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09 maio, 2019

Livro: O Caminho Para Casa

Durante 18 anos, Jude pôs as necessidades dos filhos em primeiro lugar, e o resultado disso é que seus gêmeos, Mia e Zach, são adolescentes felizes. Quando Lexi começa a estudar no mesmo colégio que eles, ninguém em Pine Island é mais receptivo que Jude. Lexi, uma menina com um passado de sofrimento, criada em lares adotivos temporários, rapidamente se torna a melhor amiga de Mia. E, quando Zach se apaixona por ela, os três se tornam companheiros inseparáveis.
Jude sempre fez o possível para que os filhos não se metessem em encrenca, mas o último ano do ensino médio, com suas festas e descobertas, é uma verdadeira provação. Toda vez que Mia e Zach saem de casa, ela não consegue deixar de se preocupar.
Em uma noite de verão, seus piores pesadelos se concretizam. Uma decisão muda seus destinos, e cada um deles terá que enfrentar as consequências – e encontrar um jeito de esquecer ou coragem para perdoar.
O caminho para casa aborda questões profundas sobre maternidade, identidade, amor e perdão. Comovente, transmite com perfeição e delicadeza tanto a dor da perda quanto o poder da esperança. Uma história inesquecível sobre a capacidade de cura do coração, a importância da família e a coragem necessária para perdoar as pessoas que amamos.

Eu vou dizer uma coisa pra vocês: pra quem ama um dramalhão, daqueles dramas mesmo bem contados, eu recomendo muito os livros de Kristin Hannah porque essa mulher foi um achado pra mim, só teve um livro dela que eu não gostei tanto como queria e ainda acho que em parte por culpa minha por ter “lido errado”, mas Kristin Hannah de fato é uma escritora que foi uma feliz descoberta para mim, justamente por amar esse tipo de gênero.

O Caminho Para Casa é um livro que fala sobre perdas e o perdão. É uma história forte que com a narrativa da autora, você não consegue largar o livro. Drama dos bons. Jude é a mãe super protetora de Mia e Zach que são gêmeos e como todos gêmeos – apesar de personalidades bem diferentes, são super ligados daquela maneira que só os gêmeos são. Após a chegada de Lexi – uma garota órfã que já foi devolvida de diversos lares, Mia e Lexi se tornam quase que instantaneamente melhores amigas e pouco tempo depois Lexi e Zach começam a namorar, juntos, eles formam um trio inseparável até que numa noite de verão uma tragédia acontece e aí eu não vou contar mais pra não correr o risco de ficar soltando spoilers.

“Em um mar de lamentação, havia ilhas de bençãos, instantes no tempo que nos lembravam do que ainda tínhamos, em vez de tudo o que tínhamos perdido.”

Este é um livro que conta uma história sobre a dor da perda, do luto, o perdão, a amizade e do amor. Dizendo assim parece até mais uma daquelas histórias que é “mais do mesmo”, mas como eu sempre faço questão de dizer aqui – Kristin Hannah tem o dom de transformar um assunto cotidiano numa grande história, não é a toa que ela entrou pra minha lista de escritoras preferidas desde O Rouxinol. 5/5 xícaras:

30 abr, 2019

Livro: Uma Curva no Tempo

“A noite do acidente mudou tudo… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim… Ou funciona?

A noite do acidente foi uma grande sorte… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?”

Esse livro não é necessariamente uma história de amor, bom, fala também, mas não é o ponto central. Rachel é a personagem principal e o livro fala sobre perda, escolhas, a importância da família e o quanto, muitas vezes, seria tudo completamente diferente de ter uma segunda chance na vida pra poder fazer o certo. Eu meio que tinha me ligado de como seria o final numa determinada parte da história, mas mesmo já tendo uma ideia, eu fiquei emocionada com o o final que teve, principalmente pela autora colocar de uma forma tão sensível, porém bem impactante. Não é uma das melhores histórias que já li, mas é uma leitura bem fluída e com um final bem legal: 4/5 xícaras:

25 abr, 2019

Livro: Um Teto Todo Seu

“Em Um teto todo seu, este clássico ensaio que veio a se tornar um texto feminista fundamental, Virginia Woolf discute a necessidade de as mulheres escritoras conquistarem seu espaço, tanto literal quanto metafórico, dentro de um universo dominado por homens. A escritora pontua em que medida a posição que a mulher ocupa na sociedade acarreta dificuldades para a expressão livre de seu pensamento, para que essa expressão seja transformada em uma escrita sem sujeição e, finalmente, para que essa escrita seja recebida com consideração, em vez da indiferença comumente reservada à escrita feminina na época.

Imaginando, por exemplo, qual seria a trajetória da irmã de Shakespeare – caso o famoso escritor tivesse uma e ela fosse tão talentosa quanto o irmão –, Woolf descortina ao leitor um cenário em que as mulheres dispunham de menos recursos financeiros que os homens e reduzido prestígio intelectual. Será que à irmã de Shakespeare seria dada a mesma possibilidade de trabalhar com seu potencial criativo? Como o papel social destinado aos dois sexos interfere no desenvolvimento (ou na falta) de uma habilidade nata?

Virginia mostra como, na época, a elaboração da competência de uma pessoa dependia de seu sexo, uma vez que a sociedade reservava aos homens e às mulheres papéis, atribuições e concessões bastante distintas. A maioria das mulheres não dispunha da liberdade e da privacidade necessárias para ter um lugar próprio para refletir e laborar na escrita. Daí a afirmação da escritora de que“uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu se quiser escrever ficção”. Uma mulher precisa ter condições financeiras e espaço para pôr-se a contemplar suas ideias e colocá-las no papel.”

Meu primeiro livro de Virginia Woolf. E “Um Teto Todo Seu” já fez me apaixonar por essa mulher/escritora tão a frente do seu tempo. Esse livro se trata de um ensaio que ela escreveu em 1929 e foi transformado em diversas palestras em que inicialmente foi intitulado como “A Mulher a Ficcção”. Virginia com um senso de humor afiadíssimo nos mostra como mulheres eram impedidas de se expressar devido sua pobreza e como eram subjugadas pelos homens e família simplesmente por serem mulheres.

Para ilustrar isso ela cria uma personagem ficcional – Judith, irmã de Shakespeare – para nos exemplificar de uma forma clara que uma pessoa com os mesmos talentos de Shakespeare e que teria o mesmo dom (quicá até mais) para desenvolver obras incríveis, mas que seria negada e teriam todas as portas fechadas pelo simples fato de ser mulher.

“[..] é impensável que qualquer mulher nos dias de Shakespeare tivesse tido o dom de Shakespeare. Porque um gênio como o de Shakespeare não surgia entre pessoas trabalhadoras, sem educação formal, servis. Não nascia na Inglaterra entre os saxões e bretões. Não surge hoje entre as classes trabalhadoras. Como, então, poderia surgir entre mulheres cujo trabalho começava, de acordo com o professor Trevelyan, pouco antes de deixarem o berço, e ao qual eram impelidas pelos pais e obrigadas pelo poder da lei e dos bons costumes? Ainda assim, gênios desse tipo hão de ter existido entre as classes trabalhadoras.”

A mulher não tinha o direito de escrever, de criar, de ter acesso aos livros, de ter uma imaginação… Uma mulher que ousasse isso seria tratada como louca, subjugada por todos, inclusive pela família, afinal o papel da mulher nesses tempos era apenas cuidar da casa e dos filhos. Esta passagem escrita por Virginia Woolf está repleta de simbolismo: “troque ‘dinheiro’ por ‘validação social’ e ‘um teto todo seu’ por ‘liberdade intelectual’ e provavelmente você terá encontrado os motivos pelos quais não há tantos romances, poemas, peças ou estudos escritos por mulheres ao longo da história.” De maneira clara Virgínia nos mostra nesse ensaio que para se escrever toda mulher precisa ter um teto todo seu e uma renda. Essa importância de se ter um espaço próprio – de preferência que se possa trancar com chave para que ninguém lhe interrompa é o começo do caminho para que a mente esteja tranquila para toda mulher poder se expressar livremente.

“A liberdade intelectual depende de coisas materiais. A poesia depende da liberdade intelectual. E as mulheres sempre foram pobres, não só por duzentos anos, mas desde o começo dos tempos. As mulheres gozam de menos liberdade intelectual do que os filhos dos escravos atenienses. As mulheres, portanto, não tiveram a mais remota chance de escrever poesia. […] No entanto, graças à labuta das mulheres obscuras do passado, de quem eu gostaria de saber mais, graças, curiosamente, a duas guerras – a da Crimeia, que permitiu que Florence Nightingale saísse de casa, e a Europeia, que abriu as portas para a mulher comum cerca de sessenta anos mais tarde –, esses males estão prestes a ser corrigidos. Não fosse assim, vocês não estariam aqui esta noite, e a sua chance de ganhar quinhentas libras por ano, por mais precária que ainda seja, seria extremamente minúscula.”

Virginia não enaltece a mulher em detrimento do homem, diferente de muitos textos/artigos feministas que lemos, principalmente dos nossos tempos atuais. Para ela ambos podem escrever bons livros (e cita ótimos autores também), desde que esqueçam seu gênero e escrevam livres disso.

“A literatura está aberta a todos. Recuso-me a permitir que você, mesmo que seja um bedel, me negue acesso ao gramado. Tranque as bibliotecas, se quiser; mas não há portões, nem fechaduras, nem cadeados com quais você conseguirá trancar a liberdade do meu pensamento.”

“Seria mil vezes uma pena se as mulheres escrevessem como os homens, ou vivessem como eles, ou se parecessem com eles, pois se dois sexos é bastante inadequado, considerando a vastidão e variedade do mundo, como faríamos com apenas um?”

Por diversas vezes Virginia nos apresenta diversos pensamentos simples mas bem pertinentes sobre as obras de Jane Austen, Charlotte Brontë, Emily Brontë, George Elliot. Percebi, inclusive, que Virginia gostava especialmente da coragem de Charlotte Brontë quando escreveu Jane Eyre. Mulheres que criaram romances incríveis, autoras de clássicos lidos até hoje, mas que poderiam ser ainda melhores e teriam escrito muito mais se tivessem mais liberdade de espaço e liberdade intelectual pra tal. Fiquei por muito tempo pensando sobre isso. Eu destaquei diversos trechos desse livro que os coloquei entre a resenha desse post. É muito complexo de falar de uma autora/mulher incrível que escreveu uma obra tão densa como essa – no sentido de ter muitas coisas pra se absorver mesmo e nos impacta tanto que foi exatamente dessa forma que esse livro foi pra mim, certamente irei ler todas as suas outras obras.

“Jane Austen escondia seus manuscritos ou cobria-os com um pedaço de mata-borrão. Bom, até então, todo o treinamento literário que uma mulher tinha no começo do século XIX consistia em exercitar a observação de personagens, a análise das emoções. Sua sensibilidade foi lapidada por séculos pelas influências da sala de estar comum. Os sentimentos das pessoas a afetavam; suas relações pessoais estavam sempre diante de seus olhos. Por essa razão, quando a mulher de classe média decidiu escrever, naturalmente escrevia romances, ainda que, como se mostra evidente, duas das quatro mulheres famosas aqui mencionadas não fossem romancistas por natureza. Emily Brontë deveria ter escrito peças de teatro poéticas; a fertilidade da mente capacitada de George Elliot deveria ter se espalhado na época em que o impulso criativo era gasto com história ou biografia. Elas, porém, escreveram romances, é possível até, digo eu retirando Orgulho e preconceito da prateleira, ir além e afirmar que elas escreveram bons romances. Sem fazer alarde ou ofender o sexo oposto, é possível dizer que Orgulho e preconceito é um bom livro. De qualquer forma, ninguém se envergonharia de ser flagrado escrevendo Orgulho e preconceito. No entanto, Jane Austen agradecia quando uma dobradiça rangia, o que lhe permitia esconder seu manuscrito antes que qualquer pessoa entrasse. Para Jane Austen, havia algo desonroso no ato de escrever Orgulho e preconceito. E indaguei-me, Orgulho e preconceito teria sido um romance melhor se Jane Austen não achasse necessário esconder seu manuscrito das visitas?”

“Quando lemos sobre o afogamento de uma bruxa, sobre uma mulher possuída por demônios, sobre uma feiticeira que vendia ervas ou mesmo sobre um homem muito notável e sua mãe, então acho que estamos diante de uma romancista perdida, de uma poeta subjugada, uma Jane Austen muda e inglória, uma Emily Brontë que esmagou o cérebro em um pântano ou que vivia vagando pelas ruas, enlouquecida pela tortura que seu dom lhe impunha. Na verdade, arrisco-me a dizer que Anônimo, que escreveu tantos poemas sem cantá-los, com certeza era uma mulher.”

O final desse ensaio é tocante. Afinal Virginia conclui nos encorajando a escrever todo tipo de livro/textos/pensamentos, não hesitando diante de nenhum tema – por mais trivial possa parecer… E espera que tenhamos dinheiro suficiente para viajar, conhecer o mundo, ter experiências e claro! Um teto todo nosso. 5/5 xícaras com louvor:

18 abr, 2019

Livro: Resistência

Auschwitz, 1944. As gêmeas Pearl e Stasha têm 12 anos quando desembarcam no campo de concentração nazista na Polônia. à medida que conhecem o horror e têm suas identidades fraturadas pela dor e sofrimento, tentam confortar uma à outra e criam códigos e jogos para se proteger e recuperar parte da infância deixada para trás. Mas quando Pearl desaparece sem deixar pistas, Stasha se recusa a acreditar que a irmã esteja morta e embarca numa jornada desesperada em busca de justiça, paz e de si mesma. Livro notável pelo The New York Times; Livro do Ano pela Amazon e pela Publishers Weekly; indicação de leitura dos principais veículos de imprensa norte-americanos, Resistência narra, com uma voz poderosa e única, a trajetória de duas irmãs lutando pela sobrevivência em um dos períodos mais devastadores da história contemporânea e mostra que há beleza e esperança até diante do caos.

Apesar de um tema sombrio e pesado esse foi um dos livros mais lindo que eu li esse ano. Ele foi tão lindamente escrito que chega a ser poético da forma como foi contada a história. Resistência conta a história das gêmeas Pearl e Stasha que caíram nas mãos de Josef Mengele – o médico mundialmente conhecido por suas cruéis experiências em crianças sobre a premissa de expandir seus estudos sobre genetica, não é a toa que era conhecido como o Anjo da Morte e retratado em muitos livros desse tema. Pearl e Stacha são gêmeas inseparáveis, daquele tipo que sente o que a outra sente, conhece os pensamentos e que compartilham das sensações e segredos sem precisar trocar uma palavra. A narrativa é feita em primeira pessoa pelas duas meninas que vão se intercalando entre os capítulos e a segunda parte do livro é o pós guerra. É uma história que fala sobre medo, a tortura, o ódio, vingança mas também sobre a inocência, amor, cumplicidade, amizade e transformando tudo isso numa verdadeira resistência.

“Mas aquele pedaço de terra não podia ser dominado. Alguns afirmavam que poderíamos vencê-la se entendêssemos sua perversidade por completo. Mas sempre que começávamos a entender o mal, o próprio mal aumentava.”

“A ideia de que a maldade torna uma pessoa mais forte do que as pessoas boas é um equivoco muito comum.”

Resistência não vai detalhar o experimentos ou o sofrimento físico delas daquela maneira crua e direta muito comum nos livros da Segunda Guerra, é um livro muito mais voltado pra emoção e sensações e eu fiquei apaixonada pela escrita de Affinity Konar justamente por isso, como eu disse – mesmo escrevendo sobre um período tão obscuro e tão triste, ela conseguiu expressar o máximo das personagens de uma maneira tão sensível que chega a ser poética. Sem duvida alguma coisa um dos livros mais lindos que eu li esse ano.

“Em meu rosa fetal, tive de encarar essa verdade: sem ela eu seria apenas um pedaço, uma coisa sem valor algum, um ser humano incapaz de amar.”

A autora se inspirou na vida das irmãs Miriam e Eva Mozes que viveram em Auschwitz e sofreram com os experimentos de Mengele. Elas sobreviveram, mas inevitavelmente tiveram a sequelas e doenças como câncer, falência dos rins, além de Eva sofrer diversos abortos espontâneos – tudo por consequência desses terríveis experimentos. Entrou pra minha lista dos preferidos – 5/5 xícaras:

09 abr, 2019

Livro: A Grande Solidão

Alasca, 1974. Imprevisível. Implacável. Indomável. Para uma família em crise, o último teste de sobrevivência.
Atormentado desde que voltou da Guerra do Vietnã, Ernt Allbright decide se mudar com a família para um local isolado no Alasca. Sua esposa, Cora, é capaz de fazer qualquer coisa pelo homem que ama, inclusive segui-lo até o desconhecido. A filha de 13 anos, Leni, também quer acreditar que a nova terra trará um futuro melhor.
Num primeiro momento, o Alasca parece ser a resposta para tudo. Ali, os longos dias ensolarados e a generosidade dos habitantes locais compensam o despreparo dos Allbrights e os recursos cada vez mais escassos. Porém, o Alasca não transforma as pessoas, ele apenas revela sua essência. E Ernt precisa enfrentar a escuridão de sua alma, ainda mais sombria que o inverno rigoroso. Em sua pequena cabana coberta de neve, com noites que duram 18 horas, Leni e a mãe percebem a terrível verdade: as ameaças do lado de fora são muito menos assustadoras que o perigo dentro de casa.
A Grande Solidão é um retrato da fragilidade e da resistência humana. Uma bela e tocante história sobre amor e perda, sobre o instinto de sobrevivência e o aspecto selvagem que habita tanto o homem quanto a natureza

Excelente história. Eu gostei tanto desse livro. Depois do Jardim de Inverno que não me ganhou muito, Kristin Hannah mais uma vez me surpreendeu positivamente com suas histórias. Ela faz uma descrição impecável do Alasca e do modo de vida das pessoas que vivem lá. Selvagem, pra dizer o mínimo. O Alasca é um lugar que te transforma. Os personagens são ótimos, todos complexamente muito bem construídos, especialmente Leni. Aliás são três pessoas – Ernt, Cora e Leni. Pai, mãe e filha. Esses são os principais personagens dessa narrativa, uma família que após se mudar de tantos lugares depois da volta do pai mudado no pós a guerra, eles tentam ser uma família normal dessa vez no Alasca. A história não tem um tema fácil de digerir porque trata de relacionamentos abusivos, agressão… Mas também há amor de verdade, felicidade, amadurecimento, resiliência. Eu recomendo muito porque Kristin Hannah tem uma maneira incrível de arrancar o melhor de histórias triviais. 5/5 xícaras:

“Para nós poucos, os vigorosos, os fortes, os sonhadores, o Alasca é nosso lar, sempre e para sempre, a canção que você escuta quando o mundo está imóvel e silencioso. Ou você é selvagem e indomável e pertence a este lugar, ou não.”

18 mar, 2019

Livro: O Menino do Vagão

“Uma fantástica história de amizade nascida através do sacrifício e da necessidade de sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial.

Durante a ocupação nazista na Holanda, Noa, uma jovem de apenas 16 anos, engravida de um soldado alemão. Contra a sua vontade, ela é obrigada a entregar seu bebê recém-nascido para a adoção e é praticamente abandonada em um cenário de guerra e destruição. Em busca de abrigo, ela chega em uma pequena estação de trem no interior da Alemanha onde, em troca de comida e um lugar para dormir, ela passa a trabalhar.
Até que em uma fria noite de inverno, Noa descobre um vagão de trem repleto de crianças judias roubadas de seus pais, com destino a um campo de concentração. Em um momento que mudará toda a sua vida, ela decide salvar um dos bebês judeus. E, talvez, recuperar a esperança que foi levada junto com o seu filho. Começa assim, a sua jornada em busca da liberdade.

Em O Menino do Vagão, Pam Jenoff constrói personagens inesquecíveis e emocionantes para nos oferecer o poder que só uma ficção poderosa consegue criar: o olhar do passado para refletirmos o futuro e o que significa, verdadeiramente, sermos humanos.”

Apesar do título do livro, o foco da história é sobre a amizade de Astrid e Noa nos tempos de guerra. Os capítulos dos livros são alternados entre as narrações dessas duas personagens que, após a chegada de Noa, passam a trabalhar juntas como trapezistas em um circo cujo dono abrigou alguns judeus. O menino do vagão em questão é Theo, o bebê que é encontrado com Noa e que acaba sendo o elo de toda a história. Cada uma tem seus próprios obstáculos e frustrações para lidar, Astrid é um pouco mais velha e mais experiente ao passo que Noa é mais ingênua e em alguns momentos, por tentar fazer o bem, acaba prejudicando Astrid em algumas situações. Além das duas, também há outros personagens: Peter, Luc, Herr Neuhoff – o dono do circo.

“– Astrid, eu ainda estou sem entender. Mesmo com as coisas tão ruins, simplesmente desistir assim…
– Não julgue – digo, a repreensão em minha voz mais aguda do que pretendia. – Às vezes, esconder-se o tempo todo acaba ficando insuportável.”

O Menino do Vagão é uma obra ficcional, mas que foi inspirada em alguns acontecimentos da segunda guerra: houve sim o vagão com bebês judeus que foram tirados de suas famílias, houve também um circo cujo dono abrigava judeus. Eu ia dar 4 xícaras porque acredito que alguns detalhes da narrativa não precisavam estar na história, mas autora entregou uma escrita bem cadenciada, com capítulos bem fluídos e um final emocionante, então vai as 5/5 xícaras:

14 mar, 2019

“Toda Luz Que Não Podemos Ver” vai virar série

Toda Luz Que Não Podemos Ver é da minha lista de livros top preferidos. Eu lembro o quanto fiquei emocionada com essa história e do quanto indiquei esse livro pra tanta gente. Pois bem, a notícia maravilhosa que li hoje compartilhada pelo GoodReads é que os mesmos produtores de Stranger Things compraram a história e o livro vai virar série do Netflix. A gente sabe que series/filmes nunca são fielmente incríveis como livro, mas produções da Netflix geralmente não costumam me decepcionar e eu fiquei bem empolgada com a notícia.

Por enquanto ainda não há datas ou maiores informações, mas o que eu souber, vou compartilhando aqui. Enquanto isso você pode conferir a resenha que fiz há uns anos atras aqui ou se animar pra ler com alguns dos trechos:

“O cérebro obviamente está fechado em escuridão total crianças”, diz a voz, “Ele flutua em um líquido claro dentro do crânio, nunca na luz. No entanto, o mundo que constrói na mente é repleto de luz. Ele transborda cores e movimento. Então, crianças, como o cérebro, que vive sem uma centelha de luz, constrói para nós um mundo iluminado?” (…) “Abram os olhos”, conclui o homem, “e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre.”

“Todos nós passamos a existir de uma única célula, menor do que um grão de areia. Muito menor. Dividir. Multiplicar. Somar e subtrair. A matéria muda de sentido, os átomos flutuam para dentro e para fora, as moléculas giram, as proteínas se grudam umas nas outras, as mitocôndrias transmitem ordens oxidantes; começamos como uma aglomeração elétrica microscópica. Os pulmões, o cérebro, o coração. Quarenta semanas mais tarde, seis trilhões de células se espremem através das nossas mães e soltamos um berro. Só então o mundo começa para nós”

07 mar, 2019

Livro: Americanah

“Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra.

Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.

Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.”

É sempre muito difícil falar de um livro quando a história supera muito as expectativas e o escritor mais uma vez se mostra brilhante, a gente sempre acha que está correndo o risco de não conseguir passar o quão a história foi boa e impactante e eu fico muito agradecida e feliz quando um livro me surpreende tão positivamente assim como foi Americanah pra mim.

É o segundo livro de Chimamanda que leio, o primeiro foi Hibisco Roxo que é fantástico, mas Americanah foi ainda melhor. É um livro de 520 páginas, no começo a história leva um tempinho pra engatar, mas depois que vai você nem percebe o tanto que já avançou na história. A base de Americanah gira em torno da vida de Ifemelu e Obinze – primeiramente juntos, depois seguindo vidas diferentes e assim vai…

“Não conseguiam entender por que as pessoas como ele, criadas com todo o necessário para satisfazer suas necessidades básicas, mas chafurdando na insatisfação, condicionadas desde o nascimento a olhar para outro lugar, eternamente convencidas de que a vida real acontecia nesse outro lugar, agora estavam resolvidas a fazer coisas perigosas, ilegais, para poder ir embora, sem estar passando fome, ter sido estupradas nem estar fugindo de aldeias em chama. Apenas famintas por escolhas e certezas.”

Americanah é um livro forte ou como diria Obinze: “isso parece poesia”. Muito atual com os tempos de hoje que aborda questões sobre racismo, imigração, diversos tipos de preconceitos, questões de gênero, choques culturais e que nos fazem refletir em muitos momentos o quanto o racismo ainda é infelizmente muito incrustado na nossa mente – seja de uma forma camuflada ou abertamente descarada. Americanah é uma história recheada de pequenos clímax (acredito que seja também por isso que flui tão bem), daqueles que de tão uma incerteza imensa de como vamos levar alguma situação ou como vai se resolver certo problema.

Os personagens se auto conhecem, se desenvolvem, mudam, fazem coisas que antes diziam que jamais fariam. Nos pegamos concordando com coisas absurdas, porque de repente estamos na pele de Obinze e Ifemelu. Chimamanda retratou Americanah da forma honesta possível a situação do imigrante negro e todas as temáticas do racismo, xenofobia e a discriminação que uma mulher negra sofre morando em um país estrangeiro. E fiquem tranquilos, não é uma história pra “lacrar”, aliás, está bem longe disso. Americanah é uma leitura essencial para qualquer pessoa, TODOS deveriam ler. Chimamanda é sem duvida uma das melhores escritoras da nossa atualidade.

5/5 xícaras:

15 fev, 2019

Livro: O Tatuador de Auschwitz

“Nesse romance histórico, um testemunho da coragem daqueles que ousaram enfrentar o sistema da Alemanha nazista, o leitor será conduzido pelos horrores vividos dentro dos campos de concentração nazistas e verá que o amor não pode ser limitado por muros e cercas.

Lale Sokolov e Gita Fuhrmannova, dois judeus eslovacos, se conheceram em um dos mais terríveis lugares que a humanidade já viu: o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. No campo, Lale foi incumbido de tatuar os números de série dos prisioneiros que chegavam trazidos pelos nazistas – literalmente marcando na pele das vítimas o que se tornaria um grande símbolo do Holocausto. Ainda que fosse acusado de compactuar com os carcereiros, Lale, no entanto, aproveitava sua posição privilegiada para ajudar outros prisioneiros, trocando joias e dinheiro por comida para mantê-los vivos e designando funções administrativas para poupar seus companheiros do trabalho braçal do campo.

Nesse ambiente, feito para destruir tudo o que tocasse, Lale e Gita viveram um amor proibido, permitindo-se viver mesmo sabendo que a morte era iminente.”

Eu ganhei esse livro de presente de Natal de duas amigas muito queridas. E gente… Que história. “O Tatuador de Auschwitz” é a história de Lale – um jovem judeu, que fora recrutado aos 24 anos para trabalhar em um campo de concentração. E mesmo com todas as atrocidades de um campo de concentração, Lale conhece Gita e se apaixona por ela, a partir daí manter-se vivo é uma promessa que Lale faz a Gita, manter-se vivo é o único caminho (mesmo que incerto) a seguir, uma forma de rebeldia aos horrores da guerra e é nesse contexto que toda a história de desenrola.

É uma narrativa dolorida de se ler. Dormir sem saber se existirá um amanhã é devastador, acho que nenhum de nós consegue imaginar como é isso. Mas Lale sempre se mantém esperançoso e ainda consegue passar essa esperança para outras pessoas. “O Tatuador de Auschwitz” é uma história pesada, cheia de perdas, crueldade e incertezas como toda história de Segunda Guerra.

É uma história real também, a autora entrevistou Lale durante 3 anos e segundo ela, Lale tinha “um senso de culpa equivocado” pois temia que as pessoas o vissem como um colaborador dos nazistas devido a sua atividade exercida em Auschwitz e isso o atormentou até a velhice, somente seus amigos mais chegados sabiam da sua história. Lale faleceu em 2006 e Gita em 2003. “O Tatuador de Auschwitz” é um livro curto, mas carregado de emoção e apesar de tudo, uma história de amor que sobreviveu a guerra. Vai ganhar 5/5 das xícaras:

“Quando passamos anos sem saber se daqui a cinco minutos estaremos vivos, não há nada com que não possamos lidar.”

Lale e Gita

05 fev, 2019

Livro: Jardim de Inverno

“Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas. A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história. Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são.”

Em algum post de livros que escrevi aqui, eu havia comentado o quanto adoro os livros de Kristin Hannah, ela é uma ótima escritora, daquelas que te envolve com a história do começo ao fim, mas preciso ser franca em dizer que não foi o que aconteceu com esse livro, muito embora ele tenha ótimas resenhas tanto no GoodReads como no Skoob. Eu demorei pra terminar e a história, apesar de muito boa, teve uma narrativa que não me prendeu. A história gira em torno de 3 personagens: uma mãe e duas filhas e que são completamente diferentes uma da outra – até aí bem legal, porque gosto de histórias assim, porém a história vai se mesclando com a história do passado da mãe – fria e muito distante das filhas e que é contada como um conto de fadas e isso não me rendeu, não me animou pra continuar o que é uma pena porque eu estava com bastante expectivas sobre essa história. Talvez não era ainda o momento de ler essa história, vai saber. Livros são muito pessoais e cada um tem uma impressão diferente, né?

De qualquer forma eu recomendo a leitura do Jardim porque, veja bem, ele não é ruim, só não me prendeu mesmo e pode ser que com você seja diferente. Outros livros de Kristin Hannah que recomendo muito: “O Rouxinol” e “As Cores da Vida.”

Jardim de Inverno vai ganhar só 3 das 5 xícaras:

23 jan, 2019

Livro: A Bibliotecária de Auschwitz

Muitas histórias do horror e sofrimento testemunhados dentro dos campos de concentração nazistas são contadas e recontadas, já estão gravadas e arquivadas. É difícil, nesses relatos, encontrar atos de esperança e força diante de todo o mal registrado durante o Holocausto. ‘A Bibliotecária de Auschwitz’ é um livro diferente. É uma história verdadeira e cheia de detalhes a respeito de um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças. Criou também uma biblioteca de poucos volumes com a ajuda de Dita Dorachova, uma menina judia de 14 anos que se arriscava para manter viva a esperança trazida pelo conhecimento e escondia os livros embaixo do vestido. É um registro de uma época sofrida da História, mas que também mostra a coragem de pessoas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes usando os livros como ‘arma’.”

É no mínimo inusitado pensar na existência de uma biblioteca num campo de concentração, mas através do mercado negro, os judeus conseguiram alguns livros que eram usados nas aulas e também existiam os chamados “livros-vivos”, que eram os professores que sabiam uma história de cor e passavam as crianças do Bloco 31. A Bibliotecária de Auschwitz é uma história real. É a história de Dita Adlerova, atualmente com 90 anos. Este livro não necessariamente narra as atrocidades ou a máquina de mortes que foi Auschwitz, não há aquele detalhamento sobre o que acontecia nesses campos de concentração muito comum nos livros de segunda guerra pra quem é habituado a ler, claro que tudo isso é abordado durante a história porque não tem como deixar de fora essas crueldades quando se trata de Segunda Guerra, mas o ponto central da história foi contar como era Auschwitz vista por dentro, através de alguns personagens chave que sobretudo incentivavam o encorajamento e a esperança para outras pessoas.

“Ela pensa por um momento em Hirsch com aquele eterno sorriso enigmático. De repente, percebe que o sorriso de Hirsch é uma vitória. Num lugar como Auschwitz, onde tudo é projetado para fazer chorar, o riso é um ato de rebeldia.”

Dita foi uma das responsáveis por isso, através de alguns pouquíssimos e surrados livros (8 no total, alguns faltando páginas, outros sem capa) que ela carregava escondido por baixo do vestido. Dita nesta época tinha apenas 14 anos, uma menina, mas era responsável por cuidar e principalmente esconder esses livros do qual, se descobertos, poderiam ter custado a sua vida, mas foi graças a esses mesmos livros que Dita conseguiu passar o conhecimento e a esperança pra outras pessoas do Bloco 31 e sobretudo se manter viva até o final da guerra: uma grande forma de resistência em tempos tão sombrios como esse. A Bibliotecária de Auschwitz é uma história que fala sobre esperança, coragem, lealdade, bravura, resistência e livros… Em uma Alemanha Nazista que considerava o conhecimento uma ameaça, os livros foram sim uma verdadeira arma. 5/5 xícaras:

“A menina tinha o vínculo que une algumas pessoas aos livros. Uma cumplicidade que ele próprio não possuía, por ser ativo demais para se deixar fisgar por linhas e linhas de impressas em páginas. Fredy preferia a ação, o exercício, as canções, o discurso. . . Mas se deu conta de que Dita tinha essa empatia que faz com que certas pessoas transformem um punhado de folhas num mundo inteiro só para elas.”

04 jan, 2019

Livro: O Segredo do Meu Marido

“Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta para ser aberta apenas depois que ele morresse. Imagine também que essa carta revela o pior e o mais profundo segredo dele – algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você esbarra nessa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo… Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar de sua pequena comunidade, uma esposa e mãe devotada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia – ou uma à outra -, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela. Emocionante, O segredo do meu marido é um livro que nos convida a refletir até onde conhecemos nossos companheiros – e, em última instância, a nós mesmos.”

Esse é um daqueles livros que a gente não dá nada pelo título, mas quando começa a ler se surpreende com a história. Nunca tinha lido nada dessa autora e admiro muito quando a narrativa te prende do começo ao fim sem muitas firulas mirabolantes pra isso. A história do livro gira em torno de três distintas mulheres cujas vidas se cruzam de uma forma que elas nem imaginam e que a única coisa é comum entre elas é que são obrigadas as enfrentar algumas situações extremas sem saber muito qual caminho trilhar, é aí que tudo pode mudar.

Há também outros personagens secundários e um assassinato que é o ponto chave dessa história. Todos os personagens são muito bem construídos, escrito em terceira pessoa, a narrativa se desenvolve muito bem, é um livro bem interessante de ler. O final eu achei bem impactante e nos faz refletir sobre relacionamento, decisões, comodismos, fragilidades, convivência e claro: as consequências dos segredos… A gente se coloca no lugar dessas mulheres mesmo não sendo a mesma decisão que tomaríamos e nos perguntamos o que faríamos de diferente, baseado principalmente na nossa moral. Eu li esse livro nas férias e terminei ele muito rápido, leitura recomendada:

02 jan, 2019

Meus Livros Lidos em 2018

2018 foi um ano maravilhoso pra mim no mundo da leitura. Eu consegui ultrapassar a minha meta de livros e o que mais amei foram as escritoras que se tornaram tão íntimas minhas como Jane Austen, Emily Brontë Kristin Hannah e Chimamanda Ngozi e que acabaram se tornando as minhas preferidas também. Essas especialmente transformaram o meu mundo e me levaram pra muitos lugares em outros mundos, com outras vidas e outras histórias. Eu me vi submersa especialmente com os clássicos por sugestão até mesmo do marido que dizia “mude um pouco seu estilo de leitura, já que você está lendo tanto” e foi aí eu decidi me jogar primeiramente nos clássicos com a única ressalva de que começaria por escritoras mulheres.

Daí comecei por Jane Austen e me apaixonei pelos seus livros assim como me apaixonei pela mulher tão a frente do seu tempo que ela foi. Tanto que ainda não li todos, porque estou querendo “economizar” e ler seus livros restantes agora em 2019. Depois eu fui pras irmãs Brontë, mais precisamente com a Emily e Charllote em Jane Eyre, mas posso dizer que sem duvida alguma “O Morro dos Ventos Uivantes” foi o livro do ano pra mim, quiçá, o melhor livro da minha vida!!!

E engraçado né? Há anos eu tenho esse livro, há anos ele estava lá na minha estante adormecido e me esperando, mas sempre eu ia deixando ele pra depois, escolhia outro e depois outro e quando decidi finalmente ler e terminei a história eu fiquei tão impactada, tão louca com Heathcliff e Cathy que a primeira pergunta que me fiz foi: “Por que eu não li essa história antes?”

Mas se tratando de literatura eu acho que é isso: é muito livro pra pouca vida. A gente quer ler muita coisa e tem tanta coisa pra ler que as vezes, nem sabemos ao certo qual escolher pra aquele momento. Ainda bem que histórias não tem prazo de validade e talvez esse foi o meu melhor momento quando entrei especialmente nessa história de Emily Brontë porque me apaixonei perdidamente, assim como em “Orgulho e Preconceito”, “Persuasão”, “O Grande Gatsby” (minha nossa, que ensinamento) e principalmente me encontrei com as escritoras da atualidade como Chimamanda Ngozi – que é uma mulher fantástica e uma revelação maravilhosa na literatura – “Hibisco Roxo” é uma obra, pra dizer o mínimo: impactante! Não tem como não se emocionar e estou com os outros dela pra ler agora em 2019. Teve Kristin Hannah que já havia lido suas histórias em outros anos e me apaixonei por mais um dela então agora eu decidi ler todas as suas obras, tanto que atualmente estou lendo “Jardim de Inverno” dela e que logo entra a resenha aqui.

Li na grande maioria do ano em casa, deitada na minha cama, rodeada de gatos como já é um grande hábito meu, mas também li na praia, viajando de ônibus, na rede, dentro da barraca aonde acampei, na piscina do hostel, sentada na espera do embarque e vou guardar esses lugares no meu coração também, assim como guardo todas as histórias que leio. Esse ano eu li muito mais mulheres, li pouquíssimos escritores homens (embora eu tenha lido alguns muito bons), mas 2018 posso dizer que foi o ano das escritoras mulheres pra mim, muitas elas das quais se tornaram as minhas preferidas e que quero lê-las muito mais agora em 2019.

E você, qual livro está lendo ou qual pretende ler em 2019?

10 dez, 2018

Livro: O Bangalô

“Verão de 1942. Anne tem tudo o que uma garota de sua idade almeja: família e noivo bem-sucedidos. No entanto, ela não se sente feliz com o rumo que sua vida está tomando. Recém-formada em enfermagem e vivendo em um mundo devastado pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, Anne, juntamente com sua melhor amiga, decide se alistar para servir seu país como enfermeira em Bora Bora.
Lá ela se depara com outra realidade, uma vida simples e responsabilidades que não estava acostumada. Mas, também, conhece o verdadeiro amor nos braços de Westry, um soldado sensível e carinhoso. O esconderijo de amor de Anne e Westry é um bangalô abandonado, e eles vivem os melhores momentos de suas vidas… Até testemunharem um assassinato brutal nos arredores do bangalô que mudará o rumo desta história. A ilha, de alguma forma, transforma a vida das pessoas, e este livro certamente transformará você.”

Já tinha ouvido falar de Sarah Jio e esse livro já estava há um tempinho da minha lista de leituras, foi o segundo que li durante a viagem e devorei muito rápido. A história é contada em primeira pessoa, no caso, Anne que é a protagonista do Bangalô. Anne no começo se mostra uma pessoa indecisa e muito frágil que não sabe qual rumo na vida tomar, mas que sente que algo lhe falta, um propósito na vida. Tudo muda quando Anne vai com Kitty (a amiga onça) para Bora Bora servir aos EUA como enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial.

É uma história emocionante, fluída, com alguns acontecimentos que mudam o rumo de tudo e que envolve um dos paraísos mais lindos desse mundo em um dos piores períodos da nossa história. Um paradoxo, eu diria. O final eu achei justo – não é necessariamente um final feliz, mas não é de todo o triste (muito embora tenha me deixado com umas pequeninas questões e acho que só por isso vou dar 4 das 5 xícaras) e mostra como o tempo tem uma forma muito única de trabalhar na vida de cada um de nós com todas essas conexões e desencontros que a vida traz.

O Bangalô é um ótimo livro para quem está passando por alguma “ressaca literária” (o que não foi o meu caso, mas estava um pouquinho no marasmo com as histórias da segunda guerra) e precisa de uma leitura de resgate que não demore uma vida para desenrolar e que flua sem muito esforço. Para quem gosta de romances levinhos, mas com uma história bem envolvente e apaixonante, eu super recomendo.

“Estamos fugindo ou tentando encontrar alguma coisa?” – O Bangalô