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Livro: Siga como um rio

janeiro 6, 2026

“Uma história de luta, ternura e redenção que acompanha o amadurecimento de uma menina num mundo de homens.” – Tiffany Quay Tyson, autora de The Past Is Never Inspirado nos acontecimentos verídicos em torno da destruição da cidade de Iola nos anos 1960, Siga como um rio é a história de um amor avassalador, de pessoas que seguem em frente, fluindo e carregando tudo pelo caminho, ainda que diante de tantos obstáculos. “Uma história inspiradora e simplesmente inesquecível construída com profundo lirismo.” – Bonnie Garmus, autora de Uma questão de química Victoria Nash é apenas uma adolescente na década de 1940, mas já é responsável por todos os afazeres da casa, numa fazenda de pêssegos na cidadezinha de Iola, no Colorado – a única mulher num lar de homens cheios de problemas. Wilson Moon é um jovem andarilho de passado misterioso. Longe de seu povo, ele está determinado a levar a vida do próprio jeito. Numa cidade marcada por racismo e preconceito, o encontro fortuito dos dois é um divisor de águas, fazendo nascer uma paixão proibida e repleta de perigos. Victoria acaba sendo obrigada a fugir para as montanhas e a sobreviver na natureza, sem a mínima ideia do que o futuro lhe reserva. À medida que as estações passam, ela também vê as mudanças em si mesma, encontrando na beleza selvagem o sentido e a força para reconstruir a vida, mesmo quando o rio Gunnison ameaça submergir sua terra natal.

Siga como um Rio, de Shelley Read, é um daqueles livros que eu queria que tivesse mais mais mil páginas, foi meu primeiro livro concluído de 2026 e é um romance que se desenrola com a paciência e a força de um rio de montanha — lírico, profundo e transformador. Baseado em eventos reais que levaram ao desaparecimento da cidade de Iola, no Colorado, a narrativa é muito mais do que uma história de amor proibido: é um hino à resiliência feminina, uma ode à natureza selvagem e uma meditação sobre como seguimos em frente mesmo quando o mundo ao nosso redor desaba.

Na pacata Iola dos anos 1940, Victoria Nash carrega sobre os ombros, ainda adolescente, o peso de uma fazenda de pêssegos e de um lar composto apenas por homens marcados pela guerra e pela dor. Sua vida é um ciclo previsível de trabalho e solidão, até cruzar o caminho de Wilson Moon, um jovem nativo americano errante, de espírito livre e passado envolto em mistério.

Em uma comunidade pequena e tomada por preconceitos, a atração instantânea e pura entre os dois é um raio em céu sereno — intensa, iluminadora e perigosíssima. Forçada a uma fuga desesperada para as montanhas após uma tragédia, Victoria se vê lançada à mercê da natureza implacável. Sozinha, ela precisará aprender a lição mais importante do rio que dá nome ao livro: fluir. Fluir porque um rio não volta, ele só segue em frente. Sua transformação de menina obediente em mulher selvagem, enquanto as estações passam e o progresso, na forma de uma imensa barragem, ameaça submergir tudo o que ela conheceu.

A prosa de Shelley Read é sensorial e poética. Cada capítulo é uma imersão nas montanhas do Colorado: o cheiro dos pêssegos maduros, o frio cortante do rio Gunnison, a textura da terra, o silêncio absoluto da floresta. A natureza não é apenas cenário; mas sobretudo a força que molda Victoria, ensinando-lhe sobre morte, renascimento e a quieta, persistente força da vida.

Victoria não é uma heroína que se rebela com discursos. Sua força é quieta, orgânica e prática. Sua transformação acontece no plantar de uma semente, na construção de um abrigo, na coragem de seguir vivendo. É um retrato comovente e realista da resistência feminina em um mundo que não lhe deu espaço. Wilson Moon foi o catalisador do livro, não o destino final da história. Ele representa liberdade, beleza e uma visão de mundo diferente. Sua ausência não paralisa Victoria; pelo contrário, a semente de coragem que ele plantou nela cresce e frutifica de maneira autônoma.

A ameaça da barragem e o alagamento de Iola funcionam como uma metáfora para a perda, a memória e a passagem do tempo. A luta de Victoria para salvar sua terra (física e emocional) é um comovente embate entre o antigo e o novo, o lar e o desconhecido. A escrita de Shelley Read é deslumbrante. Ela consegue capturar a grandeza da paisagem e a intimidade da dor com a mesma precisão poética. É um livro para ser lido devagar, saboreado, como se estivesse bebendo água fria de um riacho.

Siga como um Rio não é um livro sobre grandes reviravoltas ou dramas acelerados e isso pra mim foi a grande beleza desse livro. É uma experiência literária contemplativa e profundamente comovente. Fala sobre perda, sim, mas principalmente sobre como carregamos dentro de nós as paisagens e os amores que nos moldaram, e como podemos, como um rio, seguir cortando nosso próprio caminho, mesmo através da rocha mais dura. É uma história sobre enraizamento e fluxo. Sobre aprender que, às vezes, sobreviver é a maior forma de amor. Acredito que quem leu “Um lugar bem longe daqui” certamente iria gostar deste livro. O final ficou em aberto e com certeza se tivesse uma sequência, teríamos outra ótima história. Favoritado. 5/5:

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O voto é secreto, mas fica aqui uma reflexão minha O voto é secreto, mas fica aqui uma reflexão minha à vocês, de uma mulher para outra mulher:

Acho que é de consenso histórico que a Inquisição não queimou bruxas, mas sim, queimou mulheres livres com conhecimento e autonomia sobre si mesmas. 

Curandeiras. Parteiras. Ervateiras. Mulheres que dominavam o próprio corpo, a própria fé e o próprio conhecimento. A fogueira inquisitoria nunca foi sobre magia, mas sim sobre poder. Foi sobre arrancar das mãos das mulheres o saber que as tornava LIVRES.

Chamaram de feitiçaria o que era medicina. De pacto com o diabo o que era sabedoria ancestral. De heresia o que era autonomia. 

Mas afinal, aonde quero chegar com isso? 

Bom, não ironicamente, em 2026, centenas de anos depois, o projeto continua. O que mudou foram apenas os métodos:

Hoje não é a fogueira, é o silenciamento. É a psiquiatrização da nossa raiva. É a desqualificação da nossa intuição como "histeria". É o Estado legislar sobre o nosso útero. É a violência doméstica, o feminicídi0, o estupr0. E a lógica é a mesma: nos controlar, nos calar, nos domesticar.

Resgatamos o conhecimento que o patriarcado tentou apagar com fogo. Honramos as mulheres que morreram por saber e não deixamos a história ser reescrita. Recusamos a lógica que nos quer dóceis, caladas e submissas. Praticamos autonomia sobre o nosso corpo, a nossa fé e as nossas escolhas. Transformamos a dor em magia, a raiva em ação, e a memória em resistência. E em 2026, AGORA, mais do que nunca, é exatamente sobre isso! Tudo é político. 

Não pedimos licença. Não pedimos perdão. Ocupamos nosso espaço por direito, e queimamos o que não nos serve mais. Nossa morada não é quintal do seu espaço. 

Porque tudo é político quando você é MULHER. E nesse caminho ser mulher ou uma bruxa, ou os dois rs, é resistência. É feminismo. É anticolonialismo. É luta de classe. É revolução.

Somos a resposta delas, de todas nós mulheres, bruxas ou não. Somos a fogueira que não se apagou. Porque tudo é político quando você é mulher.
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