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Livro: Os esquecidos do domingo

abril 21, 2026

No livro da vida de Justine, desde a infância, todos os capítulos parecem iguais. Aos 21 anos, ela mora em um pequeno vilarejo da Borgonha com os avós e o primo, Jules, desde que os pais de ambos morreram em um acidente de carro. Em meio ao marasmo, três coisas trazem luz para seu cotidiano: as peripécias de Jules, que está mais para um irmão; as noites de sábado que passa dançando na boate; e seu emprego como auxiliar de enfermagem na Hortênsias, uma casa de repouso onde grande parte dos seus turnos é dedicada a ouvir os relatos dos idosos que vivem ali.

Na Hortênsias, ela desenvolve uma relação muito próxima com Hélène Hel, uma residente de quase cem anos com quem passa horas partilhando memórias. Aos poucos, Justine ajuda Hélène a remontar sua trajetória, e a jovem registra tudo em um caderno, na tentativa de salvar do efeito do tempo aquelas lembranças marcadas por perdas imensuráveis, grandes amores e pela força da esperança.

Conforme o passado vai tomando forma e uma série de ligações misteriosas causa uma pequena revolução na casa de repouso, a senhora inspira a garota a ver o presente sob uma nova perspectiva e interrogar-se sobre a morte dos pais. Determinada a entender a tragédia que destroçou sua infância e a confrontar os segredos sobre os quais a própria família evita falar há mais de uma década, Justine percebe que talvez esteja na hora de adentrar de vez a própria história.

A partir dessa amizade improvável, Os esquecidos de domingo traz um relato emocionante sobre as marcas que o amor deixa em nós e como o passado nunca fica realmente para trás. Um romance delicado, que vai do humor à melancolia, costurando uma trama que conecta gerações e onde nada é deixado nas mãos do acaso.

Esse é um daqueles livros para se ler devagar — não por dificuldade, mas por resistência. A gente resiste em avançar porque cada página pede uma pausa, um suspiro, um momento para digerir a beleza silenciosa daquilo que se acaba de ler. Essa autora é maravilhosa, absolutamente todos os livros dela são ótimos, pra quem quiser conferir aqui está a resenha de seus livros anteriores, e aqui ela repete a fórmula que a consagrou: uma narrativa aparentemente simples, personagens comuns e uma capacidade rara de transformar o cotidiano uma história literária inesquecível.

Justine tem 21 anos e vive num pequeno vilarejo da Borgonha com os avós e o primo Jules. Os pais de ambos morreram num acidente de carro quando ela era ainda criança, e o tempo, desde então, parece ter parado. Os dias sucedem-se iguais, entre o trabalho como auxiliar de enfermagem na casa de repouso Hortênsias, as noites de dança na boate local e a proximidade com Jules — mais irmão do que primo, mais parceiro de sobrevivência do que família.

É na Hortênsias que Justine encontra Hélène Hel, uma residente de quase cem anos, cuja memória ainda guarda o século inteiro. A amizade que nasce entre as duas é o coração pulsante do romance. Justine ouve, escreve, regista. Hélène recorda, confidencia, desabrocha. Aos poucos, os cadernos de Justine enchem-se de histórias de guerras, de amores perdidos, de filhos que partiram antes dos pais, de uma vida inteira vivida com a intensidade de quem nunca teve medo de sentir.

O que começa como um exercício de memória — a jovem a salvar do esquecimento as histórias da idosa — transforma-se gradualmente numa investigação silenciosa sobre a própria origem de Justine. As ligações entre o passado de Hélène e a tragédia que matou os pais da jovem começam a emergir, não como revelações bombásticas, mas como fios delicados que, puxados um a um, desfazem o tecido de silêncio que a família teceu à volta do acidente.

A grande força de Valérie Perrin está na forma como ela consegue construir personagens que parecem respirar fora das páginas. Justine é doce sem ser ingênua, resiliente sem ser heroica. Hélène é sábia sem ser paternalista, frágil sem ser coitada. E os secundários — os avós que não falam, o primo que ri para não chorar, os residentes da Hortênsias com as suas manias e as suas dores — são desenhados com uma precisão que só a empatia verdadeira consegue alcançar.

O título, Os Esquecidos do Domingo, é uma chave para o livro. Quem são os esquecidos? Talvez os idosos, abandonados em lares por famílias que os visitam cada vez menos. Talvez as crianças que perderam os pais e cresceram sem respostas. Talvez as histórias que ninguém quis ouvir. Talvez, simplesmente, todos nós — os que vivemos os dias de semana a correr e só ao domingo paramos, mas mesmo assim nos esquecemos do essencial.

Perrin escreve com uma delicadeza que desarma qualquer tipo de leitor. Não há aqui violência gráfica, não há reviravoltas artificiais, não há vilões, não há plots de tirar o fôlego. Há apenas pessoas comuns a tentar sobreviver ao que a vida lhes deu. E há, sobretudo, uma crença profunda no poder da memória — não como prisão, mas como ponte. O passado não fica para trás. Ao contrário, o passado é uma companhia. E cabe a nós, como leitores, decidir se é um peso ou uma âncora.

A crítica ao sistema de lares de idosos é sutil mas certeira. A Hortênsias não é um lugar mau; os funcionários são dedicados, os residentes são tratados com dignidade. Mas há ali uma solidão que nenhum cuidado profissional consegue preencher. A visita de um familiar, uma conversa, um toque — são esses os verdadeiros medicamentos. E quando Hélène encontra em Justine alguém disposta a ouvir, a transformação é visível. Não porque a jovem faça nada de extraordinário. Apenas porque está presente.

O final é comovente sem ser piegas. As perguntas são respondidas, mas as respostas não resolvem tudo — porque a vida, ao contrário dos romances, não se resolve. Apenas se vive. E Perrin termina o livro com uma imagem que fica na memória: a de Justine, finalmente dona da sua própria história, a olhar para o futuro não com certezas, mas com a coragem de quem já não tem medo do que vem a seguir. Esse é um sobre a memória, mas é sobretudo um romance sobre a escuta. Sobre a raridade de alguém que se senta ao nosso lado e nos ouve verdadeiramente. Sobre o que acontece quando nos permitimos contar a nossa história — e quando alguém se dispõe a guardá-la, é difícil escolher o meu livro preferido dessa autora, porque cada história dela tem um impacto muito grande e esse com certeza é mais um deles. 5/5:

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Nada será como antes. Um ciclo de 9 anos se ence Nada será como antes. 

Um ciclo de 9 anos se encerra, estamos deixando 2025 como uma roupa que não nos serve mais. Um ciclo que acabou, mas a contagem reinicia. Não como um fim, mas como uma grande libertação — o último suspiro de uma era. O Ano 9 fecha portas, sela histórias, dissolve amarras, corta o que não serve mais. Limpa o terreno.

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Não olhe para trás. O solo do ciclo passado já deu seus frutos. Virou composto. Nutriente, mas não morada. Sua energia agora é toda para a direção: para cima, para a luz. A raiz se fixa no novo agora. A semente se desfaz para se tornar planta. O Ano 1 pede desmontagem. Pedirá que você solte versões antigas, seguranças ilusórias. Pode ser desconfortável. Mas acredite, é necessário. Você não está quebrando. Está brotando.

Em 2026, ninguém verá a árvore majestosa. Talvez nem mesmo os primeiros brotos. Tudo acontecerá sob a terra, no invisível. Seu trabalho é desenvolver raízes fortes: autoconhecimento e intenção clara. O que vier depois será consequência.

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A Roda Gira: O ciclo passado acabou. Um novo destino se inicia.
Você no Centro: A Roda não gira à toa. Ela responde à sua vibração, às suas escolhas neste Ano 1. Você não é vítima do giro, é o eixo.
O destino é um campo aberto. A direção é sua.

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O 9 encerra e o 1 você RENASCE.

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