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01 out, 2018

Livro: O Duque e Eu

“Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo.
Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta.
Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.”

Esse ano de 2018 eu já posso declarar que foi o ano dos Romances de Época pra mim. Li muitos. Aí tinham me falado da Julia Quinn, a autora queridinha do momento por se destacar justamente nos romances de época. A sequência dos romances de Os Bridgertons são os mais conhecidos, eu não lembro exatamente quantos livros no total ela escreveu, mas não são poucos não. Aí eu comecei a ler “O Duque e Eu” e gostei. Gostei, porém não o suficiente para amar o livro, mas é uma leitura legal e fluída que vale a pena ler sim.

O começo do livro eu achei um pouco cansativo (por favor fãs de Julia Quinn não me matem) e do meio em diante foi quando, para mim, a história tomou mais forma e eu segui com a leitura. A história já era bem prevista com o que vai se desenrolando, tem umas pitadas de humor e bastante erotismo. Sim, tem umas partes BEM quentes ehehehe. Fiquei até surpresa com esse ponto, porque romances de época as vezes nem beijo na boca tem (vide Jane Austen), mas acredito até que talvez esse seja um dos motivos que também consagrou a autora.

Os personagens são bem construídos, a leitura é bem mais fácil que os romances antigos de mil oitocentos e lá vai pedrinha (por motivos óbvios, alias) e talvez, seja por isso que eu achei ele (um pouquinho) superficial. Veja bem, é um livro que vale a pena ser lido sim. Ele é bom de ser ler, mas pra quem está acostumado com romances de Jane Austen, irmãs Brontë ou até mesmo Shakespeare, pode achar esse um pouquinho… Hãm… Como posso dizer? Normal. O que não é ruim, muito pelo contrário, eu sempre acho que esses livros são a porta de entrada para outras leituras mais aprofundadas da linha de gênero e pra quem está procurando romances de época, comece então por Julia Quinn. O que eu mais gosto dessas autoras e agora estou me referindo a todas, é que as mulheres são sempre colocadas como figuras fortes e destemidas nas histórias, o que não era comum por essas épocas e ponto para a Julia Quinn por fazer isso.

Com certeza vou ler os próximos da sequência, mas vou dar 4/5 xícaras porque eu esperava um pouquinho mais:

12 set, 2018

Livro: O Dia Seguinte

Hamburgo, 1946. Milhares de pessoas vagam, sem abrigo, pela região denominada Zona de Ocupação Britânica. Encarregado de supervisionar a reconstrução da cidade arruinada e de comandar a desnazificação do povo derrotado, o coronel Lewis Morgan requisita uma casa junto ao rio Elba, onde deverá viver com sua esposa enlutada pela morte do primogênito e o filho mais novo do casal, dos quais esteve distante mais de um ano.

Ao contrário do que se espera, porém, o oficial inglês não força os antigos proprietários alemães, um viúvo e sua filha, a abandonarem a casa: insiste em que as duas famílias dividam o mesmo espaço. Assim, nesse ambiente carregado de conflitos e tensões, personagens controversos cujas vidas emocionais são influenciadas pela política e pela história se revelam e tornam a possibilidade de uma reconciliação extremamente real.

Um livro emocionante e convincente, “O dia seguinte” mostra que as cinzas da guerra encobrem não apenas o certo e o errado, mas também a verdade e a mentira.

“O Dia Seguinte” é um livro que conta uma história através de um ponto de vista bem incomum sobre a Segunda Guerra a partir do prisma de quem esteve dos dois lados e que de alguma forma precisam conviver juntos, isso faz com que a leitura se torne envolvente justamente porque pondera questões de decência, culpa e perdão… Tudo isso em um mundo devastado com pessoas dizimadas pela guerra. É um livro com algumas reviravoltas que não são nada muito espetaculares assim como a carga dramática, mas ambas são muito honestas com o contexto e acho que foi esse o ponto positivo que me cativou mais neste livro.

“O Dia Seguinte” é um livro bonito e sensível, que não necessariamente se diferencia com grandes acontecimentos ou pontos altos, mas pelo fato de ser simples e acima de tudo verdadeiro, eu recomendo muito pra quem gosta de romances com histórias da Segunda Guerra. Vai ganhar 5/5 das xícaras:

“Nem sempre é possível julgar um livro pela capa, Ed. Algumas vezes… o mal dentro de alguém… está enterrado bem fundo.”

02 ago, 2018

Livro: Objetos Cortantes

Este é o segundo livro que li da Gillian Flynn. O primeiro foi Garota Exemplar (não cheguei a fazer resenha, era a época de hiato no blog) e foi um livro que gostei bastante. Vamos a sinopse de Objetos Cortantes:

“Uma narrativa tensa e cheia de reviravoltas. Um livro viciante, assombroso e inesquecível. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago, Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida.

Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.”

Eu comecei a ler esse livro por indicação de duas amigas e porque também, a HBO fez a adaptação em seriado e eu quis assistir. É um livro tenso e uma narrativa ótima de ler, duas características de Gillian Flynn que considero muito boas. Camile é a principal personagem e você entende todos seus traumas e doenças mentais a partir do momento que conhece a sua família, Camile é uma figura interessante no livro: introspectiva, que luta a todo momento com seus próprios demônios, uma personagem muito bem construída, assim como todas as personagens femininas do livro, pois todas elas tem histórias complexamente profundas e todas elas de certa forma acabaram sendo protagonistas.

O desenrolar da história é em cima dos assassinatos das duas meninas de Wind Gap e antes mesmo da metade do livro, você já consegue meio que sacar que é o assassino, PORÉM, há um pequeno plot twist no final do livro o que deixou todo o contexto bem interessante. É um suspense policial bem psicológico, recomendo a leitura. Eu vou dar 5/5 xícaras por eu ter sacado o assassino, mas não ter nunca imaginado aquele plot twist no final. Acho que sou daquelas leitoras que é “a mais impressionável do rolê” porque eu fiquei mesmo chocada ahahaha.

O seriado na HBO está bem interessante também, embora eu tenha achado o 3 e 4 episódios um pouquinho chatinhos, mas de um modo geral está BEM fiel ao livro. Segue aqui o trailer:

“Como você se mantém segura quando seu dia inteiro é largo e vazio como o céu?”
— Objetos Cortantes

11 jul, 2018

Livro: O Grande Gatsby

“O grande Gatsby é o romance americano definitivo sobre os anos prósperos e loucos que sucederam a Primeira Guerra Mundial. O texto de Fitzgerald narra a história de amor de Jay Gatsby e Daisy. Ela, uma bela jovem de Lousville e ele, um oficial da marinha no início de carreira. Apesar da grande paixão, Daisy se casa com o insensível, mas extremamente rico, Tom Buchanan. Com o fim da guerra, Gatsby se dedica cegamente a enriquecer para reconquistar Daisy. Já milionário, ele compra uma mansão vizinha à de sua amada em Long Island, promove grandes festas e aguarda, certo de que ela vai aparecer. A história é contada por um espectador que não participa propriamente do que acontece – Nick Carraway. Nick aluga uma casinha modesta ao lado da mansão do Gatsby, observa e expõe os fatos sem compreender bem aquele mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente.”

Desde já vou começando esse post dizendo que se você procura por uma história cheia de aventuras, finais felizes ou grandes reviravoltas, O Grande Gatsby não é pra você. Mesmo assim, é uma ótima história. Mesmo com uma narrativa mais lenta, ela flui perfeitamente e fica um livro gostoso de ler. Não é necessariamente aquele tipo de livro que te prende desde o começo e que você só sossega quando lê o próximo capítulo pra saber o que vai acontecer, mas Gatsby é uma história muito reflexiva sobre a vida e as pessoas. Vi algumas resenhas bem críticas sobre esse livro dizendo que ele é bem chato de ler, acredito que isso seja porque muita gente quando vai ler um clássico coloca todo tipo de expectiva em cima da história e não se atenta pra mensagem que o autor realmente passa, como se aquela (ou toda) obra tivesse algum tipo de obrigação em ser eletrizante. Nem todo livro precisa ser assim. Especialmente quando estamos lendo um clássico. E não confunda: O Grande Gatsby não é um livro chato ou cansativo de ler, longe disso, mas como disse, é um livro pra se ler mastigando bem devagar e ir refletindo em cada capítulo.

Cada personagem tem uma característica muito marcante. Com o tempo você vai percebendo que Gatsby é um personagem sonhador e apaixonado, alguém muito profundo em sua essência que vai muito além do dinheiro e das festas luxuosas que dava. Nicky é o narrador da história, aquele que vê tudo com um outro prisma e talvez exatamente por isso que no fim, você se dá conta que, mesmo Gatsby estando sempre rodeado de pessoas, Nicky é quem foi o seu único e verdadeiro amigo. Daisy é uma mulher totalmente apática e vazia. Completamente mimada e soberba, você entende porque uma mulher como ela está com Tom (que é o seu marido e um cara tão vazio quanto ela) e não com Gatsby. Se merecem. Penso que o amor de Gatsby por Daisy foi na verdade só o pano de fundo pro livro e não o ponto central da história. E é aí que quando o livro acaba, a gente faz alguns questionamentos: Gatsby realmente a amava ou amava estar com ela? Até que ponto vale a pena fazer de tudo para estar com alguém ou ser alguém?

A adaptação mais recente foi pro cinema com o querido Leozinho diCaprio em 2013:

“Se a personalidade é uma série continua de gestos bem-sucedidos, então havia algo de grandioso naquele homem, certa sensibilidade exaltada às promessas da vida.”

Vai ganhar 5/5 das xícaras porque acredito que este livro, seja do tipo “leitura obrigatória” à todos:

28 jun, 2018

Livro: Jane Eyre

“Jane Eyre, órfã de pai e mãe, vive com parentes que a desprezam até ser enviada para a instituição de caridade Lowood. Apesar das inúmeras privações que enfrenta na escola, a menina leva uma vida quase feliz e se torna forte e independente. Aos 18 anos, decide partir para Thornfield e trabalhar como preceptora de Adèle, pupila do irônico e arrogante Edward Rochester. Jane Eyre narra, além de uma comovente história de amor, a saga de uma jovem em busca de uma vida mais rica do que a sociedade inglesa do século XIX tradicionalmente permitia às mulheres. Publicado originalmente em 1847, o primeiro romance de Charlotte Brontë inspirou adaptações para o cinema e a televisão.”

Desde que eu li ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ eu fiquei interessada em saber mais sobre as irmãs Brontë. E creio que boa escrita seja um dom que vem de família mesmo porque Jane Eyre de Charlotte Brontë é uma história muito bem contada, digna realmente de um clássico. Jane Eyre desperta no leitor durante o começo do livro sentimentos de revolta e indignação, a história vai se desenrolando e vai se misturando a muitos conflitos de classes (sempre, né?) e religiosos sendo assim possível de visualizar a posição inferior da mulher nesta época da sociedade aristocrática inglesa, mas sempre com muita bravura e coragem por parte da personagem principal, que é o ponto chave crucial de Jane Eyre. Assim como Jane Austen, Charlotte Brontë e claro, não posso deixar de citar Emily Brontë também, foram mulheres muito a frente de seus tempos e que deixaram isso muito claro com seus legados através da literatura.

“Eu cuido de mim. Quanto mais solitária, quanto mais sem amigos, quanto mais desamparada estiver, mais respeitarei a mim mesma.”

Jane Eyre é considerado até hoje um livro transgressor, sobretudo por tratar a mulher não apenas como ser meigo, doce e superficial para servir como um o molde perfeito para a sociedade, mas por tratá-la como um alguém em sua essência: com emoções e anseios tão complexos e peculiares quanto os homens. Eu acabei criando uma conexão emocional muito forte com Jane Eyre e aí as vezes acho que fica difícil falar da história, acredito que eu tenha ainda uma conexão muito maior com ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ que pra mim a história como um todo foi muito mais impactante, mas Jane Eyre me arrancou suspiros e lágrimas e falou muito sobre paixão, liberdade, sobre o papel da mulher na sociedade e principalmente – talvez a lição mais importante de todo o livro – é que me fez refletir sobre o quanto é importante sermos fiéis à nossa essência e em aquilo que acreditamos. Talvez seja esse o ato mais revolucionário que podemos fazer. Certamente vai ganhar as 5/5 das xícaras, livro mais que recomendado:

22 maio, 2018

Livro: O Morro dos Ventos Uivantes

“Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.”

Tenho esse livro há muitos anos na minha estante, mas sempre acabava escolhendo qualquer outro pra ler e sempre fui deixando ele de lado. Como agora eu tô na pegada de romances históricos, principalmente de escritores bem antigos, decidi ler o Morro dos Ventos Uivantes e acho que foi um dos livros mais incríveis que já li na minha vida. É sério. Eu fiquei triste de terminar a história, fui lendo mais devagar dessa vez porque não queria devorar tudo de uma vez. E que história. Me pergunto porque não li esse clássico antes, mas acho que tudo tem seu momento, talvez em outras épocas eu não teria me apegado tanto a esse livro como me apeguei agora, justamente porque quando o comprei, eu estava até em outra vibe de leitura. O Morro dos Ventos Uivantes fala de amor, vingança e tragédia. Fala de personagens rancorosos, impulsivos, de amores doentios que ferem uns aos outros, de personagens intensos que amam, choram, se amaldiçoam e perdoam. Tudo de uma maneira muito forte. Não existe momentos, situações ou sentimentos brandos nessa história. É um clássico pesado, por muitas vezes eu fechava o livro, respirava fundo por alguns minutos, olhava pro Ricardo e soltava um:

“- Muitas vezes provocamos os fantasmas e nos desafiamos mutuamente a andar e chamar os mortos por entre as sepulturas. Mas tu, Heathcliff, se te desafiar agora, ainda terás coragem de fazê-lo? Se tiveres, ficarei contigo. Não quero jazer ali sozinha. Podem enterrar-me a sete palmos de profundidade e fazer desabar a igreja sobre mim, mas não descansarei enquanto não estivermos juntos. Jamais!”

Ao contrário das histórias de Jane Austen que são romances densos, mas que ao mesmo tempo são leves no seu contexto, o Morro dos Ventos Uivantes é uma paulada louca atrás da outra, alguns personagens você odeia tanto, mas tanto, que no fundo acaba tendo até uma certa admiração por eles. Heathcliff certamente é o mais detestável da história e suas falas são tão pesadas, tão carregadas de ódio, tirania, rancor e tão desprovidas de qualquer tipo de humanidade, que de certo modo você compreende o porquê dele ter se tornado um homem tão duro e amargo. Eu não vou ficar soltando nada da história porque não quero dar nenhum tipo de spoiler – por mínimo que seja, mas é um livro pesado, denso e envolvente que, acima de tudo, é algo pra se ler bem devagar e mastigar cada momento. Foi assim que fiz.

“E eu rezo uma oração.. hei de repeti-la até que minha língua se entorpeça… Catarina Earnshaw, possas tu não encontrar sossego enquanto eu tiver vida! Dizes que te matei, persegue-me então! A vítima persegue seus matadores, creio eu. Sei que fantasmas têm vagado pela terra. Fica sempre comigo.. encarna-te em qualquer forma… torna-me louco! Só não quero que me deixes neste abismo, onde não posso te encontrar! Oh, Deus! é inexprimível! Não posso viver sem minha vida! Não posso viver sem minha alma!”

“Não disse que não é amor, definitivamente é, mas eu sei que é efêmero e que o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, e mesmo que eu te amasse com todas as forças do meu corpo nem em cem anos poderia te amar tanto quanto te amei em um único dia. Talvez daqui 100 anos eu ame ainda mais, tanto, que tu já tenha se espalhado de tal forma, sendo impossível de tirar daqui do meu eu mais secreto e íntimo não como um prazer, porque eu não sou um para mim mesma, mas como o meu próprio ser existindo na sombra da tua existência, sendo apenas a metade e não meu todo. Onde não há você, não existe eu, só vazio.”

O Morro dos Ventos Uivantes é mais um clássico atemporal, feito de personagens que nenhum deles é apático, ao contrário, todos são incrivelmente intensos. Foi o único livro escrito por Emily Brontë (que pelo que li foi uma autora reclusa e problemática e que faleceu no ano seguinte ao lançamento de sua obra). Kate Bush criou a canção Wuthering Heights que é mundialmente conhecida também, o poeta Dante Gabriel Rossetti disse que a história se passa no inferno e que só os lugares e as pessoas têm nomes ingleses. Certamente tudo isso faz jus a fama que esse clássico tem e que torna a história ainda mais interessante. Vai ganhar 5/5 das xícaras e entrou com louvor pra minha lista de livros favoritos:

09 maio, 2018

Livro: Beco da Ilusão

“Meu nome é Sarah Wainness, mas este nem sempre foi o meu nome. É apenas mais um, entre tantos que já tive. Minha infância foi feliz e simples, como a de qualquer criança da minha idade e do meu bairro em Karnobat, Bulgária. Éramos uma família de cinco irmãos, incluindo eu. Papai, um homem muito bom, enérgico e religioso, frequentava a sinagoga, enquanto mamãe trabalhava em casa, cuidando de tudo e de todos nós. Após recebermos uma herança de um tio falecido que morava em Berlim, mudamos para lá e, ao chegar, deparei-me com uma realidade totalmente diferente da que eu conhecia. Meus sonhos desabrocharam em contato com a cidade. Um deles, tive que manter em segredo: eu queria ser bailarina. Sempre pegava as roupas da mamãe, escondida, e rodopiava no fundo do quintal, vendo tudo ao meu redor mudar. Isso me fazia feliz. Mas, um dia, meus sonhos desmoronaram e minha vida mudou completamente: os nazistas invadiram nossa casa, e fui levada para um lugar de prostituição. Meu nome é Sarah Wainness, e já morei no Beco da Ilusão.”

Eu não sei muito bem por onde começar a resenha desse livro. A história é muito emocionante e impactante, cheia de reviravoltas, mas tiveram alguns fios soltos no caminho que vai fazer com que eu não dê todas as 5 xícaras para este livro. Beco da Ilusão é muita leitura fácil e envolvente, o começo eu achei um pouco cansativo, mas não demora muito pra se mergulhar na história. Sarah (ou Yidish) é a personagem principal do livro, tendo como base outros dois personagens Erdmann e seu primo de Anton. Sarah por ser judia, passou por todos os horrores da guerra, mesmo tendo de certa forma a proteção de Franklin – membro da SS e pai de Erdmann (mais para o final do livro, você entende o porque ele a protegia).

“Roubaram-nos a liberdade de expressão, tornando-nos fantoches na mão do estado. Não podíamos falar, nem escrever aquilo que pensávamos. Não podíamos ter uma opinião, ou pelo menos, ela não poderia se tornar pública, existindo apenas na nossa mente.”

O final do livro me deixou bastante pensativa, primeiro porque até achei que estava faltando algumas páginas, mas aquele foi realmente o final e pra ser sincera, mesmo concordando que o desfecho não poderia ter sido outro, eu esperava um final diferente e me senti um pouquinho desamparada com ele. A gente sempre quer o melhor final feliz pros personagens que mais sofrem nas histórias, mas dependendo do cenário, não tem como ser assim, né? Gostei de Beco da Ilusão, muito embora eu já tenha lido livros melhores nesse cenário de segunda guerra, mas acima de tudo é mais uma obra de ensinamento, que nos faz refletir e nos conscientizar a nunca mais voltar àquela escuridão. 4/5 xícaras:

30 abr, 2018

Livro: Hibisco Roxo

“Protagonista e narradora de Hibisco Roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.”

Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana de etnia Igbo e muito conhecida por seus contos e romances. Aos 19 anos, Chimamanda deixou a Nigéria e se mudou para os Estados Unidos aonde fez estudos de escrita criativa e mestrado de estudos africanos. Hibisco Roxo é o seu primeiro romance e foi o seu primeiro livro que li. A história fantástica. O livro aborda assuntos complexos e trata de muitas contradições que envolvem a religião, sobretudo o fanatismo e a doutrina da religião branca nos costumes nigerianos, além de política, tirania, golpe militar, intolerância, transgressões, submissão. São muitos pontos que são no mínimo, pertinentes.

É uma história extremamente densa e pesada, mas escrito de uma maneira muito sutil e realista. A narrativa toda é contada pela protagonista Kambili, uma adolescente de família rica, cujo pai é um religioso extremamente fanático e que curiosamente é contra o golpe militar, apoia os jornais progressistas da Nigéria, tira amigos da prisão e ainda ajuda diversas outras pessoas. É visto de fora como uma herói, mas dentro de casa, é completamente o oposto.

Kambili e seu irmão – Jaja, só começam a entender a vida como de fato é, quando passam um tempo com sua tia Ifeoma, seus primos e avô sendo estes muito mais pobres, passando por diversas dificuldades financeiras, mas que seguem seus costumes de suas origens (que aos olhos do seu pai, são considerados como pagãos) e que apesar de todas os obstáculos, se amam e são muito felizes. Através da convivência diária, Kambili e Jaja percebem que as crenças não precisam serem tão rígidas e terem tantos dogmas para se ter a aprovação de Deus e que a fé, vai muito além da religião e discursos vazios.

“Quis dizer a Jaja que meus olhos estavam formigando com as lágrimas que eu não havia chorado. Que havia pedaços esparramados dentro de mim que me machucavam e que eu jamais poderia colocá-los de volta no lugar, pois todos aqueles lugares haviam desaparecido.”

Acredito que Hibisco Roxo seja um retrato da vida de muitas pessoas na Nigéria que passaram por golpes, tirania, opressão, preconceito e que além de tudo ainda tiveram que digerir colonização religiosa branca que influenciou na cultura e nos costumes da nigeriana. Certamente é uma história pra ficar absorvendo na cabeça ainda por muito tempo depois. Leitura mais que recomendada, vai ganhar 5/5 das xícaras:

24 abr, 2018

Livro: Persuasão – Jane Austen

“O enredo gira em torno de Anne Elliot, filha de Sir Walter Elliot, um vaidoso e esnobe baronete. No passado, Anne apaixonara-se por Frederick Wentworth, que, embora belo, inteligente e ambicioso, não tinha tradições ou conexões familiares importantes – e assim Anne fora persuadida pela família a romper com ele. Em 1815, momento em que se passam os eventos narrados no livro, a boa, generosa e sensível Anne Elliot continua solteira, mas agora, aos 27 anos, pensa com mais autonomia e maturidade. Agora, também, a situação financeira de Sir Walter Elliot é desfavorável, e ele se vê obrigado a alugar a propriedade da família. Por força do destino, o novo ocupante da residência é cunhado de Wentworth. Quase oito anos após o rompimento, Anne se verá novamente convivendo com seu grande amor, agora um capitão da Marinha, e reflexões, conjunturas e arrependimentos serão inevitáveis. Anne e Frederick se redescobrem apaixonados, e renovam o compromisso de casamento. Com o mesmo texto leve e envolvente – mas irônico e perspicaz – que a caracteriza, Austen faz aqui uma crítica à vaidade típica da sociedade inglesa do início do século XIX, ao mesmo tempo em que enfoca o tema do casamento, quase onipresente em seus escritos.”

Persuasão é o quarto livro que li de Jane Austen e depois de Orgulho e Preconceito, foi o segundo que mais gostei da autora. Jane Austen é imortal, longe de ser uma escritora água com açúcar, apesar do contexto de suas histórias, suas obras são de uma peculiaridade única. Persuasão foi o seu ultimo romance acabado, mas infelizmente, Jane não viveu a tempo de ser publicado. A heroína da vez é Anne Elliott e é impossível não gostar dela. Já sua família não se pode dizer o mesmo, sua mãe já falecida, Anne é filha de sir Walter e tem mais duas irmãs: Elisabeth e Mary. Sir Walter é um egocêntrico que não passa de um baronete falido, Elisabeth é a mesquinha que só pensa em condição social e Mary (que é a única casada) é a umbiguista da família.

Mas a história mesmo gira em torno do amor interrompido de Anne Elliot e Frederick Wentworth que foi persuadido pela amiga de Anne – Lady Russel, justamente porque na época, aos olhos da amiga, ele não tinha nada para oferecer a Anne (lembrando que praticamente todos os casamentos nessa época eram arranjados de acordo com a quantidade de dinheiro). Oito anos depois Frederick Wentworth volta como Capitão Wentworth: financeiramente mais abastado, mas também muito ressentido e, é aí que tudo começa a se desenrolar. Apesar de toda a simplicidade do contexto, a história vai se tornando cada vez mais inquietante ao leitor, você não sabe muito bem o que esperar. Persuasão é o tipo de livro que o final não é exatamente o importante, mas sim as situações que acontecem ao longo da história.

Jane Austen como sempre faz críticas a sociedade daquela época, sobretudo as mulheres e aos costumes com aquela pitada de sarcasmo tão típico da autora. Vai ganhar 5/5 xícaras:

“Não admito que seja da natureza masculina mais do que da feminina ser inconstante e esquecer quem se ama, ou quem já se amou. Acredito no contrário. Acredito que uma verdadeira analogia entre nossas estruturas físicas e mentais; e acho que quando nossos corpos são mais fortes, o mesmo se dá com os sentimentos; estes são capazes de suportar os tratamentos mais rudes, e de enfrentar os mais árduos climas.”

09 abr, 2018

Livro: A Guerra que Salvou Minha Vida

“Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa. Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios. Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.”

Esse livro sobre guerra é totalmente diferente do que eu já li sobre o tema. É o lado bom que uma guerra causou na vida de alguém, no caso, essa alguém é Ada – a personagem principal da história. A história toda é contada aos olhos dela – narrado em primeira pessoa, então é uma história vista aos olhos inocentes de uma criança de aproximadamente seus 10 anos de idade, mas que já passou por milhões de problemas, antes mesmo até de acontecer a guerra de fato.

“Enquanto adormecia, uma palavra me veio à mente. Guerra. Enfim compreendi qual era minha luta e por que eu guerreava. A mãe não fazia ideia da forte combatente que eu havia me tornado.”

Falar sobre Ada é emocionante porque tudo de ruim aconteceu à ela e mesmo assim, ela conseguiu se superar, mesmo tendo uma vida tão difícil e ainda em um momento tão igualmente complicado da história do mundo também. Talvez para quem já tenha lido milhares de histórias ambientadas na guerra, este livro pode soar mais do mesmo, mas a guerra nessa obra é só um pano de fundo pra história, o foco mesmo é o desenvolvimento psicológico de Ada, seu amadurecimento no decorrer da narrativa e isso me envolveu totalmente.

Privada de toda liberdade de brincar ou ir a escola como algo por direito de qualquer criança, Ada não conhece nada do mundo, só aquilo que vê através de uma janela de uma minúscula e imunda casa em que vive com o irmão mais novo e a mãe que é uma perversa e sem coração. Ada tem seu pé direito torto, o que faz com que ela tenha dificuldade ao andar e isso é uma vergonha para a sua mãe, por isso a mantinha trancafiada em casa. Com o passar da história, Ada foi compreendendo que isso nunca foi culpa dela como sempre pensou e que o amor é capaz de curar tudo, até mesmo as feridas mais profundas.

“Dei a mão a ela. Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome: Felicidade.”

É incrível notar o amadurecimento de Ada durante a história e isso não só com a ajuda de pessoas que a queriam bem, mas principalmente na sua relação com os animais e a natureza. No livro há também outros personagens incríveis – como Susan e Jaime (seu irmão), esses são especialmente os mais cativantes da história tanto quanto Ada e mostra como uma guerra nesse caso e com todas as mazelas que isso envolve, pode ser na verdade, uma verdadeira salvação na vida de algumas pessoas. Esse livro só não vai ganhar as 5 xícaras porque no começo, como Ada não sabia de nada do mundo, – nem mesmo o que eram gramas ou arvores – ela acaba explicando tudo que descobre e isso eu achei que não precisava ter no livro porque deixa o começo da história um pouquinho (mas só um pouquinho mesmo) maçante. Mesmo assim é uma história ótima, daquelas que a gente devora rapidinho e recomendo muito a leitura:

02 abr, 2018

Livro: O Jardim das Borboletas

Antes de começar a resenha desse livro eu preciso fazer um comentário porque eu acho que isso não acontece só comigo: quando eu fico muito tempo lendo um mesmo gênero literário (principalmente aquele tipo de livro que eu fico completamente absorta com a história), quando mudo pra outro gênero eu fico… Como posso dizer? Um tanto quanto deslocada. Com vocês também acontece isso? Eu decidi dar uma pequena pausa com Jane Austen só pra dar uma variada (e pra também não acabar logo com todos os 6 livros dela) e aí eu comecei a ler O Jardim das Borboletas porque esse foi um dos que eu recebi caixa do mês no Skoob e que justamente eu estava querendo ler. Mas primeiro vamos a sinopse:

“Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas… e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.”

Sabe aquela história que te prende do começo ao fim? Que você sente o mesmo que os personagens sentem? Pois é, NÃO É o caso desse livro, infelizmente. Apesar de ser uma história forte e impactante por todo o contexto que envolve sequestro, estupro, assassinato e cárcere, não me prendeu como eu estava esperando e muitas vezes eu sentia que a personagem principal do livro – Maya, era completamente desprovida de emoção (mesmo tendo passado por tantos traumas), deixando assim, o livro maçante e sem uma linearidade. Eu odeio quando isso acontece num livro. O enredo e o formato da história são bons e ao meu ver, tinha tudo pra ser uma grande obra, mas faltou desenvolvimento muito em parte porque pra mim, não teve aquele gás que faz com que o leitor continue a querer ler a história. Eu só terminei esse porque eu realmente detesto abandonar um livro, o final achei bem forçado também, mas confesso que já li desfechos piores.

Basicamente eu resumiria este como uma boa história que não foi devidamente explorada. Se você está procurando livros nessa linha, mas que tenham um bom suspense, recomendo muito os livros de Paula Hawkins e Harlan Coben que são bem melhores. Uma pena esse não ser como eu esperava. Vai ganhar só 2/5 xícaras:

27 mar, 2018

Livro: Emma – Jane Austen

“Emma Woodhouse é uma mulher rica e aparentemente esnobe, mas no fundo, sua maior ambição na vida é ver os outros felizes. Quando decide que tem o talento para formar novos casais, passa a trabalhar de cupido na pequena aldeia inglesa de Hartfield. Emma foca suas atenções em Harriet Smith e, em meio à busca de pretendentes para a amiga, se mete em diversas confusões, sempre resgatada pelo amigo, o cavalheiro sr. Knightley.”

Antes de começar a minha resenha do livro, eu preciso mostrar esse presente maravilhoso que ganhei de aniversário do meu amigo Fred e da Tininha, olha que coisa mais linda, agora eu tenho uma Jane Austen pra chamar de minha:

Emma é o terceiro livro de Jane Austen que li. Apesar de serem os mesmos moldes das outras histórias de Jane Austen que envolve amor, casamento, drama e muito romance (e que eu amo de paixão), Emma é uma personagem um tanto quanto peculiar neste livro. Órfã de mãe, rica e decidida a nunca se casar com ninguém, Emma tem sua vida dedicada a cuidar do pai e a achar que tem o dom de conhecer todos os corações alheios, mas na verdade ela nem conhece o seu próprio. É uma personagem do bem, mas é mimada e egocêntrica a ponto de sempre querer ser a cupido casamenteira de todos e que acha que sempre está certa em tudo. Isso por um lado pode-se pensar que ao ajudar ser o cupido de alguém, seja na verdade, uma característica de uma pessoa altruísta, mas a real é que Emma é uma pessoa que só pensa nela mesma. Uma das características dos livros de Jane Austen, além de personagens principalmente de figuras femininas fortes, é perceber também como ter posses e terras significava absolutamente tudo naquela época e por isso se vê muito preconceito e pré julgamentos com as classes menos favorecidas, muitas atitudes mesquinhas e pessoas invejosas que só vivem de aparências (eu tinha vontade de dar um sacode na Sra. Elton cada vez que ela falava de Maple Grove ahahahha).

Emma apesar de ser a protagonista, não foi a minha personagem favorita. Em muitos momentos dá pra ter uma profunda birra por ela, mas no final, ela amadurece muito, reconhece seus erros e enxerga finalmente que por mais que ao seu ver fossem boas intenções, sua ajuda com algumas pessoas, só serviu pra atrapalhar. Mesmo assim, apesar de tudo, o desfecho da história tem um final feliz para todos e pra ela também, que merece, afinal de contas. Veja bem, Emma não é uma personagem má, longe disso, mas não é uma personagem forte e tão decidida como é Elizabeth Bennet ou Elinor Dashwood de outras histórias de Austen. Assim como nos outros livros de Jane Austen, há uma infinidade de personagens nesse também, meus preferidos foram: Mr. Knightley (disparado), o casal Weston, Harriet, Jane Fairfax, Frank Churchill… É um livro gostoso de ler, atemporal e encantador, mesmo que em alguns momentos seja um pouquinho maçante, pra mim, foi mais uma história de Jane Austen incrivelmente prazerosa. 5/5 xícaras:

08 mar, 2018

Dia Internacional da Mulher e Livros Escritos por Mulheres

No Dia Internacional da Mulher – nesse dia especificamente – acontece dentro de nós mulheres, um misto estranho de alegria e tristeza ao mesmo tempo. Talvez no mundo como hoje, até mais de tristeza, infelizmente. É uma data que assim como em todos os dias sempre nos lembramos de mulheres incríveis e todos os feitos criado por elas, lembramos de nós também e de todas as nossas que nos rodeiam: mães, avós, amigas, irmãs, tias… Mulheres fantásticas que contribuíram e ainda contribuem para um mundo melhor e mais igualitário; seja na ciência, literatura, música, arte, no nosso dia a dia, enfim, em TUDO. Mas é ao mesmo tempo triste quando a gente se depara na quantidade absurda de mulheres que são assassinadas, mutiladas, humilhadas, estupradas, esquecidas e injustiçadas só pelo fato de terem nascido MULHERES. E só sendo mulher pra entender como isso é assustador, então hoje é um dia não necessariamente de comemoração. O mundo precisa evoluir em muita coisa ainda, muita mesmo e digo isso mais no sentido moral da palavra, ser mulher é uma luta diária e não estamos sozinhas nisso.

Mas hoje eu quero dar a minha contribuição positiva e pra esse dia não passar em branco aqui no blog e servir como inspiração à todos, resolvi fazer um post de livros que li escritos unicamente por mulheres e que tem um pouco de tudo: romances, feminismo, ficção, fantasia, autobiografias, relatos, diários, guerras… Todos eles são histórias fantásticas e emocionantes, não há ordem de preferidos ou de leitura, cada link tem a sinopse da história que decidi ir sempre atualizando esse post conforme eu for lendo, então se inspire, leia mulheres:

As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley
O Incêndio de Tróia – Marion Zimmer Bradley
Entrevista Com o Vampiro – Anne Rice
Assassinato no Expresso Oriente – Agatha Christie
O Diário de Anne Frank – Anne Frank
Livre – Cheryl Strayed
A Lista de Brett – Lori Nelson Spielman
Os Três – Sarah Lotz
A Terra Inteira e o Céu Infinito – Ruth Ozeki
Inverno da Manhã – Janina Bauman
Eu Sou Malala – Malala Yousafzai
A Garota no Trem – Paula Hawkins
Nujeen – Nujeen Mustafa
3096 Dias – Natascha Kampusch
Mulheres Sem Nome – Martha Hall Kelly
A Guerra Não Tem Rosto De Mulher – Svetlana Aleksiévitch
Garota Exemplar – Gillian Flynn
A Ponte Invisível – Julie Orringer
Diga aos Lobos Que Estou em Casa – Carol Rifka Brunt
Uma Pequena Casa de Chá em Cabul – Deborah Rodriguez
O Rouxinol – Kristin Hannah
Orgulho e Preconceito – Jane Austen
Razão e Sensibilidade – Jane Austen
Emma – Jane Austen

Eu devo fazer um adendo: estou apaixonada e obcecada por Jane Austen. É ela que tem me inspirado ultimamente, não canso de escrever sobre Jane Austen aqui e sempre dizer que ela foi uma mulher muito a frente do seu tempo, portanto, pra terminar, vou deixar aqui a mulher que pra mim, mesmo após 200 anos, é a mais girl power da literatura:

“Eu odeio ouvir você generalizando as mulheres como se todas fôssemos damas de classe e não criaturas racionais. Nenhuma de nós quer passar o resto de nossas vidas em águas calmas” – Jane Austen em Persuasão

05 mar, 2018

Livro: Razão e Sensibilidade

Após a morte de Henry Dashwood, sua esposa e filhas – a sensata Elinor, a romântica Marianne e a jovem Margaret – veem-se empobrecidas e obrigadas a trocar sua confortável mansão por um pequeno chalé em Barton Park. Enquanto Elinor é controlada e cautelosa, Marianne demonstra abertamente seus sentimentos, recusando-se a adotar a conduta hipócrita que é esperada dela. As irmãs enfrentam grandes desafios em suas vidas amorosas e são forçadas a encontrar o equilíbrio entre razão e emoção antes de conquistarem o verdadeiro amor.

Razão e Sensibilidade é um livro que, assim como Orgulho e Preconceito, eu devorei muito rápido. Eu nunca imaginei que fosse ficar tão obcecada por Jane Austen e que em tão pouco tempo ela fosse se tornar uma das minhas escritoras mulheres preferidas ousando em ainda dizer que muito provavelmente, ela tirou o primeiro lugar de Marion Zimmer Bradley (das Brumas de Avalon) e agora está no topo da minha lista. Eu sou apaixonada por literatura inglesa, com a única exceção de não gostar de Harry Potter (okey, não me odeiem por isso) e não foi por falta de tentativas, mas eu realmente nunca gostei, em compensação Jane Austen é espetacular.

Jane Austen está muito mais irônica e crítica aos costumes dessa época em Razão e Sensibilidade. As protagonistas da história são Elinor e Marianne, duas irmãs super unidas, mas de personalidades completamente diferentes. Enquanto uma é a razão, a outra é completamente movida pela emoção. Razão a Sensibilidade é um livro que fala sobre decepções amorosas e casamentos feitos por dinheiro e não por amor – algo muito comum na sociedade inglesa aristocrática daquela época, algo que claramente também tem muitas críticas de Jane Austen durante o livro. Razão e Sensibilidade tem muiiiitos personagens: primas, tias, irmãos, amigos, pretendentes… Meus Deus. São muitos, mesmo assim não há como se perder na história porque todos eles são muito bem construídos e estão perfeitamente linkados com o desenrolar do contexto. Engraçado que são traços de personalidades que são muito encontrados no nosso mundo de hoje e é por coisas como essa que sempre digo que Jane Austen foi uma mulher muito a frente do seu tempo. Embora o final tenha me deixado satisfeita, eu achei que ela poderia ter se prolongando por um pouco mais e ter colocado ainda mais detalhes no final da história, achei que comparado ao livro, faltou o mesmo ritmo no final que foi muito rápido ao meu ver, mesmo assim é mais uma história única que foi maravilhosa pra mim do início ao fim.

Eu até ia dar uma pausa com Jane e ler agora algum outro livro que algum outro autor, mas estou muito animada pra ler Emma e esse foi o escolhido da vez. Vai receber 4 das 5 xícaras, justamente por esse final rápido demais, mesmo assim é uma história que recomendo muito, é encantadora.