
Um cachorrinho e uma bebê adoráveis. E o compromisso de viver cada dia como se fosse o último. Quando Vanessa Price largou o emprego e decidiu viajar pelo mundo, não esperava ganhar milhões de seguidores no YouTube, ávidos por compartilhar sua alegria de aproveitar cada momento. Para ela, viver todos os dias ao máximo não é só um lema: por conta de uma doença genética, a mãe e a irmã nunca chegaram aos 30 anos, e Vanessa quer valorizar tudo o que puder.A situação muda quando sua meia-irmã de repente deixa a filhinha aos seus cuidados. As aventuras diárias passam a ser tarefas maternas (com o bônus de vômito de bebê no cabelo). A última pessoa de quem Vanessa espera receber ajuda é do advogado sexy que mora ao lado, Adrian Copeland. Afinal, ela mal o conhece. Ninguém lhe avisou que ele é um encantador de bebês. Ou que ela passaria bastante tempo na companhia dele e de um chihuahua idoso, apesar de ambos terem personalidades tão diferentes.Agora, sentimentos que Vanessa jurou nunca sentir despertaram dentro dela. E a única coisa pior do que se apaixonar por Adrian é ter uma esperança ínfima de um futuro que talvez não viva. Mas será que não vale a pena correr esse risco?
Vanessa Price não vive como se cada dia fosse o último por filosofia — vive assim por necessidade. Uma doença genética atinge as mulheres da sua família antes dos trinta anos. A mãe não chegou. A irmã também não. Vanessa, aos vinte e poucos, sabe que o seu relógio biológico tem um prazo que a maioria das pessoas nem consegue imaginar. Por isso, viaja, grava, partilha. Acumula experiências como quem acumula seguranças contra o vazio que a espera.
O plano desmorona quando a sua meia-irmã abandona uma bebê à sua porta. De repente, as aventuras diárias dão lugar a fraldas e muito choro. É neste caos que surge Adrian Copeland, o vizinho advogado que Vanessa sempre evitou — até porque ele é o oposto de tudo o que ela valoriza: estável, caseiro, responsável. Mas Adrian, descobrimos, é um encantador de bebês. E também, contra todas as expectativas, um encantador de Vanessa.
O relacionamento entre os dois constrói-se devagar, com tropeços, recuos e avanços. Há cenas de uma ternura — como quando Adrian cuida da bebê para Vanessa poder dormir pela primeira vez em dias, ou quando ele lhe prepara o pequeno almoço sem esperar nada em troca. Mas há também momentos de uma honestidade brutal, como quando Vanessa lhe explica, com a frieza de quem já fez as contas, que provavelmente não estará viva para ver a filha da irmã crescer.
O tema central do livro — viver com a certeza de uma morte prematura — é tratado com sensibilidade que evita tanto o melodrama quanto o vazio. Não há respostas fáceis. Não há cura milagrosa, não há descoberta científica de última hora. Há apenas a possibilidade de que, mesmo com um prazo contado, vale a pena arriscar. Amar alguém sabendo que o deixará cedo. Criar uma criança sabendo que não a verá crescer. Escolher o agora, não apesar do amanhã, mas por causa dele.
Não é um final feliz no sentido tradicional — mas é sim um final verdadeiro. Eu amo os livros da Abby Jimenez, esse é legal, mas foi o que menos gostei até agora. 4/5:






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