
Em uma bela manhã de verão, Phoebe Stone resolve se hospedar na Pousada Cornwall. Logo é confundida com os outros hóspedes do hotel, convidados de um casamento particular. A noiva, que passou um ano inteiro organizando cada detalhe de seu casamento, tem certeza de que tudo está conforme o planejado. Bom, exceto pela presença de Phoebe. Mas, para a surpresa de todos, essas duas mulheres, tão diferentes entre si e em momentos de vida tão distintos, ficam cada dia mais próximas. Uma amizade improvável e inesperada que pode mudar a vida das duas.
A história começa com Phoebe Stone, uma mulher que está no fim de um casamento e numa pousada que não era suposto conhecer. O problema — ou a sorte — é que a pousada está cheia de convidados para um casamento que se vai realizar naquela mesma propriedade. E Phoebe, que não tem nada a ver com a cerimónia, é confundida com uma das hóspedes. A noiva, uma mulher que passou meses a planear cada detalhe, tem a certeza de que tudo está no lugar. Exceto Phoebe, que não devia estar ali.
Sem brincadeira, acho que esse foi o livro mais triste e ao mesmo tempo mais engraçado que eu li esse ano, se você só lê a sinopse dele vai achar que é uma história completamente clichê e sem graça, ainda mais pelo título, mas eu garanto que é um livro que você sairá diferente depois que terminar a história. O que autora faz nas páginas que se seguem é um exercício de delicadeza narrativa. Porque o que podia ser uma comédia de enganos (e tem tiradas engraçadas) transforma-se ao mesmo tempo, num retrato de duas mulheres em momentos diferentes da vida — uma que está prestes a começar um casamento e a outra que está prestes a terminar com a própria vida, e contra todas as expectativas, acabam percebendo que têm muito a oferecer uma à outra.
Phoebe é irônica, fechada, super inteligente e traz consigo o cansaço de quem já viu o amor falhar. A noiva, Lila, é o oposto: chata, narcisista, cheia de certezas que ainda não foram testadas. E é precisamente nesse choque que a amizade nasce. Não de forma forçada, nem com grandes gestos, mas nos pequenos momentos partilhados ao longo da história, sobretudo da parte de Lila que é exatamente o fluxo de consciência dos livros da Virginia Woolf porque ela simplesmente despeja em palavras tudo que lhe vem à cabeça.
A autora escreve com uma inteligência sutil. Cada diálogo é medido, cada silêncio é pesado. E há uma honestidade nas personagens, mesmo uma sendo o oposto da outra em personalidade e em fases da vida. Phoebe é alguém que podíamos conhecer, que podíamos ter sido. E a noiva, com todas as suas certezas, também. E tudo isso é colocado no livro de uma forma inteligente sem ser piegas ou com citações “prontas”.
“E talvez todos eles sejam solitários. Talvez esse só seja o significado de ser uma pessoa. Estar o tempo todo lidando com ser um único ser humano num único corpo. “
O livro é cheio de referências de Jane Eyre, Austen e Virgínia Woolf. E eu amei isso! Phoebe é uma mulher que foi a vida inteira contida em suas atitudes e mais ainda contida em suas emoções, aquela pessoa que sente vergonha se causa desconforto ao outro, que foi ensinada a praticamente ser invisível, mas quando nesses poucos dias ela começa a desabrochar, aprende a conhecer a si mesma de uma forma bonita, mas também dolorosa, acho que crescer é isso afinal de contas. Já Lila é a personagem que tem de tudo na vida, mas falta amadurecimento, juro que as vezes no livro ela era tão irritante que acabava sendo engraçada. Os personagens secundários também não bem construídos e são eles que também dão todo o mousse a história.
“Tornar-se quem você quer ser é como qualquer outra coisa. Exige prática. Exige acreditar que um dia vai acordar e fazer isso naturalmente.”
O final é o que devia ser. Fica um pouco em aberto, mas é um final possível. E isso, é mais do que suficiente. Como Arruinar um Casamento é um livro sobre o fim de um amor ou o começo dele, sobretudo do próprio. Sobre o que acontece quando as pessoas se encontram na altura errada — ou talvez na certa. E sobre a beleza das coisas que não estavam planejadas. 5/5:







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