
Em Plumpton, uma cidadezinha do Texas, Lucy e Savvy sempre foram as meninas dos olhos de todos: bonitas. inteligentes e alvo da inveja geral. Lucy se casou com o marido dos sonhos, enquanto Savvy era a rainha do carisma, e não havia quem não a adorasse – especialmente os homens da cidade, segundo boatos Até que tudo desmoronou: um dia, Lucy foi encontrada vagando pelas ruas de madrugada, coberta com o sangue de Savvy, sem ter ideia do que aconteceu Apesar de sua culpa nunca ter sido provada, todos têm certeza de que ela é uma assassina. E passados cinco anos, Lucy ainda não consegue se lembrar de nada relacionado àquela noite terrível Mas quando o apresentador de um famosíssimo podcast de true crime decide investigar o assassinato de Savvy, Lucy é forçada a voltar ao lugar onde jurou nunca mais pisar para descobrir quem matou sua amiga. Mesmo que tenha sido ela mesma A verdade está em algum lugar. Basta saber que rastro seguir
Thriller young adult que pega numa premissa intrigante — uma jovem acusada de matar a melhor amiga, sem memória do que aconteceu — e constrói à volta dela um mistério que nada é o que parece. Lucy regressa a Plumpton, a pequena cidade do Texas onde todos a julgam culpada, porque um podcast de true crime decidiu reabrir o caso. O que encontra lá não é apenas o fantasma de Savvy, a amiga morta, mas uma teia de segredos que envolvem quase toda a gente que as rodeava.
O grande acerto do livro está na forma como Amy Tintera joga com a ideia de que as memórias são traiçoeiras e de que a verdade, muitas vezes, é menos importante do que aquilo que escolhemos acreditar. Lucy não sabe se matou Savvy. O leitor também não. E essa incerteza sustentada durante quase toda a narrativa é o que prende a atenção. A autora não tem pressa em revelar o que aconteceu naquela noite; em vez disso, vai mostrando as camadas de um relacionamento entre duas amigas.
Savvy é descrita como a amiga que todos adoravam, mas os flashes que vamos tendo do passado sugerem uma versão menos luminosa. Lucy, por seu lado, é uma protagonista frágil mas determinada, cuja memória falha é ao mesmo tempo um obstáculo e uma proteção. A relação entre as duas é o centro invisível do livro, e a consegue torná-la suficientemente ambígua para que o leitor nunca saiba bem de que lado está.
A crítica à cultura do true crime está presente de forma inteligente, sem nunca se sobrepor ao mistério. O podcast que investiga o caso funciona como um dispositivo narrativo que lembra outros thrillers recentes, mas Tintera evita a fadiga do gênero ao centrar-se menos no espetáculo da investigação e mais no impacto que ela tem em Lucy. O regresso à cidade, o confronto com os que a acusam, a redescoberta de pessoas que achava conhecer — tudo contribui para uma atmosfera de desconfiança generalizada.
O ritmo é acelerado, talvez até demais nos últimos capítulos, onde algumas reviravoltas se acumulam com uma rapidez que pediria mais espaço para respirar. O final, ainda assim, é surpreendente e justo, pra mim foi totalmente inesperado. No rastro da mentira é um livro sobre a dificuldade de separar a verdade da percepção que os outros têm de nós. E sobre como, às vezes, as piores mentiras são aquelas que contamos a nós mesmos. 5/5:







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