23 jan, 2019

Livro: A Bibliotecária de Auschwitz

Muitas histórias do horror e sofrimento testemunhados dentro dos campos de concentração nazistas são contadas e recontadas, já estão gravadas e arquivadas. É difícil, nesses relatos, encontrar atos de esperança e força diante de todo o mal registrado durante o Holocausto. ‘A Bibliotecária de Auschwitz’ é um livro diferente. É uma história verdadeira e cheia de detalhes a respeito de um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças. Criou também uma biblioteca de poucos volumes com a ajuda de Dita Dorachova, uma menina judia de 14 anos que se arriscava para manter viva a esperança trazida pelo conhecimento e escondia os livros embaixo do vestido. É um registro de uma época sofrida da História, mas que também mostra a coragem de pessoas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes usando os livros como ‘arma’.”

É no mínimo inusitado pensar na existência de uma biblioteca num campo de concentração, mas através do mercado negro, os judeus conseguiram alguns livros que eram usados nas aulas e também existiam os chamados “livros-vivos”, que eram os professores que sabiam uma história de cor e passavam as crianças do Bloco 31. A Bibliotecária de Auschwitz é uma história real. É a história de Dita Adlerova, atualmente com 90 anos. Este livro não necessariamente narra as atrocidades ou a máquina de mortes que foi Auschwitz, não há aquele detalhamento sobre o que acontecia nesses campos de concentração muito comum nos livros de segunda guerra pra quem é habituado a ler, claro que tudo isso é abordado durante a história porque não tem como deixar de fora essas crueldades quando se trata de Segunda Guerra, mas o ponto central da história foi contar como era Auschwitz vista por dentro, através de alguns personagens chave que sobretudo incentivavam o encorajamento e a esperança para outras pessoas.

“Ela pensa por um momento em Hirsch com aquele eterno sorriso enigmático. De repente, percebe que o sorriso de Hirsch é uma vitória. Num lugar como Auschwitz, onde tudo é projetado para fazer chorar, o riso é um ato de rebeldia.”

Dita foi uma das responsáveis por isso, através de alguns pouquíssimos e surrados livros (8 no total, alguns faltando páginas, outros sem capa) que ela carregava escondido por baixo do vestido. Dita nesta época tinha apenas 14 anos, uma menina, mas era responsável por cuidar e principalmente esconder esses livros do qual, se descobertos, poderiam ter custado a sua vida, mas foi graças a esses mesmos livros que Dita conseguiu passar o conhecimento e a esperança pra outras pessoas do Bloco 31 e sobretudo se manter viva até o final da guerra: uma grande forma de resistência em tempos tão sombrios como esse. A Bibliotecária de Auschwitz é uma história que fala sobre esperança, coragem, lealdade, bravura, resistência e livros… Em uma Alemanha Nazista que considerava o conhecimento uma ameaça, os livros foram sim uma verdadeira arma. 5/5 xícaras:

“A menina tinha o vínculo que une algumas pessoas aos livros. Uma cumplicidade que ele próprio não possuía, por ser ativo demais para se deixar fisgar por linhas e linhas de impressas em páginas. Fredy preferia a ação, o exercício, as canções, o discurso. . . Mas se deu conta de que Dita tinha essa empatia que faz com que certas pessoas transformem um punhado de folhas num mundo inteiro só para elas.”

Juliana Esgalha

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