22 maio, 2018

Livro: O Morro dos Ventos Uivantes

“Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.”

Tenho esse livro há muitos anos na minha estante, mas sempre acabava escolhendo qualquer outro pra ler e sempre fui deixando ele de lado. Como agora eu tô na pegada de romances históricos, principalmente de escritores bem antigos, decidi ler o Morro dos Ventos Uivantes e acho que foi um dos livros mais incríveis que já li na minha vida. É sério. Eu fiquei triste de terminar a história, fui lendo mais devagar dessa vez porque não queria devorar tudo de uma vez. E que história. Me pergunto porque não li esse clássico antes, mas acho que tudo tem seu momento, talvez em outras épocas eu não teria me apegado tanto a esse livro como me apeguei agora, justamente porque quando o comprei, eu estava até em outra vibe de leitura. O Morro dos Ventos Uivantes fala de amor, vingança e tragédia. Fala de personagens rancorosos, impulsivos, de amores doentios que ferem uns aos outros, de personagens intensos que amam, choram, se amaldiçoam e perdoam. Tudo de uma maneira muito forte. Não existe momentos, situações ou sentimentos brandos nessa história. É um clássico pesado, por muitas vezes eu fechava o livro, respirava fundo por alguns minutos, olhava pro Ricardo e soltava um:

“- Muitas vezes provocamos os fantasmas e nos desafiamos mutuamente a andar e chamar os mortos por entre as sepulturas. Mas tu, Heathcliff, se te desafiar agora, ainda terás coragem de fazê-lo? Se tiveres, ficarei contigo. Não quero jazer ali sozinha. Podem enterrar-me a sete palmos de profundidade e fazer desabar a igreja sobre mim, mas não descansarei enquanto não estivermos juntos. Jamais!”

Ao contrário das histórias de Jane Austen que são romances densos, mas que ao mesmo tempo são leves no seu contexto, o Morro dos Ventos Uivantes é uma paulada louca atrás da outra, alguns personagens você odeia tanto, mas tanto, que no fundo acaba tendo até uma certa admiração por eles. Heathcliff certamente é o mais detestável da história e suas falas são tão pesadas, tão carregadas de ódio, tirania, rancor e tão desprovidas de qualquer tipo de humanidade, que de certo modo você compreende o porquê dele ter se tornado um homem tão duro e amargo. Eu não vou ficar soltando nada da história porque não quero dar nenhum tipo de spoiler – por mínimo que seja, mas é um livro pesado, denso e envolvente que, acima de tudo, é algo pra se ler bem devagar e mastigar cada momento. Foi assim que fiz.

“E eu rezo uma oração.. hei de repeti-la até que minha língua se entorpeça… Catarina Earnshaw, possas tu não encontrar sossego enquanto eu tiver vida! Dizes que te matei, persegue-me então! A vítima persegue seus matadores, creio eu. Sei que fantasmas têm vagado pela terra. Fica sempre comigo.. encarna-te em qualquer forma… torna-me louco! Só não quero que me deixes neste abismo, onde não posso te encontrar! Oh, Deus! é inexprimível! Não posso viver sem minha vida! Não posso viver sem minha alma!”

“Não disse que não é amor, definitivamente é, mas eu sei que é efêmero e que o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, e mesmo que eu te amasse com todas as forças do meu corpo nem em cem anos poderia te amar tanto quanto te amei em um único dia. Talvez daqui 100 anos eu ame ainda mais, tanto, que tu já tenha se espalhado de tal forma, sendo impossível de tirar daqui do meu eu mais secreto e íntimo não como um prazer, porque eu não sou um para mim mesma, mas como o meu próprio ser existindo na sombra da tua existência, sendo apenas a metade e não meu todo. Onde não há você, não existe eu, só vazio.”

O Morro dos Ventos Uivantes é mais um clássico atemporal, feito de personagens que nenhum deles é apático, ao contrário, todos são incrivelmente intensos. Foi o único livro escrito por Emily Brontë (que pelo que li foi uma autora reclusa e problemática e que faleceu no ano seguinte ao lançamento de sua obra). Kate Bush criou a canção Wuthering Heights que é mundialmente conhecida também, o poeta Dante Gabriel Rossetti disse que a história se passa no inferno e que só os lugares e as pessoas têm nomes ingleses. Certamente tudo isso faz jus a fama que esse clássico tem e que torna a história ainda mais interessante. Vai ganhar 5/5 das xícaras e entrou com louvor pra minha lista de livros favoritos:

Juliana Esgalha

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