09 abr, 2018

Livro: A Guerra que Salvou Minha Vida

“Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa. Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios. Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.”

Esse livro sobre guerra é totalmente diferente do que eu já li sobre o tema. É o lado bom que uma guerra causou na vida de alguém, no caso, essa alguém é Ada – a personagem principal da história. A história toda é contada aos olhos dela – narrado em primeira pessoa, então é uma história vista aos olhos inocentes de uma criança de aproximadamente seus 10 anos de idade, mas que já passou por milhões de problemas, antes mesmo até de acontecer a guerra de fato.

“Enquanto adormecia, uma palavra me veio à mente. Guerra. Enfim compreendi qual era minha luta e por que eu guerreava. A mãe não fazia ideia da forte combatente que eu havia me tornado.”

Falar sobre Ada é emocionante porque tudo de ruim aconteceu à ela e mesmo assim, ela conseguiu se superar, mesmo tendo uma vida tão difícil e ainda em um momento tão igualmente complicado da história do mundo também. Talvez para quem já tenha lido milhares de histórias ambientadas na guerra, este livro pode soar mais do mesmo, mas a guerra nessa obra é só um pano de fundo pra história, o foco mesmo é o desenvolvimento psicológico de Ada, seu amadurecimento no decorrer da narrativa e isso me envolveu totalmente.

Privada de toda liberdade de brincar ou ir a escola como algo por direito de qualquer criança, Ada não conhece nada do mundo, só aquilo que vê através de uma janela de uma minúscula e imunda casa em que vive com o irmão mais novo e a mãe que é uma perversa e sem coração. Ada tem seu pé direito torto, o que faz com que ela tenha dificuldade ao andar e isso é uma vergonha para a sua mãe, por isso a mantinha trancafiada em casa. Com o passar da história, Ada foi compreendendo que isso nunca foi culpa dela como sempre pensou e que o amor é capaz de curar tudo, até mesmo as feridas mais profundas.

“Dei a mão a ela. Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome: Felicidade.”

É incrível notar o amadurecimento de Ada durante a história e isso não só com a ajuda de pessoas que a queriam bem, mas principalmente na sua relação com os animais e a natureza. No livro há também outros personagens incríveis – como Susan e Jaime (seu irmão), esses são especialmente os mais cativantes da história tanto quanto Ada e mostra como uma guerra nesse caso e com todas as mazelas que isso envolve, pode ser na verdade, uma verdadeira salvação na vida de algumas pessoas. Esse livro só não vai ganhar as 5 xícaras porque no começo, como Ada não sabia de nada do mundo, – nem mesmo o que eram gramas ou arvores – ela acaba explicando tudo que descobre e isso eu achei que não precisava ter no livro porque deixa o começo da história um pouquinho (mas só um pouquinho mesmo) maçante. Mesmo assim é uma história ótima, daquelas que a gente devora rapidinho e recomendo muito a leitura:

Juliana Esgalha

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