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outubro 2017

Posts em outubro 2017.

Receita: Pão de “queijo” vegano

Gostem ou não, daqui pra frente todas receitas que aparecem neste blog serão VEGANAS e pelos motivos óbvios que não preciso explicar. Quem diz que vegano tem opções muito restritas do que comer, não sabe o que está falando e não sabe principalmente das descobertas maravilhosas que se tem quando se adota o veganismo pra vida. A gente descobre coisas novas, sabores e ideias. Semana atrás eu ganhei um livro maravilhoso da Lia com mais de 150 receitas, TODAS VEGANAS:

Já fiz algumas receitas do livro que além de deliciosas são super fáceis e ontem a Luciana me passou uma receita de pão de beijo, mais conhecida como pão de “queijo” vegano. Eu já estava com a ideia de fazer, mas a Lu (que é mineira e não vegana) passou pra mim e eu fiquei morrendo de vontade quando ela ainda me disse que ficava uma delícia, ou seja, se uma MINEIRA disse que o pão de queijo vegano fica super gostoso, então pode confiar.

Vamos a receita:

INGREDIENTES
– 5 ou 6 mandioquinhas (conhecida também como batata baroa) médias
– 4 xícaras de chá de polvilho doce
– 1 xícara de chá de polvilho azedo
– 1 xícara de chá de óleo de coco bem quente (pode substituir por azeite extravirgem de oliva)
– 1 xícara e 1/2 de chá de água bem quente

Sal a gosto.

MODO DE PREPARO
Cozinhe a mandioquinha e, depois, amasse bem para formar um purê. Misture esse purê com os polvilhos e o sal. Acrescente aos poucos o óleo e continue misturando. Por último, acrescente a água. Misture tudo até conseguir uma massa homogênea. Faça bolinhas pequenas com as mãos (a massa não gruda nas mãos). Preaqueça o forno e asse em forno baixo/médio (aproximadamente 180º) por mais ou menos 40 minutos.

O resultado é um pão crocante por fora e macio por dentro, sabor MELHOR que pão de queijo:

Ficou muito gostoso, porém, numa próxima eu vou fazer algumas adaptações: colocar menos óleo de coco ou testar com azeite, mas menos que uma xícara, o sabor do óleo de coco sobressai um pouquinho. Ao invés de 4 xícaras do polvilho doce e 1 do azedo eu faria 2/2. É o azedo que dá aquele saborzinho mais marcante ao pão de queijo, veremos como será na próxima. Mas o melhor de tudo, além de gostoso, é essa receita ser zero crueldade animal: nada de leite, ovos e queijo. Temperinhos secos casam muito bem. Inhame e batata doce no lugar da mandioquinha também deve ficar bom. Ótimo acompanhamento pra um café da manhã/tarde ou pra receber as visitas.

Show do U2 – The Joshua Tree

U2 sempre fez parte da minha vida. Cresci ouvindo suas músicas e mesmo não sendo aquele tipo de fã que acompanha super de perto a banda e está sempre atualizada com tudo que acontece, eu SEMPRE amei U2. Quando a turnê foi anunciada aqui no Brasil eu já estava certa de que ia de um jeito ou de outro. Não podia perder essa, pois das outras vezes não teve como e ir a um show deles sempre fez parte da minha lista de shows que eu precisava assistir ao menos uma vez na vida. E aí quando começaram a vender os ingressos foi aquela palhaçada de sempre que só quem vai em shows aqui no Brasil sabe muito bem como é. Esgotou rápido no primeiro dia, segundo idem e eu já estava me frustrando quando por um acaso conversando um amigo, descobri que ele tinha conseguido dois ingressos a mais e estava vendendo.

Eu e Rick fomos no show do dia 19/10 – a primeira data anunciada e foi no estádio do Morumbi que estava completamente lotado! A turnê The Joshua Tree – em comemoração aos 30 anos do álbum, já passou por uma porrada de países e só aqui no Brasil serão 5 shows (4 já foram, o ultimo é na quarta) e se tivesse mais datas, certamente teria lotado da mesma forma. Eu não vou ficar detalhando tudo, mas posso dizer com toda certeza que foi um show maravilhoso, pra dizer o mínimo. A abertura foi com ninguém menos que Noel Gallagher que fez um ótimo show de abertura, cantando suas músicas de carreira solo e algumas memoráveis do Oasis. Mas quando o U2 entrou naquele palco o estádio inteiro veio abaixo. Que show. Que estrutura foda. E teve muita coisa no meio disso: Teve crítica a Trump, teve Larry Mullen vestindo uma camiseta com os dizeres “censura nunca mais”, teve citações de Martin Luther King no telão daquele palco monstruoso de enorme enquanto ele cantava Pride. Bono Vox é envolvido com diversas causas sociais. Seu ativismo aborda política, religião, pobreza e naturalmente essa abordagem também esteve presente nesta turnê, pra quem conhece o mínimo das ações humanitárias do Bono ou das letras das canções – principalmente alguns dos hits (especialmente desse álbum que levou o nome a turnê) sabe que isso é de praxe em seus shows. Bono está inteiraço pros seus 57 anos, não só ele, mas a banda toda também. Extremamente simpático e carismático com o publico, estava o tempo todo arranhando diversas palavras em português com aquele sotaque irlandês fofo, eu digo que é impossível não se apaixonar por Bono Vox.

Créditos para: Ivan Pacheco

Créditos para: Ivan Pacheco

E as músicas? Ah as músicas… Não tem como não se emocionar! Pra mim a parte mais marcante do show foi quando ele começou a cantar “where the streets have no name” enquanto cenas de uma estrada eram mostradas no telão. Eu chorava, tremia e cantava… Tudo ao mesmo tempo. É U2, né mores? Teve One, Beautiful Day, Sunday Blood Sunday, Whith or Without You também e nossa… Eu saí daquele estádio como se tivesse flutuando e no outro dia eu ainda estava anestesiada com esse show. Não fiz nenhuma foto porque 1) da onde eu estava as imagens não iam ficar legais 2) eu estava com pouca bateria e ia precisar do celular pra voltar pra casa 3) eu queria aproveitar o máximo do show e não ficar me apegando em fotos, guardei tudo na minha memória.

U2 sempre vai fazer parte da minha playlist, são canções que em algum momento da nossa vida vão nos marcar em alguma coisa, essa é uma das magias que a música nos proporciona e eu tenho várias do U2 marcadas na minha vida… Acredito também que dado ao cenário um tanto quanto sombrio do mundo que temos nos dias de hoje, essa turnê também desperta uma reflexão mais humanística dentro de nós, precisamos sim e cada vez mais de vozes como a de Bono Vox. 

Cerro Toco – Deserto do Atacama

Quando nós fechamos a viagem pro Deserto do Atacama, entre todos os passeios que pesquisei, eu queria fazer algo que fosse mais… Como posso dizer? Algo mais ousado… Que pudesse testar meus limites ou chegar perto disso. Queria algo mais pancadão, sabe. Eu tinha pesquisado muito sobre o trekking ao vulcão Lascar (um dos vulcões AINDA ATIVO do Atacama) e fiquei doida pra fazer. Fechamos esse com a Ayllu, porém quando chegamos lá, fomos informados que a estrada que leva ao vulcão estava fechada por conta da neve e provavelmente ia continuar assim por mais um mês. Esse ano foi bem atípico no Atacama: teve muita neve e chuva, algo que não acontecia há anos e isso em meados de julho atrapalhou um pouco a vida de quem viajou pra lá. Fiquei chateada quando soube disso, é possível ver o Lascar por muitos lugares e bem pela manhã dava pra ver uma fumacinha saindo dele, foi um dos passeios que eu mais estava esperando, mas aí nos deram outra opção: Cerro Toco. Cerro Toco é um estratovulcão (ou seja, vulcão em forma de cone que são formados de camadas de fluxo de lava, cinzas e blocos de pedra) que não está mais ativo e o cume está a 5604 metros acima do nível do mar. A caminhada leva mais ou menos de 1:30 à 3 horas pra subir e mais ou menos 1 hora pra descer, é mais suave de subir que o Lascar segundo as informações passadas à nós (ahahahahaha eu tô rindo aqui sozinha porque vou chegar nessa parte), mesmo Cerro Toco sendo maior na altitude.

Então vamos pra Cerro Toco.

Por recomendação deixamos esse pro ultimo dia no Atacama, assim o corpo estaria mais aclimatado. Um dia antes fizemos uma pequena reunião com nosso guia que nos passou as condições do tempo (-10 graus durante o trajeto e -15 no cume), roupa adequada pra suportar o frio, o que levar, alimentação e alguns cuidados antes de ir. Na sexta feira o guia passou pra nos pegar cedinho e era pra ter ido mais um casal com a gente, mas eles acabaram desistindo, então fomos só nós 3. A viagem de carro durou mais ou menos 1 hora e como sempre passando por lugares incríveis, chegando lá começamos a nos preparar pra subida: gorro, paninho de proteção pra nariz e boca por conta do vento, óculos (indispensável), meias e luvas térmicas (que eu não tinha e o guia providenciou pra gente), capacete e na mochila apenas o necessário: um lanche, um saquinho bem farto de frutas secas e oleaginosas, uma barrinha de chocolate e um Gatorade de 1 litro. Paramentados, recebemos 1 bastão de trekking pra cada mão (descobri que isso realmente faz uma TOTAL diferença) e o plano era: primeiramente não morrer (ahahaha brincadeira), caminhar os 40 primeiros minutos sem pausa, depois uma pausa rápida pra tomar algo, comer umas frutinhas secas e continuar. Como caminhar em lugares assim? Passos lentos (SEMPRE!), curtos e sempre respirando devagar – conforme as passadas, não é nada parecido como se caminha na cidade, por exemplo, e menos ainda trote rápido, apenas.caminhar.devagar. Se alguém se sentisse mal era só falar, o tempo de cada um seria respeitado.

E aí fomos. Os primeiros minutos foram meio confusos pra eu ajeitar minha passada com o bastão de trekking, uma vez que coordenação nunca foi um ponto forte em mim. Rola todo um esqueminha da passada com o movimento dos bastões, mas logo me ajeitei com isso e fui. Se ajeita, sobe, respira, sobe, sobe, sobe, respira – NOSSA! QUE FALTA DE AR, NÃO TEM AR AQUI!!!! e tão logo eu também encontrei o famigerado MAL DA MONTANHA. Bom, eu já sabia que isso ia acontecer (porque 5 mil, 600 e lá vai pedrinha acima do nível do mar, fora que o Atacama já está a 2400 metros acima, é meio que né… bem previsto disso acontecer). Eu tenho um certo trauminha com esse lance de mal da montanha porque a primeira vez que senti, eu não sabia o que era e achei que estava mesmo tendo um treco (em Portillo – 2010), vomitei, não consegui comer, muita tontura e fiquei toda malzona mesmo. Em Cerro Toco não seria diferente os sintomas, o ar ali é (bem mais) rarefeito, mas eu já sabia como lidar melhor com isso. A gente estava numa subida, estava bem frio, porém, nesse aspecto foi relativamente tranquilo porque estávamos bem agasalhados, mas mesmo que você queira ou tente andar mais rápido não é possível, e não pelo caminho em si, mas realmente por conta da altitude: você sente uma pressão enorme na cabeça, dor de cabeça, batimentos acelerados, tontura e falta de ar. Não é uma sensação necessariamente que te leve ao desespero, mas assusta um pouco… Por isso que eu acho que a mente nessas horas conta tanto quanto o físico.

Fui prestando atenção nas minhas passadas, sincronizando com minha respiração e mentalizando musicas e muitas coisas boas dos momentos daquela viagem e ao longo da minha vida, pensei nos meus gatos, num banho quentinho quando pegávamos trechos com muito vento ahahaha enfim… é praticamente uma meditação e um ótimo exercício pra mentes ansiosas como a minha. Durante essa primeira etapa eu não pensei em tempo, simplesmente fui vivendo cada passo que eu dava, mas a uma certa altura eu tive que parar e respirar mais fundo, aí sim perguntei ao guia quanto tempo ainda faltava e ele disse: “nenhum, acabamos de completar os 40 minutos” UFA!!! Eu estava com a respiração e o coração muito acelerado, por um mísero segundo achei que não conseguiria, mas tratei logo de tirar esse pensamento negativo da minha mente, porque é lógico que eu ia conseguir, eu estava alí pra isso e queria testar meus limites, certo? Tomei um pouco de Gatorade, não quis comer o chocolate e o guia foi me orientando a inspirar pela boca e soltar devagar o ar pelo nariz pra equalizar minha respiração, além é claro, isso junto com os milhões de incentivos, dizendo que nós estávamos muito bem pelo tempo e distância que já tínhamos feito e isso AJUDA muito em um momento como esse.

Feito isso, continuamos nosso trekking. Teríamos mais uma hora pela frente (mais ou menos) e dessa vez alguns caminhos com um pouco mais de neve, mas nada muito tenso e deu pra fazer de boa (mais uma vez: bastões de trekking ajudam MUITO nessas horas). O objetivo do momento era: caminhar, respirar, não desmaiar, caminhar, respirar, não desmaiar ahahahaha, parei mais umas 2 ou 3 vezes, equalizei minha respiração e continuei… Desistir não tinha nem sequer passado pela minha cabeça, mesmo nos momentos mais complicadinhos. Eu só pensava em conseguir e conquistar o cume seria o meu prêmio, a minha superação. Fizemos mais uma pequena pausa e o guia nos disse: “Falta pouco! É alí (e apontou), só mais 200 metros e chegamos, bora conquistar esse cume?” Nessa hora eu acho que a sensação que dá deve ser a mesma quando se alcança o auge de uma meditação ou algum outro momento que você simplesmente se deixa levar, eu não consigo bem explicar o que exatamente de tão maravilhoso invadiu em mim nessa hora, mas acho que se o mundo tivesse acabado alí, naquele minuto, eu teria continuado minha caminhada mesmo assim porque naquele instante, era somente aquilo que importava pra mim. Acho que a corrida também proporciona muito disso, mas pra mim ali ainda era bem diferente porque eu não estava no meu “território” habitual e não estava fazendo algo que estou acostumada a fazer, entende?

E aí anda mais um pouco, respira mais um pouco, anda, anda e então chegamos. Eu não consigo por em palavras a sensação louca que é de chegar no cume de uma montanha, ao mesmo tempo que você se sente grande por ter conseguido, você se sente tão pequeno quanto um grão de areia também, porque é só olhar em volta e sentir como somos tão insignificantes em relação natureza, ao mundo e ao universo. Super piegas eu ficar retratando essas emoções, eu sei, e mais piegas ainda foi quando eu sentei numa pedra pertinho de uma pirambeira e comecei a chorar (é lógico que eu ia chorar, alguém ainda tinha duvida disso? ahahaha), mas são registros meus que eu gosto de deixar aqui. Com certeza foi uma superação pra mim, de todos os trekkings e trilhas que já fiz, Cerro Toco foi o mais emocionante de todos e o que mais mexeu comigo. A volta foi bem mais curta, o que não quer dizer que foi ao mesmo tempo fácil. O Rick e o nosso guia desceram como se estivessem apenas descendo uma escada, eu que sou mais comedida (leia-se medrosa), fui bem mais devagar. Quer dizer, foi e não foi mais fácil. Descida sempre tem aquilo de firmar o pé antes de dar o passo seguinte pra não sair rolando até ir parar na cidade e como o caminho da volta era cheio daquelas pedrinhas soltas, isso me rendeu um escorregão, nada sério, mas o Claudio (o guia) disse que sendo assim eu já poderia ter minha propriedade em Cerro Toco, é tipo um “batismo” pra quem leva algum tombo ou escorregão nas montanhas ahahaha.

A volta nos despedimos de Cerro toco e com uma vista linda de Licancabur (que está ainda nos meus planos) e depois de toda a experiência, penso que foi bom o vulcão Lascar não ter dado certo dessa vez, o trekking dele é um pouco mais difícil e leva mais tempo, eu teria conseguido ele também, mas teria sofrido mais. Algumas coisas que preciso mencionar: faço academia, corro e mesmo assim, não foi algo fácil pra mim. Eu acredito que Cerro Toco seja um trekking acessível pra (quase) todos, mas tenha em mente os perrengues também, porque como disse lá em cima: a mente é tão importante quanto o preparo físico e se você não estiver com o coração aberto pra isso, não vá. Outra coisa que preciso contar: o silêncio! Sim, o silêncio. Tanto quando estávamos subindo como quando estávamos descendo, é um silêncio que poucas vezes você sente na vida, principalmente quando se vive em cidades como a grande maioria de nós, a gente de certa forma se acostuma e aprende a viver com barulhos, mas o silêncio numa montanha chega a ser latente, a única coisa que você escuta são seus passos, mas o silêncio em volta chega a ser hipnotizante. Pra terminar esse post vou deixar uma música do RadioHead que viemos ouvindo na volta e me marcou muito. Esse dia está 10/10 na lista de coisas inesquecíveis em viagens.

Só pra título de curiosidade, essas são as altitudes de alguns vulcões do Atacama:

Lascar – 5500 metros de altitude
Cerro Toco – 5604 metros de altitude
Putana – 5890 metros de altitude
Licancabur – 5910 metros de altitude
Sairecabur – 5971 metros de altitude
San Pedro – 6145 metros de altitude
Aucalquincha – 6176 metros de altitude
Ojos del Salado – 6887 metros de altitude

Livro: Lugar Nenhum

“Em Lugar Nenhum Neil Gaiman conta a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive uma vida normal em Londres. Tem um bom emprego e vai se casar com a mulher ideal. Uma noite, porém, ele encontra na rua uma misteriosa garota ferida e decide socorrê-la. Depois disso, parecer ter se tornado invisível para todas as outras pessoas. As poucas que notam sua presença não conseguem lembrar exatamente quem ele é. Sem emprego, noiva ou apartamento, é como se Richard não existisse mais. Pelo menos não nessa Londres. Sim, porque existe uma outra – a Londres-de-Baixo. Constituída de uma espécie de labirinto subterrâneo, entre canais de esgoto e estações de metrô abandonadas, essa outra Londres é povoada por monstros, monges, párias, nobres, decaídos e assassinos – e é para lá que Richard vai.”

Esse livro tinha tudo pra eu amar: uma história de Neil Gaiman e Londres. Mas, infelizmente, não foi exatamente isso que aconteceu. “Lugar Nenhum” não é uma história ruim, mas pra mim faltou e sobrou muito ao mesmo tempo e vou explicar o porquê: o começo é muito legal, você sente que “uau, essa história será boa”, mas quando a história começa a desenrolar, ela se perde ao longo dos capítulos e do meio em diante, fica maçante.

Ao menos para mim não fluiu como eu esperava. Gaiman descreve Londres com uma riqueza de detalhes surpreendente e eu achei isso tão fantástico que preciso ressaltar, mas acho que pecou falando demais sobre muitos personagens que não tiveram praticamente relevância alguma na história (As 7 Irmãs, o Conde, Lamia), sendo que ele poderia ter contato muito mais sobre os principais – algo que não fez e aí acabou faltando algumas repostas pras minhas perguntas: Quem decide aonde será o próximo mercado? Como surgiu a Londres de baixo? E o pai de Door? Não sabemos nada da vida dele. Como Richard conseguiu enxergar Door? Isso fez com que a história ficasse com alguns fios soltos, o final ficou um pouquinho melhor, mas achei que a história poderia ter sido melhor explorada. Não é um livro de todo o ruim, veja bem… Mas eu que amei tanto “Deuses Americanos” ou “Oceano no Fim do Caminho” – histórias essas que superam minhas expectivas que acabei achando que “Lugar Nenhum” fosse no mínimo ser tão bom quanto, com certeza não é um dos melhores de Neil Gaiman, mas não é de todo o ruim. Vai ganhar só 2 das 4 xícaras: