
Considerado pelo New York Times o melhor thriller e romance policial de 2024, incluído na lista dos “100 livros de leitura obrigatória do ano” da revista Time e eleito o número 1 do ano pela People, Ecos da floresta conduz o leitor a uma história de sucessões e segundas chances, mergulhando nas tensões entre uma família e a comunidade ao seu redor — e da qual ninguém sairá impune. Manhã, agosto de 1975. A monitora do Acampamento Emerson encontra uma das camas vazia — a campista Barbara Van Laar desapareceu. No entanto, Barbara não é qualquer menina de treze anos; ela é a filha dos donos do acampamento, que também empregam grande parte dos moradores da região. E essa não é a primeira vez que uma criança dos Van Laar some: catorze anos antes, o irmão mais velho de Bárbara desapareceu de forma semelhante e nunca mais foi encontrado. Junto com uma busca frenética, desenrola-se uma emocionante trama, com pontos de vistas de diferentes pessoas e épocas. Ao destrinchar todas as camadas do mistério em torno da poderosa família Van Laar e da comunidade que vive e trabalha à sua sombra, a história multifacetada de Liz Moore convida os leitores a uma rica e cativante dinastia de segredos. “Uma joia rara, um thriller literário imersivo e envolvente. Um romance sobre o amor após uma tragédia e sobre famílias do melhor — e do pior — tipo.” — PAULA HAWKINS “Um romance que, no começo, é difícil parar de ler. E, a partir da página duzentos, impossível.” — STEPHEN KING “Extraordinário… me lembra da estreia de Donna Tartt, em 1992, com A história secreta… Eu estava submersa em um mundo ficcional tão rico, que passei horas sem emergir em busca de ar.” — MAUREEN CORRIGAN “Esse thriller ardilosamente ritmado… tem o cinetismo de uma minissérie bem elaborada.” — THE NEW YORKER
Ecos da Floresta, de Liz Moore (meu primeiro livro dessa autora), é um romance que se recusa a ser apenas um thriller. E é precisamente essa recusa que o torna um dos livros mais memoráveis do ano — e não apenas no gênero policial, eu fui pelo hype dos influencers de livros aqui do Brasil que falaram muito bem dele e realmente é mesmo um ótimo livro.
A história se passa no Acampamento Emerson, um refúgio de verão para adolescentes da classe média alta nas montanhas de Nova Iorque, a monitora encontra uma cama vazia. A campista desaparecida é Barbara Van Laar, treze anos, filha dos donos do acampamento — e, mais importante, herdeira de uma dinastia que domina a região há gerações. Mas este não é o primeiro desaparecimento na família Van Laar. Catorze anos antes, Bear, o irmão mais velho de Barbara, sumiu nas mesmas florestas e nunca mais foi encontrado. Dois filhos desaparecidos. Décadas de silêncio. E uma comunidade inteira que depende dos Van Laar para sobreviver, e que por isso aprendeu a não fazer perguntas.
A estrutura do romance é complexa e cheia de camadas entre os personagens que vamos conhecendo ao longo do livro. Liz Moore alterna entre diferentes épocas — os anos 1960, o verão de 1975 e o rescaldo imediato do desaparecimento — e diferentes vozes: a da polícia local, a da mãe de Barbara, a da própria menina, a de uma monitora do acampamento que, décadas depois, ainda é assombrada por aquele verão. Esta fragmentação é, o próprio cerne do livro: a verdade não se conta de uma vez. A verdade é um mosaico de perspectivas incompletas, de memórias falíveis, de fatos que se contradizem. Não é um livro pra se devorar de uma vez.
O grande trunfo dessa história está na forma como a autora recusa a simplificação. Os Van Laar não são vilões caricaturais. São pessoas presas numa teia de expectativas, de heranças mal resolvidas, de traumas transmitidos de geração em geração. A mãe, Alice, é uma figura trágica: uma mulher abastada de dinheiro, mas simples que casou na família errada e que, ao longo dos anos, se viu reduzida ao papel de esposa silenciosa. O pai, um homem de negócios duro e distante, é também, à sua maneira, uma vítima do próprio nome que carrega. E os filhos — Barbara e Bear — são, acima de tudo, crianças que cresceram num ambiente onde o afeto era uma moeda de troca e onde a vulnerabilidade era punida.
A escrita é como já disse, cheia de camadas. Liz Moore quer que o leitor sinta o peso do que não é dito. O silêncio, neste livro, é uma personagem ativa. As omissões dos pais, as meias-verdades dos empregados, as recordações truncadas dos que estavam lá — tudo contribui para uma atmosfera de desconforto que se instala devagar e não abandona o leitor até à última página. A crítica social é afiada mas nunca panfletária. Os Van Laar são ricos, mas a sua riqueza é também uma prisão. E a floresta — esse espaço selvagem, indomável — é o único lugar onde todas estas hierarquias se desfazem. Na floresta, os Van Laar são apenas pessoas. Na floresta, os segredos vêm ao de cima. O final do livro é, ao mesmo tempo, satisfatório e perturbador. As perguntas são respondidas, mas as respostas não trazem o consolo que os leitores de thrillers convencionais poderão esperar, talvez seja por isso que esteja com uma nota tão baixa no Skoob.
Ecos da Floresta é uma história sobre desaparecimentos, sim, mas é sobretudo sobre o que permanece. Sobre as marcas que uma família deixa na paisagem — literal e emocional. Sobre as crianças que ninguém vê, mesmo quando estão no centro de todas as atenções. E sobre a forma como a natureza, paciente e indiferente, guarda os segredos que os humanos não conseguem suportar. Para quem procura um thriller de leitura rápida, com reviravoltas previsíveis e um herói improvável, este não é o livro. Para quem procura uma obra densa, literária, que exige atenção e recompensa a paciência com camadas sucessivas de significado. 5/5:







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