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07 mar, 2019

Livro: Americanah

“Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra.

Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.

Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.”

É sempre muito difícil falar de um livro quando a história supera muito as expectativas e o escritor mais uma vez se mostra brilhante, a gente sempre acha que está correndo o risco de não conseguir passar o quão a história foi boa e impactante e eu fico muito agradecida e feliz quando um livro me surpreende tão positivamente assim como foi Americanah pra mim.

É o segundo livro de Chimamanda que leio, o primeiro foi Hibisco Roxo que é fantástico, mas Americanah foi ainda melhor. É um livro de 520 páginas, no começo a história leva um tempinho pra engatar, mas depois que vai você nem percebe o tanto que já avançou na história. A base de Americanah gira em torno da vida de Ifemelu e Obinze – primeiramente juntos, depois seguindo vidas diferentes e assim vai…

“Não conseguiam entender por que as pessoas como ele, criadas com todo o necessário para satisfazer suas necessidades básicas, mas chafurdando na insatisfação, condicionadas desde o nascimento a olhar para outro lugar, eternamente convencidas de que a vida real acontecia nesse outro lugar, agora estavam resolvidas a fazer coisas perigosas, ilegais, para poder ir embora, sem estar passando fome, ter sido estupradas nem estar fugindo de aldeias em chama. Apenas famintas por escolhas e certezas.”

Americanah é um livro forte ou como diria Obinze: “isso parece poesia”. Muito atual com os tempos de hoje que aborda questões sobre racismo, imigração, diversos tipos de preconceitos, questões de gênero, choques culturais e que nos fazem refletir em muitos momentos o quanto o racismo ainda é infelizmente muito incrustado na nossa mente – seja de uma forma camuflada ou abertamente descarada. Americanah é uma história recheada de pequenos clímax (acredito que seja também por isso que flui tão bem), daqueles que de tão uma incerteza imensa de como vamos levar alguma situação ou como vai se resolver certo problema.

Os personagens se auto conhecem, se desenvolvem, mudam, fazem coisas que antes diziam que jamais fariam. Nos pegamos concordando com coisas absurdas, porque de repente estamos na pele de Obinze e Ifemelu. Chimamanda retratou Americanah da forma honesta possível a situação do imigrante negro e todas as temáticas do racismo, xenofobia e a discriminação que uma mulher negra sofre morando em um país estrangeiro. E fiquem tranquilos, não é uma história pra “lacrar”, aliás, está bem longe disso. Americanah é uma leitura essencial para qualquer pessoa, TODOS deveriam ler. Chimamanda é sem duvida uma das melhores escritoras da nossa atualidade.

5/5 xícaras:

15 fev, 2019

Livro: O Tatuador de Auschwitz

“Nesse romance histórico, um testemunho da coragem daqueles que ousaram enfrentar o sistema da Alemanha nazista, o leitor será conduzido pelos horrores vividos dentro dos campos de concentração nazistas e verá que o amor não pode ser limitado por muros e cercas.

Lale Sokolov e Gita Fuhrmannova, dois judeus eslovacos, se conheceram em um dos mais terríveis lugares que a humanidade já viu: o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. No campo, Lale foi incumbido de tatuar os números de série dos prisioneiros que chegavam trazidos pelos nazistas – literalmente marcando na pele das vítimas o que se tornaria um grande símbolo do Holocausto. Ainda que fosse acusado de compactuar com os carcereiros, Lale, no entanto, aproveitava sua posição privilegiada para ajudar outros prisioneiros, trocando joias e dinheiro por comida para mantê-los vivos e designando funções administrativas para poupar seus companheiros do trabalho braçal do campo.

Nesse ambiente, feito para destruir tudo o que tocasse, Lale e Gita viveram um amor proibido, permitindo-se viver mesmo sabendo que a morte era iminente.”

Eu ganhei esse livro de presente de Natal de duas amigas muito queridas. E gente… Que história. “O Tatuador de Auschwitz” é a história de Lale – um jovem judeu, que fora recrutado aos 24 anos para trabalhar em um campo de concentração. E mesmo com todas as atrocidades de um campo de concentração, Lale conhece Gita e se apaixona por ela, a partir daí manter-se vivo é uma promessa que Lale faz a Gita, manter-se vivo é o único caminho (mesmo que incerto) a seguir, uma forma de rebeldia aos horrores da guerra e é nesse contexto que toda a história de desenrola.

É uma narrativa dolorida de se ler. Dormir sem saber se existirá um amanhã é devastador, acho que nenhum de nós consegue imaginar como é isso. Mas Lale sempre se mantém esperançoso e ainda consegue passar essa esperança para outras pessoas. “O Tatuador de Auschwitz” é uma história pesada, cheia de perdas, crueldade e incertezas como toda história de Segunda Guerra.

É uma história real também, a autora entrevistou Lale durante 3 anos e segundo ela, Lale tinha “um senso de culpa equivocado” pois temia que as pessoas o vissem como um colaborador dos nazistas devido a sua atividade exercida em Auschwitz e isso o atormentou até a velhice, somente seus amigos mais chegados sabiam da sua história. Lale faleceu em 2006 e Gita em 2003. “O Tatuador de Auschwitz” é um livro curto, mas carregado de emoção e apesar de tudo, uma história de amor que sobreviveu a guerra. Vai ganhar 5/5 das xícaras:

“Quando passamos anos sem saber se daqui a cinco minutos estaremos vivos, não há nada com que não possamos lidar.”

Lale e Gita

05 fev, 2019

Livro: Jardim de Inverno

“Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas. A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história. Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são.”

Em algum post de livros que escrevi aqui, eu havia comentado o quanto adoro os livros de Kristin Hannah, ela é uma ótima escritora, daquelas que te envolve com a história do começo ao fim, mas preciso ser franca em dizer que não foi o que aconteceu com esse livro, muito embora ele tenha ótimas resenhas tanto no GoodReads como no Skoob. Eu demorei pra terminar e a história, apesar de muito boa, teve uma narrativa que não me prendeu. A história gira em torno de 3 personagens: uma mãe e duas filhas e que são completamente diferentes uma da outra – até aí bem legal, porque gosto de histórias assim, porém a história vai se mesclando com a história do passado da mãe – fria e muito distante das filhas e que é contada como um conto de fadas e isso não me rendeu, não me animou pra continuar o que é uma pena porque eu estava com bastante expectivas sobre essa história. Talvez não era ainda o momento de ler essa história, vai saber. Livros são muito pessoais e cada um tem uma impressão diferente, né?

De qualquer forma eu recomendo a leitura do Jardim porque, veja bem, ele não é ruim, só não me prendeu mesmo e pode ser que com você seja diferente. Outros livros de Kristin Hannah que recomendo muito: “O Rouxinol” e “As Cores da Vida.”

Jardim de Inverno vai ganhar só 3 das 5 xícaras:

23 jan, 2019

Livro: A Bibliotecária de Auschwitz

Muitas histórias do horror e sofrimento testemunhados dentro dos campos de concentração nazistas são contadas e recontadas, já estão gravadas e arquivadas. É difícil, nesses relatos, encontrar atos de esperança e força diante de todo o mal registrado durante o Holocausto. ‘A Bibliotecária de Auschwitz’ é um livro diferente. É uma história verdadeira e cheia de detalhes a respeito de um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças. Criou também uma biblioteca de poucos volumes com a ajuda de Dita Dorachova, uma menina judia de 14 anos que se arriscava para manter viva a esperança trazida pelo conhecimento e escondia os livros embaixo do vestido. É um registro de uma época sofrida da História, mas que também mostra a coragem de pessoas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes usando os livros como ‘arma’.”

É no mínimo inusitado pensar na existência de uma biblioteca num campo de concentração, mas através do mercado negro, os judeus conseguiram alguns livros que eram usados nas aulas e também existiam os chamados “livros-vivos”, que eram os professores que sabiam uma história de cor e passavam as crianças do Bloco 31. A Bibliotecária de Auschwitz é uma história real. É a história de Dita Adlerova, atualmente com 90 anos. Este livro não necessariamente narra as atrocidades ou a máquina de mortes que foi Auschwitz, não há aquele detalhamento sobre o que acontecia nesses campos de concentração muito comum nos livros de segunda guerra pra quem é habituado a ler, claro que tudo isso é abordado durante a história porque não tem como deixar de fora essas crueldades quando se trata de Segunda Guerra, mas o ponto central da história foi contar como era Auschwitz vista por dentro, através de alguns personagens chave que sobretudo incentivavam o encorajamento e a esperança para outras pessoas.

“Ela pensa por um momento em Hirsch com aquele eterno sorriso enigmático. De repente, percebe que o sorriso de Hirsch é uma vitória. Num lugar como Auschwitz, onde tudo é projetado para fazer chorar, o riso é um ato de rebeldia.”

Dita foi uma das responsáveis por isso, através de alguns pouquíssimos e surrados livros (8 no total, alguns faltando páginas, outros sem capa) que ela carregava escondido por baixo do vestido. Dita nesta época tinha apenas 14 anos, uma menina, mas era responsável por cuidar e principalmente esconder esses livros do qual, se descobertos, poderiam ter custado a sua vida, mas foi graças a esses mesmos livros que Dita conseguiu passar o conhecimento e a esperança pra outras pessoas do Bloco 31 e sobretudo se manter viva até o final da guerra: uma grande forma de resistência em tempos tão sombrios como esse. A Bibliotecária de Auschwitz é uma história que fala sobre esperança, coragem, lealdade, bravura, resistência e livros… Em uma Alemanha Nazista que considerava o conhecimento uma ameaça, os livros foram sim uma verdadeira arma. 5/5 xícaras:

“A menina tinha o vínculo que une algumas pessoas aos livros. Uma cumplicidade que ele próprio não possuía, por ser ativo demais para se deixar fisgar por linhas e linhas de impressas em páginas. Fredy preferia a ação, o exercício, as canções, o discurso. . . Mas se deu conta de que Dita tinha essa empatia que faz com que certas pessoas transformem um punhado de folhas num mundo inteiro só para elas.”

04 jan, 2019

Livro: O Segredo do Meu Marido

“Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta para ser aberta apenas depois que ele morresse. Imagine também que essa carta revela o pior e o mais profundo segredo dele – algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você esbarra nessa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo… Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar de sua pequena comunidade, uma esposa e mãe devotada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia – ou uma à outra -, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela. Emocionante, O segredo do meu marido é um livro que nos convida a refletir até onde conhecemos nossos companheiros – e, em última instância, a nós mesmos.”

Esse é um daqueles livros que a gente não dá nada pelo título, mas quando começa a ler se surpreende com a história. Nunca tinha lido nada dessa autora e admiro muito quando a narrativa te prende do começo ao fim sem muitas firulas mirabolantes pra isso. A história do livro gira em torno de três distintas mulheres cujas vidas se cruzam de uma forma que elas nem imaginam e que a única coisa é comum entre elas é que são obrigadas as enfrentar algumas situações extremas sem saber muito qual caminho trilhar, é aí que tudo pode mudar.

Há também outros personagens secundários e um assassinato que é o ponto chave dessa história. Todos os personagens são muito bem construídos, escrito em terceira pessoa, a narrativa se desenvolve muito bem, é um livro bem interessante de ler. O final eu achei bem impactante e nos faz refletir sobre relacionamento, decisões, comodismos, fragilidades, convivência e claro: as consequências dos segredos… A gente se coloca no lugar dessas mulheres mesmo não sendo a mesma decisão que tomaríamos e nos perguntamos o que faríamos de diferente, baseado principalmente na nossa moral. Eu li esse livro nas férias e terminei ele muito rápido, leitura recomendada:

02 jan, 2019

Meus Livros Lidos em 2018

2018 foi um ano maravilhoso pra mim no mundo da leitura. Eu consegui ultrapassar a minha meta de livros e o que mais amei foram as escritoras que se tornaram tão íntimas minhas como Jane Austen, Emily Brontë Kristin Hannah e Chimamanda Ngozi e que acabaram se tornando as minhas preferidas também. Essas especialmente transformaram o meu mundo e me levaram pra muitos lugares em outros mundos, com outras vidas e outras histórias. Eu me vi submersa especialmente com os clássicos por sugestão até mesmo do marido que dizia “mude um pouco seu estilo de leitura, já que você está lendo tanto” e foi aí eu decidi me jogar primeiramente nos clássicos com a única ressalva de que começaria por escritoras mulheres.

Daí comecei por Jane Austen e me apaixonei pelos seus livros assim como me apaixonei pela mulher tão a frente do seu tempo que ela foi. Tanto que ainda não li todos, porque estou querendo “economizar” e ler seus livros restantes agora em 2019. Depois eu fui pras irmãs Brontë, mais precisamente com a Emily e Charllote em Jane Eyre, mas posso dizer que sem duvida alguma “O Morro dos Ventos Uivantes” foi o livro do ano pra mim, quiçá, o melhor livro da minha vida!!!

E engraçado né? Há anos eu tenho esse livro, há anos ele estava lá na minha estante adormecido e me esperando, mas sempre eu ia deixando ele pra depois, escolhia outro e depois outro e quando decidi finalmente ler e terminei a história eu fiquei tão impactada, tão louca com Heathcliff e Cathy que a primeira pergunta que me fiz foi: “Por que eu não li essa história antes?”

Mas se tratando de literatura eu acho que é isso: é muito livro pra pouca vida. A gente quer ler muita coisa e tem tanta coisa pra ler que as vezes, nem sabemos ao certo qual escolher pra aquele momento. Ainda bem que histórias não tem prazo de validade e talvez esse foi o meu melhor momento quando entrei especialmente nessa história de Emily Brontë porque me apaixonei perdidamente, assim como em “Orgulho e Preconceito”, “Persuasão”, “O Grande Gatsby” (minha nossa, que ensinamento) e principalmente me encontrei com as escritoras da atualidade como Chimamanda Ngozi – que é uma mulher fantástica e uma revelação maravilhosa na literatura – “Hibisco Roxo” é uma obra, pra dizer o mínimo: impactante! Não tem como não se emocionar e estou com os outros dela pra ler agora em 2019. Teve Kristin Hannah que já havia lido suas histórias em outros anos e me apaixonei por mais um dela então agora eu decidi ler todas as suas obras, tanto que atualmente estou lendo “Jardim de Inverno” dela e que logo entra a resenha aqui.

Li na grande maioria do ano em casa, deitada na minha cama, rodeada de gatos como já é um grande hábito meu, mas também li na praia, viajando de ônibus, na rede, dentro da barraca aonde acampei, na piscina do hostel, sentada na espera do embarque e vou guardar esses lugares no meu coração também, assim como guardo todas as histórias que leio. Esse ano eu li muito mais mulheres, li pouquíssimos escritores homens (embora eu tenha lido alguns muito bons), mas 2018 posso dizer que foi o ano das escritoras mulheres pra mim, muitas elas das quais se tornaram as minhas preferidas e que quero lê-las muito mais agora em 2019.

E você, qual livro está lendo ou qual pretende ler em 2019?

10 dez, 2018

Livro: O Bangalô

“Verão de 1942. Anne tem tudo o que uma garota de sua idade almeja: família e noivo bem-sucedidos. No entanto, ela não se sente feliz com o rumo que sua vida está tomando. Recém-formada em enfermagem e vivendo em um mundo devastado pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, Anne, juntamente com sua melhor amiga, decide se alistar para servir seu país como enfermeira em Bora Bora.
Lá ela se depara com outra realidade, uma vida simples e responsabilidades que não estava acostumada. Mas, também, conhece o verdadeiro amor nos braços de Westry, um soldado sensível e carinhoso. O esconderijo de amor de Anne e Westry é um bangalô abandonado, e eles vivem os melhores momentos de suas vidas… Até testemunharem um assassinato brutal nos arredores do bangalô que mudará o rumo desta história. A ilha, de alguma forma, transforma a vida das pessoas, e este livro certamente transformará você.”

Já tinha ouvido falar de Sarah Jio e esse livro já estava há um tempinho da minha lista de leituras, foi o segundo que li durante a viagem e devorei muito rápido. A história é contada em primeira pessoa, no caso, Anne que é a protagonista do Bangalô. Anne no começo se mostra uma pessoa indecisa e muito frágil que não sabe qual rumo na vida tomar, mas que sente que algo lhe falta, um propósito na vida. Tudo muda quando Anne vai com Kitty (a amiga onça) para Bora Bora servir aos EUA como enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial.

É uma história emocionante, fluída, com alguns acontecimentos que mudam o rumo de tudo e que envolve um dos paraísos mais lindos desse mundo em um dos piores períodos da nossa história. Um paradoxo, eu diria. O final eu achei justo – não é necessariamente um final feliz, mas não é de todo o triste (muito embora tenha me deixado com umas pequeninas questões e acho que só por isso vou dar 4 das 5 xícaras) e mostra como o tempo tem uma forma muito única de trabalhar na vida de cada um de nós com todas essas conexões e desencontros que a vida traz.

O Bangalô é um ótimo livro para quem está passando por alguma “ressaca literária” (o que não foi o meu caso, mas estava um pouquinho no marasmo com as histórias da segunda guerra) e precisa de uma leitura de resgate que não demore uma vida para desenrolar e que flua sem muito esforço. Para quem gosta de romances levinhos, mas com uma história bem envolvente e apaixonante, eu super recomendo.

“Estamos fugindo ou tentando encontrar alguma coisa?” – O Bangalô

04 dez, 2018

Livro: As Cores da Vida

Esse foi um dos livros que li durante a viagem:

Uma arrebatadora história sobre irmãs, rivalidade, perdão e, em última análise, o que significa ser uma família. As irmãs Winona, Aurora e Vivi Ann perderam a mãe cedo e foram criadas por um pai frio e distante. Por isso, o amor que elas conhecem vem do laço que criaram entre si. Embora tenham personalidades bastante diferentes, na verdade são inseparáveis. Winona, a mais velha e porto seguro das irmãs, nunca se sentiu em casa no rancho da família e sabe que não tem as qualidades que o pai valoriza. Mas, sendo a melhor advogada da cidade, ela está determinada a lhe provar seu valor. Aurora, a irmã do meio, é a pacificadora. Ela acalma as tensões familiares e se desdobra pela felicidade de todos – ainda que esconda os próprios problemas. E Vivi Ann é a estrela entre as três. Linda e sonhadora, tem o coração grande e indomável e é adorada por todos. Parece que em sua vida tudo dá certo. Até que um forasteiro chega à cidade… Então tudo muda. De uma hora para a outra, a lealdade que as irmãs sempre deram por certa é posta à prova. E quando segredos dolorosos são revelados e um crime abala a cidade, elas se veem em lados opostos da mesma verdade.

Esse é o segundo livro de Kristin Hannah que eu leio, o primeiro foi O Rouxinol e gostei tanto da história que este segundo livro também não me decepcionou em nada e agora eu decidi que vou ler todos dessa autora. As Cores da Vida é um livro intenso e comovente, acredito que essa seja uma das principais características de Kristin Hannah porque ela sabe como transformar “algo normal” numa grande história e te prender do começo ao fim com isso. A história dessas 3 irmãs eu achei muito forte, são 3 personalidades completamente distintas e nos identificamos um pouquinho com cada uma delas. Você sabe que tudo vai mudar a partir do momento que um dos personagens (Dallas) entra no meio da história e aí a narrativa toda um rumo bem peculiar.

As cores da vida trata de laços familiares e relações humanas. Amor, perdão, resiliência, mágoa, rivalidade, amizade. É uma história romântica, que a autora explora todas essas nuances de sentimentos de uma maneira arrebatadora e mágica. Eu amo a forma de escrever de Kristin Hannah, é por isso que quero ler os outros livros dela, porque até agora suas histórias superaram minhas expectativas. Leitura mais que recomendada, levou 5/5 xícaras:

01 out, 2018

Livro: O Duque e Eu

“Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo.
Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta.
Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.”

Esse ano de 2018 eu já posso declarar que foi o ano dos Romances de Época pra mim. Li muitos. Aí tinham me falado da Julia Quinn, a autora queridinha do momento por se destacar justamente nos romances de época. A sequência dos romances de Os Bridgertons são os mais conhecidos, eu não lembro exatamente quantos livros no total ela escreveu, mas não são poucos não. Aí eu comecei a ler “O Duque e Eu” e gostei. Gostei, porém não o suficiente para amar o livro, mas é uma leitura legal e fluída que vale a pena ler sim.

O começo do livro eu achei um pouco cansativo (por favor fãs de Julia Quinn não me matem) e do meio em diante foi quando, para mim, a história tomou mais forma e eu segui com a leitura. A história já era bem prevista com o que vai se desenrolando, tem umas pitadas de humor e bastante erotismo. Sim, tem umas partes BEM quentes ehehehe. Fiquei até surpresa com esse ponto, porque romances de época as vezes nem beijo na boca tem (vide Jane Austen), mas acredito até que talvez esse seja um dos motivos que também consagrou a autora.

Os personagens são bem construídos, a leitura é bem mais fácil que os romances antigos de mil oitocentos e lá vai pedrinha (por motivos óbvios, alias) e talvez, seja por isso que eu achei ele (um pouquinho) superficial. Veja bem, é um livro que vale a pena ser lido sim. Ele é bom de ser ler, mas pra quem está acostumado com romances de Jane Austen, irmãs Brontë ou até mesmo Shakespeare, pode achar esse um pouquinho… Hãm… Como posso dizer? Normal. O que não é ruim, muito pelo contrário, eu sempre acho que esses livros são a porta de entrada para outras leituras mais aprofundadas da linha de gênero e pra quem está procurando romances de época, comece então por Julia Quinn. O que eu mais gosto dessas autoras e agora estou me referindo a todas, é que as mulheres são sempre colocadas como figuras fortes e destemidas nas histórias, o que não era comum por essas épocas e ponto para a Julia Quinn por fazer isso.

Com certeza vou ler os próximos da sequência, mas vou dar 4/5 xícaras porque eu esperava um pouquinho mais:

12 set, 2018

Livro: O Dia Seguinte

Hamburgo, 1946. Milhares de pessoas vagam, sem abrigo, pela região denominada Zona de Ocupação Britânica. Encarregado de supervisionar a reconstrução da cidade arruinada e de comandar a desnazificação do povo derrotado, o coronel Lewis Morgan requisita uma casa junto ao rio Elba, onde deverá viver com sua esposa enlutada pela morte do primogênito e o filho mais novo do casal, dos quais esteve distante mais de um ano.

Ao contrário do que se espera, porém, o oficial inglês não força os antigos proprietários alemães, um viúvo e sua filha, a abandonarem a casa: insiste em que as duas famílias dividam o mesmo espaço. Assim, nesse ambiente carregado de conflitos e tensões, personagens controversos cujas vidas emocionais são influenciadas pela política e pela história se revelam e tornam a possibilidade de uma reconciliação extremamente real.

Um livro emocionante e convincente, “O dia seguinte” mostra que as cinzas da guerra encobrem não apenas o certo e o errado, mas também a verdade e a mentira.

“O Dia Seguinte” é um livro que conta uma história através de um ponto de vista bem incomum sobre a Segunda Guerra a partir do prisma de quem esteve dos dois lados e que de alguma forma precisam conviver juntos, isso faz com que a leitura se torne envolvente justamente porque pondera questões de decência, culpa e perdão… Tudo isso em um mundo devastado com pessoas dizimadas pela guerra. É um livro com algumas reviravoltas que não são nada muito espetaculares assim como a carga dramática, mas ambas são muito honestas com o contexto e acho que foi esse o ponto positivo que me cativou mais neste livro.

“O Dia Seguinte” é um livro bonito e sensível, que não necessariamente se diferencia com grandes acontecimentos ou pontos altos, mas pelo fato de ser simples e acima de tudo verdadeiro, eu recomendo muito pra quem gosta de romances com histórias da Segunda Guerra. Vai ganhar 5/5 das xícaras:

“Nem sempre é possível julgar um livro pela capa, Ed. Algumas vezes… o mal dentro de alguém… está enterrado bem fundo.”

02 ago, 2018

Livro: Objetos Cortantes

Este é o segundo livro que li da Gillian Flynn. O primeiro foi Garota Exemplar (não cheguei a fazer resenha, era a época de hiato no blog) e foi um livro que gostei bastante. Vamos a sinopse de Objetos Cortantes:

“Uma narrativa tensa e cheia de reviravoltas. Um livro viciante, assombroso e inesquecível. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago, Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida.

Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.”

Eu comecei a ler esse livro por indicação de duas amigas e porque também, a HBO fez a adaptação em seriado e eu quis assistir. É um livro tenso e uma narrativa ótima de ler, duas características de Gillian Flynn que considero muito boas. Camile é a principal personagem e você entende todos seus traumas e doenças mentais a partir do momento que conhece a sua família, Camile é uma figura interessante no livro: introspectiva, que luta a todo momento com seus próprios demônios, uma personagem muito bem construída, assim como todas as personagens femininas do livro, pois todas elas tem histórias complexamente profundas e todas elas de certa forma acabaram sendo protagonistas.

O desenrolar da história é em cima dos assassinatos das duas meninas de Wind Gap e antes mesmo da metade do livro, você já consegue meio que sacar que é o assassino, PORÉM, há um pequeno plot twist no final do livro o que deixou todo o contexto bem interessante. É um suspense policial bem psicológico, recomendo a leitura. Eu vou dar 5/5 xícaras por eu ter sacado o assassino, mas não ter nunca imaginado aquele plot twist no final. Acho que sou daquelas leitoras que é “a mais impressionável do rolê” porque eu fiquei mesmo chocada ahahaha.

O seriado na HBO está bem interessante também, embora eu tenha achado o 3 e 4 episódios um pouquinho chatinhos, mas de um modo geral está BEM fiel ao livro. Segue aqui o trailer:

“Como você se mantém segura quando seu dia inteiro é largo e vazio como o céu?”
— Objetos Cortantes

11 jul, 2018

Livro: O Grande Gatsby

“O grande Gatsby é o romance americano definitivo sobre os anos prósperos e loucos que sucederam a Primeira Guerra Mundial. O texto de Fitzgerald narra a história de amor de Jay Gatsby e Daisy. Ela, uma bela jovem de Lousville e ele, um oficial da marinha no início de carreira. Apesar da grande paixão, Daisy se casa com o insensível, mas extremamente rico, Tom Buchanan. Com o fim da guerra, Gatsby se dedica cegamente a enriquecer para reconquistar Daisy. Já milionário, ele compra uma mansão vizinha à de sua amada em Long Island, promove grandes festas e aguarda, certo de que ela vai aparecer. A história é contada por um espectador que não participa propriamente do que acontece – Nick Carraway. Nick aluga uma casinha modesta ao lado da mansão do Gatsby, observa e expõe os fatos sem compreender bem aquele mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente.”

Desde já vou começando esse post dizendo que se você procura por uma história cheia de aventuras, finais felizes ou grandes reviravoltas, O Grande Gatsby não é pra você. Mesmo assim, é uma ótima história. Mesmo com uma narrativa mais lenta, ela flui perfeitamente e fica um livro gostoso de ler. Não é necessariamente aquele tipo de livro que te prende desde o começo e que você só sossega quando lê o próximo capítulo pra saber o que vai acontecer, mas Gatsby é uma história muito reflexiva sobre a vida e as pessoas. Vi algumas resenhas bem críticas sobre esse livro dizendo que ele é bem chato de ler, acredito que isso seja porque muita gente quando vai ler um clássico coloca todo tipo de expectiva em cima da história e não se atenta pra mensagem que o autor realmente passa, como se aquela (ou toda) obra tivesse algum tipo de obrigação em ser eletrizante. Nem todo livro precisa ser assim. Especialmente quando estamos lendo um clássico. E não confunda: O Grande Gatsby não é um livro chato ou cansativo de ler, longe disso, mas como disse, é um livro pra se ler mastigando bem devagar e ir refletindo em cada capítulo.

Cada personagem tem uma característica muito marcante. Com o tempo você vai percebendo que Gatsby é um personagem sonhador e apaixonado, alguém muito profundo em sua essência que vai muito além do dinheiro e das festas luxuosas que dava. Nicky é o narrador da história, aquele que vê tudo com um outro prisma e talvez exatamente por isso que no fim, você se dá conta que, mesmo Gatsby estando sempre rodeado de pessoas, Nicky é quem foi o seu único e verdadeiro amigo. Daisy é uma mulher totalmente apática e vazia. Completamente mimada e soberba, você entende porque uma mulher como ela está com Tom (que é o seu marido e um cara tão vazio quanto ela) e não com Gatsby. Se merecem. Penso que o amor de Gatsby por Daisy foi na verdade só o pano de fundo pro livro e não o ponto central da história. E é aí que quando o livro acaba, a gente faz alguns questionamentos: Gatsby realmente a amava ou amava estar com ela? Até que ponto vale a pena fazer de tudo para estar com alguém ou ser alguém?

A adaptação mais recente foi pro cinema com o querido Leozinho diCaprio em 2013:

“Se a personalidade é uma série continua de gestos bem-sucedidos, então havia algo de grandioso naquele homem, certa sensibilidade exaltada às promessas da vida.”

Vai ganhar 5/5 das xícaras porque acredito que este livro, seja do tipo “leitura obrigatória” à todos:

28 jun, 2018

Livro: Jane Eyre

“Jane Eyre, órfã de pai e mãe, vive com parentes que a desprezam até ser enviada para a instituição de caridade Lowood. Apesar das inúmeras privações que enfrenta na escola, a menina leva uma vida quase feliz e se torna forte e independente. Aos 18 anos, decide partir para Thornfield e trabalhar como preceptora de Adèle, pupila do irônico e arrogante Edward Rochester. Jane Eyre narra, além de uma comovente história de amor, a saga de uma jovem em busca de uma vida mais rica do que a sociedade inglesa do século XIX tradicionalmente permitia às mulheres. Publicado originalmente em 1847, o primeiro romance de Charlotte Brontë inspirou adaptações para o cinema e a televisão.”

Desde que eu li ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ eu fiquei interessada em saber mais sobre as irmãs Brontë. E creio que boa escrita seja um dom que vem de família mesmo porque Jane Eyre de Charlotte Brontë é uma história muito bem contada, digna realmente de um clássico. Jane Eyre desperta no leitor durante o começo do livro sentimentos de revolta e indignação, a história vai se desenrolando e vai se misturando a muitos conflitos de classes (sempre, né?) e religiosos sendo assim possível de visualizar a posição inferior da mulher nesta época da sociedade aristocrática inglesa, mas sempre com muita bravura e coragem por parte da personagem principal, que é o ponto chave crucial de Jane Eyre. Assim como Jane Austen, Charlotte Brontë e claro, não posso deixar de citar Emily Brontë também, foram mulheres muito a frente de seus tempos e que deixaram isso muito claro com seus legados através da literatura.

“Eu cuido de mim. Quanto mais solitária, quanto mais sem amigos, quanto mais desamparada estiver, mais respeitarei a mim mesma.”

Jane Eyre é considerado até hoje um livro transgressor, sobretudo por tratar a mulher não apenas como ser meigo, doce e superficial para servir como um o molde perfeito para a sociedade, mas por tratá-la como um alguém em sua essência: com emoções e anseios tão complexos e peculiares quanto os homens. Eu acabei criando uma conexão emocional muito forte com Jane Eyre e aí as vezes acho que fica difícil falar da história, acredito que eu tenha ainda uma conexão muito maior com ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ que pra mim a história como um todo foi muito mais impactante, mas Jane Eyre me arrancou suspiros e lágrimas e falou muito sobre paixão, liberdade, sobre o papel da mulher na sociedade e principalmente – talvez a lição mais importante de todo o livro – é que me fez refletir sobre o quanto é importante sermos fiéis à nossa essência e em aquilo que acreditamos. Talvez seja esse o ato mais revolucionário que podemos fazer. Certamente vai ganhar as 5/5 das xícaras, livro mais que recomendado:

22 maio, 2018

Livro: O Morro dos Ventos Uivantes

“Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.”

Tenho esse livro há muitos anos na minha estante, mas sempre acabava escolhendo qualquer outro pra ler e sempre fui deixando ele de lado. Como agora eu tô na pegada de romances históricos, principalmente de escritores bem antigos, decidi ler o Morro dos Ventos Uivantes e acho que foi um dos livros mais incríveis que já li na minha vida. É sério. Eu fiquei triste de terminar a história, fui lendo mais devagar dessa vez porque não queria devorar tudo de uma vez. E que história. Me pergunto porque não li esse clássico antes, mas acho que tudo tem seu momento, talvez em outras épocas eu não teria me apegado tanto a esse livro como me apeguei agora, justamente porque quando o comprei, eu estava até em outra vibe de leitura. O Morro dos Ventos Uivantes fala de amor, vingança e tragédia. Fala de personagens rancorosos, impulsivos, de amores doentios que ferem uns aos outros, de personagens intensos que amam, choram, se amaldiçoam e perdoam. Tudo de uma maneira muito forte. Não existe momentos, situações ou sentimentos brandos nessa história. É um clássico pesado, por muitas vezes eu fechava o livro, respirava fundo por alguns minutos, olhava pro Ricardo e soltava um:

“- Muitas vezes provocamos os fantasmas e nos desafiamos mutuamente a andar e chamar os mortos por entre as sepulturas. Mas tu, Heathcliff, se te desafiar agora, ainda terás coragem de fazê-lo? Se tiveres, ficarei contigo. Não quero jazer ali sozinha. Podem enterrar-me a sete palmos de profundidade e fazer desabar a igreja sobre mim, mas não descansarei enquanto não estivermos juntos. Jamais!”

Ao contrário das histórias de Jane Austen que são romances densos, mas que ao mesmo tempo são leves no seu contexto, o Morro dos Ventos Uivantes é uma paulada louca atrás da outra, alguns personagens você odeia tanto, mas tanto, que no fundo acaba tendo até uma certa admiração por eles. Heathcliff certamente é o mais detestável da história e suas falas são tão pesadas, tão carregadas de ódio, tirania, rancor e tão desprovidas de qualquer tipo de humanidade, que de certo modo você compreende o porquê dele ter se tornado um homem tão duro e amargo. Eu não vou ficar soltando nada da história porque não quero dar nenhum tipo de spoiler – por mínimo que seja, mas é um livro pesado, denso e envolvente que, acima de tudo, é algo pra se ler bem devagar e mastigar cada momento. Foi assim que fiz.

“E eu rezo uma oração.. hei de repeti-la até que minha língua se entorpeça… Catarina Earnshaw, possas tu não encontrar sossego enquanto eu tiver vida! Dizes que te matei, persegue-me então! A vítima persegue seus matadores, creio eu. Sei que fantasmas têm vagado pela terra. Fica sempre comigo.. encarna-te em qualquer forma… torna-me louco! Só não quero que me deixes neste abismo, onde não posso te encontrar! Oh, Deus! é inexprimível! Não posso viver sem minha vida! Não posso viver sem minha alma!”

“Não disse que não é amor, definitivamente é, mas eu sei que é efêmero e que o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, e mesmo que eu te amasse com todas as forças do meu corpo nem em cem anos poderia te amar tanto quanto te amei em um único dia. Talvez daqui 100 anos eu ame ainda mais, tanto, que tu já tenha se espalhado de tal forma, sendo impossível de tirar daqui do meu eu mais secreto e íntimo não como um prazer, porque eu não sou um para mim mesma, mas como o meu próprio ser existindo na sombra da tua existência, sendo apenas a metade e não meu todo. Onde não há você, não existe eu, só vazio.”

O Morro dos Ventos Uivantes é mais um clássico atemporal, feito de personagens que nenhum deles é apático, ao contrário, todos são incrivelmente intensos. Foi o único livro escrito por Emily Brontë (que pelo que li foi uma autora reclusa e problemática e que faleceu no ano seguinte ao lançamento de sua obra). Kate Bush criou a canção Wuthering Heights que é mundialmente conhecida também, o poeta Dante Gabriel Rossetti disse que a história se passa no inferno e que só os lugares e as pessoas têm nomes ingleses. Certamente tudo isso faz jus a fama que esse clássico tem e que torna a história ainda mais interessante. Vai ganhar 5/5 das xícaras e entrou com louvor pra minha lista de livros favoritos: