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09 maio, 2018

Livro: Beco da Ilusão

“Meu nome é Sarah Wainness, mas este nem sempre foi o meu nome. É apenas mais um, entre tantos que já tive. Minha infância foi feliz e simples, como a de qualquer criança da minha idade e do meu bairro em Karnobat, Bulgária. Éramos uma família de cinco irmãos, incluindo eu. Papai, um homem muito bom, enérgico e religioso, frequentava a sinagoga, enquanto mamãe trabalhava em casa, cuidando de tudo e de todos nós. Após recebermos uma herança de um tio falecido que morava em Berlim, mudamos para lá e, ao chegar, deparei-me com uma realidade totalmente diferente da que eu conhecia. Meus sonhos desabrocharam em contato com a cidade. Um deles, tive que manter em segredo: eu queria ser bailarina. Sempre pegava as roupas da mamãe, escondida, e rodopiava no fundo do quintal, vendo tudo ao meu redor mudar. Isso me fazia feliz. Mas, um dia, meus sonhos desmoronaram e minha vida mudou completamente: os nazistas invadiram nossa casa, e fui levada para um lugar de prostituição. Meu nome é Sarah Wainness, e já morei no Beco da Ilusão.”

Eu não sei muito bem por onde começar a resenha desse livro. A história é muito emocionante e impactante, cheia de reviravoltas, mas tiveram alguns fios soltos no caminho que vai fazer com que eu não dê todas as 5 xícaras para este livro. Beco da Ilusão é muita leitura fácil e envolvente, o começo eu achei um pouco cansativo, mas não demora muito pra se mergulhar na história. Sarah (ou Yidish) é a personagem principal do livro, tendo como base outros dois personagens Erdmann e seu primo de Anton. Sarah por ser judia, passou por todos os horrores da guerra, mesmo tendo de certa forma a proteção de Franklin – membro da SS e pai de Erdmann (mais para o final do livro, você entende o porque ele a protegia).

“Roubaram-nos a liberdade de expressão, tornando-nos fantoches na mão do estado. Não podíamos falar, nem escrever aquilo que pensávamos. Não podíamos ter uma opinião, ou pelo menos, ela não poderia se tornar pública, existindo apenas na nossa mente.”

O final do livro me deixou bastante pensativa, primeiro porque até achei que estava faltando algumas páginas, mas aquele foi realmente o final e pra ser sincera, mesmo concordando que o desfecho não poderia ter sido outro, eu esperava um final diferente e me senti um pouquinho desamparada com ele. A gente sempre quer o melhor final feliz pros personagens que mais sofrem nas histórias, mas dependendo do cenário, não tem como ser assim, né? Gostei de Beco da Ilusão, muito embora eu já tenha lido livros melhores nesse cenário de segunda guerra, mas acima de tudo é mais uma obra de ensinamento, que nos faz refletir e nos conscientizar a nunca mais voltar àquela escuridão. 4/5 xícaras:

30 abr, 2018

Livro: Hibisco Roxo

“Protagonista e narradora de Hibisco Roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.”

Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana de etnia Igbo e muito conhecida por seus contos e romances. Aos 19 anos, Chimamanda deixou a Nigéria e se mudou para os Estados Unidos aonde fez estudos de escrita criativa e mestrado de estudos africanos. Hibisco Roxo é o seu primeiro romance e foi o seu primeiro livro que li. A história fantástica. O livro aborda assuntos complexos e trata de muitas contradições que envolvem a religião, sobretudo o fanatismo e a doutrina da religião branca nos costumes nigerianos, além de política, tirania, golpe militar, intolerância, transgressões, submissão. São muitos pontos que são no mínimo, pertinentes.

É uma história extremamente densa e pesada, mas escrito de uma maneira muito sutil e realista. A narrativa toda é contada pela protagonista Kambili, uma adolescente de família rica, cujo pai é um religioso extremamente fanático e que curiosamente é contra o golpe militar, apoia os jornais progressistas da Nigéria, tira amigos da prisão e ainda ajuda diversas outras pessoas. É visto de fora como uma herói, mas dentro de casa, é completamente o oposto.

Kambili e seu irmão – Jaja, só começam a entender a vida como de fato é, quando passam um tempo com sua tia Ifeoma, seus primos e avô sendo estes muito mais pobres, passando por diversas dificuldades financeiras, mas que seguem seus costumes de suas origens (que aos olhos do seu pai, são considerados como pagãos) e que apesar de todas os obstáculos, se amam e são muito felizes. Através da convivência diária, Kambili e Jaja percebem que as crenças não precisam serem tão rígidas e terem tantos dogmas para se ter a aprovação de Deus e que a fé, vai muito além da religião e discursos vazios.

“Quis dizer a Jaja que meus olhos estavam formigando com as lágrimas que eu não havia chorado. Que havia pedaços esparramados dentro de mim que me machucavam e que eu jamais poderia colocá-los de volta no lugar, pois todos aqueles lugares haviam desaparecido.”

Acredito que Hibisco Roxo seja um retrato da vida de muitas pessoas na Nigéria que passaram por golpes, tirania, opressão, preconceito e que além de tudo ainda tiveram que digerir colonização religiosa branca que influenciou na cultura e nos costumes da nigeriana. Certamente é uma história pra ficar absorvendo na cabeça ainda por muito tempo depois. Leitura mais que recomendada, vai ganhar 5/5 das xícaras:

24 abr, 2018

Livro: Persuasão – Jane Austen

“O enredo gira em torno de Anne Elliot, filha de Sir Walter Elliot, um vaidoso e esnobe baronete. No passado, Anne apaixonara-se por Frederick Wentworth, que, embora belo, inteligente e ambicioso, não tinha tradições ou conexões familiares importantes – e assim Anne fora persuadida pela família a romper com ele. Em 1815, momento em que se passam os eventos narrados no livro, a boa, generosa e sensível Anne Elliot continua solteira, mas agora, aos 27 anos, pensa com mais autonomia e maturidade. Agora, também, a situação financeira de Sir Walter Elliot é desfavorável, e ele se vê obrigado a alugar a propriedade da família. Por força do destino, o novo ocupante da residência é cunhado de Wentworth. Quase oito anos após o rompimento, Anne se verá novamente convivendo com seu grande amor, agora um capitão da Marinha, e reflexões, conjunturas e arrependimentos serão inevitáveis. Anne e Frederick se redescobrem apaixonados, e renovam o compromisso de casamento. Com o mesmo texto leve e envolvente – mas irônico e perspicaz – que a caracteriza, Austen faz aqui uma crítica à vaidade típica da sociedade inglesa do início do século XIX, ao mesmo tempo em que enfoca o tema do casamento, quase onipresente em seus escritos.”

Persuasão é o quarto livro que li de Jane Austen e depois de Orgulho e Preconceito, foi o segundo que mais gostei da autora. Jane Austen é imortal, longe de ser uma escritora água com açúcar, apesar do contexto de suas histórias, suas obras são de uma peculiaridade única. Persuasão foi o seu ultimo romance acabado, mas infelizmente, Jane não viveu a tempo de ser publicado. A heroína da vez é Anne Elliott e é impossível não gostar dela. Já sua família não se pode dizer o mesmo, sua mãe já falecida, Anne é filha de sir Walter e tem mais duas irmãs: Elisabeth e Mary. Sir Walter é um egocêntrico que não passa de um baronete falido, Elisabeth é a mesquinha que só pensa em condição social e Mary (que é a única casada) é a umbiguista da família.

Mas a história mesmo gira em torno do amor interrompido de Anne Elliot e Frederick Wentworth que foi persuadido pela amiga de Anne – Lady Russel, justamente porque na época, aos olhos da amiga, ele não tinha nada para oferecer a Anne (lembrando que praticamente todos os casamentos nessa época eram arranjados de acordo com a quantidade de dinheiro). Oito anos depois Frederick Wentworth volta como Capitão Wentworth: financeiramente mais abastado, mas também muito ressentido e, é aí que tudo começa a se desenrolar. Apesar de toda a simplicidade do contexto, a história vai se tornando cada vez mais inquietante ao leitor, você não sabe muito bem o que esperar. Persuasão é o tipo de livro que o final não é exatamente o importante, mas sim as situações que acontecem ao longo da história.

Jane Austen como sempre faz críticas a sociedade daquela época, sobretudo as mulheres e aos costumes com aquela pitada de sarcasmo tão típico da autora. Vai ganhar 5/5 xícaras:

“Não admito que seja da natureza masculina mais do que da feminina ser inconstante e esquecer quem se ama, ou quem já se amou. Acredito no contrário. Acredito que uma verdadeira analogia entre nossas estruturas físicas e mentais; e acho que quando nossos corpos são mais fortes, o mesmo se dá com os sentimentos; estes são capazes de suportar os tratamentos mais rudes, e de enfrentar os mais árduos climas.”

09 abr, 2018

Livro: A Guerra que Salvou Minha Vida

“Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa. Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios. Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.”

Esse livro sobre guerra é totalmente diferente do que eu já li sobre o tema. É o lado bom que uma guerra causou na vida de alguém, no caso, essa alguém é Ada – a personagem principal da história. A história toda é contada aos olhos dela – narrado em primeira pessoa, então é uma história vista aos olhos inocentes de uma criança de aproximadamente seus 10 anos de idade, mas que já passou por milhões de problemas, antes mesmo até de acontecer a guerra de fato.

“Enquanto adormecia, uma palavra me veio à mente. Guerra. Enfim compreendi qual era minha luta e por que eu guerreava. A mãe não fazia ideia da forte combatente que eu havia me tornado.”

Falar sobre Ada é emocionante porque tudo de ruim aconteceu à ela e mesmo assim, ela conseguiu se superar, mesmo tendo uma vida tão difícil e ainda em um momento tão igualmente complicado da história do mundo também. Talvez para quem já tenha lido milhares de histórias ambientadas na guerra, este livro pode soar mais do mesmo, mas a guerra nessa obra é só um pano de fundo pra história, o foco mesmo é o desenvolvimento psicológico de Ada, seu amadurecimento no decorrer da narrativa e isso me envolveu totalmente.

Privada de toda liberdade de brincar ou ir a escola como algo por direito de qualquer criança, Ada não conhece nada do mundo, só aquilo que vê através de uma janela de uma minúscula e imunda casa em que vive com o irmão mais novo e a mãe que é uma perversa e sem coração. Ada tem seu pé direito torto, o que faz com que ela tenha dificuldade ao andar e isso é uma vergonha para a sua mãe, por isso a mantinha trancafiada em casa. Com o passar da história, Ada foi compreendendo que isso nunca foi culpa dela como sempre pensou e que o amor é capaz de curar tudo, até mesmo as feridas mais profundas.

“Dei a mão a ela. Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome: Felicidade.”

É incrível notar o amadurecimento de Ada durante a história e isso não só com a ajuda de pessoas que a queriam bem, mas principalmente na sua relação com os animais e a natureza. No livro há também outros personagens incríveis – como Susan e Jaime (seu irmão), esses são especialmente os mais cativantes da história tanto quanto Ada e mostra como uma guerra nesse caso e com todas as mazelas que isso envolve, pode ser na verdade, uma verdadeira salvação na vida de algumas pessoas. Esse livro só não vai ganhar as 5 xícaras porque no começo, como Ada não sabia de nada do mundo, – nem mesmo o que eram gramas ou arvores – ela acaba explicando tudo que descobre e isso eu achei que não precisava ter no livro porque deixa o começo da história um pouquinho (mas só um pouquinho mesmo) maçante. Mesmo assim é uma história ótima, daquelas que a gente devora rapidinho e recomendo muito a leitura:

02 abr, 2018

Livro: O Jardim das Borboletas

Antes de começar a resenha desse livro eu preciso fazer um comentário porque eu acho que isso não acontece só comigo: quando eu fico muito tempo lendo um mesmo gênero literário (principalmente aquele tipo de livro que eu fico completamente absorta com a história), quando mudo pra outro gênero eu fico… Como posso dizer? Um tanto quanto deslocada. Com vocês também acontece isso? Eu decidi dar uma pequena pausa com Jane Austen só pra dar uma variada (e pra também não acabar logo com todos os 6 livros dela) e aí eu comecei a ler O Jardim das Borboletas porque esse foi um dos que eu recebi caixa do mês no Skoob e que justamente eu estava querendo ler. Mas primeiro vamos a sinopse:

“Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas… e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.”

Sabe aquela história que te prende do começo ao fim? Que você sente o mesmo que os personagens sentem? Pois é, NÃO É o caso desse livro, infelizmente. Apesar de ser uma história forte e impactante por todo o contexto que envolve sequestro, estupro, assassinato e cárcere, não me prendeu como eu estava esperando e muitas vezes eu sentia que a personagem principal do livro – Maya, era completamente desprovida de emoção (mesmo tendo passado por tantos traumas), deixando assim, o livro maçante e sem uma linearidade. Eu odeio quando isso acontece num livro. O enredo e o formato da história são bons e ao meu ver, tinha tudo pra ser uma grande obra, mas faltou desenvolvimento muito em parte porque pra mim, não teve aquele gás que faz com que o leitor continue a querer ler a história. Eu só terminei esse porque eu realmente detesto abandonar um livro, o final achei bem forçado também, mas confesso que já li desfechos piores.

Basicamente eu resumiria este como uma boa história que não foi devidamente explorada. Se você está procurando livros nessa linha, mas que tenham um bom suspense, recomendo muito os livros de Paula Hawkins e Harlan Coben que são bem melhores. Uma pena esse não ser como eu esperava. Vai ganhar só 2/5 xícaras:

27 mar, 2018

Livro: Emma – Jane Austen

“Emma Woodhouse é uma mulher rica e aparentemente esnobe, mas no fundo, sua maior ambição na vida é ver os outros felizes. Quando decide que tem o talento para formar novos casais, passa a trabalhar de cupido na pequena aldeia inglesa de Hartfield. Emma foca suas atenções em Harriet Smith e, em meio à busca de pretendentes para a amiga, se mete em diversas confusões, sempre resgatada pelo amigo, o cavalheiro sr. Knightley.”

Antes de começar a minha resenha do livro, eu preciso mostrar esse presente maravilhoso que ganhei de aniversário do meu amigo Fred e da Tininha, olha que coisa mais linda, agora eu tenho uma Jane Austen pra chamar de minha:

Emma é o terceiro livro de Jane Austen que li. Apesar de serem os mesmos moldes das outras histórias de Jane Austen que envolve amor, casamento, drama e muito romance (e que eu amo de paixão), Emma é uma personagem um tanto quanto peculiar neste livro. Órfã de mãe, rica e decidida a nunca se casar com ninguém, Emma tem sua vida dedicada a cuidar do pai e a achar que tem o dom de conhecer todos os corações alheios, mas na verdade ela nem conhece o seu próprio. É uma personagem do bem, mas é mimada e egocêntrica a ponto de sempre querer ser a cupido casamenteira de todos e que acha que sempre está certa em tudo. Isso por um lado pode-se pensar que ao ajudar ser o cupido de alguém, seja na verdade, uma característica de uma pessoa altruísta, mas a real é que Emma é uma pessoa que só pensa nela mesma. Uma das características dos livros de Jane Austen, além de personagens principalmente de figuras femininas fortes, é perceber também como ter posses e terras significava absolutamente tudo naquela época e por isso se vê muito preconceito e pré julgamentos com as classes menos favorecidas, muitas atitudes mesquinhas e pessoas invejosas que só vivem de aparências (eu tinha vontade de dar um sacode na Sra. Elton cada vez que ela falava de Maple Grove ahahahha).

Emma apesar de ser a protagonista, não foi a minha personagem favorita. Em muitos momentos dá pra ter uma profunda birra por ela, mas no final, ela amadurece muito, reconhece seus erros e enxerga finalmente que por mais que ao seu ver fossem boas intenções, sua ajuda com algumas pessoas, só serviu pra atrapalhar. Mesmo assim, apesar de tudo, o desfecho da história tem um final feliz para todos e pra ela também, que merece, afinal de contas. Veja bem, Emma não é uma personagem má, longe disso, mas não é uma personagem forte e tão decidida como é Elizabeth Bennet ou Elinor Dashwood de outras histórias de Austen. Assim como nos outros livros de Jane Austen, há uma infinidade de personagens nesse também, meus preferidos foram: Mr. Knightley (disparado), o casal Weston, Harriet, Jane Fairfax, Frank Churchill… É um livro gostoso de ler, atemporal e encantador, mesmo que em alguns momentos seja um pouquinho maçante, pra mim, foi mais uma história de Jane Austen incrivelmente prazerosa. 5/5 xícaras:

08 mar, 2018

Dia Internacional da Mulher e Livros Escritos por Mulheres

No Dia Internacional da Mulher – nesse dia especificamente – acontece dentro de nós mulheres, um misto estranho de alegria e tristeza ao mesmo tempo. Talvez no mundo como hoje, até mais de tristeza, infelizmente. É uma data que assim como em todos os dias sempre nos lembramos de mulheres incríveis e todos os feitos criado por elas, lembramos de nós também e de todas as nossas que nos rodeiam: mães, avós, amigas, irmãs, tias… Mulheres fantásticas que contribuíram e ainda contribuem para um mundo melhor e mais igualitário; seja na ciência, literatura, música, arte, no nosso dia a dia, enfim, em TUDO. Mas é ao mesmo tempo triste quando a gente se depara na quantidade absurda de mulheres que são assassinadas, mutiladas, humilhadas, estupradas, esquecidas e injustiçadas só pelo fato de terem nascido MULHERES. E só sendo mulher pra entender como isso é assustador, então hoje é um dia não necessariamente de comemoração. O mundo precisa evoluir em muita coisa ainda, muita mesmo e digo isso mais no sentido moral da palavra, ser mulher é uma luta diária e não estamos sozinhas nisso.

Mas hoje eu quero dar a minha contribuição positiva e pra esse dia não passar em branco aqui no blog e servir como inspiração à todos, resolvi fazer um post de livros que li escritos unicamente por mulheres e que tem um pouco de tudo: romances, feminismo, ficção, fantasia, autobiografias, relatos, diários, guerras… Todos eles são histórias fantásticas e emocionantes, não há ordem de preferidos ou de leitura, cada link tem a sinopse da história que decidi ir sempre atualizando esse post conforme eu for lendo, então se inspire, leia mulheres:

As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley
O Incêndio de Tróia – Marion Zimmer Bradley
Entrevista Com o Vampiro – Anne Rice
Assassinato no Expresso Oriente – Agatha Christie
O Diário de Anne Frank – Anne Frank
Livre – Cheryl Strayed
A Lista de Brett – Lori Nelson Spielman
Os Três – Sarah Lotz
A Terra Inteira e o Céu Infinito – Ruth Ozeki
Inverno da Manhã – Janina Bauman
Eu Sou Malala – Malala Yousafzai
A Garota no Trem – Paula Hawkins
Nujeen – Nujeen Mustafa
3096 Dias – Natascha Kampusch
Mulheres Sem Nome – Martha Hall Kelly
A Guerra Não Tem Rosto De Mulher – Svetlana Aleksiévitch
Garota Exemplar – Gillian Flynn
A Ponte Invisível – Julie Orringer
Diga aos Lobos Que Estou em Casa – Carol Rifka Brunt
Uma Pequena Casa de Chá em Cabul – Deborah Rodriguez
O Rouxinol – Kristin Hannah
Orgulho e Preconceito – Jane Austen
Razão e Sensibilidade – Jane Austen
Emma – Jane Austen

Eu devo fazer um adendo: estou apaixonada e obcecada por Jane Austen. É ela que tem me inspirado ultimamente, não canso de escrever sobre Jane Austen aqui e sempre dizer que ela foi uma mulher muito a frente do seu tempo, portanto, pra terminar, vou deixar aqui a mulher que pra mim, mesmo após 200 anos, é a mais girl power da literatura:

“Eu odeio ouvir você generalizando as mulheres como se todas fôssemos damas de classe e não criaturas racionais. Nenhuma de nós quer passar o resto de nossas vidas em águas calmas” – Jane Austen em Persuasão

05 mar, 2018

Livro: Razão e Sensibilidade

Após a morte de Henry Dashwood, sua esposa e filhas – a sensata Elinor, a romântica Marianne e a jovem Margaret – veem-se empobrecidas e obrigadas a trocar sua confortável mansão por um pequeno chalé em Barton Park. Enquanto Elinor é controlada e cautelosa, Marianne demonstra abertamente seus sentimentos, recusando-se a adotar a conduta hipócrita que é esperada dela. As irmãs enfrentam grandes desafios em suas vidas amorosas e são forçadas a encontrar o equilíbrio entre razão e emoção antes de conquistarem o verdadeiro amor.

Razão e Sensibilidade é um livro que, assim como Orgulho e Preconceito, eu devorei muito rápido. Eu nunca imaginei que fosse ficar tão obcecada por Jane Austen e que em tão pouco tempo ela fosse se tornar uma das minhas escritoras mulheres preferidas ousando em ainda dizer que muito provavelmente, ela tirou o primeiro lugar de Marion Zimmer Bradley (das Brumas de Avalon) e agora está no topo da minha lista. Eu sou apaixonada por literatura inglesa, com a única exceção de não gostar de Harry Potter (okey, não me odeiem por isso) e não foi por falta de tentativas, mas eu realmente nunca gostei, em compensação Jane Austen é espetacular.

Jane Austen está muito mais irônica e crítica aos costumes dessa época em Razão e Sensibilidade. As protagonistas da história são Elinor e Marianne, duas irmãs super unidas, mas de personalidades completamente diferentes. Enquanto uma é a razão, a outra é completamente movida pela emoção. Razão a Sensibilidade é um livro que fala sobre decepções amorosas e casamentos feitos por dinheiro e não por amor – algo muito comum na sociedade inglesa aristocrática daquela época, algo que claramente também tem muitas críticas de Jane Austen durante o livro. Razão e Sensibilidade tem muiiiitos personagens: primas, tias, irmãos, amigos, pretendentes… Meus Deus. São muitos, mesmo assim não há como se perder na história porque todos eles são muito bem construídos e estão perfeitamente linkados com o desenrolar do contexto. Engraçado que são traços de personalidades que são muito encontrados no nosso mundo de hoje e é por coisas como essa que sempre digo que Jane Austen foi uma mulher muito a frente do seu tempo. Embora o final tenha me deixado satisfeita, eu achei que ela poderia ter se prolongando por um pouco mais e ter colocado ainda mais detalhes no final da história, achei que comparado ao livro, faltou o mesmo ritmo no final que foi muito rápido ao meu ver, mesmo assim é mais uma história única que foi maravilhosa pra mim do início ao fim.

Eu até ia dar uma pausa com Jane e ler agora algum outro livro que algum outro autor, mas estou muito animada pra ler Emma e esse foi o escolhido da vez. Vai receber 4 das 5 xícaras, justamente por esse final rápido demais, mesmo assim é uma história que recomendo muito, é encantadora.

20 fev, 2018

Livro: Orgulho e Preconceito

Primeiro vamos ao resumo:

“Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.”

Uma das primeiras perguntas que eu me fiz ao terminar este livro foi: Por que eu não li Jane Austen antes? Orgulho e Preconceito é um livro que foi lançado em 1813 e foi ele que colocou Jane Austen como uma das escritoras mais famosas, não só da literatura inglesa, como na do mundo. Eu achava que a princípio teria um pouco de dificuldade em acostumar com o livro, justamente por ser uma literatura bem antiga com uma escrita mais robusta e realmente é assim mesmo, mas li o livro em 1 semana e ainda fiquei com aquela ressaca literária depois que terminou a história.

A história aborda as diferenças sociais, patriarcado, educação das mulheres, condições sociais e a importância que era um casamento bem arranjado naquela época, afinal, filhas mulheres não tinham o direito de herdar os bens da família após a morte do pai, então acho que de certo modo, compreendi todo o desespero da Sra. Bennet em casar as filhas, mesmo que em quase todos os momentos da história eu sempre quisesse bater nela. O romance é do tipo que envolve logo nas primeiras páginas, daqueles que você se apega facilmente a história e com uma boa dosagem de drama (ah eu adoro um drama!), Jane Austen te prende do começo ao fim. A riqueza de detalhes dos personagens são perfeitamente bem construídos, especialmente Sr. Darcy e Elizabeth que são os protagonistas da história e que você só começa a gostar de um, quando toma o partido do outro. Os diálogos são interessantíssimos, cheios de sentimentos, força e deveras persuasivos.

Mas o que mais me impressionou nesse livro, foi ter uma notável percepção de como Jane Austen foi uma mulher a frente do seu tempo. Sua forma de pensar, suas críticas em tom de ironia acerca da vida como sociedade naquela época, é algo surpreendente e vale lembrar que, não só pela época em que esse livro foi escrito – aonde ela contava cenas do cotidiano em quem viveu, mas principalmente porque Jane Austen tinha menos que 20 anos quando escreveu Orgulho e Preconceito. Certamente também seria uma grande mulher nos dias de hoje.

Orgulho e Preconceito é uma história maravilhosa. É em suma, a essência real do que é um romance bem contado e agora entendo porque tantas pessoas colocam ele num patamar altíssimo como um dos melhores da história. É maduro acima de tudo, muito diferente de muito romance atual que consiste daquela base superficial, que quase sempre é carregada de contextos sexuais – o que não é uma crítica minha, mas boa parte dos romances da atualidade que leio hoje em dia, eu sempre termino com a sensação de que faltou emoção na história e principalmente emoção por parte de quem o escreveu. Orgulho e Preconceito com certeza entrou pra minha lista de livros preferidos e eu me tornei uma pessoa tão obcecada por Jane Austen que já comprei todos os outros dela. Meu escolhido da vez é: Razão e Sensibilidade.

“Há poucas pessoas que eu amo de verdade, e menos ainda de que eu tenho boa opinião. Quanto mais conheço o mundo, mais me sinto insatisfeita com ele; e a cada dia se confirma a minha crença na incoerência de toda personalidade humana, e na pouca confiança que podemos depositar na aparência de mérito ou de razão.”

E obviamente vai levar 5/5 das xícaras:

14 fev, 2018

Livro: O Clube de Leitura de Jane Austen

Cinco mulheres e um homem se reúnem para debater as obras de Jane Austen na Califórnia do início dos anos 2000 e acabam descobrindo, entre casamentos frustrados, arranjos sociais e afetivos, que suas vivências não são assim tão diferentes das experimentadas por Emma ou outras personagens da escritora britânica que tão bem descreveu a sociedade de sua época, dois séculos atrás. No livro, que figurou na lista do mais vendidos do The New York Times e deu origem ao filme homônimo estrelado por Kathy Baker e Emily Blunt, a premiada escritora norte-americana Karen Joy Fowler disseca as relações contemporâneas com acuidade, humor e ironia dignos da autora de Orgulho e preconceito e outras obras que continuam fascinando leitores de todas as idades. Uma homenagem a uma das maiores escritoras da língua inglesa e uma deliciosa comédia de costumes dos nossos tempos. Ponto forte: No ano do bicentenário de sua morte, Jane Austen (1775-1817) continua atraindo leitores de várias idades, especialmente jovens. O livro é uma excelente porta de entrada para a obra de Jane Austen e agrada em cheio também aos já fãs da autora.

Antes de começar a resenha deste livro eu preciso confessar: eu nunca li nada de Jane Austen. Mas foi justamente por esse motivo que antes de começar a ler qualquer livro dela, eu escolhi a obra de uma outra autora que fala sobre os livros de Jane Austen. Em tempo: agora o meu escolhido da vez é Orgulho e Preconceito, é o que estou lendo no momento.

“Cada um de nós tem uma Austen particular.”

No livro é interessante observar como as obras de Jane Austen ainda refletem tão atualmente o mundo de hoje e mostra a beleza e as dores dos relacionamentos humanos, há vários trechos dos livros dela na história e a grande sacada da autora, foi mesclar de uma maneira muito interessante, as obras de Jane Austen com as vidas dos personagens do clube de leitura. Eu achei isso sensacional porque, faz com que analisemos a nossa própria vida também à luz dos fatos de Austen e a gente sempre se identifica um pouquinho com cada personagem.

Cada obra de Jane Austen é focada em um dos personagens do clube, então isso significa que você conhece o passado, as escolhas, fraquezas, anseios, desejos e os problemas de cada um de uma maneira muito sutil, mesmo muito embora alguns tendo vidas tão complexas. É fato que se eu já tivesse lido as obras de Jane Austen, certamente teria aproveitado muito mais o livro, mas esta é uma história também para quem nunca leu seus livros e que com certeza, irá se animar pra ler ao menos uma história dessa escritora que ainda desperta tanto interesse nas pessoas.

O Clube da Leitura de Jane Austen é uma leitura leve e cadenciada (eu estava precisando de uma leitura mais leve depois de tantos livros sobre guerra, afinal de contas), nada absurdamente extraordinário, mas muito gostoso de se ler. Com certeza agora também vou querer assistir o filme. Vai ganhar 5/5 xícaras de café:

07 fev, 2018

Livro: Mulheres Sem Nome

Mais um livro fantástico que merece muito a resenha, mas vamos primeiro a sinopse:

A socialite nova-iorquina Caroline Ferriday está sobrecarregada de trabalho no Consulado da França, em função da iminência da guerra. O ano é 1939 e o Exército de Hitler acaba de invadir a Polônia, onde Kasia Kuzmerick vai deixando para trás a tranquilidade da infância conforme se envolve cada vez mais com o movimento de resistência de seu país. Distante das duas, a ambiciosa Herta Oberheuser tem a oportunidade de se libertar de uma vida desoladora e abraçar o sonho de se tornar médica cirurgiã, a serviço da Alemanha. Três mulheres cujas trajetórias se cruzam quando o impensável acontece: Kasia é capturada e levada para o campo de concentração feminino de Ravensbrück, onde Herta agora exerce sua controversa medicina. Uma história que atravessa continentes — dos Estados Unidos à França, da Alemanha à Polônia — enquanto Caroline e Kasia persistem no sonho de tornar o mundo um lugar melhor. Costurado por fatos históricos e personagens femininas poderosas, Mulheres Sem Nome é um romance extraordinário sobre a luta anônima por amor e liberdade. Um livro inspirador, que encanta e comove até a última página.

O livro conta a história de 3 mulheres com vidas completamente diferentes, mas todas impactadas pelos horrores da Segunda Guerra. Caroline, Herta e Kasia são as protagonistas do livro. Os capítulos são narrados em primeira pessoa e vão se intercalando entre as personagens, por conta disso, em certos momentos a história, ao menos pra mim, desacelerou um pouquinho. Especialmente com a história de Caroline e mesmo sendo uma figura extremamente altruísta e heróica no livro, seu romance com o Paul e todos os detalhes de sua vida glamourosa as vezes me cansava um pouco, mas nada a ponto de não querer continuar com a história.

Kasia e Herta sem duvida alguma tem as histórias mais impactantes. Herta é a médica sem perspectiva alguma na carreira que numa decisão abrupta, foi para um campo de concentração destinado a mulheres trabalhar como cirurgiã e isso não implica na medicina que salva vidas, mas sim, nas atrocidades que muitos médicos fizeram nesses campos. Herta foi esse tipo de médica. Preocupada em ajudar sua mãe e ter um reconhecimento maior em sua carreira como médica? Não sei. Por mais que inicialmente pareçam boas intenções, é difícil de compreender suas decisões num cenário como esse. No começo você vê uma Herta meio que negando aquilo que está bem na sua cara, depois justificando seus atos, com isso você vai notando uma pessoa cada vez menos desprovida de humanidade no livro, é bem triste porque a todo momento você espera que num ato heroico, Herta mude de lado, mas estamos falando em histórias reais e numa guerra dificilmente terá um desfecho feliz, só achei que faltou falar um pouco mais sobre ela no pós guerra, eu senti falta disso.

Já Kasia é brilhante. Sua coragem, determinação e vontade de viver é surpreendente na história. Por mais que soubesse dos riscos que corria ao entrar pra Resistência, Kasia jamais imaginaria que sua decisão e um passo errado fosse afetar diretamente também a vida de sua mãe e irmã. Kasia é uma pessoa que foi endurecida pela guerra, incapaz de confiar 100% e a transmitir o amor, ela trava uma luta interna no pós guerra e o final é surpreendente. O livro é dividido em duas partes: a segunda parte é o pós guerra e conta como e quando a vida dessas 3 mulheres se cruzaram. Tirando alguns mínimos pontos negativos, é uma leitura prazerosa e deveras emocionante que vai levar 5/5 xícaras de café (por sugestão do Rick, mudei um pouquinho o critério de avaliações dos livros, agora é de 1 à 5 e ficou bem melhor pra dar a nota né?).

Baseado em fatos reais, no final a autora explica e aponta o que é fictício, o que é real na narrativa e como foi sua pesquisa minuciosa para concluir o livro. Sem duvida, Mulheres Sem Nome é uma história sobre altruísmo, atrocidades e bravura, é a vida de 3 mulheres que representam todas as outras milhares que passaram por essa guerra.

01 fev, 2018

Onde comprar livros mais baratos

Comprar livros é uma terapia. Um hobby. Ao menos pra mim. Mas todo mundo sabe que livro no Brasil não é um bem relativamente barato. É muito difícil você entrar numa livraria e sair de lá apenas com um livro nas mãos, eu nunca tive muito auto controle sobre isso pra dizer a verdade ehehehe. Sebos são uma ótima opção, mas não é todo lugar que tem e pode acontecer de encontrar o livro que você quer, mas não ter aquele outro que também está procurando.

No ano passado eu descobri o Estante Virtual que nada mais é uma loja virtual de SEBOS online. O site conta com livros novos e seminovos por um preço muito mais em conta que nas livrarias, tanto físicas como online. Descobri quando estava procurando por um livro que não estava encontrando em nenhuma livraria e não era um título necessariamente difícil, mas é que não tinha mais saído edições dele e nem o ebook eu encontrei pra comprar, foi aí que fuçando eu encontrei o Estante.

Os preços são mais em conta que nas livrarias ou até mesmo nas lojas dessas livrarias online, vou fazer um comparativo rápido com um dos que adquiri pra vocês terem uma ideia: estou querendo ler “A Guerra que Salvou Minha Vida”, na Saraiva do shopping este livro está custando por volta de 45 reais que eu me lembre (fui a semana passada lá), no site online da Saraiva está R$ 31,90, no Estante Virtual eu comprei por: R$ 28,00. Quer uma economia maior? O Rick está querendo ler um que chama “Rei dos Magos” na loja física da Saraiva está R$ 62,00, eu achei no Estante por R$ 36,00 e mesmo com o frete saiu ainda muito mais barato.

A Livraria Cultura comprou o Estante Virtual no final de 2017, com a venda online de sebos e livreiros por todo o Brasil, o site conta com mais de 4 milhões de assinantes. A compra é 100% segura e entrega garantida. Já comprei livros semi novos e que vieram em perfeito estado, eu nunca tive problemas com isso e acho que é forma ótima de adquirir livros mais baratos e estimular mais ainda a cultura do reuso. Ah e quero deixar claro que esse post não é nenhum tipo de publi ou jabá, foi escrito e partir da minha experiência mesmo. 🙂

25 jan, 2018

Duas redes sociais legais para amantes de livros

Semanas atrás fiz um post falando sobre sites legais para baixar livros e hoje vou falar de duas REDES SOCIAIS super legais para os amantes de livros. A primeira que conheci foi o Skoob que já citei diversas vezes aqui no blog, mas nunca escrevi um post sobre ele. O Skoob eu já tenho há um bom tempo e é a que mais uso quando se trata de livros:

Skoob

Eu precisava de um espaço virtual pra organizar minhas leituras e o Skoob (*Skoob = Books) me serviu muito bem, tudo é separado por estantes: de livros lidos, os que você quer ler, os que já leu, relendo, resenhas e até uma listinha negra das leituras abandonadas. Além disso tem outras diversas funcionalidades, algumas delas eu nem uso, como por exemplo, as discussões em grupo, tem também as metas de leitura que infelizmente, sabe-se lá por qual motivo, eu nunca consegui usar, porém uma das coisas que eu mais gosto no Skoob são as resenhas dos leitores que sempre dou um bizu antes de começar com algum livro, isso pra mim tem uma função 10/10 porque pelos feedbacks você já consegue ter uma boa noção se aquela leitura vale ou não a pena. O Skoob tem aplicativo pra celular, sorteio de livros, opções de troca entre os usuários, widget pra blogs, mas ainda acho que a interface do site poderia ser melhorada. De qualquer forma é a minha rede social de livros preferida e a mantenho sempre atualizada. Aliás, acho que é inclusive, a única rede social para livros brasileira (me corrijam se eu estiver errada).

A segunda rede é o GoodReads que é da Amazon:

Eu criei uma conta no GoodReads em Janeiro de 2016, mas nunca tinha usado até então… Agora no começo do ano resolvi aderir à ela também e gostei bastante. O site é em inglês, ainda não tem a opção em português, mas dá pra procurar por títulos no nosso idioma sem problema algum. Eu ainda não me acostumei muito com a interface do site, mas achei tudo muito bem dinâmico, apesar disso. Consegui por exemplo, estabelecer as minhas metas de leitura para 2018 que funciona como um contador, coisa que não consigo fazer no Skoob. As funções de procura e listas de livros são basicamente as mesmas e não muda muita coisa, os widgets para blogs são mais bonitinhos, tem aplicativo pro celular e há uma opção de My Kindle Notes & Highlights que nada mais é, você poder adicionar notas e destaques do livro que você está lendo pelo Kindle e eu achei isso deveras interessante, se não tivesse o grande porém de só funcionar nos Kindles de livros comprados no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Uma pena. De qualquer forma é uma ótima rede social pra quem pretende manter as leituras organizadinhas.

Skoob X GoodReads, qual é o melhor?

É um pouco difícil responder isso, mesmo porque eu estou usando o GoodReads há pouco tempo, então eu acharia até injusto escolher o melhor. O fato é que pra mim, o que as vezes falta em um, acaba sendo compensado no outro e as funções básicas de ambos praticamente são as mesmas. Ambos também poderiam melhorar algumas coisas, mas a principal função: que é organizar as leituras, os dois cumprem muito bem o papel.

23 jan, 2018

Minha biblioteca particular

Há um tempo atrás, eu e Ricardo decidimos fazer umas reformas em casa, obviamente, algumas eu irei precisar pagar por uma mão de obra especializada porque aí foge completamente da minha capacidade, mas as mais simples (o que não quer dizer que sejam menos trabalhosas), nada que um DIY pesquisado no Youtube não resolva e a gente, nessas horas, descobre que nada é impossível quando se tem paciência e vontade de fazer.

A princípio decidimos começar pelo escritório do Rick que estava um terror na mesma proporção que eu já estava com milhões de ideias em mudar. Tinha uma beliche que a parte de baixo era a mesa de escritório dele e em cima uma cama, na parede da porta estavam alguns objetos empilhados e na parede maior o guarda roupa que é super grande e impossível de mover. Meses atrás eu me livrei da tal beliche, comprei um box baú pra não me desfazer do colchão (dica preciosa: box baú é vida, dá pra guardar milhões de coisas dentro dele, eu não sei por qual motivo nunca tive antes) e compramos uma mesa linda de escritório pros dias de home office do Rick.

Mas agora é que vem a parte divertida da reforma: acontece que todos os meus livros ficavam em prateleiras instaladas na sala (foto de fevereiro de 2016) e como eu já disse aqui, eu não tinha mais espaço pros que chegavam (um dos motivos que aderi ao Kindle), além do que, eu queria por umas plantinhas em casa também (ainda vou escrever um post sobre isso), então acabei doando alguns livros e usei uma das prateleiras pra por as plantas e foi aí que eu tive a ideia de passar todos esses livros pro quarto, pois assim eu teria mais espaço e poderia também colocar umas prateleiras bem maiores pra poder acomodá-los.

Eu sempre sonhei em ter um canto agradável pra acomodar meus livros e aonde eu também pudesse ficar bem aconchegada pra poder ler, meu sonho mesmo era ter um cômodo da casa só pra montar uma biblioteca particular, mas só em ter um espaço maior do que eu já tinha pra esse tipo de finalidade, pra mim, já está de ótimo tamanho. Foi aí que, depois de livrar de algumas coisas e planejar melhor cada espaço, começamos a fazer tudo do zero: lixar, amaciar, lixar de novo e pintar as paredes e olha… Depois disso, eu admiro mais ainda a profissão de pedreiro porque isso dá uma trabalheira dos infernos, sem contar o pó fino que levanta. A parte de pintar pra mim é a mais legal, eu sou do tipo que não posso ver uma parede branca, adoro uma tinta, um papel de parede, quadros, enfim… Escolhemos uma cor bem escura pra parede (calça jeans da Suvinil – semi fosco, parede lavável) e o resultado ficou ótimo.

Depois escolhemos como queríamos as prateleiras e colocamos trilhos porque eu queria um visual mais rústico, que ficasse com cara de biblioteca + escritório, as prateleiras nós compramos direto com um marceneiro que foi indicação do meu tio e o bom disso é:

1) ele corta do tamanho que você precisa e já dá o acabamento.
2) sai MUITO mais barato que comprar a prateleira já pronta em lojas de construção.

As prateleiras foram entregues e no mesmo dia já instalamos (foi a parte mais fácil porque já tínhamos colocado os trilhos), ficou perfeito e melhor do que eu esperava, depois que coloquei os livros deu ainda uma emoçãozinha maior, principalmente porque, eu ainda tenho muito mais espaço pra preencher de agora em diante. É tão bom quando a gente faz uma coisa que além de dar certo, fica melhor do que a gente imaginava, né?

Vocês sabem que eu sou péssima pra fazer fotos, eu queria ter feito fotos de antes X depois, queria também ter feito fotos durante o processo, mas eu estava tão concentrada nessa reforma que acabei esquecendo. Fiquei também pensando nos livros que doei e eu sei que vou ser a pessoa mais egoísta do mundo ao dizer isso: mas sinto falta dos livros que foram ahahahaha, ai como eu sou ridícula, mas eu sou do tipo possessiva com meus livros, o lado bom desse desapego é que foi pra uma ótima causa então tá tudo bem. Ainda falta os detalhes de quadrinhos e outras coisinhas, mas com o tempo vou ajustando isso. Ah e tinha que ter um toque com as fairy lights, senão não seria meu, né?