07 fev, 2018

Livro: Mulheres Sem Nome

Mais um livro fantástico que merece muito a resenha, mas vamos primeiro a sinopse:

A socialite nova-iorquina Caroline Ferriday está sobrecarregada de trabalho no Consulado da França, em função da iminência da guerra. O ano é 1939 e o Exército de Hitler acaba de invadir a Polônia, onde Kasia Kuzmerick vai deixando para trás a tranquilidade da infância conforme se envolve cada vez mais com o movimento de resistência de seu país. Distante das duas, a ambiciosa Herta Oberheuser tem a oportunidade de se libertar de uma vida desoladora e abraçar o sonho de se tornar médica cirurgiã, a serviço da Alemanha. Três mulheres cujas trajetórias se cruzam quando o impensável acontece: Kasia é capturada e levada para o campo de concentração feminino de Ravensbrück, onde Herta agora exerce sua controversa medicina. Uma história que atravessa continentes — dos Estados Unidos à França, da Alemanha à Polônia — enquanto Caroline e Kasia persistem no sonho de tornar o mundo um lugar melhor. Costurado por fatos históricos e personagens femininas poderosas, Mulheres Sem Nome é um romance extraordinário sobre a luta anônima por amor e liberdade. Um livro inspirador, que encanta e comove até a última página.

O livro conta a história de 3 mulheres com vidas completamente diferentes, mas todas impactadas pelos horrores da Segunda Guerra. Caroline, Herta e Kasia são as protagonistas do livro. Os capítulos são narrados em primeira pessoa e vão se intercalando entre as personagens, por conta disso, em certos momentos a história, ao menos pra mim, desacelerou um pouquinho. Especialmente com a história de Caroline e mesmo sendo uma figura extremamente altruísta e heróica no livro, seu romance com o Paul e todos os detalhes de sua vida glamourosa as vezes me cansava um pouco, mas nada a ponto de não querer continuar com a história.

Kasia e Herta sem duvida alguma tem as histórias mais impactantes. Herta é a médica sem perspectiva alguma na carreira que numa decisão abrupta, foi para um campo de concentração destinado a mulheres trabalhar como cirurgiã e isso não implica na medicina que salva vidas, mas sim, nas atrocidades que muitos médicos fizeram nesses campos. Herta foi esse tipo de médica. Preocupada em ajudar sua mãe e ter um reconhecimento maior em sua carreira como médica? Não sei. Por mais que inicialmente pareçam boas intenções, é difícil de compreender suas decisões num cenário como esse. No começo você vê uma Herta meio que negando aquilo que está bem na sua cara, depois justificando seus atos, com isso você vai notando uma pessoa cada vez menos desprovida de humanidade no livro, é bem triste porque a todo momento você espera que num ato heroico, Herta mude de lado, mas estamos falando em histórias reais e numa guerra dificilmente terá um desfecho feliz, só achei que faltou falar um pouco mais sobre ela no pós guerra, eu senti falta disso.

Já Kasia é brilhante. Sua coragem, determinação e vontade de viver é surpreendente na história. Por mais que soubesse dos riscos que corria ao entrar pra Resistência, Kasia jamais imaginaria que sua decisão e um passo errado fosse afetar diretamente também a vida de sua mãe e irmã. Kasia é uma pessoa que foi endurecida pela guerra, incapaz de confiar 100% e a transmitir o amor, ela trava uma luta interna no pós guerra e o final é surpreendente. O livro é dividido em duas partes: a segunda parte é o pós guerra e conta como e quando a vida dessas 3 mulheres se cruzaram. Tirando alguns mínimos pontos negativos, é uma leitura prazerosa e deveras emocionante que vai levar 5/5 xícaras de café (por sugestão do Rick, mudei um pouquinho o critério de avaliações dos livros, agora é de 1 à 5 e ficou bem melhor pra dar a nota né?).

Baseado em fatos reais, no final a autora explica e aponta o que é fictício, o que é real na narrativa e como foi sua pesquisa minuciosa para concluir o livro. Sem duvida, Mulheres Sem Nome é uma história sobre altruísmo, atrocidades e bravura, é a vida de 3 mulheres que representam todas as outras milhares que passaram por essa guerra.

Juliana Esgalha

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