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07 fev, 2018

Livro: Mulheres Sem Nome

Mais um livro fantástico que merece muito a resenha, mas vamos primeiro a sinopse:

A socialite nova-iorquina Caroline Ferriday está sobrecarregada de trabalho no Consulado da França, em função da iminência da guerra. O ano é 1939 e o Exército de Hitler acaba de invadir a Polônia, onde Kasia Kuzmerick vai deixando para trás a tranquilidade da infância conforme se envolve cada vez mais com o movimento de resistência de seu país. Distante das duas, a ambiciosa Herta Oberheuser tem a oportunidade de se libertar de uma vida desoladora e abraçar o sonho de se tornar médica cirurgiã, a serviço da Alemanha. Três mulheres cujas trajetórias se cruzam quando o impensável acontece: Kasia é capturada e levada para o campo de concentração feminino de Ravensbrück, onde Herta agora exerce sua controversa medicina. Uma história que atravessa continentes — dos Estados Unidos à França, da Alemanha à Polônia — enquanto Caroline e Kasia persistem no sonho de tornar o mundo um lugar melhor. Costurado por fatos históricos e personagens femininas poderosas, Mulheres Sem Nome é um romance extraordinário sobre a luta anônima por amor e liberdade. Um livro inspirador, que encanta e comove até a última página.

O livro conta a história de 3 mulheres com vidas completamente diferentes, mas todas impactadas pelos horrores da Segunda Guerra. Caroline, Herta e Kasia são as protagonistas do livro. Os capítulos são narrados em primeira pessoa e vão se intercalando entre as personagens, por conta disso, em certos momentos a história, ao menos pra mim, desacelerou um pouquinho. Especialmente com a história de Caroline e mesmo sendo uma figura extremamente altruísta e heróica no livro, seu romance com o Paul e todos os detalhes de sua vida glamourosa as vezes me cansava um pouco, mas nada a ponto de não querer continuar com a história.

Kasia e Herta sem duvida alguma tem as histórias mais impactantes. Herta é a médica sem perspectiva alguma na carreira que numa decisão abrupta, foi para um campo de concentração destinado a mulheres trabalhar como cirurgiã e isso não implica na medicina que salva vidas, mas sim, nas atrocidades que muitos médicos fizeram nesses campos. Herta foi esse tipo de médica. Preocupada em ajudar sua mãe e ter um reconhecimento maior em sua carreira como médica? Não sei. Por mais que inicialmente pareçam boas intenções, é difícil de compreender suas decisões num cenário como esse. No começo você vê uma Herta meio que negando aquilo que está bem na sua cara, depois justificando seus atos, com isso você vai notando uma pessoa cada vez menos desprovida de humanidade no livro, é bem triste porque a todo momento você espera que num ato heroico, Herta mude de lado, mas estamos falando em histórias reais e numa guerra dificilmente terá um desfecho feliz, só achei que faltou falar um pouco mais sobre ela no pós guerra, eu senti falta disso.

Já Kasia é brilhante. Sua coragem, determinação e vontade de viver é surpreendente na história. Por mais que soubesse dos riscos que corria ao entrar pra Resistência, Kasia jamais imaginaria que sua decisão e um passo errado fosse afetar diretamente também a vida de sua mãe e irmã. Kasia é uma pessoa que foi endurecida pela guerra, incapaz de confiar 100% e a transmitir o amor, ela trava uma luta interna no pós guerra e o final é surpreendente. O livro é dividido em duas partes: a segunda parte é o pós guerra e conta como e quando a vida dessas 3 mulheres se cruzaram. Tirando alguns mínimos pontos negativos, é uma leitura prazerosa e deveras emocionante que vai levar 5/5 xícaras de café (por sugestão do Rick, mudei um pouquinho o critério de avaliações dos livros, agora é de 1 à 5 e ficou bem melhor pra dar a nota né?).

Baseado em fatos reais, no final a autora explica e aponta o que é fictício, o que é real na narrativa e como foi sua pesquisa minuciosa para concluir o livro. Sem duvida, Mulheres Sem Nome é uma história sobre altruísmo, atrocidades e bravura, é a vida de 3 mulheres que representam todas as outras milhares que passaram por essa guerra.

01 fev, 2018

Onde comprar livros mais baratos

Comprar livros é uma terapia. Um hobby. Ao menos pra mim. Mas todo mundo sabe que livro no Brasil não é um bem relativamente barato. É muito difícil você entrar numa livraria e sair de lá apenas com um livro nas mãos, eu nunca tive muito auto controle sobre isso pra dizer a verdade ehehehe. Sebos são uma ótima opção, mas não é todo lugar que tem e pode acontecer de encontrar o livro que você quer, mas não ter aquele outro que também está procurando.

No ano passado eu descobri o Estante Virtual que nada mais é uma loja virtual de SEBOS online. O site conta com livros novos e seminovos por um preço muito mais em conta que nas livrarias, tanto físicas como online. Descobri quando estava procurando por um livro que não estava encontrando em nenhuma livraria e não era um título necessariamente difícil, mas é que não tinha mais saído edições dele e nem o ebook eu encontrei pra comprar, foi aí que fuçando eu encontrei o Estante.

Os preços são mais em conta que nas livrarias ou até mesmo nas lojas dessas livrarias online, vou fazer um comparativo rápido com um dos que adquiri pra vocês terem uma ideia: estou querendo ler “A Guerra que Salvou Minha Vida”, na Saraiva do shopping este livro está custando por volta de 45 reais que eu me lembre (fui a semana passada lá), no site online da Saraiva está R$ 31,90, no Estante Virtual eu comprei por: R$ 28,00. Quer uma economia maior? O Rick está querendo ler um que chama “Rei dos Magos” na loja física da Saraiva está R$ 62,00, eu achei no Estante por R$ 36,00 e mesmo com o frete saiu ainda muito mais barato.

A Livraria Cultura comprou o Estante Virtual no final de 2017, com a venda online de sebos e livreiros por todo o Brasil, o site conta com mais de 4 milhões de assinantes. A compra é 100% segura e entrega garantida. Já comprei livros semi novos e que vieram em perfeito estado, eu nunca tive problemas com isso e acho que é forma ótima de adquirir livros mais baratos e estimular mais ainda a cultura do reuso. Ah e quero deixar claro que esse post não é nenhum tipo de publi ou jabá, foi escrito e partir da minha experiência mesmo. 🙂

25 jan, 2018

Duas redes sociais legais para amantes de livros

Semanas atrás fiz um post falando sobre sites legais para baixar livros e hoje vou falar de duas REDES SOCIAIS super legais para os amantes de livros. A primeira que conheci foi o Skoob que já citei diversas vezes aqui no blog, mas nunca escrevi um post sobre ele. O Skoob eu já tenho há um bom tempo e é a que mais uso quando se trata de livros:

Skoob

Eu precisava de um espaço virtual pra organizar minhas leituras e o Skoob (*Skoob = Books) me serviu muito bem, tudo é separado por estantes: de livros lidos, os que você quer ler, os que já leu, relendo, resenhas e até uma listinha negra das leituras abandonadas. Além disso tem outras diversas funcionalidades, algumas delas eu nem uso, como por exemplo, as discussões em grupo, tem também as metas de leitura que infelizmente, sabe-se lá por qual motivo, eu nunca consegui usar, porém uma das coisas que eu mais gosto no Skoob são as resenhas dos leitores que sempre dou um bizu antes de começar com algum livro, isso pra mim tem uma função 10/10 porque pelos feedbacks você já consegue ter uma boa noção se aquela leitura vale ou não a pena. O Skoob tem aplicativo pra celular, sorteio de livros, opções de troca entre os usuários, widget pra blogs, mas ainda acho que a interface do site poderia ser melhorada. De qualquer forma é a minha rede social de livros preferida e a mantenho sempre atualizada. Aliás, acho que é inclusive, a única rede social para livros brasileira (me corrijam se eu estiver errada).

A segunda rede é o GoodReads que é da Amazon:

Eu criei uma conta no GoodReads em Janeiro de 2016, mas nunca tinha usado até então… Agora no começo do ano resolvi aderir à ela também e gostei bastante. O site é em inglês, ainda não tem a opção em português, mas dá pra procurar por títulos no nosso idioma sem problema algum. Eu ainda não me acostumei muito com a interface do site, mas achei tudo muito bem dinâmico, apesar disso. Consegui por exemplo, estabelecer as minhas metas de leitura para 2018 que funciona como um contador, coisa que não consigo fazer no Skoob. As funções de procura e listas de livros são basicamente as mesmas e não muda muita coisa, os widgets para blogs são mais bonitinhos, tem aplicativo pro celular e há uma opção de My Kindle Notes & Highlights que nada mais é, você poder adicionar notas e destaques do livro que você está lendo pelo Kindle e eu achei isso deveras interessante, se não tivesse o grande porém de só funcionar nos Kindles de livros comprados no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Uma pena. De qualquer forma é uma ótima rede social pra quem pretende manter as leituras organizadinhas.

Skoob X GoodReads, qual é o melhor?

É um pouco difícil responder isso, mesmo porque eu estou usando o GoodReads há pouco tempo, então eu acharia até injusto escolher o melhor. O fato é que pra mim, o que as vezes falta em um, acaba sendo compensado no outro e as funções básicas de ambos praticamente são as mesmas. Ambos também poderiam melhorar algumas coisas, mas a principal função: que é organizar as leituras, os dois cumprem muito bem o papel.

23 jan, 2018

Minha biblioteca particular

Há um tempo atrás, eu e Ricardo decidimos fazer umas reformas em casa, obviamente, algumas eu irei precisar pagar por uma mão de obra especializada porque aí foge completamente da minha capacidade, mas as mais simples (o que não quer dizer que sejam menos trabalhosas), nada que um DIY pesquisado no Youtube não resolva e a gente, nessas horas, descobre que nada é impossível quando se tem paciência e vontade de fazer.

A princípio decidimos começar pelo escritório do Rick que estava um terror na mesma proporção que eu já estava com milhões de ideias em mudar. Tinha uma beliche que a parte de baixo era a mesa de escritório dele e em cima uma cama, na parede da porta estavam alguns objetos empilhados e na parede maior o guarda roupa que é super grande e impossível de mover. Meses atrás eu me livrei da tal beliche, comprei um box baú pra não me desfazer do colchão (dica preciosa: box baú é vida, dá pra guardar milhões de coisas dentro dele, eu não sei por qual motivo nunca tive antes) e compramos uma mesa linda de escritório pros dias de home office do Rick.

Mas agora é que vem a parte divertida da reforma: acontece que todos os meus livros ficavam em prateleiras instaladas na sala (foto de fevereiro de 2016) e como eu já disse aqui, eu não tinha mais espaço pros que chegavam (um dos motivos que aderi ao Kindle), além do que, eu queria por umas plantinhas em casa também (ainda vou escrever um post sobre isso), então acabei doando alguns livros e usei uma das prateleiras pra por as plantas e foi aí que eu tive a ideia de passar todos esses livros pro quarto, pois assim eu teria mais espaço e poderia também colocar umas prateleiras bem maiores pra poder acomodá-los.

Eu sempre sonhei em ter um canto agradável pra acomodar meus livros e aonde eu também pudesse ficar bem aconchegada pra poder ler, meu sonho mesmo era ter um cômodo da casa só pra montar uma biblioteca particular, mas só em ter um espaço maior do que eu já tinha pra esse tipo de finalidade, pra mim, já está de ótimo tamanho. Foi aí que, depois de livrar de algumas coisas e planejar melhor cada espaço, começamos a fazer tudo do zero: lixar, amaciar, lixar de novo e pintar as paredes e olha… Depois disso, eu admiro mais ainda a profissão de pedreiro porque isso dá uma trabalheira dos infernos, sem contar o pó fino que levanta. A parte de pintar pra mim é a mais legal, eu sou do tipo que não posso ver uma parede branca, adoro uma tinta, um papel de parede, quadros, enfim… Escolhemos uma cor bem escura pra parede (calça jeans da Suvinil – semi fosco, parede lavável) e o resultado ficou ótimo.

Depois escolhemos como queríamos as prateleiras e colocamos trilhos porque eu queria um visual mais rústico, que ficasse com cara de biblioteca + escritório, as prateleiras nós compramos direto com um marceneiro que foi indicação do meu tio e o bom disso é:

1) ele corta do tamanho que você precisa e já dá o acabamento.
2) sai MUITO mais barato que comprar a prateleira já pronta em lojas de construção.

As prateleiras foram entregues e no mesmo dia já instalamos (foi a parte mais fácil porque já tínhamos colocado os trilhos), ficou perfeito e melhor do que eu esperava, depois que coloquei os livros deu ainda uma emoçãozinha maior, principalmente porque, eu ainda tenho muito mais espaço pra preencher de agora em diante. É tão bom quando a gente faz uma coisa que além de dar certo, fica melhor do que a gente imaginava, né?

Vocês sabem que eu sou péssima pra fazer fotos, eu queria ter feito fotos de antes X depois, queria também ter feito fotos durante o processo, mas eu estava tão concentrada nessa reforma que acabei esquecendo. Fiquei também pensando nos livros que doei e eu sei que vou ser a pessoa mais egoísta do mundo ao dizer isso: mas sinto falta dos livros que foram ahahahaha, ai como eu sou ridícula, mas eu sou do tipo possessiva com meus livros, o lado bom desse desapego é que foi pra uma ótima causa então tá tudo bem. Ainda falta os detalhes de quadrinhos e outras coisinhas, mas com o tempo vou ajustando isso. Ah e tinha que ter um toque com as fairy lights, senão não seria meu, né?

16 jan, 2018

Livro: Os Meninos Que Enganavam Nazistas

Eis que já tenho o meu primeiro livro lido em 2018 e, é claro, que eu não poderia deixar de fazer uma resenha sobre ele, o da vez é: “Os Meninos Que Enganavam Nazistas” de Joseph Joffo:

“Paris, 1941. O país é ocupado pelo exército nazista e o medo invade as casas e as ruas francesas. O poder de Hitler se mostra absoluto e brutal na França… É durante um dos períodos mais turbulentos da História que a emocionante narrativa de Joseph e Maurice se desenrola. Irmãos judeus de 10 e 12 anos de idade, eles perambulam sozinhos pelas estradas, vivendo experiências surpreendentes, tentando escapar da morte e em busca da zona livre para ganhar a liberdade. Essa é uma história real, autobiográfica, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da humanidade e da empatia nos momentos mais sombrios, quando o perigo está sempre à espreita… Os meninos que enganavam nazistas conta a fantástica e emocionante epopeia de duas crianças judias durante a ocupação, narrada por Joseph, o mais jovem.”

Pra começar que é uma história real e eu sou aficcionada por histórias reais, tanto adaptadas em livros como em filmes. Esse livro foi indicado pela Lia, é curtinho (288 páginas) e conta a história dos irmãos Joseph (o autor) e Maurice sobrevivendo aos horrores da guerra. A trama não descreve em muitos detalhes sobre a guerra em si, mesmo porque ela é contada por Jof que na época era apenas um menino que, não tinha noção do que estava realmente acontecendo e porque estavam sendo caçados, tanto que um dos questionamentos do menino ao pai, não deixa de ser pertinente apesar de toda a inocência da pergunta: “pai, mas o que é ser judeu?”, “o que nós fizemos de errado? eu não os conheço, não lhe fiz nada, por que querem nos matar?” perguntas essas que também nós, como leitores, não conseguimos responder.

A história basicamente conta os imprevistos que os meninos tinham que lidar e as artimanhas que tiveram que ter quando precisavam se separar da sua família e fugir para não serem pegos pela Gestapo e que, por algum tipo de milagre ou golpe de sorte, Joseph e Maurice nunca se separaram. Muito embora o foco do livro não seja de apelo totalmente dramático, porque mostra apenas como duas crianças que conseguiram se manter vivas na guerra, ao final do livro é possível o leitor notar que não se tem mais dois meninos, mas sim dois homens que tiveram suas infâncias roubadas e que tiveram que crescer rapidamente para sobreviver. Pesquisando mais sobre, descobri que essa história já teve 2 adaptações pro cinema, a mais recente é uma produção europeia de 2017. Recomendo a leitura com 3 xícaras, pois pra mim, apesar de ser uma história e tanto, faltou o apelo dramático:

Ah e antes que eu me esqueça: a partir de hoje, todas as resenhas de livros que eu fizer, terão o selo de meta de leitura do GoodReads para 2018:

2018 Reading Challenge

2018 Reading Challenge
Juliana has
read 1 book toward
her goal of
16 books.
29 dez, 2017

Livro: Novembro, 9

Esse foi o meu ultimo livro lido em 2017. Então ao todo foram 17 livros que li ano passado e não 16 como eu havia dito no post anterior e esse foi um dos que eu devorei MESMOOOO, porque a história é muito boa e me surpreendeu bastante! Vamos ao resumo:

Autora número 1 da lista do New York Times retorna com uma história de amor inesquecível entre um aspirante a escritor e sua musa improvável. Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?

Quando comecei a ler esse livro eu achei que seria daquele tipo de romance bem piegas e logo pensei: “xiii! acho que não vou gostar” mas continuei e a história foi se moldando e ficando cada vez melhor. A autora começa te envolvendo na trama que aparentemente tem tudo pra ser uma grande história de amor (apenas), até começar a acontecer várias reviravoltas loucas que quando você acha que é uma coisa, acaba sendo outra. Novembro, 9 é uma história emocionante, forte, romântica, triste, dolorosa e que prova principalmente que não necessariamente nascemos com um destino traçado, pois a história toda é basicamente criada a partir das consequências feitas pelas ações dos personagens principais e tudo pode mudar. É um livro que fala da real beleza do ser humano – a interna, de autoestima, de correr atrás dos objetivos, dos sacrifícios que fazemos por amor, ah sim, o amor… Tem muito amor no livro. Vou procurar mais livros dessa autora porque pelo que li ela tem outras obras tão excelente quanto essa. Eu ia deixar essa resenha só pro ano que vem, mas como gostei super desse livro e ele foi o ultimo do ano, não podia deixar de escrever, aproveita e dá uma olhada no post com o balanço do meu 2017 e os livros que mais gostei e o que menos gostei esse ano. Esse ganhou as 4/4 xícaras de café de recomendação.

“— Nós só recebemos uma mente e um corpo quando nascemos. E são os únicos que ganhamos, então cabe a nós cuidar de nós mesmos.”

15 dez, 2017

Livros: o que mais gostei e não gostei em 2017

Ler sempre foi uma das minhas mais queridas terapias. Outro dia li uma matéria muito interessante que contava como o hábito da leitura não é só apenas usado como um hobby, mas também como um refúgio para os leitores, há um trecho muito interessante que tenho que destacar:

“Ler nos coloca em um espaço intermediário: ao mesmo tempo em que deixamos em suspenso nosso eu, nos conecta com nossa essência mais íntima, um bem valioso para se manter certo equilíbrio nesses tempos de distração. A leitura, dizia María Zambrano, nos brinda com um silêncio que é um antídoto ao barulho que nos rodeia. Ela nos procura um estado prazeroso semelhante ao da meditação e nos traz os mesmos benefícios que o relaxamento profundo.

E, é exatamente isso!!! Pra 2017 eu tinha colocado uma meta de ler ao menos um livro por mês e não parar de ler durante o ano. Consegui ler 16.

Eu gosto muito de suspenses, mitologias (especialmente as nórdicas), mas particularmente gosto muito de ler sobre a Segunda Guerra Mundial e títulos de livros pra essa parte tão obscura da história do mundo não faltam, mas esse ano também li bastante fantasia, especialmente de Neil Gaiman e alguns outros romances mais curtinhos, também estiveram presentes na lista. Não me simpatizo muito com ficção científica e autobiografias, mas é tudo questão de gosto mesmo e acredito que com o passar do tempo a gente vai moldando nossas preferências nas escolhas. Não importa se você gosta só de ler best sellers, clássicos, adaptações de cinema ou obras de pensadores filosóficos, a literatura não tem preconceitos (e nem deve), mas sim incentivos (e muitos) – ainda mais no Brasil que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca nem comprou um livro, então incentivar a leitura é algo primordial. Enfim… Esse post é pra dizer do livro que mais gostei e o que menos gostei esse ano, vou começar com o que menos gostei, porque os preferidos eu acabei escolhendo dois.

O que menos gostei:

A Fúria e a Aurora – Renée Ahdieh. O ultimo da trilogia da Princesa Sultana que eu não fiz a resenha aqui porque nem valeu a pena, veja bem não é um livro de toooodo o ruim, acredito que o livro só é considerado ruim quando você não consegue mais ler e acaba abandonando a história, aliás, os dois primeiros livros dessa trilogia foram até que legais, nada extraordinários, mas legais. Já o terceiro o que deu pra notar era a personagem principal totalmente hipócrita, egoísta, chata e mimada pra caramba (é baseado numa história real) que não estava condizendo em nada com a mensagem que ela queria passar, além de uma autora que parecia que não estava com a menor vontade de escrever esse ultimo livro. Tinha tudo pra ser uma história boa porque o contexto é bem interessante, mas infelizmente foi bem sem graça mesmo.

O que mais gostei:

Eu escolhi dois porque ambos ficaram empatados nos meus quesitos de livros que considero 100% bons. O primeiro deles é A Ponte Invisível de Julie Orringer. São 724 páginas e eu li tão rápido que nem vi a história passar, eu fiquei apaixonada por essa história e fiz a resenha dele aqui. Leitura mais que recomendada, esse também entrou pra minha lista de preferidos porque é daquele tipo de história com reviravoltas e altamente emocionante, te prende do começo ao fim.

O outro é Deuses Americanos do Neil Gaiman. Há muito tempo eu estava pra ler esse livro, mas sempre começava com outro e ia deixando esse na fila, até que esse ano eles adaptaram a história pra um seriado e aí eu resolvi ler. Pelo amor de Odin. Que história!!!! Me perguntei por que eu não li antes. Mas acho que sei o porquê: Se você só lê a sinopse, dá a impressão de que você não vai entender nada da história, que vai ser uma parada super viajada daquelas que não ligam nada com nada, mas Neil Gaiman tem o dom de contar e criar as fantasias mais loucas e COM muito sentido que te puxa pra dentro do livro. Deuses Americanos é fantástico, eu fiz uma resenha dele também. O seriado também é bem legal, mas algumas coisas são bem diferentes do livro, eu sempre recomendo ler antes e assistir a série depois.

E vocês, o que mais gostaram e o que menos gostaram de ler esse ano?

28 nov, 2017

Livro: Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa

A gente não pode julgar um livro pela capa, mas confesso que essa foi a primeira coisa que me atraiu quando vi este livro nas avaliações do Skoob da Lia. Aliás, o Skoob é uma ótima rede social de livros, quem quiser me seguir lá, fique a vontade. Mas então, depois de me apaixonar pela capa eheheheh, eu fui ler mais sobre e me interessei bastante também, mas fui deixando ele na fila de leituras e semanas atrás comecei a ler, segue o resumo:

“1987. Só existe uma pessoa no mundo inteiro que compreende June Elbus, de 14 anos. Essa pessoa é o seu tio, o renomado pintor Finn Weiss. Tímida na escola, vivendo uma relação distante com a irmã mais velha, June só se sente “ela mesma” na companhia de Finn; ele é seu padrinho, seu confidente e seu melhor amigo. Quando o tio morre precocemente de uma doença sobre a qual a mãe de June prefere não falar, o mundo da garota desaba. Porém, a morte de Finn traz uma surpresa para a vida de June – alguém que a ajudará a curar a sua dor e a reavaliar o que ela pensa saber sobre Finn, sobre sua família e sobre si mesma. No funeral, June observa um homem desconhecido que não tem coragem de se juntar aos familiares de Finn. Dias depois, ela recebe um pacote pelo correio. Dentro dele há um lindo bule que pertenceu a seu tio e um bilhete de Toby, o homem que apareceu no funeral, pedindo uma oportunidade para encontrá-la. À medida que os dois se aproximam, June descobre que não é a única que tem saudades de Finn. Se ela conseguir confiar realmente no inesperado novo amigo, ele poderá se tornar a pessoa mais importante do mundo para June. “Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa” é uma história sensível que fala de amadurecimento, perda do amor e reencontro, um retrato inesquecível sobre a maneira como a compaixão pode nos reconstruir.”

A história é toda contada na visão de June Elbus, a personagem principal da história que logo de cara é impossível não se simpatizar por ela. “Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa” é uma história sobre relações familiares, amores inapropriados, ciúmes, amadurecimento e perdão. É uma história totalmente psicológica, mas contada de uma maneira leve e sublime, que faz você se colocar no lugar de cada personagem e entender a cabeça e os motivos das ações de cada um deles. Não tem grandes reviravoltas ou algum desfecho totalmente inesperado, mas é uma leitura que te faz querer continuar e continuar a ler, porém sem grande pressa. Acho que isso se deve muito em parte pelos momentos de reflexão que a gente acaba tendo com os personagens, ao passo que, desperta uma série de emoções contraditórias, mas acima de tudo sinceras e com várias interpretações.

“Eu sentia ter provas de que nem todos os dias têm a mesma duração, nem todo o tempo tem o mesmo peso. Prova de que há mundos e mundos por cima de mundos, se você quiser que eles estejam ali.”

Vai ganhar as 4 xícaras de café:

03 nov, 2017

Livro: A Guerra Não Tem Rosto de Mulher

Resumo:

A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Alexiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

Este livro é a face FEMININA da guerra. Um lado da guerra desconhecido porque até então nunca havia sido contado. O livro é uma coletânea de depoimentos dolorosos das mulheres do Exército Vermelho que combateram durante a Segunda Guerra Mundial. A forma como autora expõe esses depoimentos é extremamente comovente. São histórias que contam o sofrimento, as angústias, as dores, os traumas e, principalmente, os abusos tanto físicos quanto psicológicos sofridos por essas mulheres que, todos esses anos ficaram caladas até mesmo dentro de suas casas. A guerra para essas mulheres que estiveram combatendo no front carregando um fuzil maior que seu tamanho, pilotando tanques, aviões ou cuidando dos milhões feridos, não terminou no Dia da Vitória. Enquanto os homens tiveram todos os seus méritos e reconhecidos por sua bravura, as mulheres foram xingadas de mulheres-machos e tratadas como prostitutas por uma sociedade em que nessa época, tinha um feminino extremamente conservador. Uma mulher ir a guerra era algo totalmente fora de questão, elas carregaram esse peso pelo resto de suas vidas e a guerra deixou tantas marcas que, muitas delas sequer foram apagadas. Não é toa que a autora Svetlana Aleksiévitch ganhou em 2015 o Nobel da Literatura por esta obra, pois o livro é impressionante do inicio ao fim, eu desconheço algum outro livro que tenha contado sobre esse lado feminino. Pra quem gosta de ler sobre esse período da história, eu diria que esta leitura é mais que obrigatória.

“Como a pátria nos recebeu? Não consigo contar sem soluços… Quarenta anos se passaram, e até hoje meu rosto queima. Os homens se calavam, mas as mulheres… Elas gritavam para nós: ‘Sabemos o que vocês faziam lá! Com as b… Jovens seduziam nossos homens. P… do front. Cadelas militares…’. Nos ofendiam de várias maneiras… O vocabulário russo é rico…”

Vai ganhar 4/4 xícaras:

cafe2-horz

03 out, 2017

Livro: Lugar Nenhum

“Em Lugar Nenhum Neil Gaiman conta a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive uma vida normal em Londres. Tem um bom emprego e vai se casar com a mulher ideal. Uma noite, porém, ele encontra na rua uma misteriosa garota ferida e decide socorrê-la. Depois disso, parecer ter se tornado invisível para todas as outras pessoas. As poucas que notam sua presença não conseguem lembrar exatamente quem ele é. Sem emprego, noiva ou apartamento, é como se Richard não existisse mais. Pelo menos não nessa Londres. Sim, porque existe uma outra – a Londres-de-Baixo. Constituída de uma espécie de labirinto subterrâneo, entre canais de esgoto e estações de metrô abandonadas, essa outra Londres é povoada por monstros, monges, párias, nobres, decaídos e assassinos – e é para lá que Richard vai.”

Esse livro tinha tudo pra eu amar: uma história de Neil Gaiman e Londres. Mas, infelizmente, não foi exatamente isso que aconteceu. “Lugar Nenhum” não é uma história ruim, mas pra mim faltou e sobrou muito ao mesmo tempo e vou explicar o porquê: o começo é muito legal, você sente que “uau, essa história será boa”, mas quando a história começa a desenrolar, ela se perde ao longo dos capítulos e do meio em diante, fica maçante.

Ao menos para mim não fluiu como eu esperava. Gaiman descreve Londres com uma riqueza de detalhes surpreendente e eu achei isso tão fantástico que preciso ressaltar, mas acho que pecou falando demais sobre muitos personagens que não tiveram praticamente relevância alguma na história (As 7 Irmãs, o Conde, Lamia), sendo que ele poderia ter contato muito mais sobre os principais – algo que não fez e aí acabou faltando algumas repostas pras minhas perguntas: Quem decide aonde será o próximo mercado? Como surgiu a Londres de baixo? E o pai de Door? Não sabemos nada da vida dele. Como Richard conseguiu enxergar Door? Isso fez com que a história ficasse com alguns fios soltos, o final ficou um pouquinho melhor, mas achei que a história poderia ter sido melhor explorada. Não é um livro de todo o ruim, veja bem… Mas eu que amei tanto “Deuses Americanos” ou “Oceano no Fim do Caminho” – histórias essas que superam minhas expectivas que acabei achando que “Lugar Nenhum” fosse no mínimo ser tão bom quanto, com certeza não é um dos melhores de Neil Gaiman, mas não é de todo o ruim. Vai ganhar só 2 das 4 xícaras:

14 ago, 2017

Livro: Dois Irmãos, Uma Guerra

“Dois Irmãos, Uma Guerra é a história comovente de dois garotos nascidos em Berlim, em 1920 – um judeu e seu irmão adotivo ariano -, criados como gêmeos por pais judeu-alemães, à sombra do Nazismo. Mas, com a mudança do cenário político, eles acabam em lados opostos durante a Segunda Guerra Mundial – um fazendo parte da Waffen-SS e o outro, do exército britânico – e têm que se confrontar com uma escolha inimaginável, que mudará completamente o destino de ambos. Qual deles sobreviverá? Como irão enfrentar a terrível verdade oculta em seu passado?”

Tão bom que li em menos de 2 semanas. Esse livro entrou pra lista dos melhores que li em 2017. Pra quem gosta de ler sobre a Segunda Guerra Mundial com certeza não vai se decepcionar com esse que na verdade, retrata o final da Primeira Guerra, o começo e todo o desfecho da Segunda. Esse tema pra mim é sempre muito emocionante, não me canso de ler e me horrorizar com as atrocidades e a luta das pessoas pela sobrevivência em tempos tão sombrios. A história envolve a vida de dois irmãos: Paulus e Otto, um deles é adotivo, mas nasceram no mesmo dia e suas duas amigas – Dagmar (judia filha de um milionário) e Silke (alemã filha de empregada) que juntos os quatro formaram o ‘Clube dos Sábados’, mas que tem suas vidas (assim como de seus próximos) drasticamente mudadas com o início da Segunda Guerra.

O livro também conta muito sobre a vida de Wolfgang e Frieda – o casal de alemães judeus que são os pais de Paulus e Otto e é impossível não se emocionar diversas vezes com este livro. ‘Dois Irmãos, Uma Guerra’ me envolveu desde a primeira até a ultima página, sua premissa é muito interessante e é cheio de reviravoltas nas histórias que te faz sentir cada riso, cada lágrima, cada angustia e revolta. É livro maravilhoso, triste, mas belo em sua maneira e arrebatador. Eu tenho certeza que se este livro fosse ambientado pro cinema, daria um incrível filme. Eu gostaria de escrever muito mais, mas sempre tento ao máximo deixar apenas minhas impressões e não os spoilers. É baseado em fatos reais e no posfácio do livro o autor conta e explica em quem se inspirou. Leitura mais que recomendada, entrou pra minha lista de favoritos:

cafe2-horz

“- É realmente um mundo encantador – disse Silke.
– Sim, é – Otto concordou. – Só lamento as pessoas que o habitam”.

26 jul, 2017

Livro: Deuses Americanos

Já tem uns dois anos que estou pra ler ‘Deuses Americanos’ e não sei por qual motivo eu sempre acabava escolhendo outro livro. Rick é muito fã desta história e quando saiu o seriado ele ficou muito empolgado e como Neil Gaiman nunca me decepciona, resolvi dar uma pausa com meus livros de guerra e comecei a ler este.

Sinopse:

“A saga de Deuses americanos é contada ao longo da jornada de Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de ser libertado e cujo único objetivo é voltar para casa e para a esposa, Laura. Os planos de Shadow se transformam em poeira quando ele descobre que Laura morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele conhece Wednesday, um homem de olhar enigmático que está sempre com um sorriso no rosto, embora pareça nunca achar graça de nada. Depois de apostas, brigas e um pouco de hidromel, Shadow aceita trabalhar para Wednesday e embarca em uma viagem tumultuada e reveladora por cidades inusitadas dos Estados Unidos, um país tão estranho para Shadow quanto para Gaiman. É nesses encontros e desencontros que o protagonista se depara com os deuses — os antigos (que chegaram ao Novo Mundo junto dos imigrantes) e os modernos (o dinheiro, a televisão, a tecnologia, as drogas) —, que estão se preparando para uma guerra que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido.”

Primeiro de tudo eu vou dar uma dica: Não leia ‘Deuses Americanos’ tentando adivinhar quem são todos (e muitos, porque o livro tem muitos) os Deuses da história. Outra coisa: Apenas leia aceitando que os Deuses andam e vivem normalmente entre as pessoas nos dias de hoje, ou seja, não espere nada óbvio, afinal de contas estamos falando de uma história de Neil Gaiman, então, mente aberta é primordial para este livro. Acima de tudo ‘Deuses Americanos’ é um livro… Como posso dizer? Estranho. Estranho com suas milhões de referências, fantasias e aventuras que Neil Gaiman usou para escrever sobre os Deuses, mas principalmente sobre todos nós e isso faz com que tenhamos várias reflexões durante a história, mas sempre com aquela pitada de humor ácido tão Neil Gaiman de ser. De todos os personagens, o que eu mais gostei é primeiramente o Shadow (eu adoreeei ele) e Wednesday.

poster do seriado

Pra mim é um livro que acertou em cheio com o seu propósito, a leitura fluiu muito bem e mesmo com algumas partes um tanto quanto confusas, em nenhum momento ficou chato para mim, a história também virou seriado e eu terminei ontem de assistir, há algumas passagens que não tem no livro, mas acredito que isso seja por conta da adaptação pra TV e eu gostei muito também. Leitura mais que recomendada. Merece as 4 xícaras:

cafe2-horz

O trailer da série:

“Essa terra não é boa para os Deuses”

29 Maio, 2017

Livro: Mitologia Nórdica

“No início, não havia nada”

É uma pena que a maioria das pessoas tenha um conhecimento bem pequeno sobre a mitologia nórdica, que é na minha opinião uma das mais ricas e complexas religiões que já existiram, pois ela vai muito além de Thor, Odin ou Loki. Muito embora, é graças a difusão da cultura pop promovida principalmente no cinema e nos quadrinhos pela Marvel que despertou o interesse das pessoas em saber mais sobre os antigos povos da Escandinávia, suas crenças, seus costumes e com isso, felizmente, o interesse vem crescendo cada vez mais. Prova disso é o grande sucesso do seriado Vikings produzido pelo History Channel e que sem dúvida um dos meus preferidos também.

Em meio a isso, Neil Gaiman, resolveu para a nossa felicidade literária recontar a Mitologia Nórdica ao qual ele mesmo diz que é completamente fascinado por essas histórias. Gaiman – o mestre supremo com o dom de te arrancar do mundo real e te levar para dentro da história, faz o mesmo com esse livro. É uma história especialmente escrita para quem não é nada familiarizado com a Mitologia, da mesma forma que é feito TAMBÉM pra quem já a conhece muito bem. O livro foi reunido em 15 contos que narram desde o início: os 9 mundos, a relação entre os deuses, os anões, os gigantes, até o Ragnarök – o fim de tudo. Tudo é contado de uma maneira leve, despretensiosa e com aquela peculiaridade do humor naturalmente ácido de Gaiman que todos os seus leitores amam. Dei muitas risadas com a forma que ele conta sobre os personagens – o que particularmente, foi uma das minhas partes preferidas, ri muito com Thor: incrivelmente forte, que se orgulhava de ser um beberrão e tão bruto que estava sempre disposto a matar alguém pra aliviar a tensão, mas o mesmo tempo era tapado como uma porta (ahahahaha), de Odin – O Pai de Todos e sua fixação louca por sabedoria e poder ou com o Loki, que é um grandíssimo trapaceiro safado, mas de uma inteligência enorme. Talvez as histórias envolvendo ele foram as minhas favoritas.

Mitologia Nórdica é um livro incrível em todos os sentidos, desde a sua edição belíssima até o seu conteúdo. Como em todas as histórias de Gaiman eu digo também pra essa: abram bem a mente e leiam, apenas leiam! Vocês não vão se arrepender! Ganhou as 4 xícaras de café:

cafe2-horz

08 Maio, 2017

Livro: A Ponte Invisível

Sinopse:

Em seu primeiro romance, Julie Orringer se inspira na experiência de seus antepassados húngaros durante a Segunda Guerra Mundial para construir uma narrativa ficcional cativante, que pode ser lida como uma história de amor, um thriller de guerra ou um romance histórico. Aos 22 anos, Andras Lévi recebe um convite para estudar na École Spéciale d’Architecture e se vê diante da repentina realização do sonho de deixar a Hungria para residir na charmosa Paris dos anos 1930. Tibor Lévi, por sua vez, consegue ingressar na faculdade de medicina de Modena, na Itália. Sempre que as parcas economias e a rotina de estudos permitem, os dois irmãos se reúnem para trocar confidências e aproveitar a noite parisiense. Andras, que se apaixona por uma mulher mais velha com um passado misterioso, logo se torna mais uma das preocupações de Tibor, que também se vê às voltas com um amor complicado. Nenhum deles previa, entretanto, as complicações que teriam início com a eclosão da Segunda Guerra Mundial: eles são obrigados a retornar à Hungria, onde são incorporados às frentes de trabalho destinadas aos judeus.

A narrativa da história é fantástica e igualmente rica em detalhes onde a autora fez um excelente e minucioso trabalho de pesquisa sobre a Segunda Guerra Mundial, tanto que algumas coisas eu desconhecia, mesmo eu sendo uma devoradora de livros sobre histórias da II Guerra. A maior parte da história é ambientada em Paris, Hungria e em alguns momentos na Ucrânia. O livro não foca somente no holocausto judeu, mas narra principalmente sobre as vidas dos sobreviventes de guerra: pessoas com seus sonhos, amores, amizades que são abruptamente interrompidos por esse período tão cruel da história.

O personagem principal é Andras Lévi – um jovem judeu húngaro estudante de arquitetura cheio de sonhos e planos; ele é um personagem que teve uma construção muito cuidadosa por parte da autora, assim como todos os outros também tiveram, mas é em Andras que o leitor conhece uma alma terrivelmente torturada pelos horrores da guerra e conhece sobretudo, a luta pela sobrevivência com uma capacidade sobre humana de nunca perder a esperança, não só por si, mas principalmente por quem se ama. Pra mim, a história de amor entre Andras e Klara é incrivelmente fantástica e linda, mas foi a história com o irmão Tibor que mais me comoveu neste livro. Eu chorei em diversas passagens da história.

O livro tem 724 páginas que eu li em menos de 2 meses e só não li mais depressa, porque muitas vezes me faltou tempo mesmo, ou seja, nem por um momento o livro é cansativo. O tempo, a história e a trama transcorre sem enrolações, sem correrias e sempre com muita, mas muita riqueza de detalhes – o que eu particularmente adoro. Quando terminei a história automaticamente já fiquei com aquela saudade deprê por terminar mais um livro, portanto, é uma leitura mais que recomendada. Vai ganhar com louvor as 4 xícaras de café.

cafe2-horz

“No dia seguinte, o Pesti Napló informou que um milhão e meio de judeus poloneses tinham sido mortos durante a guerra, segundo as estimativas do governo polonês no exílio. (…) Um milhão e meio de homens, mulheres e crianças judeus: como alguém podia compreender um número como aquele? Andras sabia que eram necessárias três mil pessoas para lotar os bancos da sinagoga da Dohány. Para acomodar um milhão e meio, era preciso reproduzir aquele prédio, seus arcos e suas abóbadas, seu interior mourisco, suas sacadas, seus bancos de madeira escura e sua arca dourada quinhentas vezes. E depois Andras visualizou cada uma daquelas quinhentas sinagogas lotadas em capacidade máxima, e cada homem, mulher e criança dentro delas era um ser humano único e insubstituível, da mesma forma como ele imaginava Mendel Horovitz, Torre de Marfim ou seu irmão, Mátyás, cada um deles com seus próprios desejos e temores, com seu pai e sua mãe, com sua terra natal, sua cama, seu primeiro amor, uma teia de recordações, um esconderijo de segredos, uma pele, um coração, um cérebro infinitamente complicado. Imaginá-los daquela maneira e depois imaginá-los todos mortos, extintos para sempre — como alguém podia sequer começar a compreender aquilo? A ideia podia deixar uma pessoa louca.”

– A Ponte Invisível