
Diane sempre sonhou com pouco: um marido, dois filhos, um trabalho que lhe fizesse sentido — mais do que jamais se permitiu desejar. Mas, no dia em que Seb a deixa, seu mundo desaba. Entorpecida pela dor, ela não percebe o outro silêncio que cresce ao seu redor: no quarto em frente, o riso de Lou se apaga.Aos dezesseis anos, Lou sofre o tumulto da adolescência e o impacto do primeiro amor perdido, uma perda que lhe arranca mais do que lágrimas. Quando Diane finalmente se dá conta, está disposta a tudo para resgatar a filha, mesmo que isso signifique revisitar um passado do qual tentou escapar.Mãe e filha caminham sobre um fio tênue, entre o que foi e o que pode ser. Sob seus passos, o turbilhão da vida ruge, e ameaça arrastar consigo as suas horas mais frágeis.
Mais um livro da Virginie Grimaldi maravilhoso do inicio ao fim que nos deixa uma centena de ensinamentos. As Horas Frágeis é aquele livro que te abraça e aperta o peito ao mesmo tempo. Aqui ela uma história dolorosamente íntima sobre uma mãe e uma filha que se desmoronam em silêncio, cada uma no seu quarto, cada uma na sua dor, sem saber que a outra também está sofrendo.
Diane sempre quis pouco: um marido, dois filhos, um trabalho com sentido. Quando o marido a abandona, o seu mundo se reduz ao tamanho de uma cama onde mal consegue sair. Lá ao lado, Lou, sua filha de 16 anos, chora o primeiro amor que se foi – e chora de uma forma que não são só lágrimas, é um apagamento. Diane demora um pouco a perceber. Mas quando percebe, está disposta a tudo para salvar a filha, mesmo que isso signifique enfrentar o próprio passado que passou a vida fingindo que não existia.
A beleza deste romance está na sua contenção. Essa autora não precisa de gritos nem de grandes tragédias, muito menos de grandes reviravoltas. Ela nos mostra o silêncio que se instala numa casa quando a dor ocupa todos os cômodos. Nos mostra uma mãe que não percebe de imediato a dor da filha porque está também muito ferida, uma filha que se afunda aos poucos. Mas depois, lentamente, duas pessoas que se reencontram não apesar da fragilidade, mas por causa dela.
O título é perfeito. As horas frágeis são aquelas horas em que tudo pode ruir – mas também aquelas em que um pequeno gesto, um olhar, uma palavra fora de tempo, pode reconstruir o que parecia irremediavelmente partido. É um livro sobre depressão e ansiedade, mas é sobretudo um livro sobre a dificuldade de pedir ajuda e sobre a coragem de a oferecer mesmo quando também estamos nos afogando.
Virginie Grimaldi recusa um melodrama fácil. Não há vilões. Não há grandes gestos cinematográficos. Há apenas o dia-a-dia deu ma mãe que não consegue levantar-se da cama, uma filha que deixa de sorrir, um pai que já não mais mora ali. E, no meio de tudo, a descoberta dolorosa de que o amor não é suficiente para salvar ninguém — mas também que, às vezes, é a única coisa que temos. O passado de Diane é revisitado com a delicadeza de quem sabe que não há como voltar atrás, apenas entender. Diane confronta as suas próprias escolhas, os sonhos que deixou para trás. Lou, por seu lado, aprende que a dor do primeiro amor não é o fim do mundo — mas que também não é menos dolorosa por ser comum. O encontro entre as duas gerações, entre as duas feridas, é o coração desse livro. Não há cura milagrosa. Há tentativa. Há dias bons e dias maus. Há, sobretudo, a descoberta de que a fragilidade não é uma vergonha, e que pedir ajuda é, muitas vezes, é o gesto mais corajoso. 5/5:







Deixe um comentário