, mas nunca tinha estado em um lugar com tanta neve pra poder aproveitar, teve aquela nevasca tímida nesse ultimo inverno de Londres que passamos o ano novo, teve neve no Etna, mas foi tudo muito rápido, portanto se a sua intenção é literalmente brincar na neve, rolar na neve e fazer atividades na neve, Farellones é uma ótima escolha.

Como estivemos lá em Agosto, ou seja, ainda bem invernão no Chile, o parque estava completamente coberto de neve, as fotos são um pouquinho de como foi maravilhoso esse dia:

Aonde comer? Há cafés com serviço de restaurante no parque, mas por dica da nossa guia, nós fomos no restaurante de um hotel que fica um pouco mais acima, saindo fora do parque mesmo; comida honesta, preço justo e um ótimo vinho. Não lembro de quanto gastamos, mas eu sei que em Valle Nevado pra comer ou só  beber um café é muito mais caro que Farellones, tanto que a galera que foi pro Valle, decidiu almoçar em Farellones.

Apesar de muito frio, pegamos um dia lindo e sem vento e isso conta muito porque deu pra aproveitar bastante, no final do dia o frio ficou mais forte e também começou a ventar bastante, então, além de ir bem paramentado na vestimenta, é bom também checar as condições do clima antes, coisas que não podem faltar:

– Botas de Neve (se for impermeável melhor ainda, a minha não era, mas segurou de boa)
– Calça (e de preferência com uma segunda pele por baixo, eu por exemplo sinto muito frio nas pernas)
– Luvas (se você esquiar, escolha pelas impermeáveis, a minha é de lã mesmo)
– Casacão (daqueles pra neve mesmo, eu ainda usei uma segunda pele e um moletom por baixo)
– Gorro (parece que não, mas não dá pra ficar sem)
– Cachecol (não consigo andar no frio intenso sem um)
– Óculos escuros (imprescindível!!!! não dá pra ficar naquela neve branca de doer sem um óculos escuro)
– Protetor solar (pro rosto, o sol queima sim)
– Protetor labial (e use muito, porque tudo congela e tudo resseca)
– Água pra hidratar

Não foi o nosso caso, mas caso você não tenha algum desses itens, você pode alugar antes com a agência que você fechou o passeio, não tenho ideia de valores, mas sei que não é caro, durante a subida pra esses lugares é muito comum sentir um pouco do mal da montanha (olha ele aqui de novo), no nosso transfer, dois rapazes passaram mal, então, como precaução, eu recomendo tomar um café da manhã BEM leve.

Valle Nevado ou Farellones? Eu não estive no Valle, mas sei que é incrivelmente lindo e que vale muito a pena conhecer também, contudo, as opções pra comer são mais caras e se você tem intenção de esquiar, Valle Nevado é uma ótima escolha. Agora se você não faz questão de esquiar, mas quer aproveitar bastante o dia fazendo outras atividades na neve, Farellones é a melhor opção.

13 out, 2017

Cerro Toco – Deserto do Atacama

Quando nós fechamos a viagem pro Deserto do Atacama, entre todos os passeios que pesquisei, eu queria fazer algo que fosse mais… Como posso dizer? Algo mais ousado… Que pudesse testar meus limites ou chegar perto disso. Queria algo mais pancadão, sabe. Eu tinha pesquisado muito sobre o trekking ao vulcão Lascar (um dos vulcões AINDA ATIVO do Atacama) e fiquei doida pra fazer. Fechamos esse com a Ayllu, porém quando chegamos lá, fomos informados que a estrada que leva ao vulcão estava fechada por conta da neve e provavelmente ia continuar assim por mais um mês. Esse ano foi bem atípico no Atacama: teve muita neve e chuva, algo que não acontecia há anos e isso em meados de julho atrapalhou um pouco a vida de quem viajou pra lá. Fiquei chateada quando soube disso, é possível ver o Lascar por muitos lugares e bem pela manhã dava pra ver uma fumacinha saindo dele, foi um dos passeios que eu mais estava esperando, mas aí nos deram outra opção: Cerro Toco. Cerro Toco é um estratovulcão (ou seja, vulcão em forma de cone que são formados de camadas de fluxo de lava, cinzas e blocos de pedra) que não está mais ativo e o cume está a 5604 metros acima do nível do mar. A caminhada leva mais ou menos de 1:30 à 3 horas pra subir e mais ou menos 1 hora pra descer, é mais suave de subir que o Lascar segundo as informações passadas à nós (ahahahahaha eu tô rindo aqui sozinha porque vou chegar nessa parte), mesmo Cerro Toco sendo maior na altitude.

Então vamos pra Cerro Toco.

Por recomendação deixamos esse pro ultimo dia no Atacama, assim o corpo estaria mais aclimatado. Um dia antes fizemos uma pequena reunião com nosso guia que nos passou as condições do tempo (-10 graus durante o trajeto e -15 no cume), roupa adequada pra suportar o frio, o que levar, alimentação e alguns cuidados antes de ir. Na sexta feira o guia passou pra nos pegar cedinho e era pra ter ido mais um casal com a gente, mas eles acabaram desistindo, então fomos só nós 3. A viagem de carro durou mais ou menos 1 hora e como sempre passando por lugares incríveis, chegando lá começamos a nos preparar pra subida: gorro, paninho de proteção pra nariz e boca por conta do vento, óculos (indispensável), meias e luvas térmicas (que eu não tinha e o guia providenciou pra gente), capacete e na mochila apenas o necessário: um lanche, um saquinho bem farto de frutas secas e oleaginosas, uma barrinha de chocolate e um Gatorade de 1 litro. Paramentados, recebemos 1 bastão de trekking pra cada mão (descobri que isso realmente faz uma TOTAL diferença) e o plano era: primeiramente não morrer (ahahaha brincadeira), caminhar os 40 primeiros minutos sem pausa, depois uma pausa rápida pra tomar algo, comer umas frutinhas secas e continuar. Como caminhar em lugares assim? Passos lentos (SEMPRE!), curtos e sempre respirando devagar – conforme as passadas, não é nada parecido como se caminha na cidade, por exemplo, e menos ainda trote rápido, apenas.caminhar.devagar. Se alguém se sentisse mal era só falar, o tempo de cada um seria respeitado.

E aí fomos. Os primeiros minutos foram meio confusos pra eu ajeitar minha passada com o bastão de trekking, uma vez que coordenação nunca foi um ponto forte em mim. Rola todo um esqueminha da passada com o movimento dos bastões, mas logo me ajeitei com isso e fui. Se ajeita, sobe, respira, sobe, sobe, sobe, respira – NOSSA! QUE FALTA DE AR, NÃO TEM AR AQUI!!!! e tão logo eu também encontrei o famigerado MAL DA MONTANHA. Bom, eu já sabia que isso ia acontecer (porque 5 mil, 600 e lá vai pedrinha acima do nível do mar, fora que o Atacama já está a 2400 metros acima, é meio que né… bem previsto disso acontecer). Eu tenho um certo trauminha com esse lance de mal da montanha porque a primeira vez que senti, eu não sabia o que era e achei que estava mesmo tendo um treco (em Portillo – 2010), vomitei, não consegui comer, muita tontura e fiquei toda malzona mesmo. Em Cerro Toco não seria diferente os sintomas, o ar ali é (bem mais) rarefeito, mas eu já sabia como lidar melhor com isso. A gente estava numa subida, estava bem frio, porém, nesse aspecto foi relativamente tranquilo porque estávamos bem agasalhados, mas mesmo que você queira ou tente andar mais rápido não é possível, e não pelo caminho em si, mas realmente por conta da altitude: você sente uma pressão enorme na cabeça, dor de cabeça, batimentos acelerados, tontura e falta de ar. Não é uma sensação necessariamente que te leve ao desespero, mas assusta um pouco… Por isso que eu acho que a mente nessas horas conta tanto quanto o físico.

Fui prestando atenção nas minhas passadas, sincronizando com minha respiração e mentalizando musicas e muitas coisas boas dos momentos daquela viagem e ao longo da minha vida, pensei nos meus gatos, num banho quentinho quando pegávamos trechos com muito vento ahahaha enfim… é praticamente uma meditação e um ótimo exercício pra mentes ansiosas como a minha. Durante essa primeira etapa eu não pensei em tempo, simplesmente fui vivendo cada passo que eu dava, mas a uma certa altura eu tive que parar e respirar mais fundo, aí sim perguntei ao guia quanto tempo ainda faltava e ele disse: “nenhum, acabamos de completar os 40 minutos” UFA!!! Eu estava com a respiração e o coração muito acelerado, por um mísero segundo achei que não conseguiria, mas tratei logo de tirar esse pensamento negativo da minha mente, porque é lógico que eu ia conseguir, eu estava alí pra isso e queria testar meus limites, certo? Tomei um pouco de Gatorade, não quis comer o chocolate e o guia foi me orientando a inspirar pela boca e soltar devagar o ar pelo nariz pra equalizar minha respiração, além é claro, isso junto com os milhões de incentivos, dizendo que nós estávamos muito bem pelo tempo e distância que já tínhamos feito e isso AJUDA muito em um momento como esse.

Feito isso, continuamos nosso trekking. Teríamos mais uma hora pela frente (mais ou menos) e dessa vez alguns caminhos com um pouco mais de neve, mas nada muito tenso e deu pra fazer de boa (mais uma vez: bastões de trekking ajudam MUITO nessas horas). O objetivo do momento era: caminhar, respirar, não desmaiar, caminhar, respirar, não desmaiar ahahahaha, parei mais umas 2 ou 3 vezes, equalizei minha respiração e continuei… Desistir não tinha nem sequer passado pela minha cabeça, mesmo nos momentos mais complicadinhos. Eu só pensava em conseguir e conquistar o cume seria o meu prêmio, a minha superação. Fizemos mais uma pequena pausa e o guia nos disse: “Falta pouco! É alí (e apontou), só mais 200 metros e chegamos, bora conquistar esse cume?” Nessa hora eu acho que a sensação que dá deve ser a mesma quando se alcança o auge de uma meditação ou algum outro momento que você simplesmente se deixa levar, eu não consigo bem explicar o que exatamente de tão maravilhoso invadiu em mim nessa hora, mas acho que se o mundo tivesse acabado alí, naquele minuto, eu teria continuado minha caminhada mesmo assim porque naquele instante, era somente aquilo que importava pra mim. Acho que a corrida também proporciona muito disso, mas pra mim ali ainda era bem diferente porque eu não estava no meu “território” habitual e não estava fazendo algo que estou acostumada a fazer, entende?

E aí anda mais um pouco, respira mais um pouco, anda, anda e então chegamos. Eu não consigo por em palavras a sensação louca que é de chegar no cume de uma montanha, ao mesmo tempo que você se sente grande por ter conseguido, você se sente tão pequeno quanto um grão de areia também, porque é só olhar em volta e sentir como somos tão insignificantes em relação natureza, ao mundo e ao universo. Super piegas eu ficar retratando essas emoções, eu sei, e mais piegas ainda foi quando eu sentei numa pedra pertinho de uma pirambeira e comecei a chorar (é lógico que eu ia chorar, alguém ainda tinha duvida disso? ahahaha), mas são registros meus que eu gosto de deixar aqui. Com certeza foi uma superação pra mim, de todos os trekkings e trilhas que já fiz, Cerro Toco foi o mais emocionante de todos e o que mais mexeu comigo. A volta foi bem mais curta, o que não quer dizer que foi ao mesmo tempo fácil. O Rick e o nosso guia desceram como se estivessem apenas descendo uma escada, eu que sou mais comedida (leia-se medrosa), fui bem mais devagar. Quer dizer, foi e não foi mais fácil. Descida sempre tem aquilo de firmar o pé antes de dar o passo seguinte pra não sair rolando até ir parar na cidade e como o caminho da volta era cheio daquelas pedrinhas soltas, isso me rendeu um escorregão, nada sério, mas o Claudio (o guia) disse que sendo assim eu já poderia ter minha propriedade em Cerro Toco, é tipo um “batismo” pra quem leva algum tombo ou escorregão nas montanhas ahahaha.

A volta nos despedimos de Cerro toco e com uma vista linda de Licancabur (que está ainda nos meus planos) e depois de toda a experiência, penso que foi bom o vulcão Lascar não ter dado certo dessa vez, o trekking dele é um pouco mais difícil e leva mais tempo, eu teria conseguido ele também, mas teria sofrido mais. Algumas coisas que preciso mencionar: faço academia, corro e mesmo assim, não foi algo fácil pra mim. Eu acredito que Cerro Toco seja um trekking acessível pra (quase) todos, mas tenha em mente os perrengues também, porque como disse lá em cima: a mente é tão importante quanto o preparo físico e se você não estiver com o coração aberto pra isso, não vá. Outra coisa que preciso contar: o silêncio! Sim, o silêncio. Tanto quando estávamos subindo como quando estávamos descendo, é um silêncio que poucas vezes você sente na vida, principalmente quando se vive em cidades como a grande maioria de nós, a gente de certa forma se acostuma e aprende a viver com barulhos, mas o silêncio numa montanha chega a ser latente, a única coisa que você escuta são seus passos, mas o silêncio em volta chega a ser hipnotizante. Pra terminar esse post vou deixar uma música do RadioHead que viemos ouvindo na volta e me marcou muito. Esse dia está 10/10 na lista de coisas inesquecíveis em viagens.

Só pra título de curiosidade, essas são as altitudes de alguns vulcões do Atacama:

Lascar – 5500 metros de altitude
Cerro Toco – 5604 metros de altitude
Putana – 5890 metros de altitude
Licancabur – 5910 metros de altitude
Sairecabur – 5971 metros de altitude
San Pedro – 6145 metros de altitude
Aucalquincha – 6176 metros de altitude
Ojos del Salado – 6887 metros de altitude

27 set, 2017

O que fazer no Deserto do Atacama

Essa semana estava lendo um artigo que o Chile foi eleito através da World Travel Awards como o melhor destino da América do Sul para aventuras pela terceira vez consecutiva e não é pra menos, tem de ski a passeio no deserto, tem de praias a vulcão, sem contar que o turismo no Chile é muito bem feito, o governo investe uma grana boa e é por isso que voltamos pela segunda vez pra lá. Algumas pessoas tem a ideia de quando se fala em deserto tudo se resume a areia, areia, um pouco mais de areia e que não há muito o que se fazer. Se engana totalmente. O Deserto do Atacama tem centenas de passeios incríveis, alguns mais perto e outros bem mais longe que podem levar até dias, eu queria ter ficado muito mais tempo pra conseguir conhecer tudo o que tem lá, tem muita coisa legal  pra se fazer no Atacama e ainda penso em um dia voltar novamente.

Como disse no outro post sobre o deserto, agências de passeios ali não faltam e existem duas escolhas: você reservar lá quando chegar ou reservar com antecedência meses antes da sua viagem. Foi o que eu fiz e prefiro dessa forma porque você pode negociar um desconto e se programar melhor, principalmente se acontecer algum imprevisto de clima (o que aconteceu conosco em um dos passeios). Eu pesquisei bastante antes de fechar: pesquisei valores, opções de passeios, os mais legais, mas priorizei acima de tudo a confiança e segurança porque veja bem, estamos falando de um DESERTO que existe poucos recursos como socorro médico, posto de gasolina, comunicação, etc… Então você precisa de guias que te levem e te tragam dos lugares com segurança e obviamente todas agências lá possuem isso ou pra mais ou pra um pouco menos dependendo das suas expectativas e planos. Depois de muito pesquisar sobre tudo isso eu fechei meus passeios com a Ayllu Atacama que tem uma agência bem no centrinho, então é tranquilo pra encontrar quando se chega lá. Todos os feedbacks que li sobre a Ayllu são super positivos; tanto em blogs de viagem, como no TripAdvisor, eles responderam todas as minhas duvidas, perguntaram que seu tinha alguma restrição alimentar (alguns passeios tem café da manhã, almoço, lanche), pegaram meu horário de chegada e me deram informações importantes. Os passeios que eu fechei com eles foram:

Valle da La Luna, Laguna Cejar, Geyser El Tatio e Vulcão Lascar que tivemos que trocar pra Cerro Toco porque a estrada que leva até o vulcão estava fechada por conta da neve. No dia que chegamos, fechamos o roteiro com a Renata que nos atendeu muito bem e o primeiro da lista foi Valle de La Luna + pôr do sol no Valle de La Muerte: teve um trekking leve, teve entrada em caverna, vista maravilhosa (!), vinho, comidinhas e um pôr do sol maravilhoso com uma vista linda do vulcão Lincancabur, recomendo muito e é uma ótima opção pra se iniciar no Atacama:

Eu estou mostrando pela ordem dos passeios, eu só não me lembro se foi no segundo ou terceiro dia que demos um OFF pra conhecer o centrinho, mas o segundo que fizemos foi o Laguna Cejar: o famoso lago profundo que devido a quantidade absurda de sal que tem nele, você boia, não tem como afundar e é maravilhosa a vista de ter um lago desses no meio do deserto. A água é absurdamente gelada, já vou avisando, mas crie coragem e entre mesmo assim, vale muito a pena pela experiência e a gente só se vive uma vez na vida, né? Depois fomos pro Ojos del Salar que são duas crateras imensas com água doce e salgada onde se pode mergulhar, mas eu preferi só olhar mesmo porque eu já tinha tido a minha cota de encarar água gelada pro dia ehehehe e depois fomos para o pôr do sol Laguna Tebinquinche que o caminho é um pouco mais complicado e que nesta hora, final de tarde, o tempo já estava bem mais frio. Eu fiquei especialmente apaixonada por Laguna Tebinquinche porque além de ter uma vista maravilhosa, do tipo raro aos nossos olhos (fica no meio de um vale e recebe água do degelo das montanhas), é um lago muito sagrado, portanto é estritamente proibido tocar na água ou ultrapassar a linha da trilha que é demarcada. O pôr do sol ali é lindo também, conforme o sol vai se pondo a paisagem em volta vai mudando de cor, e a água do lago fica como um espelho refletindo tudo em volta, vimos tudo isso tomando um belo Pisco Sour e degustando comidinhas deliciosas (o pessoal da Ayllu foi muito querido e fez opções sem carne pra mim), outro passeio que vale muito a pena fazer:

No dia que fomos para os Geysers Del Tatio saímos antes mesmo do sol nascer. O guia nos buscou no hotel e de lá partimos. É preciso sair muito cedo por dois motivos: fica longe do Atacama (são quase duas horas de carro) e o espetáculo mesmo acontece quando o sol nasce e os geysers soltam aqueles vapores de água que chegam aos 10 metros de altura facilmente, isso acontece porque há um contraste muito grande entre a temperatura da água (por volta 85°C) e a temperatura ambiente, que neste dia pegamos os agradáveis -15°C ahahahahaha, ou seja, basicamente é o mesmo que se estivéssemos em cima de uma panela de pressão. Vocês lembram que eu disse que no Atacama quanto mais alto, mais frio? Pois bem, o Atacama está a 2.400 metros acima do nível do mar e o campo aonde fica os Geysers está a 4.320 metros, então esse é um dos passeios que é imprescindível camadas de roupas e um casaco adequado pra esse tipo de temperatura. O que pode acontecer também é sentir o tal do Mal da Montanha (enjoo, tontura, dor de cabeça, falta de ar), eu senti um pouco quando estávamos subindo de carro, mas como estou mais esperta com esse tipo de coisa, eu só tomei um pouquinho de café antes de sair do hotel e alguns golinhos de água durante o caminho, não quis comer nada porque é certeza que passaria mal, tomamos um belo café da manhã enquanto estávamos lá e aí foi super de boas porque o corpo já estava mais aclimatado. Foi sem dúvida um dos passeios que eu mais AMEI fazer e estando no Atacama você não pode deixar de incluir os Geysers del Tatio na sua lista, a volta também foi muito legal porque o que não vimos na estrada na ida por estar escuro, vimos tudo na volta e foi incrível:

E o penúltimo passeio que fizemos foi pra Pukara de Quitor, esse nós fizemos por nossa conta mesmo porque é bem próximo do centrinho do Atacama (3km) e não necessita de guias. Você pode alugar bicicleta ou ir a pé, escolhemos a segunda opção, ao chegar ao parque você paga uma entrada que sai por volta de mais ou menos 15 reais. Pukara de Quitor é um sítio arqueológico pré colombiano que foi construído no século XII (ou seja, essa ruína tem mais de 700 anos) e serviu de proteção dos atacamenhos que lutavam contra invasores. Pukara na língua dos quéchua significa “fortaleza” e Quitor é o nome do monte onde, em 1982 foi proclamado como monumento nacional. A subida é um pouco puxada, mas nada impossível, toda a vista que se tem quando se chega ao topo é compensadora:

O Atacama é um pedaço no mundo incrível pra se conhecer. E nos acontecimentos também: encontrei lá um amigo que conheci na Noruega, mas que agora mora em São Paulo, por um acaso ele viu no meu FB que eu também estava no Atacama e nos encontramos um dia para jantar juntos. Mundão pequeno, né? Há vários outros passeios além desses que fiz e tudo depende de quanto tempo você vai ficar e o quanto está disposto a gastar. A Ayllu não é uma das agências mais baratas, justamente por ter um turismo mais diferenciado, eles oferecem diversos atrativos que vão além dos lugares, além de um atendimento impecável, tanto na agência como os guias que nos acompanharam, aliás, o que já me perguntaram: Dá pra ir pros lugares sem guia? Creio que alguns até dão pra fazer sem um guia, porém não é recomendado! Eles mesmos lá enfatizam isso. É sempre mais seguro você estar com um guia que conheça o lugar e que esteja com equipamentos de segurança necessários: GPS no carro, sinal via satélite e rádio, caixa de primeiros socorros – essas coisas que fazem uma total diferença caso você precise delas. Portanto, eu recomendo que (tirando Pukara de Quitor), ninguém faça algum passeio sozinho. Pra quem viaja de carro (nós conhecemos um casal que saiu de Curitiba de carro e chegou até lá) eu não sei qual é o procedimento pra se visitar os lugares, então, pra quem tem essa intenção, pesquise muito bem antes. Pra fechar os posts sobre o Atacama (porque ainda falta do Chile) eu deixei Cerro Toco pra um outro post, uma vez que fazer esse trekking foi uma experiência única pra mim, então ainda vou escrever sobre ele contando tudo. Ah, e o post não é nenhum publi não, viu? Escrevi unicamente baseada na minha experiência. 🙂

13 set, 2017

Viajando: Chile – Deserto do Atacama

No mês de Agosto estivemos no Chile mais uma vez. A primeira vez foi no final de 2010 e passei o Ano Novo lá que foi incrível. Eu sou apaixonada pelo Chile! Amo Santiago. A cidade, as pessoas, os lugares, o clima. Mas dessa vez resolvemos escolher um Chile mais aventureiro e roots e fomos pro Deserto do Atacama. Ficamos 5 dias insanos lá, então como já falei sobre o Chile aqui no blog eu vou deixar pra depois os posts sobre Santiago e outros lugares que conheci e falar mais sobre o deserto que foi o ponto principal da nossa viagem. Hoje eu vou falar sobre como chegar até o Atacama, o vilarejo, dicas de lugares pra comer, se hospedar e coisas que não podem faltar quando se está num deserto,  no outro post falarei especificamente sobre os passeios que fiz.

Pra se chegar até o Atacama existem duas opções: estrada (que leva um dia partindo de Santiago) ou a melhor opção que é o aéreo: de Santiago você pega um voo (1 hora e 1/2 de viagem) até o aeroporto de Calama e de lá você pega um transfer (1 hora e 20 de viagem) até a vila de São Pedro do Atacama. No aeroporto mesmo há diversas empresas de transfer (nós escolhemos a Licancabur que te deixa na porta do seu hotel. O valor é $9.000 somente ida ou $14.000 ida e volta) ou você pode escolher ir de táxi também, nós escolhemos o transfer porque além de ser mais barato, eu tive uma confiabilidade maior com a empresa e uma coisa que não se pode reclamar do Chile é organização e opções de locomoção. Quando desci em Calama e olhei em volta eu já comecei a sentir toda a atmosfera do deserto, mas chegar no deserto do Atacama eu penso que deve ser a mesma sensação que pisar em outro planeta. Aquele lugar é outro mundo.

Chegamos em São Pedro do Atacama bem no comecinho da tarde. Fizemos o check in no hotel, ficamos hospedados no Atacamadventure Wellness & Ecolodge que fica mais ou menos uns 2 quilômetros do centrinho, mas a noite eles dispõem de transfers e o hotel tem uma estrutura muito boa também, tem até um ofurô pra relaxar, super recomendo. Do hotel fomos até o centrinho a pé mesmo e chegando lá já procuramos a Ayllu Atacama que foi aonde eu fechei todos os meus passeios. Eu cotei outras agências antes e nas minhas pesquisas, a Ayllu estava sempre muito bem indicada nos feedbacks dos viajantes, definitivamente eu também recomendo muito porque todos os passeios que fiz com eles foram todos incríveis. Montado o roteiro dos passeios com o pessoal da agência fomos procurar algo pra comer e no centrinho minúsculo do Atacama restaurantes não faltam, aliás as 4 coisas que não faltam ali são: restaurantes, agências de passeios, casas de cambio e mini mercadinhos. No vilarejo tem apenas uma farmácia e uma agência bancária, portanto já chegue lá meio que preparado nesses pontos. A comida é muito boa, na maioria dos lugares – embora não em todos, tem opções vegetarianas ou veganas no cardápio… Eu estava um pouco receosa quanto a isso porque achei que teria um pouco de dificuldade de encontrar comida sem carne, mas foi muito de boa em todos lugares que visitei. Ah, e outra dica importante e essa é para os aventureiros estilosos: tem uma loja na North Face e uma da Columbia também, importante saber principalmente se você precisa de uma blusa mais quentinha ou uma bota de trekking caso você tenha levado só tênis (vou falar sobre tênis X bota depois).

Aliás o tipo de vestimenta é algo muito importante pro Atacama e vou dizer o motivo: você tem calor e muito frio no mesmo dia, então é imprescindível estar preparado pros dois. Nessa época de agosto durante o dia o calor é de agradável pra mais frio, ou seja, até dá pra ficar só de camiseta durante o dia enquanto você está andando no sol e quando começa a entardecer você sente bem a temperatura começar a cair, a noite é bem frio mesmo. Dependendo do passeio que você vai também conta, quanto mais alto (acima do nível do mar), mais frio é, e eu estou falando de temperaturas entre -15 e -20 graus, portanto, roupas e camadas pra MUITO frio são necessárias. Outra coisa: boné, óculos de sol, protetor solar e água são quatro coisas que não existe como ficar sem no Atacama e embora nessa época o calor seja mais agradável, o sol é MUITO intenso e aí te dá aquela sensação falsa que não está queimando a sua pele, mas está sim e bastante. Protetor e água eu não preciso nem explicar, né? Estamos no deserto mais seco e mais árido do MUNDO. Outra coisa que eu acho super importante, mas que pouca gente conta: levar tênis ou bota de trilha/trekking? Eu levei os dois porque também fiquei em Santiago alguns dias, então eu precisava do tênis, mas no Atacama eu somente usei as botas de trekking, chinelo eu usei apenas dentro do hotel e o tênis ficou todos os dias intocados e guardados no mochilão. Se você não se incomoda em voltar com um tênis imprestável de sujo ou acha que pode ser mais confortável que as botas, ok, mas o chão lá é todo formado por pedrinhas, no centrinho nada é asfaltado, é tudo areia (tanto batida como solta) e dependendo do lugar que você irá, o tênis não vai proteger seus pés de andar num local mais arenoso e irregular, portanto na minha humilde opinião de trilheira amadora, as botas de trekking são muito melhores, a minha que é da Quechua voltou lindamente suja que só dei uma batida por cima com um pano e deixei assim mesmo, porque botas sujas são as que mais tem histórias pra contar.

Enfim… Essas são minhas dicas pra se iniciar no deserto.

O Atacama é um lugar extremo. É o extremo do mundo. É o extremo do seco, do quente, do frio, é selvagem, é mágico, é um lugar único! Antes de viajar eu estava com muitas expectivas e conhecer essa parte do Chile superou tudo aquilo que eu imaginava e foi além, te faz refletir sobre si e o mundo, eu voltei com muitas vivências maravilhosas. As fotos, os registros e as histórias nunca vão expressar nem 0.001% do que é estar presente ali e viver/sentir tudo aquilo, é por isso que eu digo: visitem o Atacama ao menos uma vez na vida! No próximo post eu vou contar sobre os passeios que fiz e quais eu mais gostei.

20 mar, 2017

Inglaterra: York

Já vou começar esse post dizendo: eu fiquei apaixonada pela histórica York. Que cidade incrível! É de cair o queixo, logo que você sai da estação de trem dá pra ter uma visão incrível da muralha que corta a cidade. Reservamos dois dias pra York e como o Marcelo teria que trabalhar e York fica muito mais ao norte da Inglaterra, foi muito mais viável ir de trem pra lá do que de carro, saindo de Londres dá umas 2 horas e meia de viagem.

York foi fundada em 71 pelos romanos e está muito bem preservada desde então, é por isso que é uma cidade tão procurada por viajantes. Por estar numa posição estratégica no sentido de ser um importante acesso de outros países e relativamente próxima aos países nórdicos (próxima do mar do norte), York teve muitas invasões ao longo de sua história e mesmo sendo fundada pelos romanos, a cidade tem uma influência Viking muito grande também, por conta disso ela foi chamada pelos nórdicos de Jorvik e que o tornaram a sua capital respectivamente. York é uma cidade praticamente toda murada o que dá uma visão muito mais ampla da época medieval, é possível andar sobre as muralhas e sentir como foi nessa época.

No centro da cidade há as conhecidas Shambles e tem esse nome porque é assim que eram chamadas as ruas na época medieval, as principais shambles são: King’s Shamble, Church Street, St. Andrew Gate e Stonegate (nosso hostel era pertinho da Stonegate). Com um comercio bem diversificado (cheio de pubs, cafés, lojinhas) é uma área exclusiva para pedestres e é muito conhecida porque é a rua medieval mais bem preservada da Europa. Essas ruinhas são todas sinuosas e bem estreitas, a noite o clima fica mais fantasmagórico, bem interessante também.

Outro lugar que eu amei conhecer foi o Clifford’s Tower – um símbolo da cidade. Em 1066, William, o conquistador, atravessou o Canal da Mancha com seus soldados e estava decidido a tomar York. Ele não só conseguiu como ainda construiu vários castelos e fortificações pra controlar a região. Uma destas fortificações é a Clifford’s Tower (ou parte do que restou dela ehehe) que fica no alto de uma colina e que dá pra ter uma visão ótima da cidade toda. Tem esse nome porque dizem que o Rei Edward II, mandou enforcar um lorde traidor de nome Robert Clifford, isso lá em 1322, fazendo com que ele fosse pendurado nas pedras. Desde então a torre passou a ser conhecida como a Torre de Clifford e é possível visitar a parte interna também.

Há várias outras atrações e lugares incríveis para se conhecer em York, a catedral é belíssima, mas não cheguei a entrar porque achei o preço um pouco salgado. Nos jardins ao redor do Museu há várias ruínas romanas, inclusive as ruínas da Saint Mary’s Abbey. Há passeios de barco pelo rio também ou você pode simplesmente andar por alí, beirando o rio, admirando a paisagem, enfim… Tem muita coisa pra conhecer. York é uma cidade que vale muito a pena incluir no seu roteiro de viagem ao Reino Unido, super recomendo. Um dia na cidade, numa viagem de bate e volta partindo de Londres eu acho pouco porque perderia muitas atrações, então vale a pena e ficar de 2 a 3 dias pra conhecer bem. Definitivamente entrou pra minha lista de cidades preferidas da Inglaterra.

09 mar, 2017

Inglaterra: Oxford e Cambridge

Na nossa ultima viagem, enquanto estivemos na Inglaterra também fomos conhecer Oxford e Cambridge: as duas cidades da Inglaterra conhecidas mundialmente por suas universidades. Primeiro vou falar de Oxford que fomos até lá de carro com o Marcelo e no outro post prometo escrever sobre York.

Oxford

Oxford é uma cidade pequena, facilmente dá pra conhecer muito fazendo o caminho a pé, uma vez que as atrações e toda a área universitária se concentram bem no centro. A cidade é uma graça e com uma arquitetura maravilhosa. Nomes importantíssimos passaram por lá: Bill Clinton, Oscar Wilde, J. R. R. Tolkien, Edmund Halley, Lewis Carroll (de Alice no País das Maravilhas). Mesmo sendo uma cidade pequena, Oxford tem muitas coisas pra ver, aliás, como tudo na Inglaterra, em Oxford por exemplo está a Bodleian Library que além de ser uma das bibliotecas mais antigas da Europa, é a segunda maior do Reino Unido depois da London’s British Library. Como fomos apenas pra passar um dia, optamos por um tour rápido pelos principais pontos da cidade e depois visitamos o Castelo de Oxford que foi uma ótima escolha. O castelo foi construído em 1071 as margens do rio Tâmisa e desde essa data até (pasmem!) – 1966 foi usado como prisão. Parte do castelo, após ter sofrido muitas destruições durante a Guerra Civil inglesa (1142), foi reconstruído e transformado em um hotel (o Marcelo já ficou hospedado lá quando estava viajando a trabalho e disse que apesar de ser bem confortável, deu à ele uma sensação muito estranha). E são nos edifícios do castelo que tem as visitas guiadas. Elas são feitas em grupos e acontecem todos os dias a partir das 10h. O ingresso para adultos custa £10.25 o que vale muito a pena. As primeiras histórias de Rei Arthur nasceram dentro das prisões do castelo (1136), escrita pelo monge galês Geoffrey de Monmouth, somente algumas colunas da capela sobreviveram e é possível visitar. Na saída do castelo há um café muito charmoso e que recomendo muito.

Cambridge

Dias depois fomos pra Cambridge e de carro também, mas dessa vez estava eu, Marcelo, Rick, Lau e Jean (primo do Lau e o motivo da viagem – afinal ele é matemático ehehe). Lá nos encontramos com o Alexz, amigo do Má que mora há muitos anos em Cambridge e foi nosso guia particular. Eu achei Cambridge um pouco mais animada que Oxford e com uma arquitetura igualmente rica, vários nomes importantes também passaram por lá: Isaac Newton, Charles Darwin, Lord Byron e os famosos mais atuais como Emma Thompson e Hugh Laurie. Passamos um dia muito divertido e agradável em Cambridge e que assim como Oxford é possível passear por toda a cidade a pé. Conhecemos bastante coisa: visitamos a igreja Great St Mary que por 3 libras (e se você tiver com muita disposição e pernas), é possível subir até o topo da igreja e ter uma vista magnífica da cidade. Visitamos também a área dos colleges (Trinity, Queens, Saint John e King), só não visitamos as áreas internas deles (principalmente pra tristeza do Jean) porque justo naquele dia estava acontecendo um evento fechado ao público. Almoçamos em um Pub muito legal (almoçar em Pubs pela Inglaterra é sempre garantia de boa comida e cerveja) e depois visitamos a parte dos canais (pelo Rio Cam) com aqueles passeios de gôndolas (punting) que passa por pontes super famosas como a Mathematical Bridge (reza a lenda que a estrutura de madeira foi construída por Isaac Newton, sem a utilização de parafusos) e uma outra que é igualzinha a Ponte do Suspiros de Veneza. Cambridge também é uma cidade super perto de Londres (de carro leva mais tempo, mas de trem é a apenas 45 minutos) que vale muito a pena visitar, não só pelo charme, arquitetura, mas principalmente por toda a história que engloba.

Quer ver mais destinos na Inglaterra? Aqui tem vários posts.

26 jan, 2017

Meu Ano Novo em Londres

Aparentemente o ano de 2017 está começando (só) agora aqui no blog, não é mesmo? Eu já tinha que ter postado alguma coisa neste humilde espaço, mas confesso que só não fiz por pura preguiça mesmo porque coisas pra contar, eu tenho bastante. Minha virada de ano não poderia ter sido mais incrível: eu estava em Londres e meu sonho – mesmo já sendo pela 4º vez que viajo pra lá – era passar um ano novo no meu lugar preferido do mundo.

Saímos daqui no dia 24 e chegamos lá bem no Natal (passei a ceia no avião mesmo ehehehe), o Marcelo e Lau foram buscar a gente no aeroporto porque no Natal, nenhum tipo de transporte funciona em Londres. Já é inverno na Europa e pegamos temperaturas que variaram entre 5 e -2 o que eu particularmente adoro porque eu amo inverno e nunca terei essas temperaturas mais baixas aqui no Brasil. A cidade estava maravilhosamente enfeitada pro Natal, especialmente a Regent’s e Oxford Street, os ingleses realmente sabem como decorar nessa época.

Como nas outras vezes, desta vez também ficamos hospedados na casa do Má que mora em Blackheath – região mais afastada do centro, próximo do parque de Greenwich e eu morro de amores por aquele pedacinho de Londres… A vida ali parece que passa mais devagar, com uma certa sutileza em dias lindos como esse:

Eu sou apaixonada por Londres e isso não é novidade pra quem lê meu blog ou me conhece. E acho incrível como sempre encontro coisas novas por lá em qualquer segmento: cultural, gastronômico ou um simples passeio pelas ruas, acho incrível que mesmo tudo aquilo que eu já tinha visto, ainda é capaz de me arrancar grandes suspiros. Eu fiz muitos passeios lá e desta vez – por já conhecer bem a cidade, fui com mais “calma” por assim dizer, acho que vi tudo com um olhar mais apurado, não só de viajante, mas de quem já viu como algumas coisas ali realmente são. E mesmo assim sempre me surpreendo.

Este post vou falar especificamente de como é o ano novo em Londres, eu visitei outras cidades: Oxford, Cambridge e York que terá um post para cada dessas e também vou escrever sobre algumas coisas que amei conhecer ou fazer novamente por Londres mesmo, mas nesse será somente sobre o ano novo.

O Má comprou os ingressos antecipadamente pra gente ver os fogos da região alí de Westminster: aonde pega o Parlamento e a London Eye e de uns anos cá é assim: você precisa de ingressos pra ver os fogos que custa 10 libras por pessoa (o que é muito barato pelo espetáculo que oferece), os setores são divididos por cores e nós escolhemos o setor azul: ficamos bem de frente pra London Eye, melhor vista.

No dia 31 chegamos lá por volta das 10 horas da noite. Estava frio, mas nada absurdamente que congelasse os ossos. O céu estava limpíssimo, sem foggy, nem nuvem. A segurança da cidade para este dia estava ultra reforçada, muito em parte pela preocupação de possíveis atentados, mas claro também por toda segurança que um evento tem que oferecer, os ingleses são bem cautelosos e organizados com isso. Quanto ao lance de atentados, honestamente eu procurei não pensar nisso desde o dia que saí daqui e eu vi que ali estava segura com tantos policiais em volta, mas mais ainda, vi que as pessoas estavam juntas, assim como eu, por um único bem comum: celebrar a chegada de um novo ano.

Tinha muita gente, muita mesmo… Mas estava relativamente fácil de transitar, principalmente se você precisasse ir a um banheiro químico, comprar algo pra beber/comer ou simplesmente se precisasse ir de um ponto ao outro. Como disse: ficamos na vista mais privilegiada, bem de frente a London Eye, sempre como exatamente sonhei. Levamos o nosso vinho (desde que não fosse de vidro e uma quantidade aceitável por pessoa, podia levar, não levamos champanhe porque só encontramos em garrafas de vidro) e nos divertimos TANTO antes mesmo dos fogos que nem sentimos o frio.

Durante todo esse tempo há um DJ que fica tocando alí pra animar a galera, a ultima música que ele tocou antes de começar a contagem regressiva foi uma do George Michael, todo mundo cantou junto, foi muito emocionante e uma bela homenagem, GM é muito querido no Reino Unido! Daí a musica terminou e um contador imenso apareceu refletido na frente de um prédio, iniciou-se a contagem regressiva… Eu não sei colocar o quão emocionante isso é em palavras, mas ficou um silêncio quase que total, só nos dez últimos 10 segundos que todo mundo começou a contar junto e quando o ultimo segundo soou, os sinos do Big Ben começaram a tocar. Fico arrepiada só de escrever.

Obviamente como manteiga derretida que sou, antes mesmo dos 10 segundos finais de 2016 eu já estava em lágrimas, chorando feito uma louca-chorona-da-virada-do-ano, claro que principalmente por estar alí no meio daquela celebração toda, mas principalmente também por estar virando mais um ano, mais uma nova etapa… Pra mim sempre tem um significado muito grande de renovação, de coisas novas e de boas esperanças. E foi incrível. Foi inesquecível. Esse vídeo da BBC mostra como foi lindo, mas só mesmo estando lá pra sentir como é:

A duração dos fogos é de 11 minutos. Depois disso o DJ continua, mas aos poucos a galera já vai se dispersando e as comemorações continuam pelas ruas de Londres. Nós: eu, Rick e Marcelo ficamos por alí dançando e nos divertindo por um bom tempo antes de começar a pegar o caminho de volta pra casa que também foi tão divertido quanto. Pra mim foi maravilhoso, foi além das minhas expectativas e se começou assim tão bem, desejo assim seja durante todo o ano de 2017, para mim e pra todos vocês.

Feliz Ano Novo! 🙂

14 ago, 2015

cilada de viagem

Eu adoro acompanhar blogs de viagens, mas ultimamente eu estou pegando uma certa birra deles. É muito comum, e eu diria que até insistente, você encontrar posts ~encorajadores~ do tipo: “fulano largou o emprego e foi viajar o mundo” ou “fulana viajou a Europa com apenas 1 euro por dia”. Amigos, eu digo uma coisa: não é bem assim. Não é nada disso na verdade!

Essa semana li um post num blog de viagens bem conhecido e que gosto muito, mas que me deixou bem intrigada com um post; era sobre um jovem português que viajou vários países da Europa “gastando” apenas 1 euro por dia. Isso tecnicamente, claro! E como ele conseguiu isso? Basicamente mendigando. Essa é a palavra. Em um trecho do post ele dizia que chegou a pedir esmola pra poder comer e que na grande maioria das vezes dependeu da boa vontade das pessoas mesmo. Na página do Facebook dele há vários posts inspiradores, contanto detalhes da viagem e blá blá blá e nossa! – vários patrocinadores também, entre eles a Decathlon (mas ué?). Eu não sei em qual parte da história isso é motivante e encorajador, mas pra mim não passa de algo humilhante e cara de pau. Pra dizer o mínimo.

Você viajar com o mínimo de gastos dá sim, mas requer planejamento e responsabilidade. Acompanho dezenas de blogs de viagens, já vi muita gente viajando com pouco, eu mesma sou adepta a esse estilo, mas faça isso de uma forma bem mais digna e responsável. O couch surfing, como uma amiga bem citou, é muito conhecido entre os viajantes e uma opção de viagem mais barata. Outro exemplo? Quem trabalha nos lugares que está viajando pra pagar comida, hospedagem e tudo mais… Isso é bem legal e muito comum em hostels. Carona? Desde que você tome certos cuidados também vale, tem muita gente generosa no mundo, mas gente ruim tá esparramado aos montes por aí e acho que nem preciso lembrar disso, não é?

ciladas-viagens

O que não é legal é você depender da boa vontade das pessoas e achar que está sendo “o super fodão” em mendigar comida ou aonde dormir (e ainda achar que está no lucro). Isso é um incomodo pras pessoas em volta e tem outro nome também – gente folgada. Pensa só: Se essa moda pega, imagina o caos que viraria nas cidades que 90% das pessoas são turistas? Outra coisa que é muito comum de ler nesses blogs é a história de alguém que, supostamente, jogou tudo pro alto, dizendo que largou o emprego e foi viajar o mundo quando se tem toda uma e$$$trutura por trás… Geralmente até papai e mamãe bancando as aventuras, mas isso a Globo não mostra e nem nunca vai mostrar. Aliás, não vejo nada de errado nisso, que fique bem claro, mas seja honesto porque nem tudo foi exatamente largado.

Aliás, qual o problema de trabalhar muito, juntar grana (e isso inclui as coisas que se abre mão, eu bem sei como é) e fazer uma viagem legal do jeito que você sempre quis e planejou? Christopher McCandless teve sua história contada no filme Na Natureza Selvagem e foi assim mesmo – ele largou tudo – TUDO mesmo! pra chegar até o Alasca, aliás, é de longe um dos meus filmes preferidos, a história é realmente maravilhosa, te faz refletir numa porrada de coisas, mas há um spoiler bem pertinente: ele se fode no final. ¯\_(ツ)_/¯

As pessoas adoram enfiar regras de como viver e aproveitar o mundo, de como somos dependentes do dinheiro e saem por aí parafraseando o clichêzão do Clube da Luta de que “bibibi compramos coisas que não precisamos”, do nosso hábito do conforto e de nossos empregos enfiados em um escritório, mas nenhuma se mete a largar tudo e fazer a mesma coisa tão na cara e a coragem como mostram. Eu pelo menos não conheço ninguém pessoalmente assim. Acho muito válido você se desprender de certos hábitos que estão enraizados na nossa vida e uma viagem é a maneira mais perfeita pra isso, principalmente inclusive, pra se desprender de muitos preconceitos, mas querer vender a receita duvidosa de largar tudo ou viver com miséria de mendigagem pra fazer a viagem dos seus sonhos é uma grande furada. Não, meus amiguinhos, não é bem por aí. Continuem viajando da maneira que lhe convém e lhe cabem, mas não se motivem cegamente por esse tipo de história.