31 out, 2019

Livro: Cem Anos de Solidão

“Neste, que é um dos maiores clássicos de Gabriel García Márquez, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.”

Enquanto eu começava a escrever a resenha deste livro eu acabei tendo uma constatação pessoal minha: eu me apego emocionalmente e me entrego muito mais aos clássicos escritos por mulheres do que os clássicos escritos por homens. Eu não sei o porquê do real motivo disso. Talvez eu me identifique muito mais com a forma da escrita dos clássicos de mulheres, muito embora nenhuma seja igual a outra, mas analisando aqui de todos os clássicos escritos por homens que eu já li até hoje (e nem foram tantos assim pra falar a verdade, mas teve alguns bem relevantes), eu não gostei 100% e/ou a história não me prendeu emocionalmente como eu esperava – foi assim com Tolkien, Bram Stoker, Victor Hugo e por favor, não me interpretem errado, são obras espetaculares, mas que por algum motivo, eu não consigo me prender total e emocionalmente aos nomes de grandes clássicos de escritores masculinos. E Cem Anos de Solidão foi assim.

Esta história é bastante atípica. Depois que você emerge na narrativa de Gabo e ingressa em Macondo as coisas vão acontecendo uma atrás de outra de uma forma muito louca que parece que você não tem um tempo nem pra respirar. Se tratando de livros, essa proposta parece bem interessante, porém, em determinado momento isso começou a me cansar. Cem Anos de Solidão tem uma mistura do real com a fantasia o que deixa a livre interpretação ao entendimento de cada leitor, acho que se eu lesse esse livro uma segunda vez, talvez eu tiraria uma outra interpretação diferente ou acrescentada de algumas coisas. Macondo é um vilarejo fictício que conta a história da família Buendía – que são os fundadores, e tudo se passa por várias gerações e, é apenas isso que vou contar à vocês porque como eu disse: acredito que cada leitor tire uma conclusão diferente dessa história.

Para mim, fazendo uma leitura mais aprofundada de montar todo o quebra cabeça louco que foi com tantos José Arcadios e Aurelianos (todos herdavam o mesmo nome, e no começo parece confuso, mas dá pra se alinhar em quem é quem na história) e todos os seus acontecimentos históricos, amorosos, políticos, familiares que estão entrelaçados entre a fantasia e a realidade, eu compreendi que o certo e o errado não existe: os personagens apenas são, mas que durante a vida todos tem o mesmo fardo da solidão e no final, inevitavelmente, o mesmo destino: a morte. Macondo também tem ótimas personagens femininas: Rebecca, Amaranta, Pilar Temera, Remédios… Mas a que mais gostei foi Úrsula.

*Resumo Gráfico e Árvore Genealógica da Família Buendía e do Romance Cem anos de Solidão – Fonte Wikipédia

Resenhando assim, parece que meu comentário cai por terra sobre o que disse no começo de clássicos de escritores homens não me encantaram por completo e Cem Anos de Solidão é realmente uma ótima história, não é a toa que ganhou Nobel, não é a toa que é referência mundial do clássico latino-americano, só que depois de um tempo dentro da história, eu achei um tanto quanto cansativa e já não via a hora de acabar.

Em boa parte talvez seja pela narrativa de Gabriel Garcia que realmente é como se você estivesse em um trem a toda velocidade e sem freio, talvez porque também eu não esteja totalmente habituada com isso, talvez se eu pegar esse livro em um outro momento eu tire uma outra lição dele e talvez passe a amá-lo muito mais, mas não foi dessa vez.

Se eu recomendaria? Com toda certeza! Um clássico é um clássico, né mores? Macondo e seus personagens nos dão uma real perspectiva principalmente sobre o comportamento humano nas suas mais variadas nuances e é uma história que todos deveriam ler pra assim tirar suas próprias conclusões. O livro vai virar uma série da Netflix também e honestamente eu não faço a menor ideia de que forma será representado, em todo caso, sempre leiam o livro primeiro.

4/5 xícaras:

Juliana Esgalha

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