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07 nov, 2017

Farellones no Chile

Este é, finalmente, o ultimo post sobre nossa viagem ao Chile, quem quiser boas dicas sobre o deserto do Atacama aqui tem bastante informações, sobre o Chile aqui também tem boas dicas da nossa viagem anterior, mas hoje vou falar sobre o Parque Farellones que é bem pertinho de Valle Nevado e fica a mais ou menos uns 50 minutos de Santiago. Na rua do flat em que ficamos, encontramos uma agência – a Snow Tours que faz esses passeios de montanha e em vinícolas também, há diversas outras agências pelo centro da cidade que vendem esses tours, mas escolhemos essa pois estava com um bom feedback dos viajantes e era pertinho da gente, além de disponibilizarem o transporte que te busca e te deixa na porta do hotel, há também o serviço de aluguel de roupas, caso você não esteja devidamente preparado para o frio nesse tipo de lugar.

No nosso passeio estava incluso Valle Nevado + Farellones, porém, durante o caminho a nossa guia Denise, que é brasileira e muito gente boa, nos deu uma dica de ouro: quem estava indo com a intenção de esquiar, Valle Nevado era uma boa opção, contudo, quem queria se esbaldar na neve, passear ou fazer algum outro tipo de passeio, Farellones era o mais indicado e essa foi a minha real intenção, eu já teria minha cota de aventura no Atacama e esquiar não estava nos meus planos. Então, eu, Rick e mais algumas pessoas descemos em Farellones e o resto do grupo foi pro Valle Nevado e voltariam por volta da hora do almoço. Portanto, não conhecemos o Valle Nevado, mas eu e Rick passamos um dia incrível em Farellones.

A entrada no Parque, se eu não estou enganada, custa $20.000 pesos Chilenos (cerca de R$100,00) e honestamente não acho caro porque além de um lugar super lindo, com vistas maravilhosas, essa entrada dá o direito de fazer todas as atividades disponíveis dentro do parque, menos esquiar e as aulas de esqui (isso tem valor separado), você pode ficar o dia todo lá, sair do parque e voltar também, ir milhões de vezes em todas as atividades que quiser. Tem muita coisa legal pra fazer lá: passeio de bike, trineo (mais conhecido como skibunda e eu não gostei desse por motivos de: medo de descer naquela pranchinha), tubing (descer a neve com uma boia), snowboard, ski, tirolesa, teleférico, além dos cafés que ficam tanto na parte de cima como na parte de baixo do parque. Eu já tinha visto neve, mas nunca tinha estado em um lugar com tanta neve pra poder aproveitar, teve aquela nevasca tímida nesse ultimo inverno de Londres que passamos o ano novo, teve neve no Etna, mas foi tudo muito rápido, portanto se a sua intenção é literalmente brincar na neve, rolar na neve e fazer atividades na neve, Farellones é uma ótima escolha.

Como estivemos lá em Agosto, ou seja, ainda bem invernão no Chile, o parque estava completamente coberto de neve, as fotos são um pouquinho de como foi maravilhoso esse dia:

Aonde comer? Há cafés com serviço de restaurante no parque, mas por dica da nossa guia, nós fomos no restaurante de um hotel que fica um pouco mais acima, saindo fora do parque mesmo; comida honesta, preço justo e um ótimo vinho. Não lembro de quanto gastamos, mas eu sei que em Valle Nevado pra comer ou só  beber um café é muito mais caro que Farellones, tanto que a galera que foi pro Valle, decidiu almoçar em Farellones.

Apesar de muito frio, pegamos um dia lindo e sem vento e isso conta muito porque deu pra aproveitar bastante, no final do dia o frio ficou mais forte e também começou a ventar bastante, então, além de ir bem paramentado na vestimenta, é bom também checar as condições do clima antes, coisas que não podem faltar:

– Botas de Neve (se for impermeável melhor ainda, a minha não era, mas segurou de boa)
– Calça (e de preferência com uma segunda pele por baixo, eu por exemplo sinto muito frio nas pernas)
– Luvas (se você esquiar, escolha pelas impermeáveis, a minha é de lã mesmo)
– Casacão (daqueles pra neve mesmo, eu ainda usei uma segunda pele e um moletom por baixo)
– Gorro (parece que não, mas não dá pra ficar sem)
– Cachecol (não consigo andar no frio intenso sem um)
– Óculos escuros (imprescindível!!!! não dá pra ficar naquela neve branca de doer sem um óculos escuro)
– Protetor solar (pro rosto, o sol queima sim)
– Protetor labial (e use muito, porque tudo congela e tudo resseca)
– Água pra hidratar

Não foi o nosso caso, mas caso você não tenha algum desses itens, você pode alugar antes com a agência que você fechou o passeio, não tenho ideia de valores, mas sei que não é caro, durante a subida pra esses lugares é muito comum sentir um pouco do mal da montanha (olha ele aqui de novo), no nosso transfer, dois rapazes passaram mal, então, como precaução, eu recomendo tomar um café da manhã BEM leve.

Valle Nevado ou Farellones? Eu não estive no Valle, mas sei que é incrivelmente lindo e que vale muito a pena conhecer também, contudo, as opções pra comer são mais caras e se você tem intenção de esquiar, Valle Nevado é uma ótima escolha. Agora se você não faz questão de esquiar, mas quer aproveitar bastante o dia fazendo outras atividades na neve, Farellones é a melhor opção.

13 out, 2017

Cerro Toco – Deserto do Atacama

Quando nós fechamos a viagem pro Deserto do Atacama, entre todos os passeios que pesquisei, eu queria fazer algo que fosse mais… Como posso dizer? Algo mais ousado… Que pudesse testar meus limites ou chegar perto disso. Queria algo mais pancadão, sabe. Eu tinha pesquisado muito sobre o trekking ao vulcão Lascar (um dos vulcões AINDA ATIVO do Atacama) e fiquei doida pra fazer. Fechamos esse com a Ayllu, porém quando chegamos lá, fomos informados que a estrada que leva ao vulcão estava fechada por conta da neve e provavelmente ia continuar assim por mais um mês. Esse ano foi bem atípico no Atacama: teve muita neve e chuva, algo que não acontecia há anos e isso em meados de julho atrapalhou um pouco a vida de quem viajou pra lá. Fiquei chateada quando soube disso, é possível ver o Lascar por muitos lugares e bem pela manhã dava pra ver uma fumacinha saindo dele, foi um dos passeios que eu mais estava esperando, mas aí nos deram outra opção: Cerro Toco. Cerro Toco é um estratovulcão (ou seja, vulcão em forma de cone que são formados de camadas de fluxo de lava, cinzas e blocos de pedra) que não está mais ativo e o cume está a 5604 metros acima do nível do mar. A caminhada leva mais ou menos de 1:30 à 3 horas pra subir e mais ou menos 1 hora pra descer, é mais suave de subir que o Lascar segundo as informações passadas à nós (ahahahahaha eu tô rindo aqui sozinha porque vou chegar nessa parte), mesmo Cerro Toco sendo maior na altitude.

Então vamos pra Cerro Toco.

Por recomendação deixamos esse pro ultimo dia no Atacama, assim o corpo estaria mais aclimatado. Um dia antes fizemos uma pequena reunião com nosso guia que nos passou as condições do tempo (-10 graus durante o trajeto e -15 no cume), roupa adequada pra suportar o frio, o que levar, alimentação e alguns cuidados antes de ir. Na sexta feira o guia passou pra nos pegar cedinho e era pra ter ido mais um casal com a gente, mas eles acabaram desistindo, então fomos só nós 3. A viagem de carro durou mais ou menos 1 hora e como sempre passando por lugares incríveis, chegando lá começamos a nos preparar pra subida: gorro, paninho de proteção pra nariz e boca por conta do vento, óculos (indispensável), meias e luvas térmicas (que eu não tinha e o guia providenciou pra gente), capacete e na mochila apenas o necessário: um lanche, um saquinho bem farto de frutas secas e oleaginosas, uma barrinha de chocolate e um Gatorade de 1 litro. Paramentados, recebemos 1 bastão de trekking pra cada mão (descobri que isso realmente faz uma TOTAL diferença) e o plano era: primeiramente não morrer (ahahaha brincadeira), caminhar os 40 primeiros minutos sem pausa, depois uma pausa rápida pra tomar algo, comer umas frutinhas secas e continuar. Como caminhar em lugares assim? Passos lentos (SEMPRE!), curtos e sempre respirando devagar – conforme as passadas, não é nada parecido como se caminha na cidade, por exemplo, e menos ainda trote rápido, apenas.caminhar.devagar. Se alguém se sentisse mal era só falar, o tempo de cada um seria respeitado.

E aí fomos. Os primeiros minutos foram meio confusos pra eu ajeitar minha passada com o bastão de trekking, uma vez que coordenação nunca foi um ponto forte em mim. Rola todo um esqueminha da passada com o movimento dos bastões, mas logo me ajeitei com isso e fui. Se ajeita, sobe, respira, sobe, sobe, sobe, respira – NOSSA! QUE FALTA DE AR, NÃO TEM AR AQUI!!!! e tão logo eu também encontrei o famigerado MAL DA MONTANHA. Bom, eu já sabia que isso ia acontecer (porque 5 mil, 600 e lá vai pedrinha acima do nível do mar, fora que o Atacama já está a 2400 metros acima, é meio que né… bem previsto disso acontecer). Eu tenho um certo trauminha com esse lance de mal da montanha porque a primeira vez que senti, eu não sabia o que era e achei que estava mesmo tendo um treco (em Portillo – 2010), vomitei, não consegui comer, muita tontura e fiquei toda malzona mesmo. Em Cerro Toco não seria diferente os sintomas, o ar ali é (bem mais) rarefeito, mas eu já sabia como lidar melhor com isso. A gente estava numa subida, estava bem frio, porém, nesse aspecto foi relativamente tranquilo porque estávamos bem agasalhados, mas mesmo que você queira ou tente andar mais rápido não é possível, e não pelo caminho em si, mas realmente por conta da altitude: você sente uma pressão enorme na cabeça, dor de cabeça, batimentos acelerados, tontura e falta de ar. Não é uma sensação necessariamente que te leve ao desespero, mas assusta um pouco… Por isso que eu acho que a mente nessas horas conta tanto quanto o físico.

Fui prestando atenção nas minhas passadas, sincronizando com minha respiração e mentalizando musicas e muitas coisas boas dos momentos daquela viagem e ao longo da minha vida, pensei nos meus gatos, num banho quentinho quando pegávamos trechos com muito vento ahahaha enfim… é praticamente uma meditação e um ótimo exercício pra mentes ansiosas como a minha. Durante essa primeira etapa eu não pensei em tempo, simplesmente fui vivendo cada passo que eu dava, mas a uma certa altura eu tive que parar e respirar mais fundo, aí sim perguntei ao guia quanto tempo ainda faltava e ele disse: “nenhum, acabamos de completar os 40 minutos” UFA!!! Eu estava com a respiração e o coração muito acelerado, por um mísero segundo achei que não conseguiria, mas tratei logo de tirar esse pensamento negativo da minha mente, porque é lógico que eu ia conseguir, eu estava alí pra isso e queria testar meus limites, certo? Tomei um pouco de Gatorade, não quis comer o chocolate e o guia foi me orientando a inspirar pela boca e soltar devagar o ar pelo nariz pra equalizar minha respiração, além é claro, isso junto com os milhões de incentivos, dizendo que nós estávamos muito bem pelo tempo e distância que já tínhamos feito e isso AJUDA muito em um momento como esse.

Feito isso, continuamos nosso trekking. Teríamos mais uma hora pela frente (mais ou menos) e dessa vez alguns caminhos com um pouco mais de neve, mas nada muito tenso e deu pra fazer de boa (mais uma vez: bastões de trekking ajudam MUITO nessas horas). O objetivo do momento era: caminhar, respirar, não desmaiar, caminhar, respirar, não desmaiar ahahahaha, parei mais umas 2 ou 3 vezes, equalizei minha respiração e continuei… Desistir não tinha nem sequer passado pela minha cabeça, mesmo nos momentos mais complicadinhos. Eu só pensava em conseguir e conquistar o cume seria o meu prêmio, a minha superação. Fizemos mais uma pequena pausa e o guia nos disse: “Falta pouco! É alí (e apontou), só mais 200 metros e chegamos, bora conquistar esse cume?” Nessa hora eu acho que a sensação que dá deve ser a mesma quando se alcança o auge de uma meditação ou algum outro momento que você simplesmente se deixa levar, eu não consigo bem explicar o que exatamente de tão maravilhoso invadiu em mim nessa hora, mas acho que se o mundo tivesse acabado alí, naquele minuto, eu teria continuado minha caminhada mesmo assim porque naquele instante, era somente aquilo que importava pra mim. Acho que a corrida também proporciona muito disso, mas pra mim ali ainda era bem diferente porque eu não estava no meu “território” habitual e não estava fazendo algo que estou acostumada a fazer, entende?

E aí anda mais um pouco, respira mais um pouco, anda, anda e então chegamos. Eu não consigo por em palavras a sensação louca que é de chegar no cume de uma montanha, ao mesmo tempo que você se sente grande por ter conseguido, você se sente tão pequeno quanto um grão de areia também, porque é só olhar em volta e sentir como somos tão insignificantes em relação natureza, ao mundo e ao universo. Super piegas eu ficar retratando essas emoções, eu sei, e mais piegas ainda foi quando eu sentei numa pedra pertinho de uma pirambeira e comecei a chorar (é lógico que eu ia chorar, alguém ainda tinha duvida disso? ahahaha), mas são registros meus que eu gosto de deixar aqui. Com certeza foi uma superação pra mim, de todos os trekkings e trilhas que já fiz, Cerro Toco foi o mais emocionante de todos e o que mais mexeu comigo. A volta foi bem mais curta, o que não quer dizer que foi ao mesmo tempo fácil. O Rick e o nosso guia desceram como se estivessem apenas descendo uma escada, eu que sou mais comedida (leia-se medrosa), fui bem mais devagar. Quer dizer, foi e não foi mais fácil. Descida sempre tem aquilo de firmar o pé antes de dar o passo seguinte pra não sair rolando até ir parar na cidade e como o caminho da volta era cheio daquelas pedrinhas soltas, isso me rendeu um escorregão, nada sério, mas o Claudio (o guia) disse que sendo assim eu já poderia ter minha propriedade em Cerro Toco, é tipo um “batismo” pra quem leva algum tombo ou escorregão nas montanhas ahahaha.

A volta nos despedimos de Cerro toco e com uma vista linda de Licancabur (que está ainda nos meus planos) e depois de toda a experiência, penso que foi bom o vulcão Lascar não ter dado certo dessa vez, o trekking dele é um pouco mais difícil e leva mais tempo, eu teria conseguido ele também, mas teria sofrido mais. Algumas coisas que preciso mencionar: faço academia, corro e mesmo assim, não foi algo fácil pra mim. Eu acredito que Cerro Toco seja um trekking acessível pra (quase) todos, mas tenha em mente os perrengues também, porque como disse lá em cima: a mente é tão importante quanto o preparo físico e se você não estiver com o coração aberto pra isso, não vá. Outra coisa que preciso contar: o silêncio! Sim, o silêncio. Tanto quando estávamos subindo como quando estávamos descendo, é um silêncio que poucas vezes você sente na vida, principalmente quando se vive em cidades como a grande maioria de nós, a gente de certa forma se acostuma e aprende a viver com barulhos, mas o silêncio numa montanha chega a ser latente, a única coisa que você escuta são seus passos, mas o silêncio em volta chega a ser hipnotizante. Pra terminar esse post vou deixar uma música do RadioHead que viemos ouvindo na volta e me marcou muito. Esse dia está 10/10 na lista de coisas inesquecíveis em viagens.

Só pra título de curiosidade, essas são as altitudes de alguns vulcões do Atacama:

Lascar – 5500 metros de altitude
Cerro Toco – 5604 metros de altitude
Putana – 5890 metros de altitude
Licancabur – 5910 metros de altitude
Sairecabur – 5971 metros de altitude
San Pedro – 6145 metros de altitude
Aucalquincha – 6176 metros de altitude
Ojos del Salado – 6887 metros de altitude

27 set, 2017

O que fazer no Deserto do Atacama

Essa semana estava lendo um artigo que o Chile foi eleito através da World Travel Awards como o melhor destino da América do Sul para aventuras pela terceira vez consecutiva e não é pra menos, tem de ski a passeio no deserto, tem de praias a vulcão, sem contar que o turismo no Chile é muito bem feito, o governo investe uma grana boa e é por isso que voltamos pela segunda vez pra lá. Algumas pessoas tem a ideia de quando se fala em deserto tudo se resume a areia, areia, um pouco mais de areia e que não há muito o que se fazer. Se engana totalmente. O Deserto do Atacama tem centenas de passeios incríveis, alguns mais perto e outros bem mais longe que podem levar até dias, eu queria ter ficado muito mais tempo pra conseguir conhecer tudo o que tem lá, tem muita coisa legal  pra se fazer no Atacama e ainda penso em um dia voltar novamente.

Como disse no outro post sobre o deserto, agências de passeios ali não faltam e existem duas escolhas: você reservar lá quando chegar ou reservar com antecedência meses antes da sua viagem. Foi o que eu fiz e prefiro dessa forma porque você pode negociar um desconto e se programar melhor, principalmente se acontecer algum imprevisto de clima (o que aconteceu conosco em um dos passeios). Eu pesquisei bastante antes de fechar: pesquisei valores, opções de passeios, os mais legais, mas priorizei acima de tudo a confiança e segurança porque veja bem, estamos falando de um DESERTO que existe poucos recursos como socorro médico, posto de gasolina, comunicação, etc… Então você precisa de guias que te levem e te tragam dos lugares com segurança e obviamente todas agências lá possuem isso ou pra mais ou pra um pouco menos dependendo das suas expectativas e planos. Depois de muito pesquisar sobre tudo isso eu fechei meus passeios com a Ayllu Atacama que tem uma agência bem no centrinho, então é tranquilo pra encontrar quando se chega lá. Todos os feedbacks que li sobre a Ayllu são super positivos; tanto em blogs de viagem, como no TripAdvisor, eles responderam todas as minhas duvidas, perguntaram que seu tinha alguma restrição alimentar (alguns passeios tem café da manhã, almoço, lanche), pegaram meu horário de chegada e me deram informações importantes. Os passeios que eu fechei com eles foram:

Valle da La Luna, Laguna Cejar, Geyser El Tatio e Vulcão Lascar que tivemos que trocar pra Cerro Toco porque a estrada que leva até o vulcão estava fechada por conta da neve. No dia que chegamos, fechamos o roteiro com a Renata que nos atendeu muito bem e o primeiro da lista foi Valle de La Luna + pôr do sol no Valle de La Muerte: teve um trekking leve, teve entrada em caverna, vista maravilhosa (!), vinho, comidinhas e um pôr do sol maravilhoso com uma vista linda do vulcão Lincancabur, recomendo muito e é uma ótima opção pra se iniciar no Atacama:

Eu estou mostrando pela ordem dos passeios, eu só não me lembro se foi no segundo ou terceiro dia que demos um OFF pra conhecer o centrinho, mas o segundo que fizemos foi o Laguna Cejar: o famoso lago profundo que devido a quantidade absurda de sal que tem nele, você boia, não tem como afundar e é maravilhosa a vista de ter um lago desses no meio do deserto. A água é absurdamente gelada, já vou avisando, mas crie coragem e entre mesmo assim, vale muito a pena pela experiência e a gente só se vive uma vez na vida, né? Depois fomos pro Ojos del Salar que são duas crateras imensas com água doce e salgada onde se pode mergulhar, mas eu preferi só olhar mesmo porque eu já tinha tido a minha cota de encarar água gelada pro dia ehehehe e depois fomos para o pôr do sol Laguna Tebinquinche que o caminho é um pouco mais complicado e que nesta hora, final de tarde, o tempo já estava bem mais frio. Eu fiquei especialmente apaixonada por Laguna Tebinquinche porque além de ter uma vista maravilhosa, do tipo raro aos nossos olhos (fica no meio de um vale e recebe água do degelo das montanhas), é um lago muito sagrado, portanto é estritamente proibido tocar na água ou ultrapassar a linha da trilha que é demarcada. O pôr do sol ali é lindo também, conforme o sol vai se pondo a paisagem em volta vai mudando de cor, e a água do lago fica como um espelho refletindo tudo em volta, vimos tudo isso tomando um belo Pisco Sour e degustando comidinhas deliciosas (o pessoal da Ayllu foi muito querido e fez opções sem carne pra mim), outro passeio que vale muito a pena fazer:

No dia que fomos para os Geysers Del Tatio saímos antes mesmo do sol nascer. O guia nos buscou no hotel e de lá partimos. É preciso sair muito cedo por dois motivos: fica longe do Atacama (são quase duas horas de carro) e o espetáculo mesmo acontece quando o sol nasce e os geysers soltam aqueles vapores de água que chegam aos 10 metros de altura facilmente, isso acontece porque há um contraste muito grande entre a temperatura da água (por volta 85°C) e a temperatura ambiente, que neste dia pegamos os agradáveis -15°C ahahahahaha, ou seja, basicamente é o mesmo que se estivéssemos em cima de uma panela de pressão. Vocês lembram que eu disse que no Atacama quanto mais alto, mais frio? Pois bem, o Atacama está a 2.400 metros acima do nível do mar e o campo aonde fica os Geysers está a 4.320 metros, então esse é um dos passeios que é imprescindível camadas de roupas e um casaco adequado pra esse tipo de temperatura. O que pode acontecer também é sentir o tal do Mal da Montanha (enjoo, tontura, dor de cabeça, falta de ar), eu senti um pouco quando estávamos subindo de carro, mas como estou mais esperta com esse tipo de coisa, eu só tomei um pouquinho de café antes de sair do hotel e alguns golinhos de água durante o caminho, não quis comer nada porque é certeza que passaria mal, tomamos um belo café da manhã enquanto estávamos lá e aí foi super de boas porque o corpo já estava mais aclimatado. Foi sem dúvida um dos passeios que eu mais AMEI fazer e estando no Atacama você não pode deixar de incluir os Geysers del Tatio na sua lista, a volta também foi muito legal porque o que não vimos na estrada na ida por estar escuro, vimos tudo na volta e foi incrível:

E o penúltimo passeio que fizemos foi pra Pukara de Quitor, esse nós fizemos por nossa conta mesmo porque é bem próximo do centrinho do Atacama (3km) e não necessita de guias. Você pode alugar bicicleta ou ir a pé, escolhemos a segunda opção, ao chegar ao parque você paga uma entrada que sai por volta de mais ou menos 15 reais. Pukara de Quitor é um sítio arqueológico pré colombiano que foi construído no século XII (ou seja, essa ruína tem mais de 700 anos) e serviu de proteção dos atacamenhos que lutavam contra invasores. Pukara na língua dos quéchua significa “fortaleza” e Quitor é o nome do monte onde, em 1982 foi proclamado como monumento nacional. A subida é um pouco puxada, mas nada impossível, toda a vista que se tem quando se chega ao topo é compensadora:

O Atacama é um pedaço no mundo incrível pra se conhecer. E nos acontecimentos também: encontrei lá um amigo que conheci na Noruega, mas que agora mora em São Paulo, por um acaso ele viu no meu FB que eu também estava no Atacama e nos encontramos um dia para jantar juntos. Mundão pequeno, né? Há vários outros passeios além desses que fiz e tudo depende de quanto tempo você vai ficar e o quanto está disposto a gastar. A Ayllu não é uma das agências mais baratas, justamente por ter um turismo mais diferenciado, eles oferecem diversos atrativos que vão além dos lugares, além de um atendimento impecável, tanto na agência como os guias que nos acompanharam, aliás, o que já me perguntaram: Dá pra ir pros lugares sem guia? Creio que alguns até dão pra fazer sem um guia, porém não é recomendado! Eles mesmos lá enfatizam isso. É sempre mais seguro você estar com um guia que conheça o lugar e que esteja com equipamentos de segurança necessários: GPS no carro, sinal via satélite e rádio, caixa de primeiros socorros – essas coisas que fazem uma total diferença caso você precise delas. Portanto, eu recomendo que (tirando Pukara de Quitor), ninguém faça algum passeio sozinho. Pra quem viaja de carro (nós conhecemos um casal que saiu de Curitiba de carro e chegou até lá) eu não sei qual é o procedimento pra se visitar os lugares, então, pra quem tem essa intenção, pesquise muito bem antes. Pra fechar os posts sobre o Atacama (porque ainda falta do Chile) eu deixei Cerro Toco pra um outro post, uma vez que fazer esse trekking foi uma experiência única pra mim, então ainda vou escrever sobre ele contando tudo. Ah, e o post não é nenhum publi não, viu? Escrevi unicamente baseada na minha experiência. 🙂

13 set, 2017

Viajando: Chile – Deserto do Atacama

No mês de Agosto estivemos no Chile mais uma vez. A primeira vez foi no final de 2010 e passei o Ano Novo lá que foi incrível. Eu sou apaixonada pelo Chile! Amo Santiago. A cidade, as pessoas, os lugares, o clima. Mas dessa vez resolvemos escolher um Chile mais aventureiro e roots e fomos pro Deserto do Atacama. Ficamos 5 dias insanos lá, então como já falei sobre o Chile aqui no blog eu vou deixar pra depois os posts sobre Santiago e outros lugares que conheci e falar mais sobre o deserto que foi o ponto principal da nossa viagem. Hoje eu vou falar sobre como chegar até o Atacama, o vilarejo, dicas de lugares pra comer, se hospedar e coisas que não podem faltar quando se está num deserto,  no outro post falarei especificamente sobre os passeios que fiz.

Pra se chegar até o Atacama existem duas opções: estrada (que leva um dia partindo de Santiago) ou a melhor opção que é o aéreo: de Santiago você pega um voo (1 hora e 1/2 de viagem) até o aeroporto de Calama e de lá você pega um transfer (1 hora e 20 de viagem) até a vila de São Pedro do Atacama. No aeroporto mesmo há diversas empresas de transfer (nós escolhemos a Licancabur que te deixa na porta do seu hotel. O valor é $9.000 somente ida ou $14.000 ida e volta) ou você pode escolher ir de táxi também, nós escolhemos o transfer porque além de ser mais barato, eu tive uma confiabilidade maior com a empresa e uma coisa que não se pode reclamar do Chile é organização e opções de locomoção. Quando desci em Calama e olhei em volta eu já comecei a sentir toda a atmosfera do deserto, mas chegar no deserto do Atacama eu penso que deve ser a mesma sensação que pisar em outro planeta. Aquele lugar é outro mundo.

Chegamos em São Pedro do Atacama bem no comecinho da tarde. Fizemos o check in no hotel, ficamos hospedados no Atacamadventure Wellness & Ecolodge que fica mais ou menos uns 2 quilômetros do centrinho, mas a noite eles dispõem de transfers e o hotel tem uma estrutura muito boa também, tem até um ofurô pra relaxar, super recomendo. Do hotel fomos até o centrinho a pé mesmo e chegando lá já procuramos a Ayllu Atacama que foi aonde eu fechei todos os meus passeios. Eu cotei outras agências antes e nas minhas pesquisas, a Ayllu estava sempre muito bem indicada nos feedbacks dos viajantes, definitivamente eu também recomendo muito porque todos os passeios que fiz com eles foram todos incríveis. Montado o roteiro dos passeios com o pessoal da agência fomos procurar algo pra comer e no centrinho minúsculo do Atacama restaurantes não faltam, aliás as 4 coisas que não faltam ali são: restaurantes, agências de passeios, casas de cambio e mini mercadinhos. No vilarejo tem apenas uma farmácia e uma agência bancária, portanto já chegue lá meio que preparado nesses pontos. A comida é muito boa, na maioria dos lugares – embora não em todos, tem opções vegetarianas ou veganas no cardápio… Eu estava um pouco receosa quanto a isso porque achei que teria um pouco de dificuldade de encontrar comida sem carne, mas foi muito de boa em todos lugares que visitei. Ah, e outra dica importante e essa é para os aventureiros estilosos: tem uma loja na North Face e uma da Columbia também, importante saber principalmente se você precisa de uma blusa mais quentinha ou uma bota de trekking caso você tenha levado só tênis (vou falar sobre tênis X bota depois).

Aliás o tipo de vestimenta é algo muito importante pro Atacama e vou dizer o motivo: você tem calor e muito frio no mesmo dia, então é imprescindível estar preparado pros dois. Nessa época de agosto durante o dia o calor é de agradável pra mais frio, ou seja, até dá pra ficar só de camiseta durante o dia enquanto você está andando no sol e quando começa a entardecer você sente bem a temperatura começar a cair, a noite é bem frio mesmo. Dependendo do passeio que você vai também conta, quanto mais alto (acima do nível do mar), mais frio é, e eu estou falando de temperaturas entre -15 e -20 graus, portanto, roupas e camadas pra MUITO frio são necessárias. Outra coisa: boné, óculos de sol, protetor solar e água são quatro coisas que não existe como ficar sem no Atacama e embora nessa época o calor seja mais agradável, o sol é MUITO intenso e aí te dá aquela sensação falsa que não está queimando a sua pele, mas está sim e bastante. Protetor e água eu não preciso nem explicar, né? Estamos no deserto mais seco e mais árido do MUNDO. Outra coisa que eu acho super importante, mas que pouca gente conta: levar tênis ou bota de trilha/trekking? Eu levei os dois porque também fiquei em Santiago alguns dias, então eu precisava do tênis, mas no Atacama eu somente usei as botas de trekking, chinelo eu usei apenas dentro do hotel e o tênis ficou todos os dias intocados e guardados no mochilão. Se você não se incomoda em voltar com um tênis imprestável de sujo ou acha que pode ser mais confortável que as botas, ok, mas o chão lá é todo formado por pedrinhas, no centrinho nada é asfaltado, é tudo areia (tanto batida como solta) e dependendo do lugar que você irá, o tênis não vai proteger seus pés de andar num local mais arenoso e irregular, portanto na minha humilde opinião de trilheira amadora, as botas de trekking são muito melhores, a minha que é da Quechua voltou lindamente suja que só dei uma batida por cima com um pano e deixei assim mesmo, porque botas sujas são as que mais tem histórias pra contar.

Enfim… Essas são minhas dicas pra se iniciar no deserto.

O Atacama é um lugar extremo. É o extremo do mundo. É o extremo do seco, do quente, do frio, é selvagem, é mágico, é um lugar único! Antes de viajar eu estava com muitas expectivas e conhecer essa parte do Chile superou tudo aquilo que eu imaginava e foi além, te faz refletir sobre si e o mundo, eu voltei com muitas vivências maravilhosas. As fotos, os registros e as histórias nunca vão expressar nem 0.001% do que é estar presente ali e viver/sentir tudo aquilo, é por isso que eu digo: visitem o Atacama ao menos uma vez na vida! No próximo post eu vou contar sobre os passeios que fiz e quais eu mais gostei.

31 jan, 2011

Porque viajar é MUITO BOM

Porque viajar é MUITO BOM

Semana passada o Blog Insônia fez um post de fotos com as estradas mais incríveis do mundo, quem quiser conferir segue o link.

Eu que AMOOOOOOO viajar mais que tudo nessa vida e acreditem: às vezes eu tenho a certeza que é um gosto maior que meu consumismo por roupas, maquiagens e afins e se eu tiver que escolher entre tudo isso OU uma viagem (e acho que esse ano, se Deus quiser, tem MAIS), eu escolho sem pestanejar por meu lindo pézinho aventureiro na estrada (ou por num avião, rá!), enfim…

Adorei conhecer as estradas mais incríveis do mundo, mas o mais legal de tudo isso é saber que pelo menos em uma delas eu já estive e recentemente heim, é a Estrada de Los Caracoles (Cordilheira dos Andes) – Chile:


E essa sou eu, com o pézinho na ribanceira, fazendo a phyna:


E o cabelo já não está mais o mesmo…

Realmente é uma estrada incrível, principalmente pelo medinho que dá (ok, na verdade é quase um cagaço) e, é nessas horas que a gente pensa:

VIAJAR É MUITOOOOOOO BOM!!!

06 jan, 2011

Andes: Portillo – Chile

Andes: Portillo – Chile

Do mar para as montanhas. Tudo começou quando primeiro íamos fazer um passeio para o Vale Nevado que é bem mais perto de Santiago e na última hora mudamos e optamos por Portillo de tão bem que falaram de lá. Portillo é mais longe, e acima dos 3.300 metros do nível do mar que segundo o guia, nós íamos até um Hotel de lá, aonde podia-se ver e visitar um lago (o Lago Del Inca) maravilhoso, cujo lugar tem todo uma lenda deveras curiosa.


Saindo de Santiago aos poucos tanto a paisagem como o clima vão nitidamente mudando, passamos por muitos vinhedos e fomos cada vez mais entrando para o meio das Cordilheiras, gente acreditem: em foto é uma coisa, mas estando pessoalmente lá é outra sensação. Fizemos uma parada, passamos pela aduana que pega uma estrada que vai para Argentina e a partir daquele ponto o guia nos avisou que seriam muitas curvas (no total de 30) e muuuuuitas subidas… Em seguida deu uma risadinha do tipo “vai começar o rock roll”.


Reparem na estrada cheia de curvas abaixo, dá medo


Essa tal subida cheia de curvas eu não vou negar: dá um cagaço enorme e me questionei por duas vezes aonde fui amarrar meu burro, principalmente porque a cada curva dava pra se sentir cada vez mais cercado pelas cordilheiras e coisas como estradas e veículos iam ficando cada vez mais minúsculos se comparados ao tamanho absurdo de tudo aquilo…


Com uma pequena esticada de pescoço pela janela do ônibus era possível ver TUDO lá em baixo e em muitos pedaços de tão estreitos que eram o motorista tinha que parar e manobrar pra fazer a curva, nessa hora não tem como deixar de pensar: “se despencarmos lá em baixo, mamãe terá trabalho pra achar meus pedacinhos depois” AHAUAUHAUHAHUAU tudo isso é claro que cada vez mais ALTO, mais FRIO ficava… Saímos de Santiago com 30 graus e chegamos lá com 3 míseros graus apenas, acompanhados de uma chuva bem fina e gelada, mas foi o “chegamos” que eu vi que o passeio valeu a pena:


Lago Del Inca

Nossa parada foi no Sky Resort Portillo, muito conhecido e procurado no inverno por gente do mundo inteiro. Neve? Não, não tive contato com nenhuma por assim dizer justamente pela época do ano, mas vi algumas cordilheiras ao longe bem branquinhas. Em seguida, almoçaríamos ali, faríamos uma horinha e depois voltaríamos para Santiago, andei por todo o Hotel que por dentro, pelo menos para mim, achei super parecido com o hotel do filme O Iluminado ehehehe…


Uma São Bernardo que mora lá e ficamos super amigas…


E quando subimos para a parte de cima e saímos para o lado fora, eu me dei conta do quão longe eu estava de casa:


Essa piscina, na época de alta temporada tem a àgua aquecida, que bom, néam?


Na hora lembrei daquela cena do filme A Praia quando Richard (Leonardo di Caprio) encontra aquela praia maravilhosa e começa a tocar a música Porcelain do Moby, eu tive essa mesma sensação quando visitei o Stonehenge na Inglaterra e é algo inexplicável pra se colocar em palavras, só estando lá pra sentir:


O Lago Del Inca é maravilhoso, lindo, perfeito! Super entendi quando a guia disse que apesar de mais longe, era um passeio muito mais bonito e que valia à pena, a água é de um azul bem forte cuja superfície parece um espelho gigante e tudo isso somados com a paz e quietude que o lugar em volta transmite você fica com cara de bobo olhando pra tudo. É de cair o queixo.

Em Portillo também, infelizmente, conheci o que é um “Mal da Montanha” e por conta da altitude eu senti muita falta de ar, palpitação, cabeça e corpo extremamente pesados e acreditem: é uma sensação bem desagradável de sentir e fiquei chateada comigo mesma por isso, tanto que no almoço eu só consegui tomar um prato de sopa e parecia que eu tinha comido 3 quilos de feijoada, mas apesar desse por menor é um passeio que super valeu à pena, mesmo com os cagaços de medo na estrada, mesmo com as faltas de ar por culpa do mal da montanha…

Fiquei depois imaginando tudo aquilo com neve – deve ser no mínimo, inesquecível. Com certeza é um lugar que eu gostaria muito de voltar no inverno, mas pra encarar tudo eu tomaria uns gorós antes com certeza, #ficadica!


#Aloka no meio do frio!

Dica: Se você pensa em fazer um passeio como esse e tem Vale Nevado como uma opção mais próxima eu digo que vale a pena gastar mais algumas horas da viagem e ir para Portillo. E não importa a época do ano porque é um lugar lindo com ou sem neve, e SIM, leve blusas bem quentinhas porque lá É frio em qualquer época também.

Mais no Flickr.

05 jan, 2011

Viña del Mar/Valparaíso – Chile

Viña del Mar/Valparaíso – Chile

Valparaíso e Viña del Mar são as duas cidades da costa do Chile mais visitadas, justamente por ficar à uma hora e pouco de Santiago apenas e foi as duas que conhecemos nessa viagem. Fomos primeiro para Viña del Mar e chegando lá eu percebi que o clima do Chile é algo assim… Bem doido!


Saímos de uma Santiago super quente e chegamos lá com frio e um céu bem monocromático, demorou para o sol resolver dar as caras, mas depois bem timidamente ele foi aparecendo. Passamos rápido por Viña Del Mar, mas eu não perdi a chance de pelo menos molhar meus pés no Oceano Pacífico, que até então, nós nunca tínhamos sido apresentados. =D


A água é BEM gelada e de Pacífico o mar não tem nada, vi poucos banhistas na água e em apenas duas praias que vi um pessoal surfando. Viña Del Mar é uma cidade bem bonitinha, acolhedora e que lembra muito algumas cidades litorâneas daqui e como aqui, os chilenos também gostam de curtir um feriado com praia e Viña é a mais procurada por eles, além é claro do Festival de Música que acontece todos os anos – Shakira já esteve em um deles.

No centro também tem um museu com várias coisas da Ilha da Páscoa (este é um lugar que ainda quero muito conhecer), mas que infelizmente eu não consegui visitar… Tudo bem, quem sabe numa próxima.


Almoçamos nesse restaurante – o Castillo Wulff que tem uma vista linda e comida ótima de preço acessível, super indico…


… E depois logo em seguida fomos para Valparaíso (declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2003) que é uma cidade mais portuária, simples, mas bem arrumadinha!


Monumento a los Héroes de Iquique na Plaza Sotomayor


Café super charmosinho que encontrei em Val


Disseram que logo depois do terremoto, Valparaíso foi bem castigada pelo tsunami do ano passado, vimos bastantes lugares – muito bonitos por sinal, interditados por riscos de desabamentos, uma pena! Gostaria de ter conhecido mais dessas duas cidades, embora eu acredite que mais algumas horas já seriam suficientes pra conhecer tudo, é uma parte do Chile que eu super recomendo visitar. =)


Próximo post será sobre um passeio bem no meio da Cordilheira dos Andes, mais precisamente em um lugar lindo (e frio) chamado Portillo, um dos passeios mais loucos que já fiz na vida, aguardem! Mais fotos no Flickr.

03 jan, 2011

Santiago – Chile

Santiago – Chile

Eis que então este é oficialmente o primeiro post do ano de 2011 e claro que já vou começar falando do Chile, no final de 2010 eu não fiz os posts clichês de retrospectivas, porque afinal de contas, não deu tempo e eu admito que a preguiça também contribuiu, o que importa é que estou entrando em mais um novo ano com o blog e espero que em 2011 eu tenha muitas coisas pra contar pra vocês. Porém, antes de tudo eu preciso organizar algumas coisas aqui: os posts Queridinhos da Semana ficarão ausentes por uns dias porque né, eu tenho outras coisas pra contar e enfim… Provavelmente vou dividir a viagem do Chile em 3 partes: Santiago, Viña del Mar/Valparaíso e Cordilheira dos Andes… E claro que depois eu prometo vários posts extras falando tu-do sobre comprinhas no Chile e dicas valiosas… Aaaah e antes que eu me esqueça: provavelmente essa semana, mais tardar na outra eu farei um sorteio (o 1º do Blog) por aqui, portanto, fiquem suuuper ligadas!

Anyway… Vamos começar a viagem por Santiago e o que dizer desta cidade? Se eu pudesse resumir Santiago em uma palavra eu diria que é um lugar SUPREENDENTE em todos os aspectos BONS que a palavra engloba! Santiago é uma cidade limpa, organizada, belíssima, segura (o Chile é o país mais seguro da América Latina), recheado com muitos parques, restaurantes, cafés, lojas e lugares históricos.


Nós ficamos em um Hotel (O Panamericano – super indico) que era bem no centro da cidade e de lá nós tínhamos acesso a absolutamente tudo, é muito fácil de passear por Santiago e além de ser um lugar agradabilíssimo para conhecer principalmente fazendo longas caminhadas a pé, é bem atrativo aos olhos também (e isso vale para desde lugares bonitos, até comidas ou lojas).


Tudo que vocês podem imaginar de comidas-diferentes-no-Chile eu experimentei, eu acho que esse é um dos grandes baratos quando se faz uma viagem: experimentar sabores e sentir cheiros diferentes e felizmente quando o assunto é comida eu não sou nem pouco enjoada e sim muito curiosa…

Uma das coisas que tem que comer quando se estiver no Chile é o Ceviche, que apesar de ser um prato peruano (e eu descobri isso agora), tem em qualquer restaurante de lá – é uma combinação de frutos do mar e peixes marinados no limão, quem curte comida japa com certeza gostará de um ceviche! Outra coisa que você deve comer são as empanadas (a de carne é a melhor) e o Santola (ou centolla, centoia) que é aquele caranguejo gigante encontrados somente nessa região e adianto que não é um prato muito barato – por isso o que super compensa é você dividir com dois ou mais amigos pra conta não ficar tão salgada pra ninguém, afinal mesmo sendo um valor mais caro, vale muito à pena experimentar, é delicioso e peça antes uma dose de pisco – que é uma bebida chilena feita com uva moscatel, limão e clara de ovo, muitoooo gostoso.


Outra coisa curiosa sobre comida é que tanto as saladas, como inclusive o cachorro quente, eles colocam (passssmeeeem) ABACATE, aaah e no hambúrguer também (Burguer King de lá vai abacate no lanche AHAHAHAH) e apesar de estranho, acreditem: é gostoso sim! Vinho no Chile é incrivelmente mais barato que aqui, não fomos à nenhuma vinícola, mas o bom de você tomar vinhos por lá é que além de ser um preço super barato, qualquer um que você escolher estará bem servido e você não corre aquele risco de comprar um “sangue de buá” achando que é um Casal Garcia, tomamos muito vinho mesmo, que delícia.

O clima do Chile nessa época do ano é quente, BEEEM quente. Porém diferente daqui, é extremamente seco – o que é muito bom, porque você simplesmente não transpira como se estivesse dentro de uma sauna, mas em contra partida é sempre bom andar com uma garrafinha de água e um protetor labial power porque é muito chato ter os lábios rachados por conta do calor seco, protetor solar pra pele eu não preciso nem falar, néam? Enquanto estivemos em Santiago não choveu nenhum dia, fui ver chuva só nos Andes, mas isso é um assunto pra depois!

Os chilenos são extremamente simpáticos, educados, amáveis e prestativos. Eles amam brasileiros (de argentinos eles não gostam muito não, ahauahuahua), tem um orgulho muito grande pelo Chile e, é só olhar em volta e em qualquer lugar que se vá, que você entende o porque. Santiago também tem muitos cachorros de rua, mas o que eu achei nobre é que mesmo os de rua são super bem cuidados – eu sempre via um potinho de ração e de água em algum canto do centro e notavelmente a gente percebe que, felizmente, são cachorrinhos felizes. =D


Táxi alí é muito barato, mas o sistema de metrô é bem eficiente e vale à pena conhecer. Santiago, justamente por ter um clima muito seco, é uma cidade cercada por parques que se misturam com os monumentos históricos espalhados por tudo – o que me lembrou muito a Europa, sério mesmo!


Santiago visto de cima, as cordilheiras ao fundo, porém encobertas.


Se eu não me engano em Santiago tem 3 grandes shoppings, mas eu só fui em um – o Parque Arauco, que por sinal é o melhor e coloca muito Iguatemi e Bourbon no chinelo, comprei makes, roupas e eu prometo fazer um post especial sobre dicas e compras depois. Já a virada do ano foi super divertida, nós fizemos amizade com um pessoal muito legal que vieram no mesmo vôo que o nosso e a queima de fogos foi bem próxima do nosso hotel, deu pra ir e voltar a pé, mesmo com muito champanhe na cabeça depois #aloka.


Silvana, eu e Hilda – ri e me diverti muito com essas duas. Elas estavam no mesmo hotel que o nosso e foi com elas que dividimos a centolla e passeios, duas lindas que eu amei conhecer, uns amores de pessoa!


é muito amor, genthy!

Na virada do ano o que me impressionou muito foi o respeito por parte de todos, – as pessoas mesmo aglomeradas no mesmo lugar pra assistir os fogos são civilizadas e educadas: ninguém esbarra em você, ninguém fica valente ou inconveniente por beber umas a mais, igualzinho aqui #NOOOOOT.


Eu no Ano Novo, os chilenos adoram um adorno pra passar as festas e claaaaaaaaro que eu super adquiri o meu #aloka…

Imaginando agora como foi 2010 para o Chile eu acredito que para o país foi um ano bem difícil, afinal de contas, é só puxar um pouco na memória pra lembrar que eles passaram por terremotos, tsunamis, um incêndio, o acidente com os mineiros no deserto do Atacama e tudo isso num único ano… E pra um país, por mais estruturado que seja, não é algo fácil de encarar. Mas mesmo assim o Chile é um lugar aonde ninguém espera que as coisas caiam do céu, é um país de um povo que se acontecer de cair, eles levantam, sacodem a poeira e sempre estão com um belo sorriso no rosto prontos para começarem de novo… No Chile, o respeito ao próximo é sempre o que predomina em primeiro lugar e isso, é em qualquer lugar que se vá… E não é desmerecendo aqui, mas é um país tão próximo de nós e ao mesmo tempo tão diferente… É um lugar admirável em tantos aspectos que o Brasil com certeza deveria tomar muitas coisas como exemplo pra tentar ser um pouco melhor!

Enfim… Esse é o começo da viagem, podem ter certeza que ainda tenho muitas coisas pra contar, quem quiser conferir mais coisas é só entrar no Flickr e conhecer visualmente mais do Chile, eu ainda não upei todas as fotos, mas até o final da semana eu prometo que já publico todas.