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Backpacker: Berlim

Nessa viagem, Berlim foi uma das cidades que de longe, eu mais amei conhecer. Berlim além de ser a capital, é a maior cidade da Alemanha com mais de 5 milhões de habitantes… É uma cidade que historicamente falando, muitas coisas e, em vários períodos importantes aconteceram na história tanto do país como no mundo e que possivelmente, vão ecoar por toda a eternidade (por mais que certos acontecimentos as pessoas de lá evitem um pouco de falar, por assim dizer).

Quando começamos a planejar nossa viagem eu queria muito conhecer Berlim. Porém pelo nosso roteiro, ficaria um pouco fora de mão mesmo que fôssemos passar pela Alemanha. Mas, “apertando” um pouco mais nos lugares que iríamos passar antes, conseguimos colocar Berlim no roteiro e foi um dos mais legais que passei. Pegando a parte da história mais recente, Berlim foi a capital do Terceiro Reich (1933-1945) e depois da Segunda Guerra Mundial, a cidade foi dividida entre Berlim Oriental (RDA) e Berlim Ocidental (RFA). A queda do muro de Berlim aconteceu em 1989, mas a cidade só foi unificada novamente em 1990. Na Primeira Guerra Mundial, Berlim não sofreu tanto com os reflexos da guerra, mas já na Segunda Guerra, a cidade foi completamente destruída pelos bombardeios. Tanto que muitos monumentos históricos que sobreviveram a guerra, é possível até hoje – se você observar com mais atenção, ver buracos de bala espalhados por vários deles (e isso me impressionou bastante). Por toda a cidade, há edifícios modernos, mas há também ruínas marcadas pelas guerras em meio de muita história, é fascinante ver como tudo isso foi se misturando com o passar dos anos.

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Berlim é abarrotado de lugares pra conhecer, ficamos 3 dias lá e ainda ficou pra trás muita coisa que eu gostaria de ter visitado, mas não fui por questão de tempo mesmo, então vale a pena você montar um roteiro de passeios antes e ler muito sobre a cidade, pra quando chegar lá ver tudo com olhos mais apurados. O transporte é muito eficaz, principalmente o metrô e com ele como aliado, dá pra ganhar bastante tempo, embora muita coisa é muito mais emocionante fazer a pé – como seguir o caminho do parque Tiergarten e chegar no Portão de Brandemburgo, isso é sensacional. Com lugares que você TEM que conhecer, eu recomendo: Praça Alexanderplatz, Portão Brandemburgo que é o maior símbolo da reunificação alemã, Checkpoint Charlie, a catedral Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis, Bebelplatz muito famosa pois foi ali que aconteceu a queima de livros promovida pela SS, o Memorial às Vitimas do Holocausto, o East Side Gallery que é parte mais preservada aonde passou o muro de Berlim, Museu da Topografia do Terror que, aliás, todos esses que citei até agora, você não paga absolutamente nada pra visitar. E mesmo alguns como o monumento Siegessäule que é um obelisco histórico lindo, a Ilha dos Museus, a Nova Sinagoga reconstruída após a Segunda Guerra (que era BEM na rua do nosso hostel), são passeios pagos, mas não são caros e vale super a pena conhecer.

Também visitei um campo de concentração, o segundo no meu currículo de viajante. Minha ideia quando escolhi Berlim, era de fato! – fazer esse tour mais ligado a Segunda Guerra, mas conhecer mais um campo, a princípio, nem estava muito nos planos do Rick e na verdade nem nos meus, porém conhecemos no nosso hostel a Amanda e o João – brasileiros viajantes também, que nos perguntaram sobre campos de concentração e no fim, fomos nos 4 juntos até o Campo de Sachsenhausen. De trem fica mais ou menos uns 40/50 minutos de Berlim e é bem fácil de chegar até ele. O Campo de Sachsenhausen foi construído em 1936, destinados a princípio para presos políticos, mas em 1938 foram levados para lá milhares de judeus, e entre 1940/41, milhares de polacos e militares soviéticos também… Estima-se que cerca 200 mil pessoas aproximadamente passaram em Sachsenhausen e foram submetidas as várias formas horríveis de crueldade que, quem já leu um pouco sobre a Segunda Guerra, pode imaginar o horror que foi. O sistema do campo é muito parecido com o de Dachau que conheci em 2011 e embora eu tenha achado Dachau mais sinistro em muitos aspectos, Sachsenhausen também não fica atrás: as fornalhas estão lá, os paredões de fuzilamento, as câmaras de gás, os lugares aonde experiências grotescas eram feitas. É muito triste e emocionante ver tudo isso de perto, e como já expliquei uma vez: é um passeio recomendável? não, não é um passeio e muito menos eu sairia por aí recomendando às pessoas. Pela parte histórica vale a pena conhecer, desde que você tenha o mínimo necessário dos nervos de aço pra pisar num lugar como esse e sim, por mais que tenha, você sai de lá emocionado, pesado e imaginando tudo que aconteceu ali dentro, mas historicamente falando, eu acredito que seja um lugar que valha a pena conhecer e pra ter em mente que se ainda estão aonde estão, é para nos lembrar que essas atrocidades jamais podem voltar a acontecer. Uma coisa que descobri quando conheci o Campo de Sachsenhausen é que o relógio que está no topo torre de controle da entrada, marca exatamente a hora exata em que ocorreu a primeira evacuação dos prisioneiros.

De volta a Berlim, além dos lugares históricos da cidade, a comida é igualmente maravilhosa. Pra quem ama carne de porco, salsicha (de tudo quanto é tipo) e batata, a culinária alemã é o paraíso pra isso e como sou daquelas que experimenta (quase) qualquer coisa desde que não esteja se mexendo ou com a cabeça, eu posso dizer que fiquei muito satisfeita e de barriga cheia lá. Os alemães são educados, gentis e divertidos, algo quem em Munique na viagem de 2011 eu fiquei um pouco reticente, mas nada como visitar um país pela segunda vez e sair com uma ótima impressão. Grande, imponente, histórica, moderna, agitada são as principais palavras que eu escolheria e que pra mim, melhor define Berlim, com certeza valeu muito a pena viajar vários quilômetros a mais do trajeto pra visitar esse pedacinho maravilhoso da Alemanha.

Dachau – Alemanha

Dachau – Alemanha

Eu demorei pra escrever esse post porque eu não sabia por onde e nem como começar, é uma parte da nossa viagem que conhecemos e que foi algo muito triste e pesado, mas estando na Alemanha, não pude deixar de ir. Pegamos um trem em Munique, depois pegamos um ônibus e em 10 minutos chegamos em Dachau. Antes de sair, Rick me perguntou por umas duas ou três vezes se eu realmente tinha certeza de que queria ir até lá, porque convenhamos, essa situação não é algo que dá pra se classificar como um passeio e muito menos como legal, mas também não deixa de ser uma parte da história.


Primeiro de tudo, um pouco da história…

Dachau é um campo de concentração e extermínio que foi construído pelos nazistas em 1933 aonde antigamente era uma antiga fábrica de pólvora que fica na cidade de Dachau, cerca de 5 quilômetros de Munique. Dachau foi o primeiro campo a ser construído no regime hitleriano, mais precisamente cerca de seis semanas após Hitler ascender ao poder. Depois disso, Dachau serviu como modelo para outros campos que posteriormente foram construídos.

Segundo minhas leituras que fiz no Wikipédia, Dachau chegou a abrigar mais de duzentos mil prisioneiros de mais de trinta países (é muita gente) e, a partir de 1941, foi usado para o extermínio de cerca de trinta mil pessoas (gente?!?! 30 M I L pessoas). Muitas outras pessoas morreram em virtude das condições do campo. Dachau chegou a possuir uma câmara de gás, mas não há registros de que tenha sido usada (o que sinceramente eu duvido e muito). Segundo cálculos da Igreja Católica, pelo menos três mil religiosos entre padres e bispos foram mantidos lá, além de muitos políticos também.

No dia 28 de abril de 1945, um alto comissário da Cruz Vermelha – Victor Mauer, tentou convencer o último comandante do campo – Heinrich Wicker, a se render. Wicker decidiu antes retirar a maioria dos guardas SS (um grande filho da puta covarde) e no dia seguinte, a 42ª Divisão de Infantaria do Exército dos EUA foi encarregada de libertar o campo de concentração. A primeira visão que os soldados americanos tiveram ao chegar ao campo, foi de centenas de mortos, empilhados, junto a um comboio de 39 carruagens. Segundo consta, os mortos estavam lá havia dias (alguns já em avançado estado de decomposição).

Os soldados, totalmente em estado de choque com a visão, tomaram para eles o lema “Take no Prisoners” (no inglês: “não fazer prisoneiros”) e começaram a executar os primeiros SS que encontraram. Há vários registros de execuções, na maioria atos de vingança individuais de soldados e até de alguns prisioneiros, que atacaram os seus antigos opressores. Após a libertação do campo, os 32 mil prisioneiros que lá se encontravam saíram num espaço de seis semanas. A libertação dos prisioneiros foi algo trabalhoso: além dos habituais problemas de desnutrição e dificuldades em arranjar transporte dos presos para o seu país natal, havia uma epidemia de tifo que dizimou milhares de judeus. Como tal, de modo a evitar uma pandemia europeia, foram curados e vacinados como prevenção antes de serem libertados.

A partir de 1948, o campo de Dachau foi usado como campo de refugiados, situação que perdurou até cerca da década de 1960, onde se construiu o Memorial que existe até hoje. Logo na entrada do campo há uma frase no portão que em alemão significa “só o trabalho te libertará.” Pelo que pude perceber somente homens foram mandados para Dachau e não mulheres, crianças ou idosos como em outros campos.


Mas Dachau é um exemplo nítido do que a estupidez humana é capaz. Logo no começo há um museu com objetos, documentos, uniformes, fotos e painéis com várias explicações… Os homens que chegavam ali eram submetidos a tudo: inclusive em experiências e testes sob condições torturantes e sem nenhuma higiene. Sem contar as humilhações, a fome, as doenças, a solidão, o trabalho escravo e a covardia por parte dos nazistas que matavam pessoas como se estivessem matando baratas.


Dachau é um campo imenso! Acho que chutando ainda baixo, dá uns 3 campos de futebol, sem brincadeira. Dizem que a câmara de gás que existe alí nunca foi usada, mas disso eu sinceramente duvido muito. O que se conta (como em todos os campos em que a câmara de gás era usada) é que todos eles tinham que tirar o uniforme, passar por um corredor de desinfecção e entrar pra uma sala que seria uma sala de banho e depois disso serviriam comida quente para todos.

Acontece que a “sala de banho” era na verdade a câmara de gás e nenhum judeu se dava conta disso: uma porque sempre tinha muita gente indo (morrendo) e chegando e segundo que eles nunca andavam com as mesmas pessoas, pois a cada dia era um trabalho ou um outro canto diferente pra se ir dentro do campo, logo, eram sempre separados, isso facilitava o trabalho dos nazistas de evitar uma possível descoberta do que acontecia alí dentro com eles.


Das câmaras de gás depois iam para as fornalhas aonde os corpos eram queimados. Se as câmaras foram realmente usadas ou não, isso não importa, porque da mesma forma, só em Dachau morreram 30 MIL pessoas e isso é um numero absurdamente grande. Nós entramos em todos os lugares possíveis: no corredor de celas aonde ficavam os políticos e os religiosos, aonde os judeus dormiam, aonde eram torturados, usados em experiências, na câmara de gás e aonde ficavam as fornalhas quando os corpos eram depois queimados.


Estando em lugar como esse te dá uma sensação muito estranha que mistura dentro de você a raiva, a tristeza e a revolta. Muito depois, em Londres, nós fomos até o Museu da Guerra e lá pudemos entrar numa parte que falava apenas sobre o holocausto, lá tinha vários objetos, documentos, e até um uniforme nazista completo com, inclusive, o nome do dono. Dentre os objetos havia alguns que eram pra medir o tamanho da cabeça e o rosto da pessoa pra certificar se realmente a pessoa era ariana, de raça pura. Eu fiquei chocada! Mas uma imagem que eu jamais vou esquecer na minha vida, foi de uma foto em um painel enorme que eu vi de um judeu sentado na beira de uma cova já atulhada de judeus mortos… O judeu com a cabeça baixa como se estivesse tomado por um sentimento de resignação, um soldado da SS apontando uma arma na nuca dele e mais ao lado, um outro soldado da SS trazendo mais um judeu para ser executado. É revoltante.

A Segunda Guerra Mundial é uma parte da história que pra se aprofundar no assunto de verdade, é necessário ler e pesquisar muito… Você se pergunta COMO alguém conseguiu convencer de que os Judeus eram a doença/problema da Alemanha? COMO que muita gente acreditou nisso (e pode ter certeza que ainda tem muita gente que acredita) e abraçou essa idéia. COMO que um soldado da SS encarava sua esposa, seus filhos ou colocava a cabeça no travesseiro e dormia com a consciência tranquila após ter matado TANTA gente – não só os homens, mas principalmente as mulheres, as crianças e os idosos também… São muitas perguntas. E em meio de tantas perguntas, cerca de 6 milhões de judeus morreram nessa guerra.


Saí de Dachau calada, pesada, triste, mas cheia de pensamentos na cabeça que apesar de tudo, por questões históricas – pra mim valeu a pena ter conhecido. Não sairia recomendando pra todo mundo – quando alguém viajasse pra Alemanha, ir conhecer Dachau, porque alguns são mais sensíveis que outros, o clima é pesado de verdade e estar alí e ver tudo aquilo de fato, não é algo fácil.


Quando voltei de viagem fiz questão de (re)assistir e ler algumas coisas: (re)vi “A Lista de Schindler”, “O Pianista”, li “O Diário de Anne Frank’, agora estou lendo “Treblinka” e essa semana que passou, eu assisti “O Menino do Pijama Listrado” (que agora também quero o ler o livro). Dessa vez vi tudo com uma visão diferente do que aquilo que aprendi na escola, vi porque eu estive lá e senti de perto como é! Mesmo no Coliseu de Roma quando entrei, eu senti aquela energia pesada, afinal muita gente também morreu alí, mas não tão pesado como em Dachau! Talvez por ser algo que de certa forma ainda seja recente, talvez porque por mais que a gente assista os noticiários com tantas tragédias e atrocidades na tevê todos os dias, você percebe que o ser humano pode ser bem pior do que isso.

Eu gostaria de ter conversado com a geração mais velha de alemães lá em Munique, a geração da idade dos nossos avós…. Gostaria de ter conversado se primeiro de tudo, é claro, eu soubesse falar alemão. Mas perguntaria sobre o que acham da Guerra e tenho certeza que, infelizmente, eu teria duas respostas! Eu me pergunto, inclusive, se o mundo seria diferente se essa guerra jamais tivesse existido. E pelo menos pra essa pergunta eu tenho a resposta: Com certeza seria!!! Seria diferente em todos os sentidos. Seria para nós, um mundo melhor.

Próxima parada: Praga – República Tcheca

Munique – Alemanha

Munique – Alemanha

Saindo de Berna, passando por Zurique e depois pela Áustria, finalmente chegamos em Munique na Alemanha. Nosso albergue (que mais parecia um hotel) não era tão perto da estação de trem e quando chegamos lá estava bem frio, mas depois com o quarto maravilhoso que ficamos tudo acabou compensando.


Bem ao lado do Hostel e que friooooo

Chegamos em Munique dias depois quando tinha terminado a Oktoberfest e Rick ficou um pouco frustrado por isso, mas em contra partida, como um grande apreciador de cervejas, ele diz que foi aonde tomou as melhores, até então…


Munique é uma cidade bonita e o centro é BEM agitado. Atravessada pelo Rio Isar, Munique possui inúmeas igrejas e monumentos.


Prefeitura da cidade


Nos dois dias em que estivemos lá jantamos em um restaurante muito legal: com mesas compridas e ambiente aconchegante você se senta com outras pessoas que estão alí e come numa boa, uma pena que nem eu e nem o Rick falamos Alemão, senão possivelvente teríamos feito algumas amizades por lá.

A dona do restaurante – um amor de pessoa, não falava porra nenhuma de inglês, mas entendia um pouco de Italiano (que Rick é fluente, ufa!), então Rick falava em italiano com ela, mas ela respondia tudo em Alemão o que no fim dava tudo certo. De sobremesa no primeiro dia eu pedi Apfelstrudel (ir pra Alemanha e não comer um desses é o mesmo que ir pra Suíça e não comer chocolates) e no segundo dia em que estivemos lá, como ela já nos conhecia ela apenas me perguntou: “Apfelstrudel?” e eu respondi que sim, foi o melhor que já comi até hoje!

Conhecemos o Allianz Arena – o estádio que sediou o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2006, fomos até lá de metrô que por sinal, vale mencionar que as linhas de metrô da cidade são exemplares e muito bonitas.


Munique foi fundada em 1158 e estando na Alemanha não tem como você deixar de pensar na Segunda Guerra Mundial… Munique foi uma das cidades destruídas pela metade durante a guerra, porém foi reconstruída e, felizmente, andando pela cidade não se vê nenhum resquício dessa parte cruel e triste da história…


… Até chegarmos em Dachau – um campo de concentração e extermínio nazista que fomos conhecer no segundo dia em que estivemos lá e que vou fazer questão de contar todos os detalhes e a tristeza que é entrar num lugar tão pesado como esse, mas esse será um assunto para um próximo post.