
Concebida por meio de uma fertilização in vitro, Anna foi trazida ao mundo para ser uma combinação genética para a sua irmã mais velha, Kate, que sofre de leucemia promielocítica aguda. Aos 15 anos, Kate passa a sofrer de insuficiência renal. Anna sabe que se doar seu rim, ela terá uma vida limitada. Ciente de que terá de doar um de seus rins para sua irmã, Anna processa os pais para obter emancipação médica e direito sobre seu próprio corpo.
Este livro é aquele que te coloca no lugar desconfortável onde não existem vilões nem heróis, apenas pessoas comuns tentando sobreviver a uma escolha impossível. Ele foi publicado em 2004, mas se mantém atual porque a pergunta que coloca não tem resposta certa – e talvez nunca venha a ter.
Aos treze anos, Anna Fitzgerald processa os próprios pais. Não por rebeldia adolescente, não por ódio. Anna foi concebida por fertilização in vitro para ser doadora compatível da irmã mais velha, Kate, que sofre de leucemia promielocítica aguda desde os dois anos de idade. Ao longo da vida, Anna já doou sangue, medula, células-tronco. Agora, os médicos precisam de um rim. E Anna quer o direito de dizer não.
O que pra mim tornou este livro genial é a forma como a autora não toma partido, mas mostra as camadas e os lados de uma mesma história. Cada capítulo dá voz a um personagem diferente: Anna, que luta pela autonomia sobre o próprio corpo; Sara, a mãe advogada que abandonou a carreira para dedicar cada segundo a manter Kate viva; Brian, o pai bombeiro dividido entre o amor pela mulher e pela filha mais nova; Jesse, o irmão esquecido que encontra na delinquência a única forma de ser notado; e até Campbell, o advogado arrogante de Anna que guarda um segredo que explica afinal a presença do cão que o acompanha para todo o lado. Só Kate não tem voz – até o fim.
Esta multiplicidade de perspectivas foi a tese central do livro: não há um lado certo. Há apenas pessoas a fazer o melhor que podem com as ferramentas que têm. Sara é uma mãe desesperada que escolheu uma filha em detrimento da outra, não por maldade, mas porque a morte iminente de Kate não lhe permitia o luxo de pensar no amanhã. Anna é uma criança que nunca pediu para ser solução de nada, apenas quer uma vida normal de adolescente que possa chamar de sua. E no meio, uma menina de dezesseis anos que já não aguenta mais viver.
Durante a narrativa, a autora nos obriga a mudar de opinião diversas vezes. Começamos do lado de Anna, indignados com a instrumentalização do seu corpo. Depois entramos na cabeça de Sara e compreendemos o desespero de quem já perdeu tanto que faria qualquer coisa para não perder mais. E quando finalmente ouvimos Kate, percebemos que a questão nunca foi apenas sobre Anna.
E com isso a autora sabe onde apertar para fazer doer, que coloco a gente, como leitor, em uma experiência humana limite. Posso dizer com certeza que você sai deste livro diferente de quando entrou.
O final, é um soco no estômago. A reviravolta final; é a confirmação de que, durante todo o tempo, talvez fiz as perguntas erradas. A verdade estava ali, escondida à vista de todos, à espera que quiséssemos vê-la. É um final que parte e que, de certa forma, reconstrói.
A Guardiã da Minha Irmã não é um livro sobre quem tem razão, aliás, muito longe disso. É um livro sobre o que significa amar alguém quando o amor exige mais do que aquilo que podemos dar. É sobre o direito a dizer não, mesmo quando dizer não pode significar perder quem mais amamos. É sobre o silêncio dos filhos esquecidos, o desespero dos pais que escolhem, a exaustão de quem já não quer ser salvo. É o segundo livro que leio dessa autora e este se tornou o meu preferido até o momento. 5/5:







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