
Tori Spring não aguenta mais o colégio; na lista de coisas que ela também não suporta estão sua melhor amiga, garotos, filmes, livros, seus pais e basicamente tudo que consegue imaginar. As únicas coisas que a motivam a se levantar da cama são seu blog e seu irmão Charlie, que está se recuperando de um distúrbio alimentar. Quando um site misterioso chamado Solitaire começa a pregar peças em sua escola, Tori não parece muito interessada, mesmo que Michael Holden, o garoto novo esquisito, tente convencê-la a investigar o esquema. Tori está tão presa em sua própria cabeça, tão convencida de que o mundo é horrível, que não consegue perceber os esforços que Michael e um antigo amigo de infância, Lucas, fazem para se aproximar dela.Mas quando as brincadeiras do Solitaire ficam sérias demais e pessoas começam a se machucar, Tori é obrigada a sair de sua zona de conforto para descobrir o que o site tem a ver com ela.
Mais um livro de Alice Oseman que resolvi ler, já que gostei tanto de Rádio Silêncio, é um romance young adult cru que explora temas como depressão, desencanto juvenil e a busca por conexão em um mundo que parece vazio. Com uma protagonista cínica e memorável, a autora constrói uma narrativa que foge dos clichês adolescentes e mergulha fundo nas angústias de uma geração.
A história é narrada por Tori Spring, uma adolescente que inicialmente você vai a achar bem chata porque ela simplesmente odeia basicamente tudo: a escola, sua melhor amiga, garotos, a cultura pop e, principalmente, a falsa felicidade ao seu redor. Ela prefere ficar em seu quarto, escrevendo em seu blog e cuidando de seu irmão Charlie, que enfrenta a recuperação de um distúrbio alimentar e transtornos de ansiedade. É uma temática bem problemática realmente.
Quando um grupo misterioso chamado Solitaire começa a pregar peças cada vez mais perigosas em sua escola. Enquanto todos se divertem com as brincadeiras, Tori é arrastada para o mistério — principalmente pelo insistente Michael Holden, um garoto excêntrico que se recusa a deixá-la isolada em sua bolha de pessimismo. À medida que os eventos organizados pelo Solitaire se tornam mais sérios e ameaçadores, Tori é forçada a encarar não apenas o mistério, mas também suas próprias emoções.
“E é nesse momento, acho, que decido que não me importo com mais nada hoje à noite, que não me importo com blogs, internet, filmes ou com o que as pessoas estão usando, e sim, sim, vou me divertir, vou me animar, vou passar tempo com meu único amigo, Michael Holden, e vamos dançar até não aguentarmos mais, depois vamos para casa e enfrentaremos nossas camas vazias. Quando começamos a pular sem parar, sorrindo de um jeito tão ridículo, trocando olhares e olhando para o céu ou para o nada, Morrissey canta algo sobre timidez, e eu acho que as coisas não podem ser tão ruins, afinal.”
Alice Oseman aborda sem romantizar a depressão e ansiedade. O livro questiona a pressão social para ser feliz, popular e se encaixar, mostrando como isso pode ser opressivo para quem não se identifica com esses ideais. O Solitaire não é apenas um mistério escolar; mas acaba sendo uma metáfora para o vazio e a busca por significado. A investigação força Tori a interagir com o mundo e reconsiderar seu isolamento, mas confesso que achei alguns desdobramentos do Solitaire meio sem sentido.
O livro contém representações realistas de depressão, ansiedade, automutilação e transtornos alimentares, portanto vale pontuar aqui que pode ser intenso para alguns leitores. Alice Oseman captura a essência do desespero silencioso da adolescência com uma honestidade rara. 4/5:







Deixe um comentário