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Livro: Jane Eyre

junho 28, 2018

“Jane Eyre, órfã de pai e mãe, vive com parentes que a desprezam até ser enviada para a instituição de caridade Lowood. Apesar das inúmeras privações que enfrenta na escola, a menina leva uma vida quase feliz e se torna forte e independente. Aos 18 anos, decide partir para Thornfield e trabalhar como preceptora de Adèle, pupila do irônico e arrogante Edward Rochester. Jane Eyre narra, além de uma comovente história de amor, a saga de uma jovem em busca de uma vida mais rica do que a sociedade inglesa do século XIX tradicionalmente permitia às mulheres. Publicado originalmente em 1847, o primeiro romance de Charlotte Brontë inspirou adaptações para o cinema e a televisão.”

Desde que eu li ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ eu fiquei interessada em saber mais sobre as irmãs Brontë. E creio que boa escrita seja um dom que vem de família mesmo porque Jane Eyre de Charlotte Brontë é uma história muito bem contada, digna realmente de um clássico. Jane Eyre desperta no leitor durante o começo do livro sentimentos de revolta e indignação, a história vai se desenrolando e vai se misturando a muitos conflitos de classes (sempre, né?) e religiosos sendo assim possível de visualizar a posição inferior da mulher nesta época da sociedade aristocrática inglesa, mas sempre com muita bravura e coragem por parte da personagem principal, que é o ponto chave crucial de Jane Eyre. Assim como Jane Austen, Charlotte Brontë e claro, não posso deixar de citar Emily Brontë também, foram mulheres muito a frente de seus tempos e que deixaram isso muito claro com seus legados através da literatura.

“Eu cuido de mim. Quanto mais solitária, quanto mais sem amigos, quanto mais desamparada estiver, mais respeitarei a mim mesma.”

Jane Eyre é considerado até hoje um livro transgressor, sobretudo por tratar a mulher não apenas como ser meigo, doce e superficial para servir como um o molde perfeito para a sociedade, mas por tratá-la como um alguém em sua essência: com emoções e anseios tão complexos e peculiares quanto os homens. Eu acabei criando uma conexão emocional muito forte com Jane Eyre e aí as vezes acho que fica difícil falar da história, acredito que eu tenha ainda uma conexão muito maior com ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ que pra mim a história como um todo foi muito mais impactante, mas Jane Eyre me arrancou suspiros e lágrimas e falou muito sobre paixão, liberdade, sobre o papel da mulher na sociedade e principalmente – talvez a lição mais importante de todo o livro – é que me fez refletir sobre o quanto é importante sermos fiéis à nossa essência e em aquilo que acreditamos. Talvez seja esse o ato mais revolucionário que podemos fazer. Certamente vai ganhar as 5/5 das xícaras, livro mais que recomendado:

todos os livros, Irmãs Brontë

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Comentários

  1. Caroline diz

    junho 28, 2018 em 6:01 pm

    Fiquei encantada com a sua resenha, será a minha próxima leitura com certeza! Obrigada pela generosidade de dividir as boas leituras conosco.
    Beijo enorme,

    Responder

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O voto é secreto, mas fica aqui uma reflexão minha O voto é secreto, mas fica aqui uma reflexão minha à vocês, de uma mulher para outra mulher:

Acho que é de consenso histórico que a Inquisição não queimou bruxas, mas sim, queimou mulheres livres com conhecimento e autonomia sobre si mesmas. 

Curandeiras. Parteiras. Ervateiras. Mulheres que dominavam o próprio corpo, a própria fé e o próprio conhecimento. A fogueira inquisitoria nunca foi sobre magia, mas sim sobre poder. Foi sobre arrancar das mãos das mulheres o saber que as tornava LIVRES.

Chamaram de feitiçaria o que era medicina. De pacto com o diabo o que era sabedoria ancestral. De heresia o que era autonomia. 

Mas afinal, aonde quero chegar com isso? 

Bom, não ironicamente, em 2026, centenas de anos depois, o projeto continua. O que mudou foram apenas os métodos:

Hoje não é a fogueira, é o silenciamento. É a psiquiatrização da nossa raiva. É a desqualificação da nossa intuição como "histeria". É o Estado legislar sobre o nosso útero. É a violência doméstica, o feminicídi0, o estupr0. E a lógica é a mesma: nos controlar, nos calar, nos domesticar.

Resgatamos o conhecimento que o patriarcado tentou apagar com fogo. Honramos as mulheres que morreram por saber e não deixamos a história ser reescrita. Recusamos a lógica que nos quer dóceis, caladas e submissas. Praticamos autonomia sobre o nosso corpo, a nossa fé e as nossas escolhas. Transformamos a dor em magia, a raiva em ação, e a memória em resistência. E em 2026, AGORA, mais do que nunca, é exatamente sobre isso! Tudo é político. 

Não pedimos licença. Não pedimos perdão. Ocupamos nosso espaço por direito, e queimamos o que não nos serve mais. Nossa morada não é quintal do seu espaço. 

Porque tudo é político quando você é MULHER. E nesse caminho ser mulher ou uma bruxa, ou os dois rs, é resistência. É feminismo. É anticolonialismo. É luta de classe. É revolução.

Somos a resposta delas, de todas nós mulheres, bruxas ou não. Somos a fogueira que não se apagou. Porque tudo é político quando você é mulher.
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