
Como sobreviver e continuar vivendo? Esta é a história de um menino obrigado a seguir em frente depois de perder tudo. Mas também é a história de personagens inesquecíveis e de como pessoas salvam umas às outras de inúmeras maneiras. Acima de tudo, este livro é um retrato sensível e inspirador de um coração partido aprendendo a amar de novo.
Em uma manhã de verão, Edward Adler e sua família embarcam em um voo junto com outros 183 passageiros. Entre eles há um prodígio de Wall Street, uma jovem grávida, um veterano de guerra e uma mulher fugindo do marido controlador. Pouco depois, porém, todas essas histórias são interrompidas pela queda do avião — menos uma. Edward foi o único sobrevivente. Depois da tragédia, o garoto vai morar com seus únicos parentes em uma cidadezinha de Nova Jersey. É lá que ele conhece sua nova melhor amiga e passa a frequentar o consultório de um psicólogo, tentando construir uma nova vida.
Ainda assim, ele não se sente tão vivo: é como se uma parte de si continuasse sentada na poltrona ao lado do irmão, para sempre voando com desconhecidos. Quando Edward descobre uma série de cartas enviadas a ele desde o acidente, essa sensação começa a mudar, e ele é levado a procurar respostas para uma pergunta que ninguém deseja responder: depois de uma tragédia, como seguir adiante e encontrar um novo sentido para a vida?
Gostei tanto de de “Olá, Querida” que resolvi emendar outro livro na sequência de Ann Napolitano. Querido Edward é um romance emocionante e profundamente humano que explora temas como luto, resiliência e a capacidade de reconstruir a vida após uma tragédia. Ann Napolitano mais uma vez constrói uma narrativa super sensível e comovente acerca de um acidente aéreo, alternando entre os momentos finais dos passageiros do voo e a jornada de Edward Adler, o único sobrevivente do acidente.
O livro se divide em duas linhas temporais: uma acompanha as horas finais dentro do avião, revelando as histórias pessoais dos passageiros, enquanto a outra segue Edward após o acidente, tentando se adaptar a uma nova vida com sua tia e seu tio. Essa estrutura enriquece a história, pois humaniza as vítimas e contrasta a brevidade da vida com o longo processo de cura do protagonista.
Edward é um personagem cativante, cuja dor e isolamento são palpáveis. Sua relação com Shay, sua vizinha e única amiga, é um dos pontos altos do livro, mostrando como pequenos gestos de conexão podem ser salvadores. A descoberta das cartas enviadas por familiares de outras vítimas adiciona camadas à narrativa, levando Edward a confrontar sua culpa e a buscar um propósito e sentido pra sua própria vida.
Esta história não oferece respostas fáceis para o sofrimento, mas constrói uma linha sobre como a dor pode ser transformada em empatia. O livro questiona: Como seguir em frente quando tudo é perdido? A resposta parece estar nas pequenas interações, na coragem de recomeçar e na aceitação de que a vida, mesmo quebrada, ainda pode ser significativa.
Querido Edward é um livro sobre perda, mas também sobre se encontrar. Não é uma história sobre superação heroica, bem longe disso, e sim sobre aprender a carregar o passado enquanto se abre espaço para um futuro possível. 5/5:







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