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setembro 2014

Posts em setembro 2014.

Saudades em uma foto

O quanto que uma única foto pode dizer sobre a nossa evolução do que éramos e de como somos hoje? O quanto que uma foto pode trazer de lembranças dos tempos que não voltam mais? Não sei exatamente mensurar isso, mas posso garantir que é bastante coisa. Ontem um amigo meu me marcou numa foto que quando vi, um filme passou na minha cabeça.

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Esse é a foto do meu primeiro emprego (registrado), no meu primeiro dia de trabalho. Foi no começo de 2000, um pouquinho depois de eu ter entrado para a faculdade em 1999. Eu trabalhei na AOL, como muitos de vocês sabem e que infelizmente foi uma empresa de internet que não deu certo aqui no Brasil. Mas eu aprendi muito em todos os dias e anos que trabalhei lá, nossa, e como aprendi. Fiz muitos amigos também – essa é a parte mais legal e nostálgica dessa foto e por incrível e mais estranho que possa parecer – quando se fala em amizade verdadeira dentro do ambiente de trabalho, eu posso dizer que lá eu tive amigos de verdade. Sempre que alguém dessa época é marcado em alguma foto, todos – sem exceção, lembram sempre com muito carinho e saudades dos tempos que a gente trabalhava como loucos, mas nos divertíamos muito mais.

Meu codinome Jubalinha nasceu ali dentro, minha primeira internet discada, minha primeira conta de email. Meu blog literalmente nasceu ali dentro também; por ideia de um amigo que era meu companheiro de equipe e sentávamos um ao lado do outro – divididos apenas pelas baias e que, nos raros momentos de quase nenhuma ligação a gente ficava batendo papo, contanto histórias e dividindo experiências. Quantas festinhas, quantas histórias engraçadas dentro e fora do trabalho, quantas amizades cada um conquistou e posso dizer que éramos uma grande família, é claro, apenas com a parte boa que uma família proporciona.

Não tenho mais o mesmo contato com todos, mas estamos sempre por perto da maneira que cada um pode: uns casaram, tiveram filhos, uns continuam trabalhando na área, outros seguiram uma linha de profissão totalmente diferente, alguns estão morando fora e mesmo que inevitavelmente a vida tenha traçado uma rota diferente na estrada de cada um, são pessoas que se todos nós um dia nos encontrássemos, seria aquela sensação de como se fosse ontem e que deixaria o coração de todo mundo quentinho.

O que uma foto pode transmitir? Toda a saudade de tempos que não voltam mais, mas principalmente a gratidão por ter passado gente tão do bem no nosso caminho.

“E se os sonhos e as recordações se misturam, é assim mesmo que deve ser, porque todos merecem ser heróis.” Kevin Arnold – Anos Incríveis

Naquele tempo…

No final de semana meus pais foram viajar e eu dormi na casa deles pra não deixar o Ozzy sozinho, uma vez que, não daria muito certo ele e os gatos debaixo do mesmo teto na minha casa. Tem muita coisa minha na casa da minha mãe, principalmente nos meus tempos de escola. Eu tenho uma caixa, que já falei dela aqui, aonde guardo muitas recordações principalmente da minha infância até o começo da minha adolescência, quando assim como toda menina naquela época, era apaixonada por agendas e diários. No sábado, eu peguei essa caixa e comecei a dar uma olhada em tudo… Foi sensacional, foi como se um baú mágico do passado se abrisse e um filme passasse na minha frente.

Entre as muitas coisas que encontrei, há uma enquete que fiz quando estava na 5a série. Eu tinha 11 anos. E ri muito com as respostas e com as minhas perguntas do tipo “quem você levaria pra uma ilha deserta?”, foi muito engraçado e gostoso de ler. Na faixa etária de 11 anos nossos passatempos preferidos eram brincar, ver tevê e ouvir música. Muitos almejavam como profissão ser veterinários, jogadores de futebol, professores, bancários… Teve um que respondeu que ser feliz já era o suficiente. Lasanha era o prato preferido da grande maioria, a gente (ainda) nem sabia o que era o McDonald’s e muito menos o termo que, futuramente, vinha a ser ‘Junkie Food’. Conhecer os EUA (ir a Disney), ir no programa da Angélica (o excêntrico sonho de uma amiga que era doida por ela) ou ganhar uma mobilete, estava entre os tantos desejos quando eu perguntei qual era o sonho de cada um. Éramos crianças e todos grandes sonhadores.

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Como aquele tempo era tão diferente do que é hoje…

Tudo tão mais suave, tão mais simples, mais doce… Não que essa constatação seja na verdade uma reclamação da minha parte de como o mundo é principalmente hoje com a geração dessa idade, não é bem isso, mas confesso que dá uma pontinha de frustração ver como algumas ~evoluções~ são, quando convivemos hoje em dia. Eu com 11 anos escrevi que uma das minhas diversões era brincar de boneca e assistir televisão (Clip Trip, a MTV também ainda não tinha chegado) e uma das perguntas básicas e diretas de: “você tem namorado(a)?” eu e mais um monte de gente respondeu: “não, sou muito nova pra namorar”, só uma pessoa – uma amiga de classe respondeu “eu tenho um paquera” ahahahahah, quem hoje em dia usa a palavra ‘paquera’ com esse amor mais instantâneo que miojo pros assuntos do coração?

E os poeminhas? Ninguém precisava googlar citações de Clarice Lispector ou Carlos Drummond pra parecer intelectual com os amigos, os poeminhas muitas vezes era de criação própria, mas muito mais sinceros e de coração. Lá também estão as respostas dos meus pais que na época estavam com 36 anos, ou seja, apenas um ano a mais da minha idade hoje… Essa parte pra mim foi meia assustadora porque as vezes é meio difícil de imaginar que nossos pais já tiveram a mesma idade que a nossa. Sem contar a minha paciência de monge pra escrever [TUDO] a mão nos meus diários, nas cartinhas, inventar códigos secretos mirabolantes pra escrever coisas que você não queria que ninguém lesse e depois é claro, perder o tal papelzinho dos códigos (ahahahaha), um monte de colagens que com uma simples revista eu tinha criatividade pra criar coisas tão fofas quanto os scrapbooks de hoje em dia… Ou aquela caneta rosa favorita que notavelmente dava pra perceber que no final do diário ela já estava com a tinta bem mais fraca de tanto que foi usada durante todo o ano. As cartinhas recebidas, os cartões de natal, os bilhetinhos, as lembrancinhas daquela festinha de aniversário com data e inclusive o ano.

As coisas inevitavelmente mudam, se adequam, se adaptam para um mundo que está sempre seguindo nesse constante caminho que chamamos de evolução e embora muita gente diga que “no meu tempo era melhor”, temos que ter em mente que tudo passa por um processo de mudança por uma questão de necessidade, mesmo que isso muitas vezes dê uma certa melancolia diante de tudo tão diferente. As coisas mudam, as pessoas mudam, tudo muda e pra tudo isso, há o tempo que realmente não para, deve ser por isso também que temos aquela assustadora impressão de que cada vez passa mais rápido… Mas são com essas lembranças de coisas, pessoas e momentos, que a gente percebe como principalmente somos hoje como pessoas, acredito que tudo isso seja um reflexo e mesmo que pra muita gente o caminho tenha se desviado e traçado uma outra rota, temos aquela essência de tempos maravilhosos que, vamos carregar por toda a nossa vida. 🙂